12 julho 2018

[Resenha] Um banquete para Hitler - A morte está servida



"Eu, Magda Ritter, conheci Hitler.
Eu era uma das quinze mulheres que provavam sua comida, pois o Fürher era obcecado com a possibilidade de ser envenenado pelos Aliados ou por traidores dentro de seu círculo pessoal.
Ninguém, exceto meu marido, sabe o que eu fiz.
Nunca falei sobre isso. Eu não podia falar… Mas os segredos que guardei por tantos anos precisam ser revelados.
Às vezes, a verdade me oprime e me apavora. É como uma queda sem fim em um poço fundo e escuro. Mas, ao escrever minha história, descobri muito sobre mim mesma e sobre a humanidade. E também sobre a crueldade dos homens que fazem leis para se adequarem aos seus próprios interesses.
Eu conheci Hitler… E minha história precisa ser contada.”
Unindo a história e a ficção, Um Banquete Para Hitler mostra os extremos de privilégio e opressão sob a ditadura do Fürher, expondo os dilemas morais da guerra em uma história emocionante, cheia de atos de extraordinária coragem em busca de segurança, liberdade e, finalmente, vingança.

Livro: Um banquete para Hitler - A morte está servida
Autor: V. S. Alexander || Editora: Gutenberg
Ano: 2018 || Gênero:  Romance
 Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Sheila


A protagonista do livro é Magda Ritter, uma jovem de família simples de origem alemã indiscutível, sem grandes propensões a acompanhar politica e seus desdobramentos, jovem e inicialmente sem grande interesse pelo partido nazista. 

Com a evolução da guerra por conta de ataques aéreos dos aliados em Berlim, os pais a encaminham para viver com tios em uma cidadezinha  de nome Berchtesgaden. O que a cidade tem de notável não é a residência dos tios e sim a proximidade com a Corte de Hitler,  situada em Berghof.



A tia de nome Reina, muito séria e grande apoiadora do partido nazista, diz que ela sendo uma boca a mais, deve procurar emprego e se filiar o mais rápido possível ao partido nazista. A jovem imatura se desespera e passa alguns dias procurando emprego, quando seu tio vem com a  noticia de que há um emprego na Corte de Hitler em Berghof.

Sem saber para qual emprego está sendo entrevistada, Magda segue e recebe a notícia somente ao chegar em Berghof que será uma das 15 provadoras oficiais das refeições de Adolf Hitler, que teme ser envenenado a cada refeição. Chocada, logo é avisada que o cargo é uma honra e que deverá aceitá-lo, caso contrário será taxada de traidora e deverá assumir os riscos.

Treinada pela chefe de cozinha Cook em venenos diversos, ela tem que aprender a reconhecê-los por cheiro e gosto. Durante o treinamento, Magda vai amadurecendo questões politicas e individuais enquanto se envolve com outras provadoras como Ursula. Após a primeira refeição, o peso da tarefa parece enfim consolidar as opiniões de Magda sobre o sistema do III Reich e ela começa a ver nuances que  a guerra traz.


É possível ler durante o livro, trechos de conversa da protagonista com Eva Braun e seus dois cachorros, e até mesmo descobrir os nomes reais deles e características de Eva romantizadas e contadas sobre a visão do escritor. Assim, por ele, a amante do Führer é vista como uma pessoa solitária, muito vaidosa e que carece de amizades.













Hitler é retratado no livro sempre atencioso ao seu cão e às pessoas, ainda que simples como Magda. Ela o descreve quase como com a  figura de um avô, com olhos muitos vivos que captam o interesse de todos, mas no fundo suas crenças já estão cimentadas a essa altura e ela reconhece todo o horror da guerra trazida por este homem.

Durante sua estadia, consegue a simpatia do guarda Karl Weber e acabam se aproximando sentimentalmente. Nada escapa aos olhos de Adolf, que pelas mãos do escritor age como casamenteiro de Karl e Magda, se importando e lhes dando atenção ao ponto de lhes dar as bênçãos e as alianças. As relações de Eva e Magda se estreitam quando a primeira lhe empresta um vestido para o casamento.

Karl surpreende Magda revelando fotos de campos de concentração e afirmando a posição contrária dele ao governo e explica que há diversos planos para tentar matar não só o Führer mas a maior parte de seus grandes oficiais, para que o regime realmente caia e não apenas ele morra e outro demônio assuma, como diz.

É possível ver o andamento da guerra ao redor e toda a opulência de alimentos e  regalias ainda concedida aos capitães e ao Führer e seus convidados em festas. O humor do ditador varia muito. Quando bravo com seus oficiais em gritos, Magda percebe, e em presença de convidados na casa de chá, por exemplo, conversando sobre música e arte somente.

Com o avançar das tropas inimigas, Hitler e sua comitiva (entre elas Magda,) sai de Berghof e vai para bunkers para maior proteção, o clima abafado atrai conspirações e, a partir dai, Magda terá que ser muito mais atenta.

A  história se estende com a queda de Berghof, a saída de Magda do Bunker para procurar seus pais e até seu estupro pelos soldados vermelhos que estão tomando Berlim. Mesmo assim, ela retorna ao bunker, aonde participa do casamento do Führer com sua amante como dama de honra de Eva Braun e, após cerca de 40 horas acontece a parte mais surpreendente do livro, o desfecho da morte de Adolf Hitler e Eva Braun.


No final do livro há um esclarecimento por parte do autor que diz que se inspirou 
em uma história real. Em 2013, uma mulher alemã chamada Margot Woelk revelou ao mundo que trabalhou como uma das provadoras de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial e se manteve em segredo por medo de represálias. Embora o livro possua cenas baseadas no relato de Margot, ele não é uma biografia, e nem pode ser lido como uma obra histórica. No entanto, o conteúdo histórico presente na obra é fruto de muita pesquisa do autor. Em nota ele diz: "Fiz a melhor pesquisa que pude para Um banquete para Hitler; contudo, relatos históricos e linhas do tempo variam entre si. O leitor deve saber que fiz o possível para unir a História com a ficção." E até mesmo indica livros de grandes historiadores precisos em datas e acontecimentos.

Como leitora, eu gostaria que esse aviso estivesse no começo do livro, pois como apaixonada por história passei grande parte do livro travando a leitura para conferir datas e eventos na memória e até mesmo em consultas on-line.

O livro é escrito com fluidez e parágrafos bem distribuídos, sendo bem diagramado e possui uma forte coerência na montagem de personagens tão auspiciosos.

A protagonista amadurece muito ao longo do livro e é possível simpatizar com ela diversas vezes e até torcer para esse amadurecimento que trará a ela e a nós sentimento de repugnância  imposto pelo momento histórico.

Particularmente, achei as interações dela com Eva Braun um tanto forçadas, como se a companheira do Führer fosse muito infantil e ansiasse por ser aceita. Nos livros de história que li, ela não me pareceu ser assim, mas é algo muito pessoal a ser destacado nessa resenha.

A visão que o autor descreveu de Adolf  me pareceu a mesma que a minha: cuidadoso com as pessoas até certo ponto mostrando-se muitas vezes paternal, muito amoroso com seu cão e completamente déspota, com uma visão preconceituosa e megalomaníaca, arrogante e louca do mundo e do poderio da Alemanha.

O livro agradou bastante, pois mostrou, ainda que lúdico, um lado da vida do ditador que não é sempre possível ser visto em livros de história, e assim preencheu a curiosidade com relatos, mesmo que ficcionais,  deste grande momento histórico, onde tentamos entender como as coisas aconteceram a tal ponto de dizimação e crueldade, com o consentimento ou não de uma nação, mas que poderiam ser reais.

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9 comentários :

  1. Oi, Sheila.

    Se tornar responsável pelo bem estar de alguém tão cruel, é algo difícil de digerir (sem trocadilhos).

    Nutrir sentimentos por alguém com a incerteza de continuar vivendo e convivendo diariamente com a morte, é no mínimo, desconcertante e triste.

    A trama, juntamente com esse cenário, no qual tudo se passa, aparentemente parece ser bem construída, por trazer algo real e cruel. Traz uma carga mais pesada. O enredo é perfeito.

    O livro possui algo um pouco diferente, por isso, quero tanto lê-lo.

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    1. Recomendo, mas nãos e apegue a datas e fatos que aprendeu lendo ou na escola sobre esse período, a maior intenção do autor é nos fazer entrar dentro da atmosfera q as pessoas viviam nessa época isso ele consegue!

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  2. Oi Sheila, achei bacana que o livro lhe agradou muito mesmo tendo que ficar pesquisando para bater datas e eventos históricos :) A trama é de um período que não admiro (acho que admirar não é bem a palavra) mas parece que estar muito bem escrito assim como a resenha. ;)

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    1. tbm não admiro esse período hist´rico, mas ele me intriga muito, não consigo entender como a coisa foi tão longe e a população não reagiu???

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  3. Eu to louca para ler este livro!
    Sou apaixonada por livros que falem sobre a segunda guerra mundial, ainda mais quando misturam história com ficção.
    Achei isso do cargo que ela ocupada sendo diretamente ligada a Hitler super interessante e curioso. Não consigo enxergar qualquer fio de humanidade no Fuhrer, mas quero muito poder ler isso pelos olhos da autora.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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  4. Oi Sheila!
    Desde que li uma resenha desse livro eu tô interessada em ler, imagino que a leitura seja excelente, espero ler me breve.
    Bjs!

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  5. Scheila!
    Tudo que gira em torno de Hitler e segunda guerra, é sempre bem chocante e doloroso e ver um livro baseado em fatos reais, trazendo mais uma das atrocidades cometidas naquela época, é sempre enriquecedor de ler.
    Bom final de semana!
    “A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta.” (Blaise Pascal)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JULHO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  6. Que bom que a leitura agradou, tenho vontade de ler esse livro, parece ser interessante e gosto de historias da Segunda guerra, fiquei imaginando essa função da personagem, não queria estar em seu lugar, seria tentador, mas também angustiante. Fiquei curiosa com esse outro lado do ditador.

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  7. Oi Sheila,
    Quando me deparei com o lançamento o desejei, adoro a segunda guerra e sou curiosa pela história de Hitler... Bem legal ver por esse lado, aliados, que na verdade estão tramando contra ele, imagino o risco que não correram, e mais, imagino se alguém na vida real de fato se atreveu a tal feio já que todos o temiam. Não sabia que era baseado em fatos reais, melhor ainda..
    Mesmo na ficção, não dá para enxergar qualquer humanidade em Hitler, em alguns livros que li que tentaram fazer isso, não colou!
    Quero muito ler..
    Beijos

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