03 fevereiro 2018

[Resenha] Princesa de Papel - Erin Watt


 Ella Harper é uma sobrevivente. Nunca conheceu o pai e passou a vida mudando de cidade em cidade com a mãe, uma mulher instável e problemática, acreditando que em algum momento as duas conseguiriam sair do sufoco. Mas agora a mãe morreu, e Ella está sozinha. É quando aparece Callum Royal, amigo do pai, que promete tirá-la da pobreza. A oferta parece tentadora: uma boa mesada, uma promessa de herança, uma nova vida na mansão dos Royal, onde passará a conviver com os cinco filhos de Callum. Ao chegar ao novo lar, Ella descobre que cada garoto Royal é mais atraente que o outro – e que todos a odeiam com todas as forças. Especialmente Reed, o mais sedutor, e também aquele capaz de baixar na escola o “decreto Royal” – basta uma palavra dele e a vida social da garota estará estilhaçada pelos próximos anos. Reed não a quer ali. Ele diz que ela não pertence ao mundo dos Royal. E ele pode estar certo.



Livro: Princesa de papel || Série: The Royals 01 || Autor: Erin Watt
 Ano: 2017 ||  Editora: Planeta - Selo Essência  || Gênero: NA, Drama, YA
Classificação: 3 estrelas || Resenhista: Gaby

Estava com esse livro na minha lista há muito tempo, desde o lançamento dele lá fora para ser bem sincera, porque ele foi lançado no mesmo período em que o último livro da série A Seleção e vi diversas listas o indicando como um dos livros que poderiam ajudar com a saudade que a série da Kiera Cass ia deixar. Fiquei adiando porque ler em inglês me dá preguiça, então a Planeta anunciou a compra e adiei a leitura até publicarem. Depois adiei até lançarem toda a série porque algo me dizia que ficar esperando as continuações seria torturante. Acontece que eu estava certa, e assim que terminei Princesa de Papel, eu quis ler Príncipe Partido, o final foi um tapa na cara. Mas me deixe começar pelo começo.

Todo mundo já pensou como seria se um dia herdasse uma fortuna de um parente distante ou se ganhasse na loteria, o começo da história da Ella é tipo isso, um homem desconhecido e rico, chamado Callum Royal, aparece e diz ser o tutor legal designado a ela pelo pai que ela nunca conheceu, mas que aparentemente era multimilionário. Ella passa de uma realidade difícil, onde cada centavo é contado, para um mundo de luxo e opulência. Mas nem tudo são flores, e como sempre, existe um porém, nesse caso os "porém" vem na forma de cinco irmãos postiços atraentes e babacas: Gideon, Reed, Easton, Sawyer e Sebastian. 
Você deve saber que qualquer que seja o jogo que está jogando, você não pode vencer. Não contra todos nós. Se você for embora agora, você não será machucada. Se você ficar, nós vamos te quebrar tão profundamente que você vai precisar rastejar para ir embora.
Reed é o maior problema de todos (inclusive as minha maiores ressalvas ao livro quanto um todo, partem desse personagem), pois como irmão mais velho vivendo na casa, ele é o líder, e existe algo nele que a Ella simplesmente não consegue resistir.
Abaixo meus braços e entro na cabine. Tem alguma coisa nesse cara ... Ele dá uma ordem e eu obedeço. Luto no começo, claro. Eu sempre luto, mas ele sempre vence.
Acontece que a família Royal é uma das famílias mais desestruturadas que já vi. Desde a morte de Maria, a matriarca da família, o relacionamento entre Callum e os filhos é totalmente caótico, os meninos culpam o pai pela morte da mãe e ele por sua vez, os deixa fazerem o que bem entendem. A presença de Ella não é bem vista pelos irmãos Royal, que não acreditam de forma alguma que ela seja tutelada de Callum, eles esperam uma história bem mais sórdida por detrás da entrada dela para a família. Ao longo da história, nossa protagonista destemida começa a mudar a visão que os meninos tem dela e eles se mostram bem mais amigáveis, uma vez que não estão mais na defensiva. 

Não posso negar que Princesa de Papel me prendeu, li em pouco tempo e perdi um pouco de sono por causa dele. O final foi bem preocupante, me fez ansiar pela continuação, que lerei assim que possível. A Ella é uma personagem incrível, que consegue ser incessantemente otimista sem deixar o pragmatismo de lado, é forte e enfrenta tudo de cabeça erguida. Em nenhum momento, você se cansa da narrativa em primeira pessoa que ela faz e estamos lá o tempo todo torcendo por ela.



Minhas ressalvas quanto esse livro começam exatamente na incoerência entre a personalidade da Ella e o relacionamento dela com os Royal, Reed principalmente. Eu gostei muito da dinâmica da Ella e dos outros irmãos, que começa com um conflito e ao longo do tempo se torna amizade e lealdade, mas em nenhum momento, eu me senti confortável com o relacionamento entre a Ella e o Reed.

Reed é um babaca! Ele é manipulador e grosso, e todas as coisas horríveis que ele diz para a Ella ao longo do livro, que vão de chamá-la de ralé até dizer que ela provavelmente está cheia de DST's, são perdoadas após ele dizer: "Eu quero você". Entendo que faz parte da personalidade do personagem ter um motivo obscuro para afastar as pessoas e ser babaca, mas não me senti bem em ver um relacionamento começar disso. Não é normal uma relação saudável surgir quando um cara começa te tratando como lixo.

Perto dele, a protagonista forte some e o que fica para trás é uma virgem desesperada por qualquer migalha de atenção e esperança. A feminista dentro de mim queria gritar e atirar o livro pela sacada do sexto andar em alguns momento. A continuação de Princesa de Papel aparentemente irá trazer capítulos narrados pelo Reed, então eu sinceramente espero melhorar minha opinião sobre ele, nem que seja só um pouquinho.

O livro também trata de forma leviana outros assuntos bem sérios como abuso sexual e vício em jogo. Num primeiro momento, isso me incomodou muito, até eu refletir que o mundo da série The Royals é outro, e perceber que essas coisas foram retratadas fielmente. Como dar queixa de estupro quando o estuprador é filho de um juiz? Como dizer para uma pessoa que uma dívida de jogo no valor de 8 mil dólares é absurda quando ela tem milhões no banco? O mundo Royal é algo muito distante de nosso, digno das séries como Revenge e Gossip Girl, onde ter dinheiro e ter poder são coisas bem parecidas, logo essas pessoas jogam por regras bem diferentes das nossas.

Para concluir, gostaria de dizer que o livro me surpreendeu pelo conteúdo adulto. Como eu comentei no começo dessa resenha, eu fiz uma relação entre The Royals e A Seleção, que é bem mais leve e juvenil, sem falar que a sinopse, a capa bonitinha e o fato da história ser ambientada numa escola de ensino médio podem passar a ideia errada sobre o conteúdo do livro. Então né, só avisando... Se você conseguir colocar várias das suas noções de certo e errado no banco do passageiro e ler esse livro, você encontrará uma história viciante, personagens cativantes e situações hilárias. E se você não conseguir, bem, é um prato cheio de assuntos para serem problematizados. Princesa de papel é um livro envolvente e emocionante, e que para o bem ou para o mal, consegue arrancar reações impetuosas de qualquer leitor.

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14 comentários :

  1. Tinha muita curiosidade em ler esse livro, mas depois de ler algumas resenhas sobre esse relacionamento da protagonista com Reed fiquei com receio. Ella é uma personagem forte e decidida e de repente ficam com um cara que parece ser um escroto e a tratava tão mal, tipo fica implorando por algo, não me agradou nem um pouco, acho que falta mais dignidade da parte dela.

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    1. Olá Maria!
      Esse livro é um prato cheio para quem quer problematizar. Durante todo esse primeiro livro não consegui engolir esse relacionamento dos dois, a Ella é extremamente orgulhosa e resiliente mas quando o assunto é o Reed esses traços da personalidade dela desaparecem, é ridículo, falta de dignidade e vergonha da cara hahahaha
      Beijo

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  2. Oi Gaby!
    tô doidinha pra ler esse livro, enquanto não consigo tô acompanhando resenhas, assim como da Seleção tbm, só li dois volumes da série e estou até chateada pq ainda não consegui ler td...Mas chego lá.
    Bjs!

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    1. Oi Aline!
      Tanto a Seleção quanto os Royals valem muito a pena, ambos são aqueles livros que te prendem do começo ao fim...
      Um abraço...

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  3. Oi Gaby, eu não usaria esse livro para ajudar com a saudade de A Seleção, assim como você explicou no final, as histórias pra mim são bem diferentes e ambas tem qualidades distintas. Eu curti essa história, a escrita das autoras é super envolvente e mesmo não concordando com muitas das atitudes dos personagens (concordo contigo sobre a questão de ser uma realidade diferente) não consegui largar o livro. Ótima resenha e quando for pegar o segundo já fica com o terceiro em mãos pois o final do segundo também é daqueles rs ;)

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    1. Hey Lili!
      Sim, acabou que não tem nada que relacione ele com a seleção, a não ser talvez a maneira como eles te prendem hahahahaha
      O final do segundo é um tiro, crueldade ter deixado aberto daquele jeito, fui seca pra ler o terceiro hahaha
      Beijos!

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  4. Tenho curiosidade em ler este livro. Após ler sua resenha sobre a história deste livro, acredito que teria diversos pontos da história que acabariam me incomodando na leitura de Princesa de Papel, mas quem sabe futuramente eu leia este livro.

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    1. Olá Mari!
      Assim, minha reação a esse livro foi complexa, por mais que eu visse um milhão de coisas que incomodassem eu simplesmente não conseguia largar. Por mais incomodada que eu tenha ficado ainda estava completamente envolvida. Por isso digo pra você pelo menos dar uma chance, vai que te envolve também ;)

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  5. Esse livro esta na minha meta de leitura desse ano, e quero muito ler a obra pelos elogios referente a história, por ser envolvente, e com personagens cativantes, e situações hilárias. Mas principalmente por se parecer por gossip girl, com este olha mais para pessoas ricas, e trazer conteúdos polêmicos como assédio sexual, e vicio em jogo. Acredito que será ao meu ver uma leitura agradável. Estou super ansiosa.

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  6. Olá, apesar de não entregar nada de inovador, é inegável que essa obra prende o leitor com seus dramas da realeza, bem aqueles guilty pleasures de séries teens, como mencionado na resenha. O diferencial realmente é a gama de temas atuais abordados no livro. Beijos.

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  7. Oi Gaby!
    Nao sei se compararia o livro com "A seleção" (que pra mim é uma história bem chata), achei esse com um enredo um pouco mais original e gostei dele. Só gostaria que a autora tivesse mostrado a personagem mais forte em relação ao romance, venho cansando de mocinhas bobas que se entregam facilmente principalmente para babacas, mesmo que dê para entender os motivos do Reed fazer o que faz, acho que deveria demorar um pouquinho mais pra Ella perdoar ele, rsrs. Não sei porque, mas essa tutela dela parece esconder algum segredo... Pretendo ler!
    Bjs

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  8. Oie, fiquei bastante curiosa com essa resenha pelo o que você descreveu do Reed não irei gostar dele, esperava que essa história fosse mais girl power e isso me decepcionou um pouco. Eu gosto muito de A Seleção e não acho que sejam muito parecidos ainda mais pelas partes adultas. Pretendo ler para ter uma opinião própria. Obrigada pela dica!

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  9. Gaby!
    Uma pena ver uma trama tão boa, ser reduzida a uma opinião vulgar da autora, digo isso porque ela banalizou temas importantes e tornou a protagonista uma 'dependente' do tal do Reed.
    Ainda assim, tenho curiosidade em fazer a leitura, porque acredito que é uma oportunidade que temos de discutir vários assuntos relevantes.
    Um maravilhoso final de semana!
    “Acredite que você pode, assim você já está no meio do caminho.” (Theodore Roosevelt)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA FEVEREIRO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  10. Concordo com você em vários pontos essa família é uma das mais estruturadas que eu já pude ler e eu li esse livro por indicação de um blog literário e eu adorei mas pelo que eu li a continuação ele me deixou um pouquinho decepcionada eu esperava muito mais

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