11 setembro 2018

[Resenha] A Boa filha - Karin Slaughter


Quando eram adolescentes, a vida tranquila de Charlotte e Samantha Quinn foi destruída por um terrível ataque em sua casa. Sua mãe foi assassinada. Seu pai um famoso advogado de defesa de Pikeville, Geórgia ficou arrasado. E a família foi dividida por anos, para além de qualquer conserto, consumida pelos segredos daquela noite terrível. Vinte e oito anos depois, Charlie seguiu os passos de Rusty, seu pai, e se tornou advogada mas está determinada a ser diferente dele.
Quando outro caso de violência assombra Pikeville, Charlie acaba embarcando em um pesadelo que a obriga a olhar para trás e reviver o passado. Além de ser a primeira testemunha a chegar na cena, o caso também revela as memórias que ela passou tanto tempo tentando esconder. Agora, a verdade chocante sobre o crime que destruiu sua família há quase trinta anos não poderá mais permanecer enterrada e Charlotte precisa se reencontrar com Samantha, não apenas para lidar com o crime, mas também com o trauma vivido.

Livro: A Boa filha || Autores: Karin Slaughter
Editora: HarperCollins || Ano: 2018 || Gênero: Suspense
 Classificação: estrelas || Resenhista: Amanda
"- Temos passado por um período difícil, minha garota. Não vou mentir e dizer que vai melhorar. Charlie precisa saber que pode contar com você. Você tem que colocar aquele bastão na mão dela todas as vezes, não importa onde ela esteja."

Uma noite é o bastante para definir toda uma vida. Samantha e Charlotte Quinn sabem disso como ninguém. Quando adolescentes, ambas foram atacadas em casa e perderam a sua mãe tragicamente. Mas aquele noite ainda guarda segredos a serem revelados, mesmo depois de vinte e oito anos.

Charlotte segue sua vida na pacata Pikeville, enquanto Samantha faz sua carreira decolar longe de tudo que poderia lembrar-lhe do passado. Ambas ainda carregam as cicatrizes daquela noite, embora para Samantha isso seja muito mais evidente, uma vez que ela jamais foi a mesma. Isso porque Samantha levou um tiro na cabeça e foi enterrada viva. Ela conseguiu sobreviver por pouco, porém, teve que reaprender a formar processos de pensamentos, falar, andar, se expressar claramente... Isso tudo enquanto tentava lidar com a morte violenta de sua mãe, ainda tão jovem. Mas, contrariando todas as expectativas dos médicos, Samantha leva uma vida tão saudável quanto possível, é uma advogada competente e até mesmo se casou. Infelizmente, seu marido morreu de câncer. Só tragédia, não é?
"Nada nunca desaparecia de verdade. O tempo apenas amortecia as dores."
Para Charlotte, a vida parece ter sido mais generosa. A irmã mais jovem conseguiu se endireitar e largar os tempos de curtição enlouquecida da faculdade a tempo de se formar e encontrar o homem de sua vida, com quem ela se casou e começou uma família. Mas, para sua consternação, após uma grande briga, seu marido sai de casa e não parece ter planos de voltar, apesar de ainda se amarem. A situação se complica quando Charlotte acaba cometendo um erro e dormindo com um ex-soldado. Até então, tudo parece ter terminado, um erro que nunca tornaria a se repetir, mas Charlotte acaba trocando de celular com ele, sendo obrigada a vê-lo no dia seguinte. Coincidentemente, na escola, onde o soldado atua como professor, ocorre um tiroteio no qual uma adolescente de recém cumpridos 18 anos é a autora da carnificina. Uma criança e o diretor da escola acabam mortos no processo.
"Uma sociedade justa é uma sociedade cumpridora da lei. Você não pode ser um dos mocinhos se agir como um dos vilões."
Charlotte se envolve na trama ao tentar defender a jovem e acaba ferida. Rusty, que é advogado de criminosos violentos e pai das protagonistas, resolve pegar o caso - sem surpresa - e defender a jovem que ele acredita verdadeiramente ser inocente do crime bárbaro, apesar de todas as provas indicarem o contrário. Ela é seu unicórnio, uma criatura mística que todos acreditam que não existe (fazendo analogia ao fato de que ninguém acredita na inocência da jovem). Manipulada como sempre, Charlie assume a dianteira, indo até a casa da jovem e pegando um objeto pessoal da cena, o que por si só já é um delito que poderia pôr em risco sua carreira como advogada, mas Charlie se recusa a ir mais além e se nega a se envolver na defesa da jovem, pois como uma integrante da cena de assassinato, seu caráter como testemunha é irrevogável.

Com todas as evidências apontando para a jovem criminosa, Rusty tenta correr contra o tempo para salvar a jovem da pena de morte, mas um atentado à vida dele, acaba trazendo Sam de volta a cidade e seu pai pede que ela assuma o caso, para surpresa geral. Mas esse crime pode acabar levando-as de volta àquela noite e revelando fatos que as farão questionar o que achavam que sabiam...
"- Vou arrancar suas pálpebras para que você possa me assistir desvirginando sua irmã com a minha faca."

O livro tem um escrita envolvente, característica da autora, mas a quantidade de detalhes vívidos nas cenas de crimes bárbaros (e eu quero dizer VÍVIDOS) e bizarros chocam o leitor, mesmo os que já estão acostumados ao gênero de terror/suspense.

Muitas vezes parece que a cena é criada unicamente com o propósito de chocar. Como uma amiga minha me falou ao debatermos o livro, esse nível de detalhamento fora de uma redação de cunho jornalístico (até mesmo baseado em fatos reais) perde o sentido. Detalhes explícitos demais na narração de cenas de crime são ruins em alguns casos. Especialmente quando não há um desfecho realmente positivo que os compense ou alguma vingança igualmente macabra. À princípio, eu achei que a primeira cena chocante seria "apenas" aquilo mesmo e pensei: "pesado, mas tem muito potencial", só para ter várias cenas mornas, onde a Charlie que divide o papel de protagonista com a Sam é diversas vezes manipulada pelo pai e se deixa levar porque sente que tem uma obrigação com ele, uma vez que ela foi a filha que ficou. A única que conseguiu escapar.

Confesso que também achei o pai - Rusty - muito estranho. Em quase nenhum momento se vê uma atitude paternalista de sua parte, mesmo após o incidente, muito pelo contrário, a maior parte do tempo, ele parece se aproveitar de qualquer brecha para utilizar em benefício de seus casos. 
"- Você não precisa ser esperta para matar alguém. Na verdade o contrário é mais comum."
Apesar de o motivo central do crime ter sido sua profissão - sua defesa à criminosos violentos - eu não senti que ele se culpasse, o que - apesar de realmente não ser culpa dele e sim, da pessoa que orquestrou tudo -, é emocionalmente bizarro. Por mais que você tenha uma mente resolvida é simplesmente natural se culpabilizar e internalizar essa culpa. E em nenhum momento, a autora deu a entender que ele fez uma pausa em sua carreira ou repensou sua linha de trabalho.

Mas, a história como um todo é bem amarrada, tem início, meio e fim bem definidos. Lembra muito um roteiro de filme e não foge muito do esperado. Não foi uma leitura ruim, entendam, mas não é um livro que eu leria novamente tampouco. O desfecho não foi particularmente ruim, mas ficamos com uma sensação de injustiça face aos acontecimentos. 

Antes desse livro eu li apenas o prequel de "Flores partidas" e já tinha notado a qualidade da escrita de Karin, mas esse livro em especial não me impressionou tanto. Espero dar uma chance à Flores partidas em breve, mas com certeza as expectativas diminuíram um pouco...

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8 comentários :

  1. Oi, Nanda,

    Achei o livro um pouco desenvolvido e bem detalhado (explicativo), mas que não faz o tipo de mistério que eu gosto.

    Talvez por ter a parte jurídica inserida aqui, eu não me envolvi na leitura a ponto de amá-la, e por o enredo ser muito repetitivo.

    Ao meu ver, pistas concretas não foram jogadas, os dois casos entrelaçados acabou não fazendo muito sentido, e a resolução final não foi nem um pouco surpreende.

    Pulei várias páginas... Foi um livro que não me convenceu!

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    1. Oi, Daiane.
      Pois é, eu até gostei, mas com ressalvas... haha'

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  2. Nanda!
    Nada li da autora ainda, embora goste muito do gênero e quanto mais descritivo, melhor, porque temos aquela sensação de friozinho no estômago ao ler, e me parece que tem muitos trechos chocantes.
    Entendo as ressalvas que fez.
    Preciso ler para conferir.
    Semaninha de amor e paz!
    “O mais feliz dos felizes é aquele que faz os outros felizes.” (Alexandre Dumas)
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Olá, Rudy.
      Então eu até gosto também, quando os detalhes contribuem de alguma forma no enredo, mas na minha visão isso não aconteceu. Mas espero que você goste ;)

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  3. É uma pena que deixa um pouco a desejar, confesso que esperava mais, mas mesmo assim gostaria de ler, pois adoro mistério e parece que tem muta coisa escondida em relação a morte da mãe das personagens. Isso deve ter deixado a leitura envolvente até descobrir o que aconteceu.

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    1. Exatamente, as surpresas foram justamente os fatos daquele dia serem revelados aos poucos. Leia sim, espero que você curta <3

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  4. Olá Nanda!
    Eu ainda não conheço obras da autora, gostaria muito de conhecer, assim como sua escrita tbm...
    Amo livros do gênero, este parece ter um enredo bom, espero ter oportunidade de ler.
    Bjs!

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    1. Oii!
      Ahhh, também amo esse gênero. Espero que você consiga lê-lo em breve, Aline ;*

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