05 janeiro 2018

[Resenha] Dias de despedida - Jeff Zentner

"Cadê vocês? Me respondam."
Essa foi a última mensagem que Carver mandou para seus melhores amigos, Mars, Eli e Blake. Logo em seguida os três sofreram um acidente de carro fatal. Agora, o garoto não consegue parar de se culpar pelo que aconteceu e, para piorar, um juiz poderoso está empenhado em abrir uma investigação criminal contra ele. Mas Carver tem alguns aliados: a namorada de Eli, sua única amiga na escola; o dr. Mendez, seu terapeuta; e a avó de Blake, que pede a sua ajuda para organizar um “dia de despedida” para compartilharem lembranças do neto. Quando as outras famílias decidem que também querem um dia de despedida, Carver não tem certeza de suas intenções. Será que eles serão capazes de ficar em paz com suas perdas? Ou esses dias de despedida só vão deixar Carver mais perto de um colapso — ou, pior, da prisão?




Livro: Dias de Despedida|| Autor: Jeff Zentner
Editora: Seguinte || Ano: 2017 ||  Gênero: Romance, literatura infanto-juvenil.
Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Amanda

"Queria juntar num estádio todas as pessoas da Terra que tivessem vontade de expressar suas condolências por minha perda em algum momento. Então no três (talvez após o disparo de um canhão), todos expressariam suas condolências ao mesmo tempo por trinta segundos. Eu ficaria no meio do campo e me banharia naqueles pêsames feito maremoto. Assim, acabaria de uma vez por todas esse gotejar lento."

Eu costumo ser bem eclética no meu gosto literário, tento dar uma chance para todos os gêneros, mas todos temos nossas preferências e nossas fases. Quando eu vi Dias de Despedida eu pensei: "é ele mesmo!" E não me arrependi nem um pouco.


"A tristeza é um negócio esquisito. Parece que vem em ondas, do nada. Num minuto estou tranquila no mar. No outro, estou me afogando."

O livro inicia com o último enterro, que é justamente de Blake, que era o mais próximo de Carver (mesmo em um grupo de melhores amigos há aqueles com quem temos uma afinidade maior) e é também o início dos ataques de pânico de Carver.

Mars era o filho mais novo do juíz Edwards, que está decidido a fazer com que a promotoria abra um processo contra Carver. Baseado numa suposta lei do Tennessee: "homicídio criminalmente negligente". Acontece quando um indivíduo qualquer assume um grande risco, sem grandes justificativas para tal e não pensa no que isso pode vir a acarretar. Como Carver ao mandar uma mensagem para o motorista do carro, sabendo que ele estava dirigindo apenas porque ele sempre respondia mais rápido que os outros. Naquele momento, Carver jamais pensaria que mandando a mensagem, resultaria no acidente que mataria seus amigos, mas foi exatamente o que aconteceu.

"Não entendo por que não estou chorando. Vai ver é como quando às vezes fica tão frio que nem nevar neva."

Agora imaginem vocês, que acredito que assim como eu, se comunicam mais por whattsapp do que por qualquer coisa, envia uma mensagem para um amigo perguntando onde ele está e isso acaba resultando na morte dele e de todos os outros amigos no carro com ele? Imaginem a culpa que isso resultaria em você. Imagine que além de lidar com a perda e a culpa, ter que lidar também com a perspectiva de talvez vir a ser preso por isso. É surreal, não é?

Mas não para por aí. A irmã gêmea de Eli - um dos três amigos mortos no acidente - é uma das pessoas mais populares no colégio de Carver e agora o odeia. Além de olhá-lo como se ele fosse a própria peste negra materializada, a garota é maldosa e passa a criar fofocas nos corredores sobre ele e de como ele certamente seria preso depois de assassinar seu irmão. Estudar nunca foi tão incrível... Só que não.

Mais solitário do que nunca, todos os amigos mortos e sendo odiado ou desprezado por quase todos, Carver encontra algum consolo através de Jesmyn que era namorada de Eli e também está se recuperando da perda. Ela se torna sua única companhia quando sua irmã volta para a faculdade. Dividindo seu tempo entre conversas com Jesmyn e ajudando a vovó Betsy, a avó de Blake, capinando a grama. Assim Carver vai conseguindo se manter ocupado. Até que a vovó Betsy sugere algo inesperado: um dia de despedida para Blake, onde eles juntariam cada pedaço de sua história e o relembrariam, conheceriam o Blake amigo e o Blake neto, por assim dizer. Comeriam o que ele teria comido em um dia comum e o homenageariam uma última vez.

"- Vou te falar sobre o Deus que eu conheço. - Ela olha pela janela por um segundo, depois volta a me encarar. - Meu Deus julga uma vida inteira e um coração inteiro. Não nos julga por nossos piores erros. E vou te dizer mais uma coisa. Se Deus é alguém que nos faz andar numa corda bamba sobre as chamas do inferno, não estou nem aí pra cantar louvores pra ele por toda a eternidade numa nuvem prateada. Prefiro pular da corda..."

No início, Carver se sente receoso e busca o conselho do terapeuta, o Dr. Mendez, a quem sua irmã quase o força a consultar após o segundo episódio de pânico. Que o apoia a tomar a decisão que achar melhor, sem pressão. Eu tenho que ressaltar que adoro o terapeuta dele e gostaria muito de algumas consultas... 

A partir dessa experiência, Carver vai conseguindo um pouco mais de paz interior, somada as consultas com o Dr. Mendez e a companhia tranquila e musical de Jesmyn que está sempre o apoiando e incentivando. Ela então dá a ideia de fazer um dia de despedida para Eli com os pais dele. Mas com as novas experiências, Carver vai se dando conta de outras coisas e todo o progresso que ele vem realizando pode vir abaixo após descobrir que seus sentimentos por Jesmyn vão muito além da amizade. Isso sem contar a perspectiva de talvez ir para a prisão...

Com uma escrita poética e sensível, Jeff nos faz rir e chorar durante o livro com uma facilidade assustadora. Em um momento, eu estava rindo de alguma memória e no seguinte estava chorando porque era exatamente isso, uma memória. E o mais engraçado é que o livro já começa com os amigos dele mortos - isso não é spoiler xD -, mas conforme vamos lendo e embarcamos nos flash back's de Carver, sentimos como se conhecêssemos aquelas pessoas e como se a perda dele fosse um pouco nossa também, por isso é quase impossível não nos emocionarmos em algum momento.

Apesar de ficarmos com raiva de alguns personagens secundários - como o juíz e a irmã do Eli -, conseguimos compreender que eles estão apenas sofrendo a perda e tentando descobrir como lidar com isso. "Dias de despedida" é um livro sobre perdas, mas também sobre esperança e recomeços, mesmo quando isso parece impossível.

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14 comentários :

  1. Nunca pensei que uma simples mensagem poderia acarretar em uma tragédia e achei essa premissa bem diferente e fiquei curiosa pra ler a história e ver como se desenvolve. O protagonista passa por "poucas e boas" perde os amigos, corre risco de ser preso, se apaixona... Eu ainda não tinha ouvido falar desse livro, mas fiquei bem interessada ;)

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    1. Oiii, Lili *-*
      Leia sim, você vai amar!
      beijoss

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  2. Oi Nanda!
    Eu conhecia o livro por nome apenas, não tinha lido nd sobre el ainda, eu gostei bastante, o enredo tá mto bacana m prendeu a atenção e me deixou curiosa pra conhecer...
    Bjs!

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    1. Olá!
      Tenho certeza que vai gostar ainda mais depois que ler <3
      Bjs ;*

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  3. Eu não conhecia este livro, mas que bom que a história meche com o sentimento do leitor, faz rir, chorar durante a história, gosto de livros desse estilo, e pela sua resenha este livro aparenta ser muito bom então pretendo ler Dias de despedida.

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    1. Oi, Mariele
      Leia sim, depois vem me dizer o que achou!
      Bjss

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  4. Oi Nanda :)
    Não esperava que fosse gostar do livro, mas terminei sua resenha com vontade de pegar para ler. Confesso que eu fiquei com raiva do Juíz e da irmã gêmea de Eli, não me importa pelo que eles estejam passando, para mim a muita maldade ali. Fora isso a história é mto boa, acho que o personagem principal terá que descobrir como viver novamente sem essa culpa, e espero que consiga. Mais um que desejo ler :)
    Bjs

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    1. Olá, Vitória :D
      Ah, você não sabe como eu amo quando alguém me fala que a minha resenha despertou a vontade de ler o livro! Espero que goste tanto quanto eu <3
      Beijos ;*

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  5. Oi Nanda.
    A premissa desse livro é bem triste, mas algo que poderia acontecer nos dias de hoje. Não sei se conseguiria lidar com a culpa de ter mandado a msg que acarretou na morte de meus amigos.
    Fiquei com bastante vontade de ler esse livro e ver como Carver lidou com tudo isso. A história traz uma linda mensagem de superação e recomeço.
    Bjs

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    1. Oi, Pamela!
      Exatamente... também fiquei pensando nisso enquanto lia. Poderia acontecer com qualquer um, por isso é algo que acaba tocando a gente.
      Bjs

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  6. Oi,
    Fiquei muito interessada nesse livro, nunca pensamos que nossas ações por mais banais que sejam podem impactar a vida das pessoas ao nosso redor. Já está na minha lista.

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    1. Oi, Julia :D
      Pois é, como diria Jay Asher: nunca sabemos o impacto que temos na vida dos outros...
      Espero que goste bastante <3
      Beijos!

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  7. Deve ser uma historia emocionante e muito triste, me coloquei no lugar do personagem que angustia ele deve ter sofrido é uma culpa muito grande para se carregar, ainda mais com as pessoas o culpando, isso nos lembra a realidade onde muitos ficam mexendo no celular enquanto dirigem.

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    1. Oi, Maria!
      Exatamente, até debati isso com uma amiga minha durante a leitura, é um assunto bem delicado que não é levado a sério o suficiente...
      Bjs!

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