15 julho 2018

[Resenha] Além da Magia - Tahereh Mafi

“Há apenas três coisas importantes para Alice Alexis Queensmeadow, de 12 anos: sua mãe, que não sentiria sua falta; magia e cor, os quais parem escapar dela; e seu pai, que sempre a amou. No dia em que seu pai desapareceu de Ferenwood, ele levava consigo apenas uma régua. Já se passaram quase três anos e Alice está determinada a encontrá-lo. Ela o ama tanto quanto ama aventura, e está prestes a embarcar em uma para encontrar o outro. No entanto, trazer seu pai para casa não será tão fácil. Alice precisa viajar através da mística e perigosa Terra de Furthermore; onde para baixo pode ser para cima, papel está vivo e esquerda pode ser direita. Sua única companhia é um garoto chamado Oliver, cuja habilidade mágica é mentir e enganar – e com um mentiroso em uma terra onde nada é o que parece ser, requisitará de Alice toda sua concentração para encontrar seu pai e conseguir voltar para casa sã e salva. Em sua jornada, Alice precisa se encontrar- e se agarrar à magia do amor diante da perda.”

Livro: Além da Magia|| Autor: Tahereh Mafi
Editora: Universo dos Livros ||Ano: 2017 || Gênero: Fantasia, YA 
 Classificação:  4,5 estrelas || Resenhista: Karla

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Algumas pessoas pensam que nós sempre devemos gostar de um livro. O que não entendem é que, quando você não gosta do livro, ele também está cumprindo seu papel fazendo-nos sentir. Que seja raiva ou felicidade, mas que nos toque e nos faça pensar. Você deve estar pensando porque eu estou escrevendo isso! É porque a primeira impressão que tive é que não gostaria desse livro, mas, muito feliz, mudei de ideia e de repente mudei de novo e de novo.

O livro começa a contar a história de Alice três anos após o desaparecimento do pai e do consequente descaso da mãe para com ela. Ela quer sair pelo mundo para tentar encontrar seu pai que, segundo ela, é o único ser que a entende e ama. Eu fiquei me perguntando o que faria um pai sumir sem aviso, deixando quatro crianças e uma esposa. E porque a mãe dela não dava a menor importância para a filha. Ela nem se importava que a filha dormisse em casa e ela nem tinha doze anos ainda. Isso, na verdade, é o grande propulsor para que Alice quisesse procurar seu pai. Ela pensa que sua mãe não sentiria sua falta. Quando a oportunidade surge, junta-se a uma companhia improvável e parte rumo ao desconhecido. E assim começam suas aventuras em um mundo onde a magia é selvagem, onde nem tudo que parece é e onde a esperança de encontrar seu pai e obter as respostas que tanto ela como eu queríamos, está nos esperando.

Vemos que Alice vive em um mundo cheio de cor, chamado Ferenwood, onde a cor é a própria magia. Lá, tudo pode acontecer. As pessoas são bem coloridas, as cores estão em todo lugar. Imagine agora, Alice, que nasceu sem cor nenhuma?

“– Todo o mundo nasce com cor – Alice falou com cuidado. – As minhas simplesmente ficam contidas dentro de mim.”
“Você é uma tela em branco, Alice. Ninguém está tão preparado para as cores como você.”

O desenvolver do livro mostra que tudo que importa é que ela vai descobrindo seu lugar no mundo. O que importa afinal? Que ela não tenha cor ou seja feliz? Que ela brinque e ria ou que ela se esconda do mundo temendo que não seja aceita? Ou seja, o livro traz um assunto bem atual e que nunca sai de moda, ser aceito por quem e como somos.

“No escuro, todo mundo era igual.”

Apesar de ter uma protagonista de 12 anos, a personagem passa por coisas bem adultas, como cuidar da mãe e praticamente viver sozinha. Alice não é um personagem comum, mas você precisa entender que nem sempre as cores do mundo estão visíveis. A personagem passa tantas emoções contraditórias, ela vive e sente conforme vai sobrevivendo a ausência de seu pai e isso é a base para muito do que ela faz.  Uma hora ela é autossuficiente, outras é carente, audaciosa, egoísta... é literalmente uma gama de sentimentos. 

Esse livro nos mostra que as diferenças são lindas, que a gente não precisa ser igual e que devemos sempre ouvir nosso coração. 
“Magia é tudo o que a gente faz, não é? A gente passa a vida toda colhendo magia.”


Quando comecei a ler a impressão que eu tive é que tinha caído no Buraco do Coelho! Meu primeiro pensamento ao iniciar o livro foi esse. Ou dentro da História Sem Fim. É um livro cheio de detalhes, muitas emoções e magia.

O livro é uma Alta Fantasia narrada entre um personagem em primeira pessoa e o narrador. O inovador é que o narrador é intrometido, ele aparece de repente ou some do mesmo jeito. Pense naqueles desenhos com personagens de papel... cabelos verdes, pele azul ou vermelha, olhos dourados. Os personagens são bem coloridos e todos tem algum tipo de magia.

O mundo que a autora criou é fascinante, mas a contínua descrição às vezes me perdia como leitora. Eu fiquei querendo terminar essas partes logo, mas de repente, o texto fluía novamente e tudo se encaixava. Pensei no filme Kubo várias vezes enquanto lia. 

O final do livro foi bem corrido e me vi voltando para ver se tinha pulado alguma página. Foram muitas aventuras para chegar ao ápice tão rápido. Eu senti que a autora poderia ter estendido um pouco mais. Ela saiu em uma aventura para encontrar seu pai e isso só ocorre nos 96% do livro. Foi muito rápido e me pareceu que faltou alguma coisa. O desfecho e as respostas aparecem muito de repente. Um ponto muito positivo para mim na tradução foi adequarem alguns termos com a cara das expressões brasileiras.

“...nada além da escuridão em volta deles; necas de pitibiriba ao alcance da vista.”

Quanto ao livro, ele é lindo, bem feito, bem estruturado, papel branco. As ilustrações da Juliana Fiorese são sempre lindas. Dei quatro estrelas porque apesar de as descrições serem muito detalhadas, isso fez com que eu visse os personagens claramente em minha mente e o mundo mágico criado pela autora é bem realista.

Ao terminar a leitura, você percebe que nem sempre vai agradar a todo mundo. O que precisa entender é que deve acreditar em si mesma, gostar do que você é, iluminar o mundo com as cores que você tem. 

“Alice sabia que ser diferente sempre seria difícil; sabia que não existia magia capaz de abrir a mente fechada das pessoas ou acabar com as injustiças da vida. A verdade é que seria sempre diferente – mas ser diferente era ser extraordinário e ser extraordinário era uma grandíssima de uma aventura.”

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12 comentários :

  1. Oi, Karla.

    De cara, a proposta do livro já me ''ganhou", por ter um contexto único que permite que o leitor usufrua desse mundo encantador criado pela autora.

    A importância destacada pela autora em mostrar que, até no mais mágico dos mundos há objeção quanto a essência, quanto ao que somos exteriormente, é o que mais me faz querer lê-lo. Sendo o livro assim, um espelho da nossa realidade.

    Além disso, já gostei da Alice, por a mesma mostrar ser corajosa em se aventurar nessa jornada incessante, em que o improvável pode acontecer.

    Enfim, as expectativas em lê-lo estão altas!

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    1. Daiane, foi um livro bem diferente de ler, mas a Alice é muito impetuosa kkkkk Leia e depois me chama para gente conversar.

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  2. Oi Karla, acho a capa desse livro bem bonita e pelo que li na resenha a história parece ser bem interessante, mesmo que tenha algumas ressalvas. A mensagem sobre aceitar-se me agradou muito e sempre me apego a livros que me despertam muitos sentimentos durante a leitura. Ótima resenha ;)

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    1. Lili, foi muito legal ver essa disputa dentro dela, o crescimento, descobertas.

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  3. Ual Karla, parabéns pela resenha!
    Eu gosto de livros que deixam msgs bacanas aos leitores, qdo o enredo tbm é bem legal isso ajuda, eu, vira e mexe, amo e odeio uma leitura, mas no final é sempre aproveitoso de alguma maneira.
    Espero ler esse livro logo, desde que comecei acompanhar sobre ele tenho interesse, capa linda tbm!
    Bjs!

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    1. Aline, fiquei nesse amor e ódio kkkkk mas tudo, tudo nessa vida que faz a gente sentir é bom quando tiramos lições de aprendizado.Leia e me chama para gente conversar!

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  4. Karla!
    Uma das melhores distopias na minha opinião é Estilhaça-me e até saiu livro novo da série, já viu?
    Não sabia que o livro era infanto juvenil, mas pelo visto, continua bem escrito, trazendo os dramas de uma pré-adolescente e ainda com uma narrativa inédita, pelo menos para mim, que é um narrador participativo, gostei.
    Desejo uma semaninha de luz e paz!
    “É o coração que sente Deus e não a razão.” (Blaise Pascal)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JULHO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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    1. Rudy! Foi muito legal, adoro quando eles conversam com a gente, lembra do Ferris Bueller? Muito parecido. Beijocas no coração.

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  5. Não conhecia o livro, e ainda não tive oportunidade de ler nada da autora mas fiquei encantada com a premissa.
    Parece ter bastante magia e aventura, gosto quando a personagem é sempre diferente já que assim podemos ver seu crescimento durante o livro.

    Beijos
    She is a Bookaholic

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    1. Nicole, bem colorido mesmo e muitas aventuras. Também nunca tinha lido nada dela, mas me deu vontade de ler a outra série dela.

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  6. Parece ser uma graça o livro, tem pontos importantes e que deixa o leitor refletindo principalmente que as pessoas não são iguais e isso as torna especiais. Fiquei curiosa com esse mundo criado pela autora adoro fantasia. É uma pena que teve um final corrido não gosto quando isso acontece.

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    1. Maria, também não gosto, sou uma amante de epílogo!kkkkk Mas eles têm muitas aventuras no decorrer do livro. Leia e depois vem me contar se concorda comigo! Beijocas

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