09 outubro 2018

[Resenha] Rei das Cinzas - Raymond E. Feist

"O mundo de Garn já foi composto de cinco grandes reinos, até que o rei da Itrácia foi derrotado e todos os membros de sua família foram executados por Lodavico, o implacável rei de Sandura, um homem com ambições de dominar o mundo. A família real de Itrácia eram os lendários Jubardentes, e representavam um grande perigo para os outros reis. Agora restam quatro grandes reinos, que estão à beira de uma guerra.
Mas há rumores de que o filho recém-nascido do último rei de Itrácia sobreviveu, levado durante a batalha e acolhido pelo Quelli Nacosti, uma sociedade secreta cujos membros são treinados para infiltrar e espionar os ricos e poderosos de Garn. Com medo de isso ser verdade, e a criança crescer com um coração cheio de desejo de vingança, os quatro reis oferecem uma enorme recompensa pela cabeça da criança.
Na pequena vila de Oncon, Declan é um aprendiz de ferreiro, aprendendo os segredos da produção do fabuloso aço do rei. Oncon está situada na Covenant, uma região neutra entre dois reinos. Desde que a área de Covenant foi declarada, a região existiu em paz, até a violência explodir com traficantes de escravos indo até a vila capturar jovens homens para serem soldados em Sandura. Declan precisa escapar, para levar seu conhecimento precioso para o barão Daylon Dumarch, comandante de Marquensas, talvez o único homem que pode derrotar Lodavico de Sandura, que agora se aliou à fanática Igreja do Deus Único e está marchando pelo continente, impondo sua forma extrema de religião sobre a população e queimando descrentes pelo caminho.
Enquanto isso, na ilha de Coaltachin, o domínio secreto da Quelli Nacosti, três amigos estão sendo instruídos nas artes mortais de espionagem e assassinato: Donte, filho de um dos mais poderosos mestres da ordem; Hava, uma menina séria com habilidades de luta que poderiam derrubar qualquer oponente; e Hatu, um rapaz estranho e conflituoso no qual fúria e calma lutam constantemente, e cujo cabelo é de um tom brilhante e ardente de vermelho."

Livro:  Rei das Cinzas|| Série: A Saga dos Jubardentes #01
 Autor: Raymond E. Feast||Editora: HarperCollins Brasil
Classificação: 4 estrelas || Resenhistas: Karla e Lud
 Ano: 2018|| Gênero: fantasia

Os reinos de Sandura, Metros, Zindaros, Ilcomen e Itrácia eram os Cinco Grandes Reinos de Garn que formavam a Aliança. Um acordo entre os reinos para garantir a paz e o direito de passagem já durava 200 anos, até Lodavico de Sandura armar um grande golpe para matar aquele que era considerado amigo de todos. 

Steveren Langene, Rei da Itrácia, conhecido como o Reino das Chamas, é um dos reis mais honrosos que já existiu. Itrácia é a cidade mais civilizada do mundo, berço de jovens e talentosos pintores, músicos, dramaturgos, poetas e atores. E tudo isso é transformado em cinzas por Lodavico, que forja uma traição por parte de Steveren, para poder ter um motivo para extirpar o sangue dos Langene da terra. 

Para salvar o seu próprio povo, o Barão de Marquensas, Daylon Dumarch, aceita trair seu amigo Steveren, e assiste sem fazer absolutamente nada a aniquilação de toda a família Jubardente (como eram conhecidos, devido a cor do cabelo). 
"— Você poderia ter se oposto a mim e servido Steveren.
— Para terminar no meio deles? — disse, apontando para os mortos que apodreciam na lama."
Agora, o Reino das Chamas transformou-se no Reino das Cinzas e todos acreditam que a linhagem dos Jubardentes se extinguiu. Mas as histórias e lendas contam que no dia que a linhagem dos Jubardentes deixar de existir, o mundo irá ruir e ser totalmente destruído. E bem... o mundo ainda está de pé.

Alguns anos se passam, e o bebê deixado na tenda do Barão de Marquensas, no fatídico dia da queda de Itrácia, já é um adolescente, que se encontra aos cuidados da Quelli Nascosti, a Nação Invisível de Coaltachin - povo que tem os melhores espiões, assassinos e sabotadores do mundo. Hatushaly é um membro dessa organização e treina para ser um dos melhores, mas ele sabe que é diferente, que não se encaixa ali, e o desejo de querer saber mais o enche de uma raiva incontrolável, uma chama viva que queima dentro de si. Ele sabe que no fundo nunca será um Sicari – um homem da adaga - um dos postos mais altos alcançado após o rigoroso treinamento. Seu destino é incerto.

Porém, enquanto nada é decidido, Hatu vive sua vida, sendo enviado em missões para aprimorar seu treinamento, e algumas vezes consegue estar na mesma equipe de seu amigo Donte ou estar perto de Hava. O trio é inseparável, não sabem bem como se uniram, já que são completamente diferentes, mas existe um elo ali. 

E então chega o dia do final do trato feito entre o Barão e os Quelli Nascosti, e Hatu é enviado para Daylon, que possui planos para esse menino. Mas, a hora certa ainda não chegou, e então ele o manda para Cerro de Beran, onde seu destino acaba se ligando a Declan, o ferreiro da cidade, que desconhece o seu papel nos planos do Barão, e sua linhagem. Entretanto, um homem como ele, que sabe forçar o aço-joia para confeccionar espadas especiais, não é apenas um simples aldeão. 

O cheiro de mudança está no ar. A aliança que um dia uniu todos os cinco reinos agora está se desintegrando e o mais forte deve prevalecer. Em uma guerra nunca se pode contar como vitorioso e apenas um menino com fogo dentro de si pode mudar o rumo da história. 



Eu estava louca por esse livro, mas acabei parando a leitura umas três vezes e nem sei o por quê. Quando voltei a ler foi para ir até o fim. A primeira coisa que vocês precisam saber é que este livro tem um dos melhores prólogos que já li! É arrebatador, intenso e surpreendente. Nunca tinha lido nada do Raymond E. Feist, mas simplesmente amei esse livro.

A forma como o autor desenvolve o enredo é surpreendente, soltando cenas aqui e ali, e de repente todas se ligam de uma forma tão lógica, que você até se dá um tapa por não perceber antes. Fora que todo o enredo é repleto de pequenas tramas e reviravoltas que apenas constroem o pano de fundo para o ápice da história.

Como um bom livro de fantasia, ele é cheio de detalhes, não só do mundo em que se passa a história, mas também de coisas cotidianas. E, como eu esperava quando o escolhi para ler, imaginei que fosse exatamente isso, um livro mais de estratégia, mais cru, porque estamos falando de guerra, de reis sedentos por poder e assassinos. 

Os personagens são muito bem construídos, cada um teve seu momento no livro para deixar a sua marca e o que representam. Hatu é um personagem forte, mas diferente dos que costumamos ler, ele também tem seus momentos de inseguranças, de dúvidas. O que é completamente lógico, já que ele não sabe quem é. Já Declan tem uma força interior, ele é focado e sério. É aquele que procuram quando os problemas aparecem. 

Uma coisa que eu adorei foi a narrativa intercalada entre o Declan e o Hatu. Porque você já sabe no prólogo que um menino será o principal, mas então aparece um capítulo inesperado de um personagem novo. E durante o livro todo você vai criando diversas teorias de como eles dois vão se encontrar. E isso te leva a ler o livro de uma forma frenética. 

A parte da fantasia em si é presente quase no final do livro, e eu já estava no desespero para saber onde iria entrar isso. E entrou de forma modesta, mas que aguça toda a curiosidade do leitor para o próximo livro, onde essa parte deve entrar forte no enredo. E meus caros... eu não vejo a hora de isso acontecer. 

Raymond consegue prender o leitor em cada linha apresentada, e não pense que esse é apenas mais um livro de fantasia, é o começo de uma trilogia que vai te tirar o fôlego. 

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4 comentários :

  1. Oi, Karla,

    É perceptível como esse primeiro volume serve como uma introdução e ponto de partida desse universo criado pelo autor, que com certeza renderá muita história em sua continuação.

    Confesso que a história não despertou o meu interesse...

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    1. Daiane, sim! Ele apresenta todos os personagens, e a gente fica querendo o segundo! Livro sensacional! Recomendadíssimo.

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  2. Tenho a série Mago até agora li o primeiro e gostei. Essa nova série parece ser muito boa e bem trabalhada, fiquei curiosa com esse mundo que o autor criou adoro fantasia, parece que a leitura envolve o leitor de um jeito que ele fica ansioso pelos acontecimentos, pois essas guerras essa disputa pelo poder acaba com a gente rs.

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    1. Maria, que livro!!! Ele vai jogando as coisinhas no ar e depois junto tudo com maestria! Perfeito!

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