26 outubro 2018

[Resenha] Juntos somos Eternos - Jeff Zentner


Jeff Zentner, autor de Dias de Despedida, traz outra história comovente sobre família, amizade e amor, com uma visão emocionante e ao mesmo tempo bem-humorada sobre a dura realidade de crescer em um ambiente conservador.
Dill não é um garoto popular na escola ― e não é culpa dele. Depois de seu pai se envolver em um escândalo, o garoto se tornou alvo de piadas dos colegas e passou a ser evitado pela maioria das pessoas na cidadezinha onde mora. Felizmente, ele pode contar com seus melhores amigos, Travis e Lydia, que se sentem tão excluídos ali quanto ele. Assim que os três começam o último ano do ensino médio, mudar de vida parece um sonho cada vez mais distante para Dill. Enquanto Travis está feliz em continuar no interior e Lydia pretende fazer faculdade em uma cidade grande, Dill carrega o peso das dívidas que seu pai deixou para trás. Só que o futuro nem sempre segue nossos planos ― e a vida de Dill, Travis e Lydia está prestes a mudar para sempre.

Livro: Juntos somos Eternos || Autor: Jeff Zentner
Editora:  Seguinte ||Ano: 2018 || Gênero:  Jovem Adulto, Dramas Adolescentes
 Classificação: estrelas || Resenhista: Renata
Juntos Somos Eternos, de Jeff Zentner, é um livro que tem tudo para ser mais um drama adolescente, porém, não é. Existem muitas nuances a serem exploradas, ponderadas e até mesmo evitadas. Não é um livro que ilude, é um livro real. Os fatos descritos poderiam ter acontecido com qualquer um de nós. 

A trama se passa em Forrestville, bem no sul dos Estados Unidos, e vemos esses três jovens lutando contra aquilo que querem ser, o que estão predestinados e sobre o que podem ser.

O trio de amigos não poderiam ser mais diferentes. Temos Lydia, que sempre quer confrontar a sociedade, questionar padrões e se sente muito confortável em fazer isso. Travis, que vive em um lar complicado e se refugia na fantasia, e Dill, que tem um drama familiar que é exposto para toda sua comunidade.

Dill é, de longe, o personagem mais vulnerável da trama, precisa aprender a conviver com um crime que seu pai cometeu, que lhe deu um estigma, porém, aparentemente, não o culpam pelo que aconteceu, mas Dill, sim. Também tem que lidar com os delírios do pai em relação ao fato e suas aspirações religiosas e as ilusões de missão de vida que acompanham sua mãe, o relacionamento entre ele e ela e as noções de certo e errado

A relação dele com a mãe é permeada pelo que ela acredita que seja uma missão de vida dada por Deus, e os flagelos que ele tem que passar, são puro sofrimento. A reação da comunidade em torno dele o faz duvidar de si mesmo e lhe dá a desesperança de não ter um futuro pela frente. 

Já Travis se refugia na fantasia, porque a vida real não lhe parece muito agradável. É fã de livros de fantasia medieval, e a parte mais prazerosa de sua vida está no universo desses livros, o fórum para debater as ideias deles, as amizades que encontra ali, tudo o que lhe dá forças para continuar vivendo, dia após dia, em um lar sem amor e com violência gratuita. É como se ele fosse dividido em dois e cada uma dessas partes conspirasse para que ele ainda sonhasse e continuasse existindo.

Dill e Travis podem ser vistos como similares, apesar de um sonhar mais do que o outro: ambos vivem em lares ruins e não têm uma ideia de futuro, mas um tem mais leveza do que o outro neste âmbito.

Lydia é a parte diferente desse trio, não apenas na aparência, mas na base familiar. Ela tem pais que a amam e a apoiam nos projetos, ela tem a mente livre o suficiente pra voar e galgar o próprio caminho. Ela tem um blog relativamente famoso e relevante no mundo da moda. Divulga brechós e fala sobre a vida dela, apesar de manter alguns aspectos de fora. Graças a esse blog ela conheceu gente influente da área profissional a qual quer seguir, e dos três, é a que tem mais chance de sucesso.

Lydia e Dill são amigos mais próximos, e com a vinda do último ano do ensino médio, ele a vê como um oásis para lhe tirar do deserto que é sua vida.

E com personagens tão diferente entre si que vamos acompanhar um ano na vida do trio, onde eles precisam sobreviver a todos os obstáculos que uma cidade pequena possa apresentar e decidir o rumo da vida de agora por diante.

As pessoas podem levar vidas tranquilas e não há mal nenhum nisso. Também são vidas dignas, não importa o que você ache.

— Li em algum lugar que muitas das estrelas que vemos não existem mais. Já morreram e demora milhões de anos para a luz delas chegar à Terra — Dill disse.
— Esse não seria um jeito ruim de morrer — Lydia respondeu. — Emitir luz por milhões de anos depois da morte.

Conforme o livro progride, a gente percebe que não é apenas um romance adolescente, e sim uma história que mostra como tentar se manter vivo mesmo quando nada conspira para tal; se manter sonhando, esperançoso, e mesmo quando temos tudo, parece que não temos nada.

É uma história muito emocionante, que mistura fanatismo religioso, o real significado de família, legado, missão de vida e autoconhecimento.

Foi um livro que me emocionou muito, muito tocante e esclarecedor. Espero que gostem muito, são emoções as quais não consigo descrever com toda a maestria que merecem. 

Os personagens são multifacetados e profundos. Dá para aprender muito com eles no tocante da esperança e da vida.

A jornada que eles seguem em torno do autoconhecimento e para a vida adulta nos mostra mais do que o olho nu pode captar. É muito bom caminhar com esses três adolescentes, ver os tropeços, acertos e a sede de vida que cada um tem e perceber como a vida é diferente para cada uma dessas pessoas. Espero que gostem.

E, se é para viver, é melhor que seja para fazer coisas dolorosas, valentes e belas.

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4 comentários :

  1. Oi, Renata,

    Esse é um livro que me chamou atenção não só por sua capa, mas pelo seu nível e mar de emoções presentes no mesmo.

    O que dá margem para que o drama - também inserido - seja explorado e passe uma real mensagem para o leitor.

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  2. É uma historia bem real mesmo, pois todos nós passamos por problemas iguais a eles ou parecidos, ainda bem que fala sobre a amizade que é tão importante na vida e que ajuda muito nessas situações. Parece ser uma leitura que mexe com a gente e nos deixa pensando sobre como as coisas acontecem e porque.

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  3. Renata!
    Tão bom quando um livro, que poderia ser apenas mais um livro adolescente, traz elementos inovadores e com veracidade e ainda aborda o lado mais psicológico de toda a dinâmica familiar, os excesos, o fanatismo religioso, achei bem interessante, viu?
    Uma boa semaninha!
    “O passado é uma cortina de vidro. Felizes os que observam o passado para poder caminhar no futuro.”(Augusto Cury)
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Oi Renata!
    Esse livro deve trazer um enredo emocionante, gostei mto da sua resenha, gosto quando um livro já me ganha logo de cara, espero ler em breve.
    Bjs!

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