22 agosto 2018

[Resenha] Asiáticos podres de ricos - Kevin Kwan

Best-seller internacional que inspirou uma das mais aguardadas adaptações cinematográficas do ano. Quando Rachel Chu chega a Cingapura com o namorado para o casamento de seu melhor amigo, imaginava passar dias tranquilos com uma simpática família. Só que Nick não mencionou alguns detalhes, como o fato de sua família ter muito, muito dinheiro, que ela viajaria mais em jatinhos particulares do que de carro e que caminhar de mãos dadas com um dos solteiros mais ricos da Ásia era como ter um alvo nas costas. Logo, Rachel percebe que não será poupada das fofocas e intrigas. Isso sem falar na mãe de Nick, uma mulher com opiniões bem fortes sobre com quem o filho deve – ou não – se casar. Um passeio pelos cenários mais exclusivos do Extremo Oriente – das luxuosas coberturas de Xangai às ilhas particulares do mar da China Meridional –, Asiáticos Podres de Ricos é uma visão do jet set oriental por dentro. Com seu olhar satírico, Kevin Kwan traça um retrato engraçadíssimo do conflito entre os novos-ricos e as famílias tradicionais em seu romance de estreia, que já fez milhares de leitores chorarem de tanto rir no mundo todo.



Livro: Asiáticos podres de ricos || Autores: Kevin Kwan
Editora: Record || Ano: 2018 || Gênero: 
 Classificação: estrelas || Resenhista: Amanda
"Sabe, quando você nasce rico, dinheiro não é algo em que fica pensando muito."
Asiáticos podres de ricos é como o título sugere: é exatamente o assunto desse livro, sem tirar nem por. Eu confesso que fui meio iludida pelo trailer do filme achando que seria um chick lit meio alá Sophie Kinsella, numa versão asiática... não é bem assim não. Isso porque o romance é apenas um meio de evidenciar todo o mundo que existe por trás do glamour e do dinheiro dessas pessoas.

Mas vamos ao que interessa... Nick e Rachel estão namorando há uns dois anos, no entanto, apesar de Nick conhecer a família de sua namorada, Rachel não sabe nada da família dele. Apesar da estranheza, Rachel acaba deixando o assunto de lado, querendo deixar Nick à vontade apesar das preocupações de sua mãe. Isso porque segundo o costume asiático, é importante a apresentação das famílias quando se quer ter um relacionamento a sério com alguém (quem já viu algum drama ou curte a cultura, deve saber). E eles não tem a menor vergonha em perguntar sobre a situação financeira do outro, de quanto é a renda e esse tipo de coisa que para nós seria invasivo demais.
"Era tão injusto! Seus pais eram cheios da grana, e sua mãe ainda iria herdar uma quantia obscena quando sua avó de Cingapura batesse as botas. (Ah Ma havia sofrido dois ataques cardíacos na última década, mas agora tinha um desfibrilador em casa e poderia viver até sabe lá Deus quando.) Infelizmente, seus pais também estavam no auge da saúde; portanto, quando passassem desta para a melhor e sua fortuna fosse dividida entre ele, sua irmã irritante e seu irmão imprestável, o dinheiro não seria nem de longe o suficiente."
Então quando Nick surge com a ideia de levar Rachel para o casamento de seu melhor amigo em Cingapura e aproveitar para lhe apresentar à família é apenas intuitivo supor que ele esteja planejando dar o próximo passo.

O que Nick não conta para a nossa querida Rachel é que sua família é uma das mais importantes e influentes de Cingapura, eles tem todo um império, praticamente. Mas como Nick praticamente foi criado na América, ele acaba se tornando meio alheio aos costumes e imposições de sua família - ou seja, ele perde a noção de que com um legado como o dele, supostamente deveria se casar com uma pessoa "qualificada". E acaba levando a desavisada Rachel direto para um ninho de cobras.
"Aqui, não importa quanto uma mulher é bem-sucedida profissionalmente. Ela só é considerada completa depois de casar e ter filhos."
Fique bem claro que Rachel é formada em economia, professora universitária, tem sua própria renda e não é nenhuma miserável, mas é assim que ela é vista pela alta sociedade cingapuriana. Então, vocês podem imaginar a reação da mãe ao ouvir a rede de fofocas notificá-la que seu querido filho está trazendo uma namorada de quem ela nunca tinha ouvido falar para apresentar à família. A primeira namorada a ser apresentada, diga-se de passagem. Logo, ela reúne seu séquito de amigas milionárias para conspirar contra o romance.

E aí é uma festa porque as namoradas dele saem dos buracos para se juntar e ajudar a acabar com o namoro e começam a fazer piadinhas. Aproveitam a festa de despedida de Araminta, a noiva de Colin para fazer pegadinhas com Rachel. Coisas dignas de pena, para dizer o mínimo.
"Estamos em Cingapura, onde os ricos ociosos passam passam o tempo inteiro fofocando sobre o dinheiro dos outros: quem tem quanto, quem herdou quanto, quem vendeu sua casa por quanto..."

É aqui que eu tenho que ser sincera, esse livro me decepcionou de tantas maneiras... Sério, uma infantilidade sem tamanho das ex-namoradas, coisa de ensino médio mesmo. O autor não só colocou mulheres contra outras com o único intuito de conquistar o cara bonito e milionário - que elas tiveram a vida toda para tentar e não conseguiram!!! Como estereotipou ao extremo quase todos os personagens, inclusive uma das minhas favoritas que era a prima de Nick: Astrid. 

ALERTA SPOILER: Há uma cena onde o marido de Astrid está saindo de casa, ambos tinham acabado de ter uma briga séria, com direito à confissão de infidelidade da parte dele e ela apenas se pega pensando que quis lhe dar um conjunto de malas de uma marca X , mas ele não quis porque preferiu algo mais barato. Poxa, quem pensa nisso em vias de se divorciar, sério mesmo? 
Mesmo no casamento de Araminta e Colin, que é o evento principal do livro, a noiva se pega - furiosamente - pensando em porque estava fazendo algo tão esplendido e de tamanha magnitude, se sua "rival" nem estava se esforçando em colocar um vestido à altura daquele evento. E ELA DIZ AMAR O NOIVO! Quer dizer, vocês entendem a magnitude do que eu estou falando? Era para ser, supostamente o maior momento da vida da mulher, pelo amor de Deus!

A relação de Nick e Rachel é bem fofa, mas muito mal explorada. O livro se alonga em infinitas descrições de marcas, roupas, ramos familiares... a história poderia ter sido contada com a metade das páginas que o livro teve sem que houvessem tantas descrições exaustivas. E a cena no ringue de cachorros... Dizer que foi desnecessária e basicamente sem propósito é o mínimo. Não tinha motivo, uma vez que, eles nem assistiram até o fim (já que a maioria não tinha estômago para isso)  e ninguém fez nada para denunciar (e eu sei que esse é um costume antigo que vem caindo em desuso graças às gerações mais jovens, mas não tinha contexto para isso). Acho que o autor tentou fazer uma crítica, mas para mim o tiro saiu pela culatra.
"Nick é o primeiro namorado com quem eu penso em casar. Mas não fui criada para acreditar que o casamento deveria ser o objetivo da minha vida."
A Rachel é de longe a personagem mais pé no chão do livro inteiro. É independente, inclusive por ter sido criada unicamente pela mãe que deu o seu melhor por ambas. Sua criação americana aparentemente propiciou que ela se tornasse uma garota mais livre e desencanada com essas convenções, mas não só isso. Achei que Rachel seria feita de trouxa, porque tem um jeito amável, mas ela mostra em diversas ocasiões que sabe se defender muito bem, fiquei muito orgulhosa.

Há vários outros personagens e histórias por trás de Asiáticos podres de rico. O nojento primo de Nick: Eddie e seu egocentrismo absurdo. Fiquei o livro inteiro com pena da esposa Fiona e seus filhinhos que eram inferiorizados pelo próprio pai. Mas ela me surpreendeu também, mostrou uma garra inesperada e me fez querer conhecer melhor esse lado. É como eu disse no começo da resenha, o título é bem fiel ao livro em si. O romance é o gancho, mas a história é o mundo da elite mesmo e o que hipoteticamente se passa nesses bastidores. E o filme deve estrear em breve (quero muito assistir) confiram o trailer: 

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20 comentários :

  1. Oi, Nanda,

    É muito significante, quando um autor como o Kevin, expande o conceito inicial do livro, indo de um romance até extremidades de diferentes realidades.

    Acredito que é uma boa experiência conhecer um pouquinho sobre um novo povo e seu mundo glamouroso.

    Tenho muitas expectativas para ler esse livro, então espero que seja uma leitura agradável e satisfatória.

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    1. Oi, Daiane. Espero que você que você curta bastante sua leitura <3

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  2. Eu gosto da ideia principal, a personagem parece ser muito forte e isso me agrada muito em uma leitura. Acho que o autor não soube explorar a premissa, e se perdeu um pouco com essas brigas desnecessárias entre as personagens femininas. Mas ainda quero dar uma chance a leitura.

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    1. Olá, Luana!
      Dê uma chance, com certeza. Por mais que alguém não goste de um determinado livro por x ou outro motivo a gente tem que ler e tirar nossas próprias conclusões e até debater depois a leitura *-*

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  3. Oi Amanda, é uma pena a história ter te decepcionado. A história é interessante, mas acho que ela deve funcionar melhor como filme, eu pelo menos tô mais curiosa pra ver na tela do que fazer a leitura do livro.

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    1. Eu estou com algumas expectativas pro filme, confesso. A história em si tem bastante potencial, as adaptações costumam ser mais condensadas e objetivas...

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  4. Oi Nanda.
    Que pena que você acabou se decepcionando com a história.
    O autor não foi feliz com os estereótipos dos personagens e essa atitude de colocar todas as mulheres uma contra as outras para conquistar o garoto rico foi lamentável.
    Depois de ler a sua resenha quase não tenho vontade de ler esse livro.
    Beijos

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    1. Oi, Pamela.
      Dê uma chance pela chance da discussão, acho legal ler pra argumentar com outras pessoas depois. Mas não tenha tantas expectativas quanto eu. Eu entrei na leitura imaginando um romance alá Kinsella com humor e cenas "ownnnt", por isso a minha decepção :(

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  5. Não sei se teria paciência para ler esse livro, com essas descrições de roupas e outras coisas, odeio quando ficam descrevendo muito as coisas fica uma leitura cansativa que não vai pra frente. Sem falar nessas mulheres que ficam tentando acabar com o namoro da personagem, por não acharem ela qualificada aff. Acho que só teria de interessante saber mais sobre a Cingapura e a personagem que é uma pessoa que não se deixou intimidar com as pecuinhas.

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    1. Exatamente, Maria.
      Eu até suporto, já li alguns livros que começaram assim, mas que no decorrer da narrativa o autor desapaga e embarca na história, infelizmente eu tive a sensação de que o livro foi em sua maior parte bem superficial. Mas é só a minha opinião também, gostos variam bastante de pessoa pra pessoa ^^

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  6. Não conhecia o livro ainda, mas gostei bastante da premissa. Não tenho muito costume de ler livros com cenários asiáticos, mas achei esse diferente.
    Uma pena ter se decepcionado com a trama, o autor tinha uma boa trama mas parece ter pecado bastante.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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    1. Oi, Nicole!
      Eu realmente achei meio decepcionante, mas esperava um estilo mais comédia romântica. Lendo sem esse tipo de expectativa, talvez tivesse apreciado muito mais.

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  7. Nanda!
    Não li ainda e acredito que por sua resenha, não lerei mesmo, primeiro por ter muitos personagens e isso por si só já me confunde um pouco, depois, nada haver a forma como o autor escreve, sem conexão, incluindo divagações no meio do diálogo, gostei não...
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Oi, Rudy.
      Olha eu nem costumo ter tantos problemas com isso, mas agora que você comentou, esse livro me deixava meio perdida em algumas cenas também pelos cortes que fazia com a narrativa de outras pessoas kkk
      Veremos como o filme vai ficar!

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  8. Eu até achei interessante a premissa da sogra contra a futura nora, acho que isso poderia dar uma comédia legal. O que me incomodou de verdade foram os esteriótipos que o autor criou para a maioria das personagens, principalmente as femininas. Acho isso ofensivo e até um pouco (ou muito) misógino. Vou assistir ao filme, porque curti o trailer, mas não se me arrisco no livro.

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    1. Oi, Patrini.
      Realmente isso me incomodou também. Tive a sensação constante de superficialidade... Mas isso sou eu ne?! Cada um tem seu gosto pessoal, que varia bastante. Estou apostando no filme, espero que não me decepcionem e_e"

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  9. Oi Nanda!
    Eu até estava animada pra ler esse livro, mas confesso que ao ler algumas resenhas dei uma desanimadinha viu...Acho que fico com a opção do filme msm, o livro eu passo...
    Bjs!

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    1. Oi, Aline!
      É, eu realmente acredito que o filme vai superar o livro <3

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  10. Sinceramente, não gosto muito de filmes ou livros elitizados. Não sei se leria esse livro, mas não faz muito meu estilo. Talvez futuramente.

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    1. Oi, Ana!
      Pois é, eu também. Talvez esse tenha sido o problema ne... Li esperando um romance fofinho e engraçado. Quem sabe da próxima?

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