29 março 2018

[RESENHA] Uma Proposta e Nada Mais - Mary Balogh


Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela.
Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.
Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.

Livro: Uma Proposta e Nada Mais || Autor: Mary Balogh
Série: Clube dos Sobreviventes #1 || Editora: Arqueiro 
Ano: 2018 || Gênero:  Romance de época
 Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Luci



Hugo Emes, filho de um rico homem de negócios, voltou da guerra como um herói,  o que lhe rendeu o título de lorde Trentham, em reconhecimento à sua bravura no campo de batalha. Surpreendentemente, as batalhas que enfrentou, a última particularmente violenta, não lhe deu cicatrizes físicas. No entanto, provocou-lhe cicatrizes na alma que o atormentam e o fez se tornar o homem que é hoje: taciturno, sem demonstrar sentimentos, e de uma natureza prática e um pouco rude, em se tratando de determinados assuntos.

Sua alma encontra descanso junto a seis amigos, cujas vidas foram marcadas pela tragédia proveniente da guerra. Cada um deles tem uma cicatriz profunda que, juntos, tentam amenizar, em um encontro anual que dura algumas semanas, na propriedade de um deles. Intitularam esses encontros como "O Clube dos Sobreviventes". E nesses encontros, os sete amigos podem verbalizar as dores e os sentimentos sem inibições, enquanto apoiam um ao outro.

Para Hugo, essa viagem tem um significado maior: seu pai morreu há um ano, e terminado o período de luto, ele pretende atender aos desejos dele, que é assumir em definitivo os negócios da família, cuidar da irmã e casar, providenciando um herdeiro para tudo o que seu pai conquistou em vida. Mas como fazer isso, se ele não tem nenhuma habilidade social? Como encontrar uma mulher que atenda a todos os seus requisitos e, de preferência, não pertença à aristocracia britânica, a quem ele julga afetada demais para conviver.

Refletindo sobre isso, ele encontra Lady Muir: Gwendoline Grayson, uma aristocrata.

A jovem viúva Gwendoline havia cedido ao convite insistente de uma conhecida para visitá-la, após a morte do marido desta. Sabendo a dor de perder o cônjuge, ela decide fazer companhia a ela, logo se arrependendo disso, pois passa a conviver com uma pessoa mesquinha e amarga. Após uma discussão, ela decide caminhar até a praia, mas um acidente a deixa incapacitada de se mover. Sua sorte é que Hugo aparece e a leva para onde está hospedado, e lá, ela recebe o diagnóstico de que não deve se mover enquanto seu tornozelo não estiver curado, tendo que ser forçada a conviver com esse homem tão enigmático, junto com seus amigos.

Gwen, que acabara de sentir todo o peso da solidão, começa a se sentir atraída pelo taciturno herói de guerra, um homem diferente de todos com ela ela já conviveu: ele é claro, direto, e quando o desejo se torna cada vez mais nítido entre eles, Hugo faz questão, sem medir palavras, de como gostaria de tê-la, das formas que extravasaria a atração que ambos sentem. E ela se vê, a cada dia, expondo sua alma para ele, coisas que nunca ousou falar até para sua amiga mais íntima. É como se uma força os levasse a se unir, a cada dia de forma mais forte. 

Não era uma garota ingênua e inocente. Mas de repente era assim que se sentia, pois não havia nada em sua experiência que a ajudasse a compreender o desejo brutal que ela e lorde Trentham compartilhavam. Como poderia entender, quando ele não era de forma alguma o tipo de homem por quem esperava se sentir atraída nem para um flerte, muito menos como um possível marido?" 

E, em determinado momento, essa atração se torna incontrolável, e mesmo se arriscando a entregar seu coração a Hugo, junto com o corpo, ela cede ao desejo de ficar com ele. Só que a inabilidade de Hugo de demonstrar seus sentimentos, junto com suas ideias pré-concebidas sobre damas aristocratas, o faz decidir se afastar dela, achando que a distância o fará esquecê-la.

"Era bela, elegante, bem-vestida, segura de si e encantadora. Tudo o que uma dama deveria ser. E ela o atraía, o que o incomodava."

Mas, em poucas semanas, ele sente o peso da saudade dessa mulher (mas ele nem dá o nome de saudade, disposto a não reconhecer o que sente), que o tocou profundamente e sai à sua procura. Mas ele, um homem de batalhas, e não de palavras, acaba oferecendo a ela somente uma proposta, ao invés de sentimentos que ela faz questão se manter guardados: ela se torna a sua esposa e facilita a entrada da irmã dele na sociedade. Em troca, ele promete um casamento com satisfação no leito conjugal. Só.

E isso é insuficiente para Gwen, que dispensa sua proposta. Mas como seria impossível para ela se afastar de vez desse homem, ela tem uma contraproposta para ele: ela será a madrinha de sua irmã, e ele lhe fará a corte, para convencê-la de se casar com ele. Dessa forma, à medida que os dois passam a conhecer mais um do outro, do mundo a que ambos pertencem, e o que era para ser apenas uma proposta, se torna algo muito mais profundo...



Confesso que não sei opinar sobre esse livro. Sim, é um romance, fala de um casal e seus sentimentos, seus dramas, enfim, algo simples. Mas, ao mesmo tempo, ele me trouxe tanto sentimento bom, uma mensagem tão boa, que encheu meu peito e me deixou orfã com o fim da leitura.

A autora soube colocar de forma magnífica um personagem tão complexo como Hugo, um homem dado a enfrentar batalhas, mas que pouco sabe lidar com sentimentos. E aos 33 anos, ele vai aprendendo devagar, cheio de dúvidas, tudo pelo amor de uma mulher que ele nem se considera ao alcance dela. Me parece que, quanto mais taciturno ele parecia, mais cheio de sentimentos ele se mostrava, o que é um contraste, mas muito prazeroso de ler, pois você tem a sensação de se tornar íntima do personagem, à medida que acompanha seus pensamentos inseguros sobre o amor, a paixão, a vida.

E Gwen, mergulhei na calma dessa personagem, uma serenidade enganadora, que a fez intensa e uma mocinha apaixonante. Ela revê seus conceitos sobre amor, paixão, desejo, enquanto acompanhamos, deliciados, o transcorrer desse romance entre um casal tão diferente, mas se completa de forma tão linda, tão perfeita.

Amei os diálogos, são reflexivos, inteligentes, engraçados, acompanhando uma narrativa atraente, bem estruturada e tão envolvente que, em dois dias, terminei a leitura (ressalto que foi durante a semana, tendo trabalho e outros compromissos).

Mary Balogh realmente tem o poder de encantar com seus personagens cativantes e criar cenários vívidos, que nos transportam até eles e nos faz querer dialogar com seus personagens. Estou ansiosa pelos demais membros do Clube dos Sobreviventes, pois essa série nos acenas com grandes perspectivas de emoções intensas, que não quero deixar de sentir.


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9 comentários :

  1. Oi, Lucilene.

    Bom, acho que durante esse tempo no qual a Gwendoline ficou em repouso, na propriedade do Hugo, sob 'seus cuidados', eles tiveram a oportunidade de enfim, conhecer um ao outro verdadeiramente e deixar de lado essa má impressão que eles tinham um do outro.

    Bem como com o passar do tempo, o Hugo poderá rever, assumir e expor seus sentimentos.

    Enfim, em breve, espero também mergulhar na história deles!

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  2. Lucy!
    Bom ver que o livro foge da mesmice dos romances que estamos acostumadas a ler e traz um diferencial, tornando a leitura ainda mais agradável e fácil de o leitor se envolver com os protagonistas, suas dúvidas, receios, a descoberta do amor...deve ser lindo!
    “Não cruze os braços diante de uma dificuldade, pois o maior homem do mundo morreu de braços abertos!” (Desconhecido)
    BOA PÁSCOA!
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA MARÇO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  3. Oi!
    Eu adoro a escrita da Mary e faz muito tempo que não leio nada dela. Eu nunca tinha lido a sinopse mas não sei bem o que estava esperando, acho que fosse algo mais diferente, porém ainda assim quero muito ler a obra. Somente não gostei da capa, achei ela feia demais kkk
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com

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  4. Olá Lucilene!
    Estou com bastante expectativa pra ler esse livro, por gostar mto do gênero eu espero não em decepcionar com o enredo, ao meu ver parece ter sido bem desenvolvido e a leitura parece flui bem, espero ter uma oportunidade em breve pra conhecer.
    Bjs!

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  5. Confesso que a princípio,não fiquei cativada pela trama,mas para minha surpresa e de maneira boa,ao final da resenha já estava com um vontadizinha louca de querer Uma proposta e nada mais.
    Pelo que pude entender o primeiro livro do Clube dos Sobreviventes narra o amor que se constrói entre o Lorde Trentham e Gwen. E achei bem legal a temática da proposta oferecida por Hugo e a contraproposta oferecida por Lady Muir. Espero que Hugo mude sua visão a respeito da damas da aristocracia e que Gwen deixe reascender as chamas do amor que foram apagadas desde a morte de seu marido. Acho que no fim não poder andar devido aquele acidente,talvez não tenha sido tão ruim...rsrs,afinal,ela não se depararia com o taciturno Lorde Trentham se isso não tivesse acontecido.
    Huso é bem fofinho e todo seu passado lutando em guerras justifica bem o seu modo de ser e sua despreparo para lidar com seus sentimentos. E já vi que possivelmente o livro promete cenas excitantes da atração que ocorre entre os dois.
    E como não tive contato com a leitura da autora,Mary Balogh,espero lê-lo em breve.

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  6. Eu adoro os livros da mary e como eu sou a maluquinha por romances de época é obviou que ele já esta na minha lista de desejados. Mas já vi algumas criticas negativas que me desanimaram a respeito do livro

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  7. Acho a capa desse livro tão chique, me lembra aqueles livros antigos.
    A história é muito legal, a calma da mocinha a proposta bem inconveniente do mocinho, tudo torna o livro encantador. Quero muito ler.

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  8. Oi Luci.
    Li apenas um livro da autora e não havia gostado da sua escrita.
    Mas, vou dar uma nova chance e tentar ler essa nova série. Espero gostar.
    Nessa história ambos personagens parecem ter dificuldade em assumir seus sentimentos. Espero que não seja algo cansativo até eles chegarem ao momento de epifania e confessar que realmente gostam um do outro.
    Fiquei bem curiosa para conhecer os outros membros do Clube dos sobreviventes.
    Beijos

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  9. Ainda não conheço a escrita da autora, mas li comentários positivos sobre suas obras. Parece ser uma leitura que agrada o leitor, mesmo o personagem ser um turrão digamos assim, mas da para entender o que uma pessoa passa na guerra deixa sérias cicatrizes, difíceis de esquecer. Mas o bom é que o casal parece que vai se conhecendo aos poucos com essa proposta dela e ele revendo seus modos.

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