23 julho 2018

[Resenha] A Duquesa - Danielle Steel

A saga de uma jovem bem-nascida, que se vê sozinha no mundo e é obrigada a embarcar em uma jornada de sobrevivência e sensualidade em busca da tão sonhada justiça.
Angélique Latham cresceu no esplendoroso Castelo Belgrave, na Inglaterra, e foi criada sob a tutela e o carinho do pai, o duque de Westerfield. Aos 18 anos, ela é a menina dos olhos do duque, mas, assim que ele morre, seus meios-irmãos mais velhos lhe viram as costas, abandonando-a completamente. Porém, com sua inteligência aguçada, uma beleza arrebatadora e um baú de dinheiro que seu pai lhe deu em segredo no leito de morte, ela fará de tudo para sobreviver.
Sem conseguir arrumar emprego por não ter uma carta de referência, mesmo depois de um tempo trabalhando como babá, Angélique tenta a sorte em Paris. E é lá que o destino coloca em seu caminho uma prostituta, vítima dos maus-tratos de Madame Albin. Ao ajudar a jovem, Angélique vê uma oportunidade: abrir um bordel de luxo para atender aos homens mais abastados da cidade e onde pudesse proteger essas mulheres. Logo, o elegante Le Boudoir, um lugar onde os homens poderosos podem satisfazer seus desejos mais secretos com as companhias mais sofisticadas, se torna a sensação de Paris. Mas, vivendo na iminência de um escândalo, Angélique conseguirá algum dia recuperar seu lugar no mundo?

 Livro: A Duquesa || Autor: Danielle Steel || Editora: Record
Ano: 2018 || Gênero: Literatura Estrangeira / Romance de época
 Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Barbara

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Não posso negar que Danielle Steel me surpreendeu bastante em sua obra. Nunca havia lido nada da autora e a Duquesa realmente foi uma escolha e tanto. Um livro forte e sem enrolação, que lhe mostra a dura realidade que as mulheres deveriam enfrentar antigamente. 

Danielle trabalha muito bem com sua ambientação, detalhes e formas de descrever uma realidade da qual muitas vezes são escondidas nas entrelinhas de diversos livros. Um livro envolvente, cheio de verdades e tradições antigas, com uma personagem forte e sofrida, pois nunca vi uma história tão triste quanto de Angélique, que te faz muitas vezes querer chegar ao final, na esperança de que as coisas melhorem, mas não da forma como esperamos.

Angélique Latham é a bela filha do segundo casamento do Duque de Westerfield e fruto de uma linda história de amor que ele viveu com a jovem francesa, Marie-Isabelle, trinta e sete anos mais nova e o amor da sua vida, que infelizmente não durou muito. 

“A vida de casado foi como um conto de fadas que terminou muito rápido. Marie-Isabelle concebeu uma criança no primeiro ano de casamento e morreu dois dias depois de dar à luz uma filha que eles chamaram de Angélique, pois ela se parecia um anjo e tinha o cabelo louro claríssimo e os olhos azuis da mãe.”

E após a morte da esposa, Phillipe, o Duque de Westerfield, dedicou-se completamente a filha mais nova e a razão da sua alegria. A garota sempre mostrou uma enorme paixão pelo pai e por sua propriedade, sendo dedicada aos cuidados da casa e aos estudos que o pai lhe proporcionava. Só que o Duque sempre temeu por sua filha mais nova, pois de acordo com as Leis Inglesas, a filha mulher não herdava nada do pai, nem o titulo, terras ou fortuna, apenas o filho mais velho, no caso Tristan, herdaria toda fortuna, titulo e as maiores propriedades, enquanto o mais novo uma pequena propriedade, não que Edward parecesse se importar. Só que algo ambos tinham em comum, o ódio por Angélique e sua mãe, que muitas vezes se referiam a ela como prostituta francesa.

Quando Angélique estava com dezessete anos, deveria ser apresentada em Londres para todos os homens solteiros, para conseguir arrumar um casamento e assim não ter que ficar nas garras dos irmãos caso o pai morresse, mas recusou-se a ir por conta da saúde do Duque, que piorava a cada dia. Quando Angélique estava com dezoito anos o pai morreu, mas não sem antes lhe entregar um pequeno baú, contendo uma boa quantia em dinheiro para que ela usasse em alguma emergência, se por acaso os irmãos se recusassem em lhe ajudar.

“- É uma longa história. O típico conto de fadas envolvendo uma propriedade e um título na Inglaterra, um meio-irmão ciumento que estava determinado a se livrar de mim e que fez com que eu fosse trabalhar como babá na casa de outra família.”

O que de fato aconteceu, ao herdar o Titulo de Duque, Tristan livrou-se da irmã logo após a morte do pai, vendendo-a como escrava para uma família rica. Angélique tornou-se então a Babá Ferguson, perdendo sua identidade e vida.

E é quando a história começa a andar e somos apresentados a diversos personagens tão odiados quanto Tristan, Edward e Elizabeth, esposa de Tristan. Quando o livro nos mostra realidades das quais muitas vezes não estamos acostumados, mas que muitas vezes não damos atenção. Como a Senhora Ferguson se recusar a dar de mama para seus filhos por achar aquilo nojento, ou não querer vê-los por serem muito barulhentos, por isso só os veem a cada semana por cinco minutos no máximo. 

E se a história não fosse triste o suficiente, por causa de uma tentativa de abuso Angélique se vê na rua, sem carta de recomendação e sem a possibilidade de conseguir um novo emprego. Como começar a vida do zero sendo mulher? Quais as possibilidades que ela tem? Usar o dinheiro do pai? Vendo-se sem rumo e sem chão, ela decide se tornar uma cortesã, mas as coisas nunca são tão simples assim.



Uma história triste, cheia de ensinamentos e verdades das quais não sabemos que estamos prontos para vivenciar até virar a próxima página. O que se tornou uma das coisas que mais gostei nesse romance, pois Danielle Steel não tenta enfeitar a realidade, ela a mostra limpa e como deveria ser, ainda mais quando você é uma mulher e se coloca no lugar de Angélique e todo sofrimento que ela teve que viver. Uma das outras qualidades desse romance, é que se você espera um final feliz de contos de fadas, ele não vai acontecer, pois quando você acha que tudo está correndo bem, perfeito, Danielle lhe dá um banho de água fria e te faz sofrer mais novamente.

Não me agrada muito a forma da narração, sendo muito repetitiva e corrida, com longas narrações e poucos diálogos, que deixa a história parecendo uma FanFic ao meu ver. Mas que compensa muito com a trama e a personagem principal, da qual temos mais contato durante todo o livro, sendo que deixa muito aberto os secundários, pois admito que gostaria de saber mais sobre outros personagens, não só Angélique. 

Entretanto, se tornou um livro dos quais me envolveu e me fez querer terminar o mais rápido possível para saber o que aconteceria com a vida da protagonista, que cresce e se torna mais forte a cada desafio colocado em sua vida e que tem uma reviravolta impressionante do inicio ao fim. 

Se vocês buscam um livro intenso que vai lhe dar diversos tapas na cara e com uma personagem feminina forte e sem frescuras, A Duquesa é esse livro, que vai te surpreender e te fazer perder o folego em cada página. 

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11 comentários :

  1. Oi Barbara, vou confessar que tenho certo receio dessas autoras que parecem não amar suas protagonistas e as fazem sofrer tanto rsrs, mas a realidade nem sempre é linda né?! e não podemos fechar os olhos pra ela, assim a história parece ser bem interessante. Mas longas narrações e poucos diálogos não me agradam tanto, no entanto eu gostei da resenha e irei pensar mais a frente se irei querer ler esse romance ;)

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    1. Lili, sendo bem sincera com você, também não faz muito meu estilo não e foi isso que me surpreendeu nesse romance, pois ao mesmo tempo que a Angélique sofre, ela mostra que o sofrimento pode ser vencido se você for forte e seguir seus princípios e objetivos, foi o que mais amei nesse livro. Pensa direitinho, leia e vem conversar comigo sobre ele, vou amar ter com quem discutir sobre ele <3

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  2. Oi, Bárbara,

    A Angelique me parece ser uma personagem centrada. Além disso, obstinada - fruto de todos os seus sofrimentos.

    Gosto quando o livro nos dá o deslumbre de ver toda a luta da personagem (ainda mais sendo mulher) em um cenário desprovido de direitos iguais.

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    1. Oi Daiane,

      Sim, Angélique é o tipo de personagem feminina que eu amo, que não baixa a cabeça e continua lutando, não importa quão difícil seja seu desafio. E sem contar que o livro mostra realmente uma realidade da qual não vivemos por ser no passado, mas vivemos por não ter tanta mudança aparente. É um misto de sentimentos que prende, principalmente nós mulheres.

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  3. Bárbara!
    Desde minha adolescência gosto demais de ler os livros da autora, justamente pela forma abrasiva como ela escreve, sem meias palavras, direto ao ponto ou a realidade nua e crua.
    Sinto que seja um livro triste, mas reflete o que realmente acontecia na sociedade da época.
    E sendo romance de época, já quero poder ler.
    Desejo uma semana plena de luz e paz!
    “O homem está sempre disposto a negar tudo aquilo que não compreende.” (Blaise Pascal)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JULHO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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    1. oi Rudynalva,

      Leia, leia e leia, já que você gosta desse tipo de livro vai se apaixonar ainda mais. Danielle é incrível e não vai deixar de falar o que nós precisamos ler.
      Leia e me conta o que achou, vou adorar saber, ainda mais que você já gosta do gênero.
      Boa semana <3

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  4. Olá Bárbara!
    Quando vejo livros com títulos como este já me prende atenção, eu amo esse gênero, o livro parece ter um enredo bem escrito, que deixa o leitor preso nos personagens, espero conseguir ler me breve.
    Bjs!

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    1. oi Aline,

      Eu escolhi o livro por causa do título, admito e quando li a sinopse me apaixonei, não me arrependi em momento algum, ainda mais a maneira como a Danielle usa o título durante todo o livro, vale muito a pena.
      Leia e vem me contar o que achou.
      Beijos.

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  5. Parece ser uma historia bem profunda que mexe muito com as emoções do leitor, já fiquei imaginando como sofreria lendo, é uma historia diferente e que surpreende já que esperamos que em algum momento a personagem terá seu momento feliz, só que este não chega.

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    1. Oi Maria,

      Eu amo histórias profundas que me fazem pensar, essa é esse tipo de história, que quando você acha que tudo vai ficar bem, você percebe que tudo pode mudar, como acontece diariamente em nossas vidas. O que me prende muito nesse livro, não é apenas uma história bonita, mostra aquilo que vivemos e que podemos viver. Mas sempre tendo momentos tristes, por mais que eles não durem para sempre como nos contos de fadas.
      Beijos.

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  6. Olá Bárbara,
    Eu tenho alguns livros da autora, e todos seguem um estilo próprio de narrativa, com bem mais descrição do que diálogo, por gostar dos enredos que ela conta, já me acostumei.
    Sem dúvidas é uma história sofrida, e acima de tudo, completamente machista, é algo que por mais que seja em uma época diferente da nossa, pode até se comparar com o que muitas mulheres vivem hoje! Eu gostei de Angélique ter se tornado uma cortesã, porque com isso, mostrou muito da força feminina, um trabalho que pode ser vergonhoso aos olhos da sociedade, mas que mostra uma mulher se reerguendo, conquistando seus caminhos!
    Ah, fico ansiosa para saber como ela moldará o romance, porque sim, eu espero por ele, rs.
    Beijos

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