23 outubro 2018

[Resenha] Menina Boa Menina Má - Ali Land



Os corações das crianças pequenas são órgãos delicados. Um começo cruel neste mundo pode moldá-los de maneiras estranhas Nome novo. Família nova. Eu. Nova. Em folha. A mãe de Annie é uma assassina em série. Um dia, Annie a denuncia para a polícia e ela é presa. Mas longe dos olhos não é longe da cabeça. Os segredos de seu passado não a deixam dormir, mesmo Annie fazendo parte agora de uma nova família e atendendo por um novo nome — Milly. Enquanto um grupo de especialistas prepara Milly para enfrentar a mãe no tribunal, ela precisa confrontar seu passado. E recomeçar. Com certeza, a partir de agora vai poder ser quem quiser... Mas a mãe de Milly é uma assassina em série. E quem sai aos seus não degenera...


Livro: Menina Boa Menina Má || Autora: Ali Land ||  Editora: Record 
Ano: 2018  ||  Gênero: Crime, Suspense e Mistério
 Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Anne


Annie tem apenas 15 anos e decide denunciar sua mãe serial killer. A garota está cansada de sofrer abusos físicos e psicológicos, além de ser obrigada a ver sua mãe assassinando crianças. Após a denúncia, para proteger sua identidade, a garota troca de nome e começa a ser chamada de Milly. Além disso, ela é encaminhada para uma família de acolhimento, que cuidará dela até o julgamento da mãe. A família é composta por Mike, o pai, Saskia, a mãe e Phoebe, a filha, mas só quem sabe sobre o passado de Milly é o casal. Mike é psiquiatra e ficou responsável por ajudar a garota a tentar superar os fantasmas do passado e seguir com a vida. Mas a dúvida de Milly a persegue: Ela é ou não, igual à mãe?

Com essa premissa incrível, mergulhei na leitura sem medo, pois sabia que a chance de gostar do livro era grande. Com muita originalidade, Ali Land acertou em cheio em todos os aspectos e mostrou a que veio, já estou ansiosa para uma próxima leitura. Mesmo que o tema seja delicado, a autora demonstrou que entende do assunto ao traçar a personalidade de Milly e após ler sobre ela, vi que se formou em saúde mental e trabalhou com crianças, então entendi que daí veio toda essa propriedade sobre o assunto. 

 O livro é todo narrado em primeira pessoa por Milly e é basicamente direcionado à sua mãe, falando sobre seus medos e inseguranças agora que as duas estão separadas e ela tem que se adaptar a uma nova família. A garota também relembra um pouco dos abusos que sofreu e presenciou, o que torna a leitura bem dolorosa, principalmente por imaginar que pode existir pessoas vivendo na mesma situação ou em algo parecido. Achei interessante a forma de narrativa, onde na maioria das vezes os diálogos não começavam com travessão e sim, com Milly contando o que determinada pessoa falou. Pode ser que isso causa estranhamento em alguns leitores, mas eu, particularmente achei a experiência muito bacana.


"Digo a eles que vi você bater nele, no primeiro menino que raptou. Não conto ao júri o que respondeu quando eu disse que você era cruel por bater no corpinho dele. Você disse: não é crueldade, é amor. O tipo errado de amor, respondi. Você me castigou mais tarde."

Além de Milly estar aguardando o julgamento da mãe, não ter nenhum outro familiar para lhe auxiliar e ter que lidar com os pesadelos constantes, ela foi parar numa casa de uma família completamente disfuncional, que discute o tempo todo, gerando grande desconforto. Além disso, Phoebe não gosta nem um pouco da ideia de abrigar uma estranha em casa e não facilita em nada a vida de Milly. As provocações são constantes, chega a ser irritante para o leitor. Eu mesma peguei uma raiva dessa personagem, de tão insuportável que é, imagina Milly, vivendo sob o mesmo teto, sentido na pele todas as humilhações e tendo ainda que lidar com os problemas da prisão da mãe.

O psicológico de Milly é muito bem trabalhado no livro, durante a leitura é possível perceber o medo que Milly sente da mãe e o pânico que sente só de imaginar que por algum motivo, tenha que voltar para ela. Ao mesmo tempo é perceptível que o laço materno é muito forte e ela sente falta, talvez por não ter mais ninguém a quem recorrer ou medo da solidão. Essa dualidade também se faz presente na forma como a garota se vê. Menina boa ou menina má? Ela constantemente se questiona se é possível que a maldade da mãe tenha passado para ela, chega a dar pena.

Este não é um livro cheio de reviravoltas, mas ainda assim é impressionante a forma como a autora consegue prender o leitor com sua escrita perturbadora e envolvente. É muito difícil parar de ler, a vontade que tive foi de parar tudo para conseguir terminar a leitura no mesmo dia, para saber o desfecho dessa história maravilhosa. O final foi um soco no estômago, o fechamento perfeito para essa obra que ficará na minha memória por um bom tempo. 

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4 comentários :

  1. Desde que vi esse livro ele chamou minha atenção, deve ser uma leitura angustiante, só de imaginar o que a personagem passou com essa mãe e depois com a filha do casal, deixa o leitor revoltado e com as emoções a flor da pele. Parece que foi tudo muito bem trabalhado e deixando a leitura muito interessante.

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  2. Oi, Thuanne,

    Acredito que pra mim, essa será uma leitura intensa e estarrecedora, pois vemos que os sentimentos da personagem são amplamente expostos. Visto que a autora também explora a psicopatia.

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  3. Oi Thuanne!
    Segunda resenha que leio desse livro e que me deixou ainda mais preza ao enredo, gostaria mto de ler e conhecer á fundo a personagem, parece ser uma leitura boa.
    Bjs!

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  4. Thuanne!
    Não tinha lido ainda nenhuma resenha desse livro e estava curiosa, porque gosto muito quando o livro é mais para thriller psicológico do que terror puro.
    Ver a mudança que acontece com a protagonista nno decorrer do livro, deve ser impactante.
    Quero ter o prazer de ler.
    Uma boa semaninha!
    “O passado é uma cortina de vidro. Felizes os que observam o passado para poder caminhar no futuro.”(Augusto Cury)
    cheirinhos
    Rudy

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