28 setembro 2018

[RESENHA] Um Acordo e Nada Mais - Mary Balogh



Embora Vincent, o visconde Darleigh, tenha ficado cego no campo de batalha, está farto da interferência da mãe e das irmãs em sua vida. Por isso, quando elas o pressionam a se casar e, sem consultá-lo, lhe arranjam uma candidata a noiva, ele se sente vítima de uma emboscada e foge para o campo com a ajuda de seu criado.
No entanto, logo se vê vítima de outra armadilha conjugal. Por sorte, é salvo por uma jovem desconhecida. Quando a Srta. Sophia Fry intervém em nome dele e é expulsa de casa pelos tios sem um tostão para viver, Vincent é obrigado a agir. Ele pode estar cego, mas consegue ver uma solução para os dois problemas: casamento.
Aos poucos, a amizade e o companheirismo dos dois dão lugar a uma doce sedução, e o que era apenas um acordo frio se transforma em um fogo capaz de consumi-los.
No segundo volume da série Clube dos Sobreviventes, você vai descobrir se um casamento nascido do desespero pode levar duas pessoas a encontrarem o amor de sua vida.

 Livro: Um Acordo e Nada Mais
Série: Clube dos Sobreviventes # 2 ||Autor: Mary Balogh
Ano: 2018 ||  Editora: Arqueiro|| Gênero: Romance de época/Ficção
Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Luci

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No auge da sua impetuosa juventude, Vincent partiu para a guerra, mas sua carreira militar teve um período breve, pois uma fatalidade o deixou cego, o forçando a renunciar várias coisas que amava e o completava. Ele é mais um membro do Clube dos Sobreviventes, um grupo de pessoas que se tornaram amigos, unidos pelas dores que a guerra trouxe a cada um.

Inesperadamente, em meio à sua adaptação ao mundo que se tornou escuro para ele, Vincent acaba por receber o título de Visconde, tornando-se alvo de jovens à procura de um bom partido. Somado a isso, o excessivo cuidado que sua família toma com ele, arrumando-lhe jovens de boas famílias para casar, e a pressão de ter que interagir socialmente, o faz fugir em busca de paz, e nada melhor, de acordo com ele, do que refugiar-se no local onde cresceu, pois ali, acredita ele, não seria importunado.

Puro erro: a comunidade faz questão de o receber com festa, e entre os moradores, há uma família específica que está pronta para preparar uma armadilha para ele e prendê-lo nos laços do matrimônio. Mas uma tímida jovem o ajuda a escapar.

Sophia Fry, desde a morte do seu pai, praticamente tornou-se invisível nas casas em que a acolheram depois disso. Não que ela tivesse uma vida fácil antes, mas ser jogada da casa de uma parente para outra, sendo ignorada e desvalorizada, assim como a autoestima destroçada, a fez se sentir como uma ratinha, que observa tudo no canto de um cômodo, mas nunca sendo vista.  

Quando ela conhece Vincent, uma pequena chama surge dentro dela, pois mesmo sem trocar uma palavra com ele, Sophia sente uma inexplicável conexão, e é isso que a faz ir ao socorro dele e livrá-lo da armadilha preparada pelos tios e a prima, e como consequência disso, ela é expulsa, praticamente só com a gasta roupa do corpo.

Vincent, ao tomar conhecimento do destino da jovem cuja voz lhe trouxe um estranho alento, e com quem se sentiu à vontade para trocar confidências, decide ir ao encontro dela e faz uma inesperada proposta: os dois se unirem em matrimônio para ir em busca dos sonhos de ambos. Essa proposta seria apenas um acordo entre os dois, mas os sentimentos vão florescendo a cada descoberta que fazem um do outro. E logo, não era apenas só um acordo...





Quando li o primeiro livro dessa série, pressenti que ela iria realmente me conquistar, e esse segundo livro veio reafirmar essa certeza.

A narrativa é singela, sem grandes reviravoltas, ela destaca o relacionamento de duas pessoas que, em comum, compartilham o anseio de serem elas mesmas, de dar voz ao que sentem. E cada detalhe disso se percebe em cada linha, em cada parte do transcorrer da história, e foi isso que me fez devorar o livro em apenas um dia, pois me cativou em cada capítulo.

Os personagens foram maravilhosos. Vincent superou minhas expectativas. Esse personagem encontrou força em sua fraqueza e foi firme em suas convicções. Sua personalidade foi um paradoxo: ao mesmo tempo que se mostrava sensível, foi uma fortaleza firme para sua esposa inesperada, ele conseguiu extrair dela os sentimentos mais positivos para que ela se reafirmasse como mulher.

– Ontem, você me prometeu obediência – disse ele.
– Sim.
Ela engoliu em seco, desajeitadamente.
– Aqui vai uma ordem, então. E exigirei obediência absoluta, Sophie. Ficarei genuinamente bravo se me desobedecer. A partir deste momento, você vai parar de se depreciar. Não posso vê-la, mas acredito em sua palavra quando diz que não é bonita de acordo com os padrões de beleza da sociedade. Talvez não seja surpreendentemente bonita a um observador casual, embora você mesma tenha admitido que não é feia. (...) Para minhas mãos e meu corpo, Sophie, você tem proporções agradáveis, pele quente e sedosa, e uma boca capaz de dar inveja a qualquer mulher. Tem cheiro de mulher e sabonete. E dentro de você existe uma feminilidade quente, úmida, macia e acolhedora. Você é minha e é toda a beleza que eu poderia desejar. Não permito que deprecie o que é meu. Não admitirei que ameace o bem-estar e a felicidade do que é meu. Compreendeu?

 Sophia foi aquele mistura perfeita de Patinho Feio e Cinderela, que desabrochou e se tornou independente à medida que os sentimentos dela cresciam. A autora desenvolve isso de uma forma tão gradual, fluida, que o leitor acompanha, deliciado, esse desenvolvimento da personagem. Na verdade, esse é o verdadeiro ápice da história: discutir a real beleza de alguém, independente da sua forma física.

O romance realmente me conquistou, e não poderia deixar de recomendá-la. Espero que o próximo volume seja logo publicado, estou ansiosa para ler o que Mary Balogh preparou para mais um membro do Clube dos Sobreviventes.

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6 comentários :

  1. Oi, Lucilene,

    Um dos grandes acertos da autora foi com certeza inserir esse drama pessoal do personagem. Assim, a narrativa fica mais convidativa e envolvente.

    O primordial - de um romance como esse - é acompanhar o desenrolar do mesmo para algo pessoal, amoroso.

    Eu com certeza vou apreciar essa leitura!

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  2. Lucilene!
    Não tive oportunidade de ler nenhum dos livros dessa série, mas amo romances bem escritos, ainda mais sendo de época.
    Bom ver que as personagens estão em sintonia e querem apenas ser quem são, sem ter de colocar máscaras e querem viver suas vidas, gostei.
    Bom final de semana.
    “Sede felizes; os amigos desaparecem quando somos infelizes.” (Eurípedes)
    cheirinhos
    Rudy

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  3. Oi Lucilene!
    Aah eu tô doida pra ler os livros, eu ganhei o primeiro mas devido á alguns probleminhas não consegui ler ainda, mas já anotei aqui para a meta do mês que vem.. espero conseguir ler, ainda mais de ler tantas resenhas flando bem da série.
    Bjs!

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  4. Essa narrativa singela que conquista é o que eu mais gosto nas histórias da Mary Luci e amei sua resenha, estou com esse livro na lista pra ler e pelo que li aqui, vou amar <3

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  5. Gosto desses romances que começam com um acordo, pois o interesse de um pelo outro vai surgindo aos poucos, vão se conhecendo e até mudando para melhor, nada daquela pressa desesperada rs. E parece que ambos conquistam o leitor fazendo com que torça por eles.

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  6. Eu já tive a oportunidade de ler esse livro e gostei bastante. Confesso que fiquei muito curiosa em conhecer mais as histórias dos demais sobreviventes, pois em alguns momentos, eles roubaram as cenas com os pequenos detalhes fornecidos sobre suas vidas.

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