10 julho 2018

[Resenha] Estamos bem - Nina LaCour



Marin deixou tudo para trás. A casa de seu avô, o sol da Califórnia, o corpo de Mabel e o último verão agora são fantasmas que ela não quer revisitar. O retrato de uma história em que já não se reconhece mais. Ninguém nunca soube o motivo de sua partida. Nada se sabe sobre a verdade devastadora que destruiu sua vida.

Agora, ela vive em um alojamento vazio e está sozinha no inverno de Nova York. Marin está à espera da visita de sua melhor amiga e do inevitável confronto com o passado. As palavras que nunca foram ditas finalmente se farão presentes para tirá-la das profundezas de sua solidão.




Livro: Estamos bem|| Autor: Nina LaCour
Editora: Plataforma 21 ||Ano: 2017 || Gênero:  Literatura juvenil
 Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Amanda
Estamos bem conta a história de Marin, uma adolescente recém saída do ensino médio que acaba de perder seu avô que é seu único parente vivo. Infelizmente, não é a única coisa que Marin perdeu com a morte dele.
"Eu me pergunto se tem uma corrente secreta que une as pessoas que perderam alguma coisa. Não da forma que todo mundo perde alguma coisa, mas da forma que destrói sua vida, te destrói, e quando você olha para o próprio rosto, não parece mais seu."
Todos temos nossos segredos, mas todos acabam sendo revelados mais cedo ou mais tarde. No caso do avô de Marin, seus segredos são revelados após sua morte, o que impacta a jovem de forma avassaladora, somando à perda, acaba levando-a a fugir da casa que compartilhava com o avô e das pessoas a quem conhecia, incluindo Mabel, sua melhor amiga e seu primeiro amor.

O romance entre as duas tinha apenas começado a engatinhar quando Mabel vai para a faculdade e, como se não bastasse a distância que os quilômetros interpõem, a morte do avô de Marin, faz com que ela corte praticamente todo o contato, deixando Mabel confusa e magoada.

O livro se passa justamente entre a espera da chegada de Mabel para rever Marin e colocar todos os pingos nos i's, com flash back's e os momentos compartilhados entre Marin e o avô e chegada da jovem e a forma como as coisas entre as duas lidam com a situação e as mudanças que ocorreram enquanto estavam separadas.
“Talvez pense que eu estou sendo dramática. Talvez esteja. Mas sei que tem uma diferença entre como eu entendia as coisas antes e como entendo agora. Eu chorava por causa de um livro, então o fechava e tudo acabava. Agora, tudo ressoa, entra como farpa, infecciona (...)”.
Estamos bem é um livro extremamente bonito, Nina Lacour tem uma escrita sensível e poética que me fez lembrar uma das minhas autoras favoritas: Jandy Nelson (de quem temos resenha aqui, se não leu algum livro dela, corram!). Assim como ela, a Nina tem um jeito de descrever a perda que faz com que uma crueza de sentimentos transpasse o coração do leitor. Uma dolorida identificação de qualquer um que já passou por qualquer tipo de despedida. 
“Eu tinha afastado a dor. E a encontrara nos livros. Chorava pela ficção em vez de chorar pela verdade. A verdade era irrestrita, sem enfeites. Não havia linguagem poética nela, nem borboletas amarelas, nem inundações épicas. Não havia uma cidade presa embaixo d’água nem gerações de homens com o mesmo nome, destinados a repetir os mesmos erros. A verdade era ampla o bastante para se afogar nela.”
Esse é um livro que fala sobre perdão e amor, mas também é um livro que fala de uma forma especial sobre ausência e como a falta é capaz de fazer com que fiquemos fechados dentro de nós mesmos e incapaz de deixar as pessoas se aproximarem. De como precisamos de pessoas que nos entendam e nos apoiem para conseguirmos nos levantar e superar as fases difíceis da vida.

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12 comentários :

  1. Oi, Nanda.

    Nunca li livros com essa temática focado no romance entre duas mulheres.

    Então, mais do que isso, acredito que eu iria gostar do livro por haver um aprofundamento subliminar em abordar questões dolorosas e intensas, que são também contornos delicados da dificuldade de seguir em frente, quando se tem a solidão ao lado.

    Enfim, não é um livro que eu tenho muitas expectativas em lê-lo (não por ele ser LGBT, longe disso), mas quero realizar a leitura do mesmo.

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    1. Vai fundo, Daiane! Não vai se arrepender, foi um dos melhores do ano pra mim, até agora *-*

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  2. Olá Nanda!
    Estopu bastante curiosa confesso pra conhecer essa história, eu nunca li livros que envolvam duas mulheres, parece ser bacana, ainda mais abordando assuntos que adoro em leituras, vai para a listinha.
    Bjs}!

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    1. Tenho certeza que vai te encantar também, Aline! Quando ler volta pra dizer o que achou <3

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  3. Oi Amanda, a trama cheia de segredos deixa o leitor curioso, já vi algumas resenhas desse livro, positivas e negativas, e acho que é questão de ler pra formar opinião. Gostei de saber que a escrita dela te agradou, que é poética e sensível e a resenha tá muito boa ;)

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    1. É assim mesmo, Lili. Tem leitura que parece que é feita pra gente, comigo foi esse o caso com esse livro, infelizmente nem todo mundo vai se sentir da mesma forma. Espero que você também goste *-*
      Bjks

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  4. Olá Nanda,
    Parece mesmo uma história muito bonita, e tocante também. O que a Marin passa na história é algo bem realista, se afastar de todos depois de perder alguém que ama, mas o que me deixa curiosa são os segredos do avô e o porque eles impactaram tanto a protagonista... Achei o romance bem montado, gostei da forma que a autora abordou, naturalmente, como tem que ser.
    Outra coisa legal é a capa, achei tão linda, como sempre me apoiou o primeiramente por elas, esse sem dúvidas eu compraria.
    Beijos

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    1. A capa ta perfeita mesmo! Mas me apaixonei de verdade pelo título e as resenhas de outras blogueiras me convenceram. É um livro que vale a pena ter na estante, mas mais do que isso, pra levar pra vida e compartilhar com todos <3

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  5. Nanda!
    Não conhecia o livro e bom ver a temática LGBT.
    Muitos questionamentos que só serão desvendados quase no final do livro, deve dar um ar de certo mistério.
    Solidão é muito sério e quando se guarda dentro de si, é difícil de digerir. Realmente mexe com o psicológico e pode causar outros sintomas.
    Sabe que também gosto de ter meu tempo para as coisas? Mas não acho que sou solitária, nem sinto solidão, acho que é mais opção de fazer as coisas sozinha e curtir isso, sabe?
    Deve ser angustiante mesmo o que a protagonista passa.
    Vou ver se consigo ler.
    Valeu a indicação.
    “A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta.” (Blaise Pascal)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JULHO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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    1. Espero que goste, Rudy! E concordo com você, acho que pena perspectiva de muitas pessoas posso ser considerada solitária também, mas estar solitário é diferente de estar sozinho, ne?! O importante é ter pessoas que te apoiam <3
      Bjks

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  6. Parece ser uma leitura carregada de sentimentos, fiquei curiosa em saber as descobertas da personagem em relação ao avó, pois mexeu muito com ela, a ponto de deixar tudo para trás, isso deve ter deixado a leitura bem ágil. Ainda não li nenhum romance com o casal sendo duas mulheres, preciso ler.

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    1. Ele é muito bom mesmo, tenho certeza que não vai te desapontar <3

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