16 fevereiro 2018

[Resenha]Corpo - Trinity # 1



Uma nova vida. Um novo amor. Um perigo real. 
"Eu te amo. Eu te quero. Eu nunca vou te deixar." Gillian Callahan entra em pânico só de ouvir esse tipo de frase. Por anos ela viveu uma relação abusiva com seu ex-namorado violento. Agora ela está livre e segura, trabalhando para uma fundação de apoio a mulheres vítimas de violência - a mesma que a resgatou e salvou sua vida. Gillian não quer saber de homem nenhum. Até conhecer Chase Davis, o presidente da fundação. O bilionário é tão sexy e sedutor que Gillian fica sem chão. Chase sempre consegue o que quer - e ele quer Gillian.Agora ela terá de enfrentar a batalha entre o desejo e o medo. Gillian vai conseguir confiar em Chase? Ela está segura com ele? E quão perigoso pode ser um passado sombrio... não só o dela, mas o do homem que ela aprendeu a amar?

Livro: Corpo|| Autor: Audrey Carlan|| Série:  Trinity #1
Editora: Verus||Ano: 2017 || Gênero:  Romance
 Classificação: estrelas || Resenhista: Lud
Senta aí, amiga, que a resenha aqui vai longe. Me desculpe por isso, mas eu só senti a necessidade de falar. Primeiro, sinto a necessidade de reafirmar que resenha é algo muito pessoal, é a analise pessoal do que você acha da história. E nem sempre seu ponto de vista é o mesmo das outras pessoas.

Eu devo dizer que vi muitas coisas erradas nesse livro, e o que mais me chocou foi a quantidade de pessoas gostando, classificando o livro como 4 /5 estrelas, e mesmo no goodreads, ele está com uma cotação altíssima (4,16 de 5). Bem, vou explicar o que não gostei nesse livro. 

A mocinha, Gillian, sofreu violência doméstica no passado, e quando ela chegou ao fundo do poço - espancada até quase estar morta - ela recorre ajuda, e então se separa do namorado. E essa ajuda ocorreu através de uma SafeHouse - que são aquelas instituições que apoiam as mulheres que sofrem esse tipo de abuso, e assim, eles a ajudam a construir uma nova vida e fornecem o mais crucial, que é tratamento psicológico.  

Sim, toda pessoa que sofre um trauma precisa de ajuda, precisa de apoio e precisa de amor. O que esse ex-namorado fez com a cabeça dela é algo que não passa de uma hora para outra. Essas pessoas mexem psicologicamente com a vítima, a ponto de ela aceitar a agressão e achar que merece isso. E foi exatamente o que aconteceu com a Gigi. Em um ponto do relacionamento, ela se viu justificando as atitudes do ex: que ele a amava, que ele não fazia por mal, que ela merecia aquilo. 

E por conta desse relacionamento, ela é uma pessoa diferente agora, apesar de passar por psicólogos e ter uma vida normal. Conseguindo se relacionar com homens e tudo mais, ela ainda tem alguns episódios de pânico quando um homem se aproxima e tal. Mas dá para ver, no cotidiano da sua vida, que ela se recuperou bem, ela tem um emprego que ama, amigas, ela sai, namora. Mas ela sempre tem em mente que nunca passará por aquilo novamente, que nunca um homem iria controlá-la


Ele me observa, distante, o olhar gelado. Eu não me importo. Ele não vai me controlar. Nenhum homem vai.

Então, entra o mocinho, Chase. Bilionário, acostumado a sempre ter o que quer, e ele quer a Gigi. A atração é instantânea, mas Gigi ainda tem suas dúvidas, e então decide jantar com ele só para dizer que não vão ter absolutamente nada, que ela não quer um relacionamento. Ele não é o tipo de homem que ela namoraria: ele é dominante, mandão, mas por alguma razão, ela se sente segura com ele. 

"Chase é um enigma. Um enigma que me deixa presa, desconfortável e insegura. Eu só sei que quero estar perto dele. Quero estar com ele. Quero ser dele de qualquer maneira."

Bem, acontece várias coisas nesse meio-tempo, mas devo só adicionar que, a partir desse momento, os dois não se separam mais e engatam um relacionamento. 

Não vou contar mais do livro, porque eu geralmente não gosto de fazer isso, eu apenas quis situar vocês no contexto dele, para colocar minha opinião.

Minha mãe me ensinou há muito tempo que nunca se deve depender de um homem. "Olhe no espelho, Gigi. Está vendo essa menina? Ela é a única pessoa com quem você pode contar neste mundo. Nunca espere que um homem seja tudo para você. Ele vai fracassar terrivelmente. Se você quer alguma coisa, tem que ir atrás."  Ela estava certa.

Eu achei absurdo o fato de ela sair de um relacionamento abusivo para outro relacionamento abusivo. Sim, o relacionamento anterior era abusivo de uma forma física e psicológica, e esse novo relacionamento, é um abuso psicológico. É algo que não percebemos, está disfarçado. E muitas pessoas vão achar exagerado da minha parte, que quero levantar a bandeira do feminismo, mas não é isso. 

Em várias cenas, ela quer conversar com ele, discutir coisas que não estão certas no relacionamento, que estão a incomodando, e o que ele faz? Ele contorna a situação com sexo. E isso acontece o livro todo, e ainda é descrito pela autora. Frases como :

Ele desliza as mãos em torno da minha cintura. Fazendo cara feia, eu me afasto. Ele não cede, me segurando com mais força. Seus dedos mágicos se movem sedutoramente sobre meus quadris e para cima, sobre minhas costelas. Fecho os olhos de frustração e excitação, o pânico fazendo a transição para o desejo. Quero estar louca da vida com ele. Eu estou louca da vida, mas, quando suas mãos estão sobre mim, eu me derreto.

E ele, senhor!! Ele é daqueles homens controladores, é o que ele quer e na hora que ele quer. E eu não reclamaria disso, se ele estivesse um pouquinho preocupado com ela. Ele sabe que ela sofreu esse trauma, e quando ela é assaltada e atacada, ele vê o trauma se manifestar e não faz nada. Ele não pergunta se ela está bem, se ela precisa de ajuda, um psicologo. É como se nada disse tivesse acontecido para ele. É apenas mais uma coisa que ele possui, e ele repete todas as vezes : você é minha. 

Eu não tenho nada contra livros de homens dominadores. Mas geralmente eles dominam e se preocupam com a companheira. Não sei se vocês conseguem ver a diferença para outros livros aqui.  

Achei incoerente como uma personagem que estava no chão em uma poça de sangue, com tudo quebrado pelo ex, e que se reergueu, refez sua vida, consegue se rebaixar novamente em um relacionamento desse. Há muita química entre os personagens, mas nada de sentimentos, não vemos a construção do relacionamento ou mesmo as emoções de cada um aumentando. Até que ponto uma atração pode te cegar? 

Fiquei chateada, porque li a garota do calendário e gostei muito. Aliás, eu adorei a série. E quando eu peguei para ler esse livro, eu não esperava isso. 

Como eu disse, não tenho nada contra essa temática de personagens dominantes, só achei que o livro está totalmente desestruturado e mostra um tipo de relacionamento que eu não desejo a ninguém, seja ele homem ou mulher. 

Eu desejo que todos posso ter um relacionamento onde o companheirismo prevaleça, onde a sua opinião seja válida para a outra pessoa, que ela se importe não apenas com o seu bem-estar, mas com o que te move como pessoa. Desejo que a pessoa tenha orgulho, sim, de dizer "você é minha", mas por trás disso que ele te enxergue como pessoa, que ele te desafie, te inspire e acima de tudo, que te respeite.    

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12 comentários :

  1. Oi Lud, acho que quando se insere um tema tão pesado quanto abuso físico e mental o autor deve se preocupar com a mensagem que ele quer transmitir que a meu ver deve ser pautado na superação e no respeito e é uma pena que a autora tenha incluído na história várias incongruências.
    O protagonista masculino não me despertou empatia através da resenha mas esse livro parece ser bem polêmico e nem que seja pra concordar contigo se surgir a oportunidade vou querer conferir ;)
    Opinião super válida a que você colocou na resenha, que tá muito boa por sinal :D

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    1. Oie Lili,

      concordo com você. E leia mesmo, e me diga o que achou!
      Porque vai muito da pessoa, eu no momento que li, vi dessa forma.

      =)

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  2. Oi Lud!
    Então, eu li várias resenhas dos livros dessa série, e não vou mentir, quero muito ler, mas lembro que até citei em um comentário como achei Chase muito controlador e não combinava com alguém que tinha acabado de sair de um relacionamento abusivo, maaaaas, parece que no segundo livro mostra que de fato ele se preocupada com ela, e eu espero mto que isso seja verdade, porque decepciona e muito o que a autora fez! Espero que você leia os próximos... Quero ler também!
    Beijos

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    1. Oie Vitória.

      Eu entendo isso. Quando leio uma série, eu tento analisar o todo, pq sempre tem um livro que você gosta menos e tal.
      Mas essa série, eu realmente não cogitei ler a continuação. A autora pode colocar POV dele, ou mesmo mostrar mais preocupação, mas infelizmente foi um livro inteiro dele sendo escroto.
      Mas eu recomendo o livro sim, pq opiniões nunca são as mesmas.

      BJoks

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  3. Sinceramente este livro não funciona para mim, primeiro que a mocinha sai de um relacionamento abusivo, de forma cruel tanto físico quanto psicológico, e engata outro de forma tão espontânea se deixando levar sempre pelo sexo. Enfim, não e uma premissa que me cativa muito, por isto percebi que não pretendo ler a obra. Mas quero muito dar uma chance para a série A Garota do calendário.

    Venha participar do Top Comentarista e concorra o livro "O Maravilhoso Bistrô Francês": http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/

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    1. Oie Lana,

      eu ameiiiiiii garota do Calendário! Recomendo!

      =)

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  4. Olá, realmente é meio controverso o desenvolvimento da protagonista, como se faltasse lógica para o que o leitor lê ao longo das páginas. Fica nítido que a autora começou com ênfase a um tema sério mas terminou sem trabalhar as consequências do assunto. Beijos.

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    1. Oie Alison,

      Eu realmente não entendi esse livro, mesmo que no segundo livro melhore - diz a colega ai em cima. Mas infelizmente, eu não gostei desse.

      =)

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  5. Oi Lud!
    Tenho esse livro na estante, e como estou atrasada com minhas leituras ainda não li, mas qro deixar alguns pro final da fila só pra ler este, tenho mta vontade de conhecer a escrita da autora, confesso que por conta do tema o enredo me chamou atenção, espero não em decepcionar né?
    bjs!

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  6. Ludmila!
    Entendo todos os argumentos apresentados, mostrando o porque não ter gostado do livro e concordo com seu ponto de vista e entendo sua decepção com as notas altas...
    Tenho metade da série de A garota do calendário e bom ver que esse livro é totalmente diferente da série anterior.
    Gosto de livros que trazem trechos sexuais.
    Nossa, a protagonista sofreu mesmo com relacionamento abusivo...
    E que bom que conseguiu um emprego e é ótima profissional que ajudará outras mulheres que vivem a mesma situação que ela viveu.
    “Acredite que você pode, assim você já está no meio do caminho.” (Theodore Roosevelt)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA FEVEREIRO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  7. Oi! Não tenho interesse em ler esse livro, fiquei curiosa porque estava sendo muito comentado e elogiado mas não acho legal romantizar relacionamentos abusivos.
    Bjs.

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  8. Concordo com você Eu também achei muito absurdo essa ideia de sair de um relacionamento abusivo para outro mas não é por isso que eu não vou ler o livro em sim porque eu já tô saturado dos livros da autora odiei todos os livros da garota do calendário e foram uma completa perda de tempo para mim Comecei a ler esse livro novo dela e eu vi que o problema mesmo é com a autora e não com os livros dela

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