30 janeiro 2018

[Resenha] Recordando Anne Frank - Miep Gies e Alisson Gold


Para os milhões de leitores apaixonados pelo livro O Diário de Anne Frank, aqui está a surpreendente história de Miep Gies. Por mais de dois anos, Miep e seu marido ajudaram a esconder judeus dos nazistas. Como milhares de heróis desconhecidos do Holocausto, eles arriscaram suas vidas todos os dias para levar comida, notícias e apoio emocional às vítimas.
Neste livro, Miep Gies relembra seus dias com honestidade e sensível clareza. Ela narra desde sua sua infância sofrida como refugiada da Primeira Guerra Mundial até o momento em que coloca o pequeno diário xadrez de Anne Frank nas mãos de seu pai, Otto Frank. O diário ficou guardado com Miep por muitos anos, e graças a ela, ele pode ser publicado.


Livro: Recordando Anne Frank || Autor: Miep Gies e Alisson Gold
Editora: Gutenberg || Ano: 2017 ||  Gênero: Biografia
Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Amanda


"Por alguma razão, tive a grande sorte de encontrar e proteger o diário, de ser capaz de levar a mensagem de Anne para o mundo. Nunca vou saber por quê."


Recordando Anne Frank não é apenas um tributo à memória de Anne, mas um relato detalhado da Segunda Guerra Mundial e tudo que os judeus sofriam naquela época. O livro é dividido em 3 partes e contado por Miep, amiga da família Frank.

Miep nasceu em Viena, na Austria, em 1909, e tinha cinco anos quando a Primeira Guerra Mundial começou. Aos 10 anos foi enviada para a Holanda. Por causa dos severos racionamentos de comida, as crianças em Viena vinham definhando, por isso foi criado um programa para socorrer as crianças austríacas famintas. Com isso, ela acabou se recuperando aos poucos - estava bastante debilitada pela fome e desidratação - e aos poucos foi se adaptando ao país e sua família adotiva temporária. No entanto, com o passar do tempo, Miep foi se apegando aos costumes, às pessoas, e já não queria voltar à Áustria, e sua família acabou aceitando.
Mais tarde, ela começa a trabalhar em uma empresa chamada Travies & Company, para Otto Frank. Lá ela faz amizade com Otto e os outros funcionários. 

Henk e Miep em Amsterdam (1986)

Miep levava uma vida agitada, gostava de dançar, e logo conhece um jovem chamado Henk e os dois se apaixonam. Tudo parece ir bem no trabalho e na vida pessoal, mas, de repente, as atrocidades de Hitler começam a se espalhar pelo mundo. Os judeus começam a ser perseguidos com mais ímpeto. 
Os comentários racistas sobre judeus vão crescendo, conforme mais judeus se refugiam na Holanda. De repente, só havia dois lados: os nazistas e os anti-nazistas.

Miep e a família Frank estão sempre conversando sobre as notícias e tentando não entrar em desespero. Mas conforme a dominação de Hitler se alastra por toda a Europa, é inevitável o sentimento de insegurança e instabilidade. A Holanda não queria se envolver, então declara neutralidade, mas claro que isso não é respeitado, a família real foge e a Holanda é invadida.

"Tão rápido quanto começou, acabou. Às 7 da noite de 14 de maio, o general Winkelman anunciou pelo rádio que os alemães tinham destruído Roterdã com bombas aéreas; que enchentes estavam se espalhando por várias regiões da Holanda através de represas abertas; que os alemães tinham ameaçado bombardear Utrecht e Amsterdã se continuássemos a resistir. Para evitar mortes e perda de propriedades, explicou o general, estávamos nos rendendo aos alemães."

Pouco a pouco as coisas começam a mudar. De repente, os cinemas holandeses só exibiam filmes alemães, a rádio só tocava música alemã. Vários decretos foram surgindo: é contra lei ouvir a BBC, assim como a rádio Oranje. O livros que os alemães não queriam que estivessem nas bibliotecas teriam que desaparecer. E as coisas vão piorando: conforme novos decretos antissemitas surgem, os judeus são proibidos de frequentar até mesmo lugares públicos.

Na primeira parte do livro Anne aparece esporadicamente, sempre que há alguma comemoração ou jantar na casa dos Frank. Na segunda parte, quando eles são obrigados a se esconder, Miep vai visitá-los para levar mantimentos e etc, e também vai nos contando mais a respeito de Anne, seus estados de humor, seu desenvolvimento e problemas que passa a enfrentar dentro do esconderijo. Quando Anne apresenta problemas de visão, Miep se oferece para levá-la ao médico mesmo sabendo dos riscos para ambas.
Anne frequentemente se abria com ela ao contrário de Margot que já era uma jovem bem mais séria, até mesmo reprimida. 

Miep é sensível, mas determinada e forte. Ela narra os acontecimentos de forma envolvente, em mais de uma vez poderia ter virado as costas para os Frank e outros judeus e escolheu fazer o que achava certo. É impossível não sentir respeito e admiração pela mulher que abrigou e cuidou de várias pessoas, mesmo sabendo que corria risco de vida ao fazê-lo.

Eu geralmente não leio biografias, é um gênero que eu realmente não gosto, mas para o qual eu faço algumas exceções de vez em quando como essa. Não me arrependo! "Recordando Anne Frank" é um livro que merece estar na estante.

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13 comentários :

  1. Oi Amanda, são histórias de pessoas assim que devemos levar pra vida, que em meio a essa parte tão sombria da nossa histórias tem pessoas cheias de luz e que trazem esperança. Confesso que sou fraca pra histórias dessa época, coincidentemente vi um vídeo na linha do tempo de uma rede social agora pouco de 3 minutos sobre a morte de 192 crianças e de seu bem feitor e fiquei arrasada, super tocada com a história, e assim pra ler livros com esse tema eu tenho que estar muito bem psicologicamente, mas sei que histórias assim são importantes, necessárias, e fico feliz por vê-las sendo lançadas, pois levam uma mensagem pra que isso não aconteça mais. A resenha tá ótima ;)

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    1. Tbm acho, Lili!
      Eu confesso que fiquei bem arrasada quando li o diário da Anne ;/

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  2. Acho que o Diário de Anne Frank foi um dos livros mais emocionantes e tocantes que eu já li na minha vida ela é definitivamente uma pessoa que eu adoraria conhecer e eu só vou ler esse livro porque foi uma das mulheres mais incríveis que aconteceram na vida da ianne arriscou muita coisa para salvar uma garotinha e eu também vi que é melhor amiga da Anne que também se chama Anne também lançou um livro e ela mora aqui no Brasil

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    1. Me sinto da mesma forma, Carolina! Sempre tive a sensação de que eu e a Anne poderíamos ser amigas se nos conhecêssemos haha'

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  3. Oi Amanda.
    Não leio muitas biografias, mas me interessei bastante por esse livro.
    Deve ter sido um período muito difícil de se viver, então o relato deve ser bem emocionante, além de conhecer um pouco mais sobre a família Frank.
    Bjs

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    1. Pois é, Pam. É um dos períodos mais turbulentos da história...

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  4. Também não gosto de biografias e ainda não li nenhuma, mas essa é bem interessante a Anne é bem comentada e agora tem essa amiga da familia que os ajudou e muitas outras pessoas, deve ser uma mulher incrível, o relato deve mexer muti com as nossas emoções nos deixando comovidos com tanta dor e sofrimento.

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  5. Oi Nanda!!
    Achei um máximo esse livro, tenho mta curiosidade de conhecer mais sobre a história da Anne, ainda não tive essa oportunidade, mas em breve espero que consiga...
    Tbm não sou de ler biografias mas é sempre bom abrir exceções não é?
    Bjs!

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    1. Espero que você também goste, algumas exceções são necessárias <3

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  6. Oi Nanda,
    Não sabia desse livro, eu amo o diário de Anne F. foi um dos livros que mais me marcaram. Quero muito ler o relato da Miep já pressinto que vou chorar muito.

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  7. Oi Amanda!
    Sou fascinada para segunda guerra, pelo conhecimento que os fatos da época trazem. Achei o livro bem diferente, principalmente por falar um pouco da família dela e como era sua casa! Também não sou fã de biografias, mas essa pretendo ler.
    Beijos

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    1. Somos duas, Vitória! Apesar de ser um período bem turbulento é um dos meus favoritos para leitura também...
      Espero que goste bastante <3

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