10 julho 2018

[Crítica] The Rain


Criadores || Jannik Tai Mosholt, Esben Toft Jacobsen e Christian Potalivo
Primeira temporada || 4 de maio de 2018
Número de episódios || 8
Emissora original|| Netflix

The Rain é uma série do catálogo do Netflix que surpreende. A primeira surpresa que você pode sentir é que a serie é dinamarquesa e as opções de áudio vão do original ao inglês e ao português obviamente.

Vale a pena assistir em dinamarquês e aprender pelo menos como soa um obrigado, um sim, não e por favor, é uma experiência extra que os seriado traz adaptando nossos ouvidos não só ao inglês que estamos acostumados a ouvir em quase todos os cantos desse nosso mundo televisivo.

A série em si trata sobre um assunto que poderia ser clichê - um mundo pós-apocalíptico devastado por uma doença propagada pela chuva-, se as relações humanas e o foco da câmera não fossem completamente diferenciados do que também estamos acostumados. Nessa série a premissa é de que para sobreviver você não deve ser tocado por nenhuma chuva ou mesmo a água empoçada pela chuva que pode ser fatal aos humanos.

Os personagens principais são dois irmãos, Simone e Rasmus, que estão em um bunker de proteção, o acesso ao bunker só lhes foi permitido porque o pai dos dois é um cientista de uma organização de saúde e tem um papel grande pelo que podemos intuir na propagação da doença.

Contando com oito capítulos, nos primeiros, The Rain mostra como foi a deflagração da doença propagada pela chuva e depois como os irmãos vão reagir a morte da mãe, ao sumiço do pai e a vivência em um lugar ainda que protegido e  com recursos, isolados  por 6 anos.

Como era de se esperar após seis anos a comida acaba e eles terão que se expor ao mundo externo em busca de alimento e querendo achar o pai que nunca mais reapareceu. Nesse processo de exploração, encontrarão um grupo de jovens liderados por Martin e vão ser primeiro intimidados , ameaçados e então aos poucos  vão se unindo a essas pessoas muito mais treinadas em sobrevivência e adaptadas.

Em busca de saírem da zona de contaminação, os episódios do meio da série retratam experiências que os personagens passam seja ao entrar em grandes cidades, seja o encontro com uma pequena comunidade que mais age como uma seita ou as descobertas de afinidades e laços entre eles.



Durante os episódios ocorrem flash-backs de momentos das vidas dos participantes do grupo, que mostram sua real natureza ou dificuldades, que muitas vezes nos levam a entender ou a  aliviar  a carga de raiva que um personagem as vezes nos desperta.
Fica impossível na trama toda não achar Rasmus extremamente confuso e muito imaturo o que é bem compreensível por ter passado mais de um terço da vida dele preso em um espaço limitado e controlado apenas com Simone sua irmã mais velha. Simone  aparece como a personagem mais sólida da série toda, sempre muito convicta de suas decisões e ações , sempre pensa antes de agir.

O líder do outro grupo Martin, parece ter muito ainda a mostrar e em flash-backs é possível saber que foi militar e mostra um alto nível de capacidade de sobrevivência, as outras duas meninas do grupo são Beatrice, quase tão confusa em sentimentos como Rasmus, sendo por hora muito gentil e em outra muito calculista e Lea infundada por religiosidades e sempre disposta a ver o bem em todos, a moça brinca de Poliana várias vezes na trama, após ter sofrido muito bullying se culpa após ter desejado a morte dos que a maltrataram e acha que a chuva infectuosa foi uma resposta as suas orações a isso. O grupo ainda conta com Jean mais tímido e reservado que já está muito abalado por acontecimentos desde a chuva inicial e Patrick o personagem mais fácil de você odiar, segue sonso, carente e sem caráter e  ao longo da série é possível ver os vislumbres de sua vida anterior e mesmo assim isso não alivia a sua indisposição com o personagem.

A proposta científica foi pouco apresentada, sempre com poucos dados até para que a gente do sofá não perca o interesse, no ultimo capitulo podemos ver uma sala de reuniões e algumas falas que abrem muitos questionamentos sobre o que de fato aconteceu ou está acontecendo, muitas explicações ainda deverão ser dadas na segunda temporada, por enquanto nessa parte foi bem típico de seriados e filmes com fundos de contágios humanos.

Falar mais sobre a série seria entregar seu propósito, com uma segunda temporada já renovada, vale a pena deixar os preconceitos de lado por ser uma serie fora dos padrões americanos com os quais estamos acostumados e  se abrir para novas experiências, que incluem paisagens lindas, uma língua estranha e enfoques de câmeras diferentes do habitual.

Com uma bela fotografia e uma delicadeza que por horas beira a ternura e o rancor em outros o grande destaque são as relações humanas quando confrontadas por perigos: unir/dividir, entregar/resgatar, delatar/apoiar são os grandes opostos que os personagens passam e que nos levam muitas vezes a refletir como agiríamos naquela situação.


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13 comentários :

  1. Oi, Scheila.

    Eu ainda não tinha conhecimento sobre essa série, porém histórias que têm como ponto de partida alguma doença devastadora, me chama logo a atenção.

    Acompanhar tudo isso, é de longe, tenso.

    Espero poder assistir brevemente!

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    1. Vale a pena assistir, foge de Walking Dead totalmente , mas traz discussões mais sutis em termo de relacionamentos humanos.
      Obrigada! =)

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  2. Olá Scheila!
    Eu vi a primeira temporada e assim que terminei já qria mais, ansiosa pela próxima temporada!
    Eu amei essa série!
    Bjs!

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  3. O comentário vai conter SPOILER

    Oi Scheila, vi a primeira temporada e quero sim a continuação, coincidentemente maratonei nesse fim de semana a série, peguei um episódio pra ver e não parei mais.
    - Concordo com você sobre Rasmus, que menino chato haha, mas até compreensível desde quando ele só teve Simone desde pequeno e fiquei na dúvida sobre a idade dele;
    - Sobre Simone, eu discordo, ela não me agradou tanto assim como lider, não foi ela que abriu a porta pra mãe sair? Não foi ela que deu comida pro pai e pro filho antes deles serem atacados por causa da comida e ela ter tido que fugir? Não foi ela que falou dos bunkers sobre pro cara que cortou o Rasmus (essa pergunta é verídica, tô na dúvida)? rsrs, mas como ela não me conquistou, posso estar implicando com ela.;
    - Fiquei confusa sobre a história de Beatriz, ela foi a única que não voltamos no passado pra ver como ela foi parar com o grupo e ela contou histórias similares pra Rasmus e Martin, era uma personagem com potencial e é uma pena que ela tenha morrido;
    - Achei legal a ideia de levantar o questionamento (o pai de Rasmus se entendi certo esta envolvido no lançamento do vírus no mundo) sobre até que ponto podemos
    fazer tudo pra salvar alguém que amamos;
    - Os questionamentos da cena final também foram interessantes.

    Não vi em Dinamarquês mas achei a dica bacana, talvez veja de novo mais frente utilizando essa sua dica, e gostei da recomendação.

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    1. A falta de simpatia q vc sentiu pela Simone eu senti pela Beatrice, ainda que quisesse tbm q ela tivesse continuado mais tempo, achei q a Simone cresceu a cada episodio com suas ações ao contrario da Beatrice e do Rasmus por exemplo, no caso dele ainda tem a desculpa de ter sido confinado boa parte da vida já a Beatrice foi um enigma mesmo, a historia das casas aonde morou e tal, concordo!

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  4. Bem Scheila, fiquei assim bem na dúvida quanto assistir ou não a série, pelo simples fato que em filmes desse tipo, acredito que tem de haver um significado para que aconteça a contaminação na água da chuva e um propósito para que se chegue ao final. Sem contar que achei as personagens imaturas e/oi alguns com falha de caráter, o que não me anima em nada para assistir.
    “A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta.” (Blaise Pascal)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JULHO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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    1. Acho q vc poderia pelo menos tentar ver o primeiro episódio e aí curtir pelo menos o pessoal falando dinamarquês que é bemmm diferente!
      O que acha?

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  5. Assisti a série em um dia de tão viciada que fiquei, e realmente é muito melhor assistir no áudio original. Os Rasmus me irritou do começo ao fim da série, tá certo que ele cresceu somente com a Simone, mas não consegui me simpatizar em nenhum momento com ele.
    Não gostava da Beatrice, porém queria ter visto o flashback dela pois fiquei bem curiosa sobre sua história.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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    1. sim sim, Rasmus é chatolino e a Beatrice me irritava com tanta indecisão!

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  6. Parece ser interessante essa série gosto desse clima de fim do mundo, a luta pela sobrevivência, acho que não estamos longe disso na realidade. Esse mistério em volta da causa da doença ser da chuva deve ter deixado a leitura envolvente. Só não gosto de assistir séries que ainda não acabaram, pois correm o risco de serem canceladas e acabo frustrada, dá uma raiva.

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    1. já já sai a segunda temporada! eu vou contando!

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  7. Oi Sheila,
    Ando vendo tantas séries com intenção de mostrar esse mundo pós apocalíptico, que acabei enjoando! Não nego que a proposta é boa, principalmente em questão da chuva, apesar de achar que isso tem que ser muito bem explicado para se tornar interessante, e mais, gosto quando envolve vários personagens, que é o que acontece aqui!
    Irei anotar a dica para assistir futuramente.
    Beijos

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