19 abril 2018

[Resenha] Justin - Gauthier



Quando o professor de Educação Física pede para a turma formar uma equipe de meninas e uma de meninos, Justine permanece no meio. Ela sente que não pertence ao gênero que lhe foi atribuído, mas está convencida de que todo mundo sabe disso, exceto seus pais.
Ao longo de sua vida como criança, adolescente e jovem adulta, muitas vezes maltratada e incompreendida, Justine, por fim, compromete-se a viver como quem ele sempre foi, isto é, Justin.




Livro: Justin || Autor: Gauthier 
Editora: Nemo || Ano: 2018 || Gênero: HQ, LGBT
 Classificação: 3 estrelas || Resenhista: Lud e Ká

Gauthier não é novata no Brasil, ela publicou o O Enterro das Minhas ex, pela Nemo em 2016, e esse ano temos Justin. 

Eu estou amando essa fase de HQ, porque eu acho que nunca discuti livros como estou fazendo ultimamente. HQ tem a vantagem de se ler em um dia, então eu leio e dou para a Karina ler e vice versa, e então começamos uma discussão sobre o que a autora quis passar. 


Nesse livro em particular, eu fiquei pensando em como HQ te dá uma margem maior para pensar, em como uma imagem pode ser interpretada de milhões de maneiras, ao contrario de você ler um livro normal. Claro que alguns passam isso, mas HQ é uma coisa impressionante para se dialogar sobre, ainda mais quando traz temas como o desse livro. 

Esse HQ é bem fininho, você lê em uma sentada. E quando eu acabei, fiquei na bolha, não soube entender exatamente o que o autor queria passar, então fui debater com a Ká.


Aqui nós temos a história de Justine/Justin, em como ela se descobriu ser transgênero e como foi o seu caminho até se aceitar ao que ela é hoje: Ele. Não tem como contar a história para vocês, como em uma resenha normal. Então, vou abordar alguns dos temas importantes que esse livro imprimiu em mim. 

Primeiro ponto: Se você se sente diferente e ninguém parece te compreender, não quer dizer que você é uma aberração. As pessoas simplesmente não aceitam o que elas não entendem. A mãe da Justine não entende, os psicólogos que ela consultou não entendem, e eles foram os piores para mim, porque supostamente eles deveriam te ajudar, eles são formados para isso, e não para apontar o dedo e dizer que você é algo errado. Psicólogos não preparados podem destruir uma pessoa. 


O bulliyng que ela sofre na escola das crianças é o que todo mundo sofre: por ser gorda, alta, magra, gay, lésbica, usar óculos. É uma coisa que as escolas e os professores não estão preparados para lidar. Mas, mais que isso, os pais não estão preparados para lidar. E ouso dizer que não são tão abertos assim, para ensinar aos seus filhos sobre a diversidade.


Segundo Ponto: Você até pode ser o que as pessoas querem. Você pode pôr um sorriso no rosto e fingir, e eles vão acreditar, mas com o passar do tempo, você se perde. E então, descobre que eles não importam, o que importa é você. O que te faz feliz. O que te faz ser você como pessoa. E apesar da sua família não entender, e isso doer muito, você precisa pensar em você. 

Sei que é fácil falar isso: esquece seu pai, ou mãe, só se assuma. Mas não é tão simples assim, né. 


Terceiro Ponto: Não saber ao certo o que você é, não é errado. Se sentir diferente não é errado. Ficar perdido e não conseguir achar ninguém que se parece com você, não é errado. Não aceite que as pessoas ou a sociedade te rotule, porque só você sabe quem você é. E é libertador quando você se encontra. 


Para falar a verdade, quando eu acabei a leitura, não achei lá essas coisas, não entendi por que um livro tão comum sobre o tema (que está tão amplamente discutido) foi publicado.

Claro que é indiscutível a importância do tema que o livro aborda. Porque a identidade de gênero que a principio só diz respeito a si mesmo, é motivo para assassinatos a cada 48 horas no Brasil. O fato é que o Brasil é um dos países mais perigosos para se viver quando sua identidade de gênero não está dentro do padrão que a maioria julga "normal"; 

Apesar disso, não é um livro muito aprofundado, não é muito dramático, não derrama lágrimas. Eu entendi como um livro mais educativo, que você dá para adolescentes. Então, qual a relevância de você contar essa história?
Daí vem a magia do HQ: você começa a ver as imagens/cenas com outros olhos, e como o autor não te entrega uma conclusão, você já imagina milhões de hipóteses para o que ele quis passar.
Uma coisa que você no início achou simples demais, pode acabar te fazendo pensar mais do que você imagina.

Para concluir, apesar da falta de entrega emocional dos personagens (o que nós duas sentimos e o que nos reforçou a impressão de superficialidade), essa é uma ótima opção para quem tem um primeiro contato com o tema. Vocês já leram alguma outra HQ com esse tema? Se sim, compartilha aí que a gente quer ler também.


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7 comentários :

  1. Oi Lud!
    Ainda não li, tenho um interesse imenso pra começar ler HQ´S e espero conseguir incluir o gênero nas minhas metas em breve.
    Gostei de conhecer o livro, as ilustrações estão lindas.
    Bjs!

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  2. Dificilmente leio HQ, mas gostaria de ler mais, tem umas que parecem muito boas. É uma pena que essa não passou emoção, que é muito importante para mexer com o leitor e conquistá-lo. É um assunto que muitos não compreendem, mas para quem esta no lugar do personagem é difícil esse conflito.

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  3. Oi, Lud.

    O livro além de abordar um assunto um tanto quanto polêmico, ele é esclarecedor e traz uma identificação para outras que também sofrem diante da sociedade por não serem aceitas.

    Em geral, eu nunca li uma HQ.

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  4. Oi Lud,
    Achei uma pena a HQ ter tão poucas informações sobre um assunto que deve ser debatido de forma clara, como sou bem leiga nele quando comecei a resenha me empolguei porque imaginei que conseguiria entender um pouco mais, mas percebi que na realidade ele só mostra superficialmente o tema... Ainda assim, como você disse, a leitura é incrível e traz reflexões.
    Como sempre achei lindo os traços dos desenhos!
    Beijos

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  5. Olá!
    A história tem um tema muito comentado e atual, mas infelizmente não compreendido por todos, as diferenças, as pessoas serem respeitadas numa sociedade atrasada e violenta. O formato HQ talvez tenha mais representatividade entre os adolescentes e jovens. Uma pena a superficialidade dos personagens .Mas o assunto "questão de gênero " deve ser discutido à exaustão para que as pessoas percebam a dificuldade de quem vive esse drama de não saber se colocar no mundo e ter que lidar com o preconceito e a ignorância alheia.

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  6. Oi Lud!
    Acho que pra mim o que achei interessante em Justin é o HQ um assunto tao importante e discutido no mundo. Nos faz não somente analisar o texto mas também as imagens e como elas se ligam com tudo. Imagino que apesar da mensagem não ser abordada de forma tão profunda, ela é construída também para mais jovens e toda chance de se discutir um assunto tão atual é válida.
    Bjs

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  7. Lud!
    Interessante ver como uma HQ tão pequena traz mensagens tão importantes, sobre assuntos relevantes.
    Bom final de semana!
    “Os piores estranhos são aqueles que vivem na mesma casa e fingem que se conhecem. Conversam banalidades, mas nunca o essencial.” (Augusto Cury)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA ABRIL – ANIVERSÁRIO DO BLOG: 5 livros + vários kits, 7 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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