24 julho 2018

[Resenha] Correndo Descalça - Amy Harmon



Um romance emocionante sobre amizade, amor e família, da autora de Beleza Perdida. Quando Josie Jensen, uma desajeitada menina prodígio da música, conhece Samuel Yates, um garoto confuso e revoltado descendente dos índios Navajos, uma amizade improvável floresce. Apesar de ser cinco anos mais nova, Josie ensina a Samuel sobre palavras, música, sonhos, e, com o tempo, eles formam um forte vínculo de amizade.Após se formar no colégio, Samuel abandona a cidadezinha onde vivem em busca de um futuro, deixando sua jovem amiga com o coração partido. Muitos anos depois, quando Samuel retorna, percebe que Josie necessita exatamente das coisas que ela lhe oferecera na adolescência. É a vez de Samuel ensinar a Josie sobre a vida e o amor e guiá-la para que ela encontre seu rumo, sua felicidade.
                          
         
Livro:  Correndo Descalça|| Autor: Amy Harmon
                                     Editora: Verus ||Ano: 2018 || Gênero:  YA, Romance
                                    Classificação:  5 estrelas|| Resenhista: Karina7

                                                Skoob | Compre | Editora

Josie é uma garota do interior de Utah, de uma cidadezinha chamada Levan,  que perdeu a mãe aos 9 anos de idade e amadureceu muito rápido. Com um pai deprimido e dois irmãos mais velhos, não havia muito espaço para drama. Mesmo muito criança, já se mostrava prática e prestativa,  e depois dessa primeira perda, ela descobre na música clássica seu refúgio e na literatura sua fonte de conhecimento.

Como um sapato cujo par é perdido e nunca mais é usado, eu havia perdido meu par e não sabia correr descalça.

E é depois dessa perda que Josie conhece Sonja, e esse encontro faz com que Josie seja descoberta como uma garota prodígio, no que diz respeito a música clássica. A professora de piano, recém-chegada à cidade de Levan, encontra uma aluna muito aplicada, e o enredo é todo costurado por teoria musical e muita referência aos clássicos.

Naquele dia, senti a presença da minha mãe e soube que ela havia interferido para promover a entrada de Sonja Grimaldi em minha vida. Afinal, eu não estava em sua sepultura no dia em que vi o Cadillac branco? Depois disso, tive muito mais certeza do amor de Deus por mim e não voltei a amaldiçoar minha rápida passagem à vida de mulher.
Aos 13 anos, ela conhece Samuel, neto dos vizinhos. Ele tem 18 anos, é mestiço (seu pai era branco e sua mãe é Navajo) e na infância, morou em uma reserva indígena, e agora, no último ano do ensino médio, veio morar com os avós paternos, após a mãe se casou novamente e bebe cada vez mais. Com uma intensa bagagem emocional, problemas com a mãe e crises de identidade sobre qual cultura deve seguir, a qual mundo pertence, é improvável a amizade entre Samuel e Josie, mas ela começa no ônibus escolar, durante o caminho até a escola.

Apesar da diferença de 5 anos, eles se tornam muito amigos. Josie o ajuda com as lições de literatura inglesa, através de clássicos como Jane Eyre e Shakespeare. E Samuel conta detalhes da cultura Navajo e sua lendas para Josie. Na medida que eles vão se conhecendo profundamente, vão inevitavelmente se apaixonando. Apesar do fato de estarem envolvidos ser muito óbvio, não espere encontrar aqui uma paixão avassaladora (acho que foi justamente aí que o livro ganhou meu coração). Passamos dias na rotina dos personagens, mas parece que os conhecemos há anos, a facilidade deles discutirem sobre músicas clássicas, ao mesmo tempo que discutem textos bíblicos, constrói uma amizade invejável.

Dividido entre suas raízes culturais e sem encontrar um lugar de pertencimento, Samuel decidi servir aos fuzileiros navais. Josie o ajuda a persistir o sonho, sem se dar conta que a realização do amigo é também o que vai afastá-los. Após a formatura do colégio, ele vai embora, e mesmo que troquem cartas durante um período de tempo, chega uma hora que as cartas cessam e Josie fica de coração partido pela primeira vez. 

- Se eu ficasse, você e eu não poderíamos continuar amigos.– Porquê?– Porque a nossa diferença de idade é um problema. Eu não deveria estar aqui com você agora. Eu só queria dizer adeus… porque a verdade é que você é a melhor amiga que já tive também, e melhores amigos não vão embora sem dizer adeus.

Quando finalmente Josie começa a viver como uma adolescente normal, se apaixona pelo garoto popular da escola e tudo parece mudar o rumo do começo da história. Alguns fatos acontecem, para quebrar mais uma vez o coração da garota e virar o mundo dela de cabeça para baixo.

Mas, enquanto estava ali sentada segurando a mão de Kasey, tive que reconhecer minha mentira. Agora eu podia amar somente Kasey, mas já havia me apaixonado antes. Eu amei Samuel. Não foi uma paixão. Foi amor. Inocente, incomum, precoce, mas...amor.

Josie teve mais uma vez que aprender com as peças que a vida pregou. E depois de ajudar seu melhor amigo a seguir seu sonho, é a vez de Samuel voltar à cidade e ajudar a amiga a viver novamente. Essa é uma história sobre duas pessoas que se encontraram e se conectaram quando ainda estavam descobrindo o caminho que deveriam seguir.


“Correndo descalça” é um livro de ritmo lento, onde acompanhamos um longo período da vida da Josie e do Samuel. Tudo é muito bem descrito, com uma ampla descrição de como são as pessoas e lugares e como as situações se desenrolam. A lentidão com que os fatos ocorrem poderia transformar a leitura em algo tedioso, porém, a maneira como Amy Harmon escreve, nos pega desde as primeiras páginas, e observar como a vida acontece aqui foi uma experiência linda.

Entre alguns encontros e desencontros, o assombro da diferença de idade está sempre presente, 5 anos talvez não façam tanta diferença quando ambos são maiores de idade, mas como uma das partes envolvidas passa mais da metade do livro menor de idade, eu já não estava mais esperando um final de coração quentinho, mas fui surpreendida

Com uma delicadeza que raramente vejo nos livros, a autora conseguiu abordar temas como fé, religião, amor, família , amizade e perda de uma maneira muito única. A lição que fica é que às vezes a gente nem se dá conta do quanto estamos perdidos, até que alguém nos salve. Com muita delicadeza, essa é uma história para saborear, relembrar e recomendar sem dúvida. 

Ps: No canal do Youtube da Autora Amy Harmon ainda existe uma playlist com as musicas clássicas que compõe a trilha sonora do livro, agora é só dar o play e se apaixonar.

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12 comentários :

  1. Oi, Karina,

    É um bom livro, até que eu gostei, embora eu esperasse um pouco mais dele. Talvez um aprofundamento na relação do casal, que eu não senti muito, achei tudo um pouco corrido e em um curto período de tempo. Não é o que eu imaginava. No entanto, ele me prendeu muito.

    Achei um pouco tedioso a autora acrescentar no enredo a música como forma de conduzir a vida dos personagens, mesmo sendo um elemento primordial. E, confesso, pulei várias páginas por causa disso.

    Um outro detalhe que eu achei que não foi uma boa mistura, foi a questão da autora introduzir um pouco de religião no enredo, embora não de forma muito profunda. Não vou negar, isso me incomodou um pouco.

    Mas, reparei que - mesmo não tendo lido -, isso é bastante comum nos demais livros dela.

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    1. Dai gostei basicamente de tudo que você não gostou! Rs se um livro tem trilha sonora já é 60% chance de eu amar, acho que a religião foi tratada de uma maneira tão simples e sutil que pra mim fluiu bem naturalmente , mesmo que eu não seja a pessoa mais religiosa da vida existem outras pessoas que são e nessa personagem em questão achei que foi tratada de uma maneira linda.

      Mas discordo do pouco período de tempo a historia se desenvolve desde que ela tem 13 até os 23 ...10 anos é um bom período ,e a " falta de aprofundamento " da relação acho que está justificada pelo fato deles terem diferenças de idade , nao dava pra sair sendo tão descritiva... mas leituras são assim mesmo neh, impactam as pessoas de maneira diferente, que pena que você nao curtiu tanto , eu AMEI. Bjos.

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  2. Oi Karina, vou chegar nesse livro da Amy, mas tenho que passar por Beleza Perdida antes e pelo que li na resenha, o bom dos livros dela está na escrita envolvente e cativante, confesso que essa diferença de idade enquanto ela tem 13 me assusta um pouco e o fato dela passar de metade do livro com essa idade me preocupa sobre a forma como a autora irá conduzir esse relacionamento. Ainda assim, a trama parece ser tocante e espero gostar de lê-la mais a frente ;)

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    1. Lili vou confessar que tenho beleza perdida na estante , mas pulei direto pra esse , tenho ótimas recomendações de beleza perdida ( já vamos combinar de comentar quando nós duas lermos), com relação a diferença de idade pode ficar tranquila eu também fiquei apreensiva, mas é tratada com muito tato! Bjo.

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  3. Oi Karina!
    Não conhecia o livro, já gostei pela capa e sinopse e agora conhecendo um pouco sobre o enredo já quero muito conhecer os personagens e também a escrita da autora que ouvi falar bem...
    Bjs!

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    1. Oi Aline, tomara que você goste tanto quanto eu, já estou ansiosa pra ler o próximo da autora que todo mundo fala super bem ! Bjos.

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  4. Parece ser uma historia muito bonita e também triste, confesso que a personagem não teve muita sorte, mas depois as coisas parece que melhoram para ela. Só fiquei com receio do começo ficar narrando a rotina dos personagens, pois geralmente a rotina nos livros acabam deixando a leitura entediada. embora fala mais sobre a vida e cultura dele deve dar uma melhorada.

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    1. Maria não se preocupe , mesmo descritivo a rotina passa, os dias se passam e você não percebe de tão bom que é , espero que goste , Bjs.

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  5. Karina!
    Li Beleza Perdida da autora e gostei porque trouxe assuntos polêmicos.
    O mesmo aconteceu com esse livro, ela traz questionamentos até improváveis e aborda temas importantes a serem discutidos.
    Gosto quando o livro é bem descritivo, porque nos situa melhor em todo cenário, bem como sobre a personalidade dos protagonistas.
    “O homem está sempre disposto a negar tudo aquilo que não compreende.” (Blaise Pascal)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JULHO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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    1. Pois é Rudy , achei que não ia gostar da descrição toda, mas no fundo me ganhou , só tenho elogios! Bjos.

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  6. Oi Karina,
    Só tive a oportunidade de ler um livro da autora, e sabe o que mais me ganhou? O fato dela construir personagens reais, e como você citou aqui, nos faz conhecê-los, isso torna a história real, e claro, prende o leitor!
    A história de "Correndo descalça" tem seu lado triste sim, mas também é sem dúvidas, uma linda mensagem para o leitor.
    Beijos

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    1. Super concordo Vi, inclusive me ganhou a um ponto que já quero ler todos os outros ! bjos.

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