21 novembro 2018

[Resenha] Os Números do Amor - Helen Hoang

Um romance que prova que o amor muitas vezes supera a lógica.
Já passou da hora de Stella se casar e constituir família — pelo menos é isso que sua mãe acha. Mas se relacionar com o sexo oposto não é nada fácil para ela: talentosa e bem-sucedida, a econometrista é portadora de Asperger, um transtorno do espectro autista caracterizado por dificuldades nas relações sociais. Se para ela a análise de dados é uma tarefa simples, lidar com os embaraços que uma interação cara a cara podem trazer parece uma missão impossível. Diante desse impasse, Stella bola um plano bem inusitado: contratar um acompanhante para ensiná-la a ser uma boa namorada.
Enfrentando uma pilha cada vez maior de contas, Michael Phan usa seu charme e sua aparência para conseguir um dinheiro extra. O acompanhante de luxo tem uma regra que segue à risca: nada de clientes reincidentes. Mas ele se rende à tentação de quebrá-la quando Stella entra em sua vida com uma proposta nada convencional.
Quanto mais tempo passam juntos, mais Michael se encanta com a mente brilhante de Stella. E ela, pela primeira vez, vai se sentir impelida a sair de sua zona de conforto para descobrir a equação do amor.


Livro: Os Números do Amor || Autor: Helen Hoang || Série: The Kiss Quotient #1
Editora: Paralela ||Ano: 2018 || Gênero:  Romance contemporâneo, adulto
 Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Tainara





Em Os Números do Amor, conhecemos Stella, uma mulher de 30 anos, superinteligente, bem-sucedida profissionalmente e que tem autismo. Por causa da sua condição, tem dificuldade de se relacionar com as pessoas, e as pessoas que não entendem pelo que ela passa, se sentem desconfortáveis ao lado dela. Por esse problema com relacionamentos, logicamente ela teria dificuldade no ato sexual e está decidida a mudar isso, contratando um acompanhante de luxo. 
"Os olhos dela se voltaram para ele, e Michael ficou sem reação. Por trás dos óculos de bibliotecária safada havia um par de lindos olhos castanhos e suaves. E os lábios dela eram cheios o bastante para ser tentadores, mas sem estragar a impressão de delicadeza.
Devo ter me confundido”, ele disse, com um sorriso que parecia mais um pedido de desculpas do que uma demonstração de vergonha total. De jeito nenhum aquela garota contrataria um acompanhante.
Ela piscou algumas vezes antes de ficar de pé num pulo, sacudindo a mesa. “Não, sou eu. Você é Michael. Reconheci pela foto. ” A garota estendeu a mão. “Stella Lane. Prazer. ”
Michael é acompanhante de luxo, não porque gosta, mas porque não teve outra opção. Sua mãe está muito doente e eles não tem como arcar com as despesas médicas, além de ter 5 irmãs e uma avó para ajudar a sustentar. Por não gostar de ser acompanhante, ele só trabalha às sextas feiras e é em uma dessas sextas que sua vida muda completamente.

Ao longo da narrativa, Stella vai se envolvendo mais e mais com Michael, mas vou lhe informar: IMPOSSÍVEL ficar apática ao Mica. Ele é muito fofo, muito atencioso, muito tudo, do mesmo jeito que a Stella do jeitinho dela é uma fofa também. Quando as coisas entre eles vão ficando mais intensas, Mica quer se afastar, ao ponto de ter um grande clímax na história.
"Existem bilhões de pessoas no mundo, e o amor não pode ser uma coisa forçada."
A autora se baseou em Uma Linda Mulher para escrever esse romance, com as posições sociais dos personagens invertidas. Amei o resultado. Ela conseguiu trazer uma fragilidade masculina muito difícil de ver nas leituras atuais. Ela também desmitifica que os acompanhantes masculinos nos romances são sempre OS CARAS, e que a mocinha tem que correr atrás do prejuízo. 

O livro também traz um tom bem erótico para a história e isso foi uma coisa que me surpreendeu de uma forma muito positiva. Quando li a sinopse, achei que a história seria focada na síndrome que a Stella tem, mas foi bem diferente disso. Lógico que a gente teve a visão da síndrome em várias situações, mas ver o autismo conectado com o ato sexual, ao conhecimento do corpo, do prazer foi maravilhoso. Em diversos momentos li várias situações parecidas com as que assisti na série Atypical. 

Inclinando-se para trás e respirando fundo, ele avaliou seu efeito. Stella respirava fundo com os lábios entreabertos vermelhos e brilhando. A mensagem em seu olhar era de puro sexo. Estava pronta para mais.

Os personagens são bem construídos e bem inseridos na história. Sem lacunas que possam dificultar o entendimento da mensagem que a autora quer transmitir. Ficamos com aquele gostinho de querer saber mais sobre todos da família do Michael, principalmente o Quan. Seria legal houvesse no futuro uma história sobre a mãe do Mica. As irmãs do Michael dão aquele toque de família amorosa/problemática ainda maior e que dá mais alivio cômico ao enredo.

Esse romance me lembrou porque eu amo histórias românticas. O enredo traz uma forma diferente de ver o erotismo, o sexo, as relações pessoais. Não existe sexo sem sentido, existe sexo com sentimento do início ao fim, desde o primeiro ao último toque. As cenas eróticas não perdem o sentido pelo exagero, até porque não tem exageros, tem formas delicadas de um tratar o outro.
“Porque você não gosta de surpresas, e eu achei que fosse precisar de um tempo para se acostumar com a ideia.”


A sinopse do livro já entrega bastante da história, mas a surpresa fica pelo fato de a narrativa se passar em terceira pessoa e na simplicidade e honestidade que a autora escreveu e conectou tudo. No casal principal não vemos um melhor ou pior que o outro, a condição de acompanhante do Michael não faz a Stella se achar melhor do que ele sobre qualquer coisa e o Mica, por saber da dificuldade da Stella, não tenta sair por cima. É tudo muito fofo, muito gentil, muito sensível, muito irreal para o mundo que vivemos. Pessoas que tem autismo não deveriam estar nessa Terra porque são muitíssimos... eu não tenho nem palavras para descrevê-los.

É o tipo de coisa que as pessoas com todo esse dinheiro deveriam fazer, não acha? Doar para quem precisa? Consigo me sustentar muito bem com meu salário. É só dinheiro, Michael [...]

O livro é muito bem estruturado em pesquisas, além de ser baseado na Síndrome de Asperger, que a autora tem, o que dá um toque de realidade, uma sensação de que você está lendo não um livro fictício e sim uma biografia com nomes trocados. Eu não consegui ler o livro e criar o personagem na minha cabeça com as características que a escritora disponibilizou. Eu só conseguia ver o rosto da autora cada vez que lia o nome Stella. Não sei se isso foi bom ou ruim, mas particularmente fiquei cativada com a sensibilidade dela. 
“Se quiser me comprar cuecas, vou usar”
A capa é maravilhosa, a diagramação é perfeita, não encontrei nenhum erro de revisão, o cheirinho eu nem digo nada, porque simplesmente é esplêndido e o livro é todo contado em terceira pessoa. 

A Helen conseguiu trazer o que a algum tempo estava esquecido por alguns autores: romance de verdade. Pessoas reais, com sentimentos reais, com situações reais. Dessa forma a ela consegue ter a atenção real das pessoas sem cair no comum e nas repetições desnecessárias. É praticamente um conto de fadas moderno e amei isso.

De tanto escreverem romance e se atentarem apenas ao erotismo, alguns autores acabam perdendo a visão de que dentro de uma história podem ser explorados diversos temas. Não precisa ser apenas mocinho mandão, mocinha submissa, relacionamento abusivo e felizes para sempre. Quanto mais se escreve sobre essas coisas, sem um porquê, temos aquelas sensações de que estamos lendo mais do mesmo, o que acaba tornando a leitura chata, cansativa e repetitiva. Pode haver mais, tem que ter mais, até porque os livros foram feitos para nos melhorar de alguma forma. E em Os Números do Amor, há mais.

Terminei esse livro encantador com a certeza de que o epílogo não foi suficiente para aplacar a minha curiosidade do futuro de Michael e Stella. Esse foi de longe um dos melhores livros que li esse ano, coloco ele no meu top 5 (já li duas vezes), além de ter sido mais um casal que entra para a minha lista de casais que gostaria de ter como vizinhos! 
"Quando você ama uma pessoa, precisa lutar por ela de todas as formas."
Xerô!!!

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3 comentários :

  1. Que livro é esse parece ser muito fofo, ainda não li nada com a síndrome, mas fiquei interessada em saber como a personagem leva sua vida, principalmente as relações amorosas dela, seria uma leitura diferente do que geralmente leio. Parece que os personagens nos conquistam logo de cara, espero poder ler.

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  2. Oi Tainara,
    Não faço idéia do que seja a profissão de Stella, fui até pesquisar mais sobre ela, e olha, muito bacana, casou mesmo com o título, rs.
    Ah, eu nem imaginava toda essa sensualidade na história, mas acho ótimo que a autora tenha conseguido manter o romance fofo, e ainda assim, nos presentear com cenas mais intensas.
    Não conheço muito sobre essa Síndrome, outro ponto legal para mim, já que lendo posso entender melhor o que uma pessoa que a carrega passa.
    Menina, baseado em Uma linda mulher?? Eu já amei kkkkk É um clássico que amo!
    Enfim, gostei de como foi apresentado a relação dos dois, acredito que humor também esteja presente no livro, sem dúvidas irei ler.
    Beijos

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  3. Eu gostei muito do modo como a autora aborda a questão da síndrome de Asperger da protagonista Eu também possui essa síndrome então eu senti um pouquinho de representatividade quando li esse livro que acabou se tornando um dos meus favoritos é uma coisa delicada de se ler e intenso como a autora consegue abordar o problema da história sem que fique dramático ou mórbido

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