26 setembro 2018

[Resenha] Tarde Demais - Colleen Hoover


Para proteger o irmão, Sloan foi ao inferno e fez dele seu lar. Ela está presa em um relacionamento com Asa Jackson, um perigoso traficante, e quanto mais os dias passam, mais parece impossível enxergar uma saída. Imersa em uma casa incontrolável que mais parece um quartel general, rodeada por homens que ela teme e sem um minuto de silêncio, também parece impossível encontrar qualquer motivo para se sentir bem. Até Carter surgir em sua vida.
Sloan é a melhor coisa que já aconteceu a Asa. E se você perguntasse ao rapaz, ele diria que também é a melhor coisa que já aconteceu a Sloan. Apesar de a garota não aprovar seu arriscado estilo de vida, Asa faz o que é preciso para permanecer sempre um passo a frente em seu negócio e proteger sua garota. Até Carter surgir em sua vida.
A chegada de Carter pode afetar o frágil equilíbrio que Sloan lutou tanto para conquistar, mas também pode significar sua única saída de uma situação que está ficando insustentável.



Livro: Tarde Demais || Autor: Colleen Hoover
Editora: Record || Ano: 2018 || Gênero: Romance
 Classificação: estrelas || Resenhista: Amanda
"O amor não deve ser mais um peso. Deve fazer você se sentir leve como o ar.
Asa fazia tudo na minha vida parecer pesado.
Luke faz eu me sentir como se estivesse flutuando.
Acho que essa é a diferença entre ser amada do jeito certo e do jeito errado. Ou você se sente amarrado a uma âncora... ou sente que está voando."

Eu tenho uma relação meio que de amor e ódio com esse livro, muito controverso, realmente. Isso porque, até pouco além da metade (por volta de uns 60%) achei muito envolvente e tinha tudo o que eu esperava de um livro da Colleen. Mas depois disso, a sensação que eu tive foi que a história se tornou repetitiva, enfadonha e arrastada, como se a autora só quisesse encher linguiça. E isso porque...

Sloan conseguiu enfim sair do julgo da mãe viciada e tirar também seu irmão deficiente desse meio tão nocivo. Ela corre atrás de um auxílio do governo para os cuidados que ele precisa, consegue colocá-lo numa instituição com cuidados especializados e entra na faculdade. Infelizmente, no meio do caminho acaba conhecendo Asa e vai morar com ele. No início, Sloan quer acreditar que aquele cara gato e com pinta de bad boy é o homem dos seus sonhos, que vai salvá-la da vida dura que levava e por fim dar início a tempos melhores. Pura ilusão, claro. Quanto mais o tempo passa, mais ela se dá conta de que trocou uma cela por outra. Até tenta largá-lo, mas quando o governo corta o auxílio, ela não tem mais ninguém a quem recorrer por ajuda e acaba voltando para os braços do bandido.
"Algumas pessoas podem achar isso maldade. Eu chamo de carma."
Asa é o nosso antagonista, um traficante que vem com uma história de abuso familiar, um lar destruído pelo medo e o vício, aterrorizado por um pai abusivo e esquizofrênico. Não é de se admirar que essa seja a receita do desastre emocional ambulante que é Asa. Em sua visão deturpada sobre o amor, ele está convicto de que Sloan foi um anjo que enviaram para compensar a vida terrível que teve e que ela é verdadeira e completamente apaixonada por ele. Ele sempre procurou uma mulher que pudesse suprir a carência familiar que vinha da infância, uma mulher que pudesse ser o completo oposto da mulher que seu pai afirmava que era a sua mãe. Uma vadia.

"Até aquele ponto, eu achava que talvez a vida de todo mundo tivesse um equilíbrio entre coisas boas e ruins, e a única diferença era que a boa e a má sorte eram dadas a cada pessoa em momentos diferentes. Eu tinha esperança de ter recebido toda a minha má sorte nos primeiros anos de vida, e pensava que as coisas só podiam ficar mais fáceis a partir dali.

Mas aquela noite mudou a minha maneira de pensar."
É nesse contexto de abuso físico e psicológico que Carter encontra Sloan. A química - como sempre, um pouco de açúcar, tempero e tudo que há de bom e pronto, fudeu...! - é instantânea, e quando ele descobre o envolvimento dela com Asa, ele fica confuso e muito... aborrecido.

O Carter é o nosso mocinho, um policial infiltrado para derrubar o esquema de tráfico de drogas daquela região. Asa é o chefão e, consequentemente, seu alvo. Ele acaba se encontrando num beco sem saída ao perceber que seu interesse por Sloan só vai crescendo e tem tudo para se tornar algo mais profundo. Ele quer salvar Sloan, mas não pode deixar seu disfarce de lado em nome de sua vida pessoal, muita coisa depende do sucesso de sua missão, incluindo sua carreira e de seu parceiro e melhor amigo.

"- Você ama Asa?
Ela respira profunda e lentamente, mas não responde.

- Não - respondo por ela. - Não ama. Provavelmente amava, mas a única coisa que faz um amor sobreviver é o respeito. E isso você não tem dele."


Muitas vezes Sloan apresenta uma figura combativa, de lutar para conseguir subsídios para sobreviver por conta própria e cuidar de seu irmão, nós não vemos tanto a figura da mocinha esperando ser salva, e acreditem, ela quer ser salva, ela só não acha que alguém está indo por ela. O Carter está lá, ele quer ajudar e ajuda em alguns momentos, mas em muitos, Sloan tem que encontrar força em si mesma para conseguir sair de determinadas situações, o que achei positivo. 

Entretanto, houve momentos em que, apesar de existir um processo lógico e inteligente envolvido, eu não conseguia me forçar a crer naquilo, simplesmente porque era preciso ter uma certa maldade, uma frieza inata para alcançar aquilo, o que não batia tanto com a concepção que eu formei da personagem. Teve uma cena de vingança em particular que eu sinceramente não esperava dela como personagem e nem da Colleen como autora para escrever, para mim - e cada um tem o direito de interpretar segundo seu próprio olhar - ela sujou algo que era para ser especial, íntimo e bonito. 
"O amor encontra você nas tragédias. Certamente é onde Carter me encontrou."
E outro fato que me deixou mais impaciente foi o exagero com relação ao sistema judiciário. Tudo tem limite, né?! Asa chega a ser preso umas três vezes e é solto, só na última que colocam o cara em prisão domiciliar com tornozeleira e tal. E não estou entrando no mérito de "vida real", porque todos sabemos que aqui é até pior, mas a perseguição com eles em específico, a ênfase em querer falar como era fácil conseguir subornar qualquer um e não importava se você estava sobre proteção ou não, para mim criou uma sensação de desmotivação, especialmente pela forma da narrativa. 
Além do final corrido que exigiu um intervalo ridículo de tempo entre as prisões e solturas, eu simplesmente não aguentava mais. Então, para mim não adianta dizer que isso é tentar mostrar que o sistema não funciona, isso é enrolação e ponto final.

E não quero dizer com isso que o livro seja ruim, porque NÃO é ruim. Eu gostei mais dele do que de Métrica, por exemplo, que é um livro da Colleen que não funciona para mim. Mas poderia ter acabado beeeem antes. A forma forçada que a autora tentava bancar o Asa como um cara tão esperto - quando ele era apenas doentio para caramba - talvez tenha contribuído também para um final massante e decepcionante. Mas recomendo de verdade que leiam e debatam, por ter muitos temas controversos envolvidos que merecem atenção e também para tirarem suas próprias conclusões.

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5 comentários :

  1. Oi, Nanda,

    Esse foi um livro que eu não gostei nenhum pouco. Acho que em algum momento, a autora se perdeu - desenvolvendo assim o livro de forma fraca, com uma impotência grotesca e evidente.

    Ao meu ver, ela pecou no desenvolvimento e personalidades dos personagens. A Colleen novamente construiu todo um passado onde ela pôde encontrar meios justificáveis para as atitudes infindáveis do Asa. No geral, não consegui gostar de nenhum personagem. Concordo contigo em relação àquela cena de vingança. Eu achei algo meio baixo. Eu também esperava isso da personagem. Quase não acreditei quando cheguei a essa cena.

    A autora tinha em mãos um assunto primordial, no qual tinha muito o que ser explorado, mas não soube aproveitar... O desenvolveu de forma banal. De todos os livros dela - que eu li até agora -, esse sem dúvidas, é o pior. Livro fraco. Acho até que a Colleen deveria parar e refletir, antes de escrever sobre algo tão sério. Não recomendo!

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  2. Nanda!
    A autora realmente dispensa comentários.
    Gosto muito de dramas intensos e que descrevem sem meio termo os fatos e assunto como violência doméstica e obsessão amorosa, deve tornar o livro bem denso mesmo.
    Já estou com nojo desse tal Asa...
    Entendo seu relacionamento de amor e ódio com a autora.
    “Sede felizes; os amigos desaparecem quando somos infelizes.” (Eurípedes)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA SETEMBRO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  3. Ganhei esse livro em um sorteio e estou dividida se vou gostar ou não, são tantos comentários diferentes, mas acho que não vou gostar odeio quando os autores ficam enchendo linguiça. O tema abordado é importante, pois infelizmente é comum na vida real, mas foi uma pena que teve coisas que não agradaram.

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  4. Oi Nanda!
    Tenho lido mtas resenhas sobre esse livro, parece que divide opiniões né...
    Eu tô louca pra ler os livros da autora, espero ler em breve.
    Bjs!

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  5. A escrita continua muito boa, padrão Colleen, mas a trama, noooossa. E o epílogo piorou tudo de vez. Tem quem goste, eu realmente não me identifiquei e, como você, achei raso e forçado. Mas como ela mesma disse, era uma brincadeira que ela estava fazendo, e por isso publicou por um pseudônimo. Oremos pra que não tenhamos mais nenhum susto desses com ela. Mas ainda é rainha e ainda amo muito

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