11 outubro 2018

[Resenha] Querido Mundo - Bana Alabed


O relato surpreendente de uma menina síria em meio aos horrores da guerra.
Aos 3 anos de idade, Bana Alabed tinha uma infância feliz que foi interrompida abruptamente por uma guerra civil. Durante os quatro anos seguintes, Bana viveu em meio a bombardeios, destruição e medo. Sua provação angustiante culminou em um cerco brutal em que ela, seus pais e os dois irmãos mais novos ficaram presos em Aleppo, com pouco acesso a comida, água, medicamentos e outras necessidades básicas. Com o potencial revolucionário da Internet, Bana, em um gesto simples, mas inédito, usou o Twitter para pedir paz e mobilizar pessoas ao redor do mundo pelo mesmo intuito. Contendo palavras da própria Bana e cartas comoventes de sua mãe, Fatemah, Querido Mundo não é apenas um relato envolvente de uma família ameaçada pela guerra — o livro oferece, também, uma perspectiva única sobre uma das maiores crises humanitárias da história, vista pelos olhos de uma criança. Bana perdeu sua melhor amiga, a escola onde estudava e seu lar. Mas não perdeu a esperança — com relação a si mesma e às outras crianças ao redor do mundo, vítimas e refugiadas de guerra que são dignas de vidas melhores.


Livro: Querido Mundo: A História De Guerra De Uma Menina Síria E Sua Busca Pela Paz

 Autor: Bana Alabed 
Editora: Best Seller  ||Ano: 2018 || Gênero:  Teen - Biografia, Guerra
 Classificação: estrelas || Resenhista: Sheila

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Bana é uma garotinha real. Sim, ela realmente existe, nasceu na Síria, cresceu em Aleppo e é muito precoce. Como a própria mãe diz, ela é uma alma velha. Aprendeu a ler aos três anos e vivenciou a Guerra na Síria em sua infância.

Essa vivência de uma garotinha nos propicia esse livro. Umm relato sincero e pueril de como uma criança enxerga uma guerra, como ela se sente nos seus direitos mais básicos.


O livro foi escrito com a ajuda da mãe de Bana e de uma editora, mas, quando se lê realmente os pensamentos, ainda que extremamente realistas, possuem a construção simples de uma criança. No meio do texto há cartas da Mãe de Bana e aí conseguimos distinguir o quão pouco Bana viu de uma situação completa, ou o quão seus sentimentos são maduros.


Em certos trechos é impossível não se emocionar.

Dois deles são muito pungentes para a alma de uma leitora, mãe e pacifista como eu. São eles:

Oh, Bana ter que explicar a morte para você foi uma das tarefas mais difíceis que tive como mãe .... - foi a perda total da inocência. Aquele dia foi o ultimo dia de sua infância. (Relato da mãe de Bana)

Tínhamos que brincar, senão parecia que tudo que fazíamos era esperar pelas bombas para ver quem morria. (Palavras de Bana)

Bana relata os dias antes da guerra, em Aleppo, sua atividades no parque, sua escola e o tempo que aguarda um irmãozinho, e também o começo de quando as coisas começam a mudar. Fala do sumiço do pai , chamado para um interrogatório, todas as datas festivas, a mudança em massa de algumas famílias para outros lugares do mundo, a ausência de luz como punição, de água e seus esforços para adquiri-la. A fome, a escuridão em porões para se proteger das bombas.

Bana, aliás, entende tanto de bombas, que relata como reconhecer cada uma delas pelo som e o que cada uma faz. Essa parte foi difícil de ler, foi como tomar algo azedo, como ver algo completamente anti natural, desorientador... uma criança conseguir explicar ao leitor como são bombas, quais sons e estragos fazem. É tudo de nauseante a revoltante.

O mais impressionante é que ela tem um ipad, onde possui uma conta no Twitter e, sempre que a internet surge em algum momento do dia, ainda que tenha que ir a casa de outras pessoas quando possível, Bana emite frases pedindo: 

- Apoio, paz, sossego, perguntas sobre o que o mundo acha dessa guerra e quando o fim dela virá.

São frases que soam retumbantes em tons de dúvida, medo, desespero e muita, muita melancolia.

A família de Bana, obviamente, estava sendo procurada pois o governo acha insubordinação os Tweets sinceros de uma garotinha de 7 anos, e por isso ela e sua família devem ser julgados.

Chegam a ser atingidos por uma bomba, buscam cada vez mais refúgio, se tornam refugiados. Bana entende completamente o que é ser refugiada explica os modos sírios de receberem pessoas de fora e como dividem tudo o que possuem com a visita. Ela sabe que os países não querem refugiados, e sente o peso disso.



Pelo fato de Bana conseguir escrever o livro, é óbvio que sua família escapa e que ela consegue abrigo. A família volta a trabalhar para ter um lar. 

Mesmo sabendo o desfecho, esse livro tem que ser lido em escolas, por professores, pais, por cada cidadão, para que possamos compreender o que a intolerância, egos econômicos e políticos exacerbados trazem.

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2 comentários :

  1. Oi, Sheila,

    Não tenho o hábito de ler livros com essa temática, mas livros como esse chamam a atenção pela veracidade crua e real, e por serem demasiado em sentimentos.

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  2. Gosto de livros assim sobre a guerra, embora muitos tristes e mexem muito com quem lê, é bom saber o que esta acontecendo em outros lugares e com outras pessoas, fico imaginando o que essa menina passou e presenciou é muito revoltante, trás reflexões sobre a crueldade humana.

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