15 janeiro 2018

[Resenha] Inventei você? - Francesca Zappia

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Alex está no último ano do ensino médio e trava uma batalha diária para diferenciar realidade de ilusão. Armada com uma atitude implacável, sua máquina fotográfica, uma Bola 8 Mágica e sua única aliada — a irmã mais nova —, ela declara guerra contra sua esquizofrenia, determinada a permanecer sã o suficiente para entrar na faculdade.
E Alex está bem otimista com suas chances, até se deparar com Miles. Será mesmo aquele garoto de olhos azuis com quem ela compartilhou um momento marcante no passado? Mas ele não tinha sido produto da sua imaginação?

Antes que possa perceber, Alex está fazendo amigos, indo a festas, se apaixonando e experimentando todos os ritos de passagem tipicamente adolescentes. O problema é que ela não está preparada para ser normal.

Engraçado, provocativo e emocionante, com sua protagonista nada confiável, Inventei você? vai fazer os leitores virarem as páginas alucinadamente, tentando decifrar o que é real e o que é invenção de Alex.

Livro: Inventei você? || Autor: Francesca Zappia || Editora: Verus
Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Marlene
Ano: 2017 || Gênero: Literatura Estrangeira / Romance

Inventei você? conta a história de Alex, uma adolescente que foi diagnosticada com esquizofrenia, que tenta lidar diariamente com sua situação da melhor maneira que consegue, tentando distinguir a todo momento o que é realidade do que são as alucinações resultantes do seu quadro.

Ela tem apenas 17 anos e vive diversos dilemas, como a conclusão do ensino médio, a escolha da faculdade, a escola nova em que foi transferida, depois de ter sido expulsa da anterior, as amizades, os amores, a família e uma doença que a todo momento se mostra presente em sua vida.

Para compensar a expulsão da escola anterior, ela tem de fazer também trabalho voluntário, e é nesse trabalho que conhece os amigos que ela nunca pensou que teria, pessoas que fazem toda a diferença na sua caminhada e que não viraram as costas para ela quando descobriram seu quadro, suas dificuldades e seus problemas.

Miles, apesar de tenra idade, já passou e passa por diversos problemas, ele não é uma pessoa sociável, e não ajuda que em 99% do tempo, todos têm medo dele e de suas atitudes, porém, para Alex, ele representa muito mais que apenas um garoto que aparentemente não gosta dela: ele representa seu amigo de infância, que a ajudou a libertar as lagostas de um tanque. Todavia, aquilo foi uma alucinação, não foi?

"Era tudo inventado? Será que o mundo inteiro estava dentro da minha cabeça? Se algum dia eu acordasse disso, estaria dentro de uma sala acolchoada em algum lugar, babando em cima do meu corpo?".

A relação entre Miles e Alex é cheia de altos e baixos, e isso nem sempre foi bom, porém, dada a situação, não acho que poderia ser de uma outra maneira. Apesar da autora abordar muito mais que apenas um romance, dessa história ser algo bem maior do que aparentemente é, confesso, que o romance em si foi o que mais me conquistou, me emocionou e me fez refletir.


Os personagens secundários foram de grande importância para a trama, no entanto, o que mais se destacou para mim foi Tucker, ele foi um personagem que eu admirei, pois apesar de ter nascido um garoto bem privilegiado, não deixou que isso lhe subisse à cabeça, e apesar de tudo, se mostrou um bom amigo para Alex.

A trama em si é interessante, intensa e bem emocionante, tem alguns estereótipos em relação a personalidades e personagens, mas isso não é algo que domina a história. A autora levantou uma importante reflexão acerca do poder de um julgamento.

Quantas vezes nos deixamos levar e acabamos julgando as pessoas sem verdadeiramente as conhecer, quantas vezes ouvimos apenas o que os outros têm a dizer e não nos deixamos tirar nossas próprias conclusões em relação a uma pessoa ou atitude que a mesma tomou? Isso é algo que infelizmente fazemos diariamente, e ao meu ver, ciente das minhas próprias atitudes, sei que preciso mudar.

"Acreditar que algo existia e depois descobrir que não era como chegar ao topo da escada e pensar que ainda havia mais um degrau".
A narrativa é feita em primeira pessoa, na perspectiva de Alex, como já era de se esperar, temos muitas dúvidas em relação aos fatos que nos é falado. Um ponto que eu achei de extrema maestria da autora foi o fato de que, assim como a Alex, não sabemos o que é real, e vivemos o que ela vive diariamente, as dúvidas, as confusões e as alucinações.

Francesca Zappia guardou umas boas revelações durante o livro, e eu já suspeitava de uma delas, confesso, porém, quando a bomba caiu, eu só queria chorar, sofri junto com a personagem, sentir suas dores e o seu sentimento de traição, todavia, entendi, assim como ela, que existem coisas que estão além do nosso controle.

O final me decepcionou um pouco, queria mais, algo mais elaborado, mais surpreendente, algo que me fizesse ver as coisas por outro ponto de vista, no entanto, isso não aconteceu, e apesar de um pouco decepcionada, entendi e aceitei, porque querendo ou não, ele trouxe um certo alívio para o meu coração

"Todo mundo é interessante se a gente prestar atenção por tempo suficiente."

Recomendo muito essa leitura.

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8 comentários :

  1. Oi Marlene, tô com esse livro pra ler na minha meta desse ano e curti muito a resenha, assim como venho curtindo todas que leio dele, mesmo que o final não tenha sido o esperado por ti a maior parte do livro parece ser muito boa e nos apresenta um tema pouco usado, esquizofrenia, de forma sensível, delicada e envolvente. Achei legal o livro e a resenha darem destaque a questão da aparência, é comum o ser humano julgar sem conhecer o todo e o fato do livro trazer esse tema a tona é bem positivo. Gostei da resenha e espero gostar do livro ;)

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  2. Oi Marlene, o único livro que li com um narrador esquizofrênico foi A menina submersa, acho que este livro por ser juvenil deve ser mais leve. É interessante a história contada pela perspectiva dela, gostei muito dessa capa. Já esta na minha meta de leitura.

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  3. Olá Marlene!
    Desde o lançamento do livro tenho acompanhado resenhas sobre ele e adorando pra ser sincera, qro mto uma oportunidade pra ler e espero não me decepcionar com a leitura...
    Bjs!

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  4. A leitura parece que mexe com a gente e nos deixa abalados, afinal passar pelo que a personagem passa não é nada fácil. Pura verdade isso, pois temos esse hábito de por assim dizer de julgar as pessoas sem nem ao menos conhecer, isso deve deixar o leitor refletindo e avaliando suas atitudes e comportamento. Pena o final não ser o que esperava é chato quando isso acontece.

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  5. Oi Marlene.
    Esse parece incrível. Vi resenhas positivas e negativas sobre ele.
    A premissa é muito interessante. Adoro ler histórias que abordam uma doença, assim posso acompanhar o dia-a-dia do personagem e ver como ele lida com as dificuldades e tento me por no seu lugar. Acredito que temos que ter mais empatia com as outras pessoas, julgar menos, respeitar e aceitar mais.
    Inventei você? parece um livro lindo, que passa uma mensagem linda, com final triste que provavelmente vai despedaçar meu coração.
    Bjs

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  6. Acho muito bonita a capa deste livro, que bom que a história é interessante, intensa e bem emocionante. Tenho curiosidade em ler este livro, e após ler esta sua resenha fiquei mais interessada e curiosa para conferir a história deste livro, então pretendo ler Inventei você? em breve.

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  7. Não sabia que o livro abordava sobre questões como a esquizofrenia achei incrível sempre gosto de ler livros que abordam problemas psicológicos ou distúrbios até mesmo condições de saúde nos protagonistas interessante que você aprende mais sobre isso de uma forma divertida

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  8. Oi Marlene!
    A protagonista do livro vive um dilema em? Não saber o que é real e o que é inventado, foi uma jogada de mestre a autora ter feito isso com o leitor também. Pena que o final deixou um pouco a desejar, confesso que torço para que Miles seja real.
    Beijos

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