01 agosto 2018

[Resenha] Um amor perdido - Alyson Richman

Separados pela guerra, ligados pela memória: uma história envolvente e instigante no rastro da Segunda Guerra Mundial
Na Praga do pré-guerra, Lenka, uma jovem estudante de arte, apaixona-se por Josef, um médico recém-formado. Eles vivem cheios de ideais e de sonhos para o futuro, mas também são judeus e muito ligados à família. Casam-se, mas, pouco tempo depois, como tantas outras famílias, são separados pela guerra. As escolhas impostas pelo destino os afastam, mas deixam marcas permanentes: o caos e as informações truncadas dos tempos de guerra os levam a crer que o outro morreu.
Na América, Josef torna-se um obstetra bem-sucedido e constrói uma família, apesar de nunca esquecer a mulher que acredita ter morrido. No gueto de Terezín, Lenka sobrevive graças aos seus dotes artísticos e à memória de um marido que julgava nunca voltar a ver. Apesar de todas as provações e dos infortúnios, mantém a chama daquele primeiro amor acesa, guardada em seu coração.
Da glamorosa vida em Praga antes da ocupação aos horrores da Europa nazista, Um amor perdido explora o poder do primeiro amor, a resiliência do espírito humano e a eterna capacidade de recordar.

Livro: Um amor perdido|| Autor: Alyson Richman 
Editora: Bertrand Brasil||Ano: 2018 || Gênero: Romance
 Classificação:  5 estrelas || Resenhista: Sheila

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A cidade cenário inicial dessa história é Praga localizada na República Checa e vai contar a história de duas famílias judias, interligadas por um amor juvenil. Lenka é membro de uma família de 4, pai mãe, ela e a irmã menor Marta, compõem um quadro bem típico da época para uma família judia, vivendo em um bom bairro de Praga a jovem Lenka adentra  a escola de Arte.

"Fui aceita na Academia de Artes de Praga em 1936, aos 17 anos. Ia a pé para as aulas todas as manhãs com meu caderno de esboços emabixo do braço e uma caixa de madeira repleta de tintas a óleo e pincéis de pelo de marta. Havia quinze alunos na minha turma e, embora fôssemos cinco garotas ao todo, logo fiz amizade com duas delas " 

Na passagem acima vemos a entrada da protagonista na vida universitária e descobrimos que a uma das meninas com a qual Lenka se relaciona é Veruska também de uma família judaica com um irmão mais velho chamado Josef, por quem a principio Lenka nutre uma paixão secreta.

A história começa antes da guerra e assim os dias de Lenka e Veruska são contados com calma, várias historias e cenários familiares e corriqueiros são retratados, já  perto da guerra atingir Praga, Josef corresponde ao amor de Lenka e ambos decidem se casar.

A família de Josef prevendo os terrores da guerra decide partir para a América, com muito custo conseguem passagens e  Josef inclui Lenka como sua esposa, uma das razoes do casamento além do grande amor que ele sente por ela foi legitima-la como sendo de sua família para a partida iminente.

Lenka pede desesperadamente a Josef que passagens para sua família e o rapaz faz o que pode mas não obtém, Lenka então toma a atitude corajosa de dizer que  não abandonará a família e continua em Praga junto dos seus, diz a Josef que ele irá fundamentar a vida na América e conseguirá os meios dela e da família viajarem depois.

A guerra se faz iminente, as restrições aos judeus cada vez maiores, resultam em todo o cenário que conhecemos bem dos tempos de escola, escassez de alimentos, estrelas amarelas, muita repressão aos judeus e a tomada de seus bens. Lenka se descobre grávida, mas mediante a noticia do naufrágio do barco em que Josef estava ela perde o bebe e já se julga viúva.

O fato é que Josef é o único sobrevivente ao naufrágio de sua família e aporta nos Estados Unidos só e começa a se restabelecer coma  ajuda de um amigo  que estava no mesmo barco e padece do mesmo infortúnio, por anos ele procurará por lenka através de cartas sem obter nenhuma resposta.

A família é obrigada a deixar Praga por ordem da S.S. e deve se dirigir para Terezin, aonde será a segunda cidade do nosso cenario, ali todos os terrores de uma campo de concentração atenuados irão aparecer.

Aqui cabe um fato histórico o livro é baseado na historia de vida de uma artista que até mesmo é mencionada no livro Dina Babbitt. Terezin, foi a cidade que serviu de modelo como um campo de concentração aonde Hitler enviava membros da Cruz Vermelha Internacional  que visitavam o campo com o intuído de verificar as condições em que eram tratados os judeus. 

Para receber a visita, o campo retirava os habitantes excedentes mais velhos, doentes ou muito magros de Terezín para Auzchwitz, lavavam as ruas, pintavam as casas, davam roupas novas e colocavam brinquedos para crianças. Uma verdadeira maquete de cidade feliz era criada. Com essa maquiagem feita  pelos alemães, a Cruz Vermelha encontrava um campo voltado para artes, onde, na teoria, crianças estudavam música e os adultos se dedicavam a gerenciar esse espaço. Os judeus eram proibidos de se comunicarem com os oficiais da Cruz Vermelha e deveriam preparar exemplos do bom tratamento recebido ali. 

Foi assim que surgiram apresentações musicais como Requiem de Verdi cantado por um coral de Terezín, interpretações de peças de Shakespeare, e óperas, como Carmen e a Flauta Mágica, apresentados pelos judeus. Em todas elas, cantores cantaram, crianças desenharam e adultos produziram. A cada visita, um novo grupo de judeus cantava Requiem, pois os antigos artistas já haviam sido levados de lá.

Lenka trabalha dentro do campo com arte e desenha cartões postais que serão vendidos por toda a Alemanha em uma média de 100 por dia e futuramente é repassada a outro setor aonde desenha os sistemas de Terezin, que prepara as ampliações para receber mais judeus.

Ela contará todos os horrores do campo, passando pela rotina das crianças até as das pessoas idosas. Das pequenas ajudas que faziam muita diferença como por exemplo roubar todo o material de arte possível para levar para a mãe que usava no aprendizado e  recreação das crianças juntamente com o apoio da irmã.



Durante todo os relatos no livro de Lenka ela ilustra seus sentimentos  com as  cores que usaria para pintar aquela situação, o que nos preenche ainda mais da emoção que autora quis passar naquele momento do livro, tornando a leitura uma experiencia única.

O desfecho final da família você leitor dessa resenha terá que realmente ler o livro para saber, eu garanto que você se descobrirá a cada página torcendo pelo destino dos personagens.

 A história é contada com a mesma  exatidão das pinturas de Lenka e imergem facilmente o leitor no triste cenário, A autora tem uma escrita fluida e simples e possui a invejável capacidade de criar situações aonde muitas vezes nos sentimos como os personagens, abraçando seus destinos.

Os lugares são amplamente descritos de uma forma vívida e as pessoas idem, as situações nos colocam dentro do livro e é possível sentir um sabor amargo na boca, se horrorizar durante a leitura e ao final se sentir aliviado de não ter vivido naquela época.

Um livro muito belo, uma das mais belas recriações históricas em forma de romance que li, preciso e muito bem fundamentado.




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2 comentários :

  1. Oi, Sheila,

    Por uma boa parte do livro se passar em um período de muita dor, o livro acaba passando toda essa carga emocional para o leitor, por, assim como os personagens, termos a esperança de que tudo acabará bem, de que eles poderão viver esse amor como deveriam ter vivido. Ou, na esperança de que o reencontro possa acontecer.

    Espero não me decepcionar com esse livro.

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  2. Livros dessa época tem uma carga dramática muito densa e triste, mesmo as resenhas me emocionam e acho que essa história de amor tem muito disso, espero de coração que o final seja feliz, já me vi torcendo por eles só lendo a resenha, que está muito boa :D

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