07 agosto 2018

[Resenha] Os Imortalistas - Chloe Benjamin

É 1969 no Lower East Side de Nova York e os rumores na vizinhança são sobre a chegada de uma mulher mística, uma vidente que se diz ser capaz de dizer a qualquer um qual será o dia de sua morte.
As crianças Gold – quatro adolescentes que estão começando a conhecer a si mesmos – saem de casa sorrateiramente para saber sua sorte. As profecias informam as próximas cinco décadas de sua vida. Simon, o menino de ouro, escapa para a costa oeste, procurando por amor na São Francisco dos anos 80; a sonhadora Klara se torna uma ilusionista em Las Vegas, obcecada em misturar realidade e fantasia; Daniel, o filho mais velho, luta para se manter seguro como um médico do exército após o 9 de setembro; e Varya, a amante dos livros, se dedica a pesquisas sobre longevidade, nas quais ela testa os limites entre ciência e imortalidade.
Um romance notavelmente ambicioso e profundo com uma brilhante história de amor familiar, Os imortalistas explora a linha tênue entre destino e escolha, realidade e ilusão, este mundo e o próximo. É uma prova emocionante do poder da literatura, da essência da fé e da força implacável dos laços familiares.

Livro: Os Imortalistas || Autor: Chloe Benjamin
Editora: HarperCollins Brasil || Ano: 2018 || Gênero: Contemporâneo
 Classificação:  4 estrelas || Resenhista: Karina



Em “Os imortalistas” vamos acompanhar a vida de 4 irmãos (os Golds/ Imortalistas), Varya, Daniel, Klara e Simon, o livro é dividido em prólogo - onde os irmãos ainda crianças de 13 a 7 anos vão atrás de uma vidente para saber o dia da morte de cada um - e depois em 4 partes onde cada parte conta a história de cada irmão e como essa “profecia” afetou sua vida e comportamento. Já no início foi fácil embarcar na leitura, Chloe tem uma escrita bem fluida e a curiosidade das crianças Gold passa a ser a nossa sem nem percebermos.
Do que ele se lembra? Uma porta estreita. Um número de bronze balançando em seu parafuso. Ele se lembra da sujeita do apartamento, que o surpreendeu; ele havia imaginado uma cena de tranquilidade, como poderia aparecer ao redor de um Buda. Ele se lembra de um baralho do qual a mulher pediu para ele pegar quatro cartas. Ele se lembra das que escolheu: quatro espadas, todas pretas – e o terrível choque da data que ela o deu. Ele se lembra de cambalear pela saída de incêndio, sua mão úmida no corrimão. Ele se lembra de que ela nunca pediu dinheiro.

 Não existe uma grande reviravolta ou plot complexo, vamos acompanhar basicamente 4 crianças que tiveram a ideia de ir atrás de uma vidente para perguntar o dia da morte de cada um sem se preocupar com a resposta; eu não sei vocês, mas eu não me sinto nem um pouco confortável com a possibilidade de saber o dia da minha morte, obviamente as crianças têm a opção de acreditar ou não na informação revelada, mas nunca sabemos como vamos lidar com a informação até que a tenhamos, não é mesmo ? 

 O que você faria? Você teria coragem de perguntar? Acreditaria na resposta?

A verdade é que todos obtiveram respostas, a princípio ninguém conta pra ninguém a data que recebeu da vivente e eles vão levando a vida dentro de uma família judaica bem religiosa, os aspectos da cultura judaica são bem presentes e se você procura diversidade religiosa esse livro é uma boa fonte de curiosidades. É a morte do pai acaba que acaba desencadeando ainda mais o afastamento dos irmãos. 
Se a profecia é uma bola, sua crença é uma corrente; é a voz em sua mente dizendo corra, dizendo mais depressa, dizendo, acelera.
Anos depois da visita a vidente, Klara convence Simon a ir embora de Nova Iorque para São Francisco, os dois que ainda moravam com os pais, deixam a mãe viúva em casa e “fogem” para viver a vida numa cidade nova, os dois mais velhos Varya e Daniel que estavam na faculdade desaprovam a atitude nada prática dos mais novos e assim passamos a acompanhar individualmente a vida de cada um deles.
Ele se perguntava: como ela podia dar um destino tão terrível para uma criança? Mas agora pensa nela de forma diferente, como uma segunda mãe, ou um deus, ela o mostrou a porta e disse: Vá.
Simon o caçula  é sem dúvida o personagem mais egocêntrico; no auge da adolescência foge com a irmã para uma cidade que fervilhava com as revoluções sexuais, o garoto que se sentia reprimido na cidade em qual nasceu faz dessa nova cidade sua casa, construindo uma personalidade completamente diferente, buscando amor desesperadamente e vivendo intensamente experimenta tudo o que tem vontade; apesar da falta de responsabilidade e muita imaturidade misturada com egoísmo é um personagem fácil de se apegar porque fica claro que embora ele faça de tudo para esquecer a data que recebeu, essa é exatamente a vida que decidiu que pode levá-lo ao fim da linha.

Klara desde criança queria ser mágica, vasculhou o passado da família e descobriu que a avó refugiada da hungria para os USA morreu durante um número performático, depois de mais de uma década em São Francisco decide por seus sonhos em prática, a cada dia que passa torna se mais obcecada pela perfeição deixando uma linha muito tênue entre o que é fantasia e o que é realidade, fazendo com que a gente a odeie por algumas atitudes ao mesmo passo que a gente compreende sua agonia.
Klara sabe como é se pendurar no mundo pelos dentes. Ela sabe como é querer soltar.
Daniel sempre foi muito prático, estudou, casou-se, se tornou médico e deixou grande parte da vida transcorrer sem arriscar nada que abalasse minimamente seus planos, Daniel é o irmão que eu menos gostei por conta de todas as atitudes contraditórias que vão direcioná-lo ao ponto alto da história dele.

Varya que teve a ideia de ir a vidente quando criança tornou-se cientista e estuda sobre o envelhecimento com todo rigor, é uma cientista prestigiada e que tem mais reviravolta durante a sua história, a maneira com que ela encara o peso de ter procurado a vidente é a mais lógica, mas isso não significa que é melhor maneira. 
Você se chama de cientista, usa palavras como longevidade e envelhecimento saudável, mas você conhece a história mais básica da existência: tudo o que vive deve morrer - e quer rescrever isso.
Com cenários muito bem descritos passamos por uma São Francisco dos anos 80 que nos descreve uma epidemia ainda desconhecida, mas que sabemos ser a AIDS, nos faz questionar o cenário machista de uma Las Vegas dos anos 90 onde mulheres talentosas eram reduzidas aos tamanhos da saia, nos traz de volta a nova Iorque dos atentados às torres gêmeas, tudo servido de pano de fundo para a saga de uma família onde a ciência questiona a religião e a crença desafia a lógica.
 
A maneira que a “profecia “ afeta os irmãos é o que costura as 4 histórias fechando a trama, há grandes questionamentos durante a história, mas nenhum deles é imposto, são sutis e ainda assim incômodos, o que vale mais a pena viver ou sobreviver? Eu fiquei deprimida com alguns desfechos e surpresas com outros.
Saúde mental, homossexualidade, luto, família são tão bem abordados que até os personagens secundários são interessantes.
Quando Dadi morreu em dezesseis de maio, bem como a rishika disse, nós choramos de alivio.-Não ficaram bravos?- Por que ficaríamos bravos?- Porquê a mulher não salvou sua avó-- disse Varya-- Ela não a fez melhorar.- A rishika nos deu a chance de dizer adeus.
Terminei a leitura com a impressão que o fim foi um pouco corrido, algumas situações com pontas semi soltas, mas ainda assim foi uma experiência de leitura que mexe bastante com a questão do E, se fosse comigo? E, se eu soubesse a minha data? Você viveria exatamente como está vivendo agora se soubesse que morreria na próxima semana?

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7 comentários :

  1. Oi, Karina,

    Com camadas bem únicas, a impressão que o livro passa é que a autora soube aproveitar cada linha do mesmo, ao explorar os diversos conflitos relativamente bem, pois é algo que rende muito assunto.

    Somado a tudo isso, a incerteza de cada instante presente na trama, ao ampliar a concepção do leitor - mediante todos os fatos destacados - e levando-o a refletir sobre como isso que poderia afetar diretamente sua vida, é algo muito válido.

    Eu, particularmente, se soubesse quando irei morrer, no mínimo, iria surtar, entrar em desespero...

    Enfim, é um livro que desde o primeiro momento, eu soube que eu tinha que lê-lo, por conter um toque diferenciado dos demais livros. Não sendo assim, muito previsível.

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  2. Eu já havia visto a capa desse livro por aí mas não tinha lido nada a respeito dele. Gostei da premissa, acho que apesar de o enredo parecer bastante simples ele tem muito potencial de reflexão para o leitor, inclusive de escolhas e atitudes que ele toma em sua própria vida e que podem afetar de forma total seu futuro. Gostei da forma como a autora construiu os personagens, trazendo-os para o universo do crível, dando a eles medos, inseguranças, defeitos e anseios, como qualquer ser humano normal teria. Além disso, o pano de fundo histórico que a trama carrega é bastante denso e interessante de acompanhar. A capa tá linda e cheia de detalhes, chama muita atenção.

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  3. É um livro bem intenso eu diria. Os personagens são bem diferentes uns dos outros apesar de serem irmãos e o autor parece ter abordado bem as características de cada um. Alem disso, viver sabendo o dia que vai morrer deve ser terrível. Eu não teria essa coragem kkk. Acho que além dos personagens únicos e esse clímax sobre a profecia o autor ainda trouxe varias características de como era se viver naquela época e em diferentes cidades. Gostei e pretendo ler.

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  4. Karina!
    Interessante poder acompanhar e torcer pela família Gold, sua saga, suas 'maldições'...
    O que mais me interessou foi a parte dos anos 80, afinal, passei minha adolescência durante esse período e gostaria de acompanhar e fazer um 'revival' da época.
    Não conhecia o livro.
    Desejo uma ótima semana!
    “.A vida merece algo além do aumento da sua velocidade.” (Mahatma Gandhi)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA AGOSTO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  5. Olá Karina!
    Tenho lido muito sobre esse livro, ainda bem que muito bem pois estou muito interessada nessa leitura, confesso que por abordar tantos temas foi o que me chamou atenção pra este livro, então espero ler em breve.
    Bjs!

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  6. Oi Karina, eu não sei se iria querer saber a minha data de morrer mas com certeza essa ideia da plot interessante e a história parece mexer com o leitor, o que é bem positivo ;)

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  7. Não conhecia o livro e fiquei interessada, gosto de profecias e a historia chamou minha atenção. Deve mexer muito com a mente do leitor essa historia de saber a data da morte eu que não iria querer saber acho que não seria mais a mesma. Achei corajoso as crianças querem saber, acho que se não soubessem suas vidas teriam seguido rumos diferentes desse que estão vivendo.

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