25 janeiro 2018

[Resenha] O Melhor Que Podíamos Fazer - Thi Bui



Esta é uma história sobre a busca por um futuro melhor e saudosismo pelo passado. Explorando a angústia da imigração e os efeitos duradouros que o deslocamento tem sobre uma criança, Bui documenta a difícil fuga de sua família após a queda do Vietnã do Sul, na década de 1970, e as dificuldades que enfrentaram para construir uma nova realidade. O melhor que podíamos fazer traz à vida a jornada de Thi Bui em busca de compreensão e fornece inspiração a todos aqueles que anseiam por um futuro melhor enquanto recordam o passado de privações.






Livro: O Melhor Que Podíamos Fazer || Autor: Thi Bui 
Editora: Nemo || Ano: 2017 ||  Gênero: HQ, Drama.
Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Lud


Thi Bui nasceu no Vietnã e migrou para os EUA ainda criança, atualmente reside na Califórnia. O melhor que podíamos fazer é sua primeira graphic novel, e é uma autobiografia, com o relato da trajetória da sua família.

A historia começa com Bui dando à luz a seu primeiro filho, e com isso, milhões de perguntas e preocupações são despertadas em sua mente, entre elas, a pergunta universal de uma mãe de primeira viagem: como ser uma mãe? Como criar uma família?
E para conseguir lidar com todas essas dúvidas, ela tem que entender primeiro o que aconteceu com a sua família, como ficaram tão distantes assim. Por que ela nunca se sentia segura enquanto crescia.

Então, ela começa a tentar entender os motivos por trás de cada ação,  e para isso, ela precisa conhecer seu pai e mãe, e os fatos que os moldaram no que são hoje. E então começa a narração, intercalada entre a vida da mãe, do pai, e os dias atuais. 

“Como chegamos a tamanha solidão? Vivemos tão perto e mesmo assim nos sentimos tão longe”


Em 1978, os pais de Bui fugiram do Vietnã do Sul com três crianças e uma ainda por nascer. E apesar de fazerem de tudo para criar os filhos, o melhor que poderiam fazer, sempre havia algum resquício do passado. Acho que não tem como sair de um país em guerra, em um barco, à noite, e não trazer uma série de traumas. 

Durante a narração, Brui nos mostra as dificuldades que foram durante seu crescimento e o distanciamento cada vez maior entre os pais e os filhos, e isso a incentiva a buscar as razões, para que não aconteça com ela e o filho. A partir daí, embarcamos a uma viagem através de guerras, colonização, miséria e morte, mas também muito amor e sacrifícios. 


Devo ressaltar que não é apenas um drama, mas é uma lição de história. Os detalhes do Vietnã em conflito, depois a colonização e todas as consequências de se viver o dia a dia ali são relatadas aqui de uma forma maravilhosa, porque as ilustrações trazem uma realidade e uma sensibilidade totalmente nova, ao ser contada em forma de quadrinhos. 

A narração da autora é tão delicada, emocionante, que conforme você avança na história, acaba achando mais e mais assuntos abordados com tal sutileza, que é impossível  não se comover com tudo. 

E, além de tudo isso, acho um livro muito sensível e realista, que mostra um pouco dos sentimentos das pessoas que saem de seu país pra buscar condições melhores de vida, e todas as coisas que eles abrem mão para garantir um futuro um pouco melhor para seus filhos. E como estamos atualmente vivendo isso, com os refugiados, eu acho uma leitura obrigatória, para você entender pelos menos 1% do que essas pessoas sofrem, o que elas sonham e pelo que elas lutam. 


O Melhor Que Podíamos Fazer é um HQ lindamente ilustrado, e reúne a jornada de uma família através de vários obstáculos, em busca de algo melhor para suas vidas.

As minhas 4 estrelas foram pela ordem cronológica, com a troca entre a história do pai, mãe e da própria autora. Algumas vezes eu fiquei perdida, mas apenas isso.  Não acho que prejudique em nada ou tire o brilho dessa linda historia. 

“Meus pais fugiram do Viêt Nam num barco para que seus filhos crescessem em liberdade. Talvez eu pudesse ser um pouco menos ingrata.”

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14 comentários :

  1. Achei bacana a ideia de esboçar um pouco do que os refugiados passam e permitir ao leitor entender melhor essa situação que parece ser angustiante. Pelas fotos deu pra perceber que a edição tá caprichada e bem bonita e acho que vai ser bacana acompanhar a jornada dessa família ;)

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    1. OIe Lili,

      o livro está lindo, os traços e cores completam a historia!!
      Recomendo.

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  2. Eu adoro graphic novel desse tipo, me lembrou Persépolis cuja protagonista conta como foi crescer no Irã na época do regime e de sua queda, sendo criança e adolescente numa época dessas, tendo que deixar seu lar e sua família e se refugiar em outro país. Acho incrível essas historias que nos tiram do nosso "mundinho" e nos mostram a vida de outra pessoa a milhares de quilômetros, ao mesmo tempo tão diferente e tão semelhante a nós. Obrigada pela resenha, vou ler sim!

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    1. Oie Julia,

      exatamente, Persépolis é maravilhoso.
      Eu adoro esses livros que te tiram fora da casinha! São os melhores.
      eia sim, e me conte depois.

      bjoks

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  3. Heu Lud!
    Achei a história linda, bem delicada, essas ilustrações tbm me chamaram atenção, sempre quis ler livros do tema, espero um dia conseguir ler este...
    Bjs!

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    1. Oie Aline,

      é muito amor, espero que você leia sim, e depois me conte o que achou.

      bjoks

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  4. Oi Lud.
    Que história linda, triste e de superação. É uma boa forma de ter uma pequena noção sobre o que os refugiados passam e como devem se sentir ao ter que abandonar seu país e ir para um outro totalmente desconhecido. Fiquei com muita vontade de ler essa Graphic novel.
    Gostei bastante das cores e do traço também.
    Espero ler em breve.
    Bjs

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    1. Oie Pam,

      que bom que se interessou pelo livro, espero que leia e se emocione como eu!

      =)

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  5. Interessante essa historia, pois mostra muito a realidade e nem sabemos direito o que acontece com essas pessoas e pelo que elas passam para chegar até esse ponto de largar tudo e tentar começar de novo em outro lugar e a jornada para se chegar a esse outro lugar, deve ser bem emocionante essa leitura e um tanto sofrida também.

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    1. Oie Maria,

      é bem emocionante sim, porque você consegue ver vários lados da história, e em várias épocas. Recomendo muito!

      =)

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  6. Eu amo muito as HQs da Nemo o melhor dos quadrinhos do Nemo aqueles sempre trazem assuntos que realmente precisam serem debatidos como o conceito de família sexualidade bullying e outras coisas então esse livro só fez eu ter mais amores ainda pela editora

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    1. OIe Carolina,

      eu andei percebendo isso. Como somos parceiros recentes, eu comecei a ler os HQ agora apenas, e estou gostando muito do que eu estou vendo!

      =)

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  7. Lud :)
    Sabe o que mais me conquista nesse livro? O fato dele contar a realidade das pessoas que mesmo não vivendo mais aquela realidade, ainda carrega um pouco dela consigo. Também acho que todos deveriam ler, eu mesma sei pouco sobre essa realidade do Vietnã, e gostei bastante da HQ, parece mesmo delicada e com uma história linda...
    Beijo

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    1. Oie Vitória,

      o HQ realmente tem uma abordagem delicada de um assunto sério. As imagens só agregam às emoções.

      =)

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