09 janeiro 2018

[Crítica] Lou


Primeira cabine do ano! Fomos convidadas para a cabine de imprensa do filme Lou no dia 05/01. Veja abaixo o trailer:



"Você quer mudar o mundo, eu só quero mudar meu próprio destino."

Lou Andreas-Salomé (Katharina Lorenz) nasceu em 12 de fevereiro - mesmo dia que eu, pasmem! - de 1861 em São Petersburgo. Sua educação, assim como a das demais meninas em sua época, era bem predeterminada: visando o recato, dona do lar, comportada... Em suma, o completo oposto da personalidade da própria Lou. Desde pequena, ela odiava ser tratada diferente do irmão, queria subir em árvores, queria desvendar o mundo.

Conforme vai crescendo, Lou apenas vai se tornando mais e mais determinada a seguir seu próprio caminho. Após a morte do pai ao qual ela adorava, ela se aprofunda em estudos religiosos e em filosofia. Após passar por uma profunda decepção com uma pessoa que passou a ter um papel significativo para ela, decide se focar totalmente nos estudos e jura nunca se casar.


Esse se torna quase que o ponto central do filme, intercalando a visão da Lou como uma senhora de idade (Nicole Heesters) e a Lou mais jovem, que são partes de sua lembrança. 

Particularmente, achei que o filme deu muito enfoque aos relacionamentos amorosos dela, dando inclusive a entender que ela teria realmente enlouquecido Nietzsche e levado à infelicidade vários outros. Mas com todos, ela é bem clara desde o começo sobre sua posição sobre o matrimonio e o ato sexual - que ela acreditava firmemente que o sexo poderia tirar o foco do que realmente era importante, influenciando negativamente o intelecto. Então, também abdicou dessa parte durante a maior parte de sua vida.

"- Você reflete muito sobre como escapou da morte?
- Isso me impediria de viver."

Desde o começo, vemos Lou como uma personalidade forte, a qual seu maior desejo é ser dona do próprio destino. Ela não queria ser como as outras mulheres, se conformar em ser apenas a esposa de alguém, ter filhos ou cuidar da casa. Ela queria estudar, ser uma pensadora... queria mais... de tudo.

Quanto aos aspectos técnicos, eu tenho que dizer: o filme dirigido por Cordula Kablitz-Post é um primor. Os flash backs foram bem coordenados, de forma que não há nenhum corte abrupto de cena, tudo foi muito bem organizado e encaixado. Gostei particularmente da interpretação da Nicole Heesters, por ter sempre um ar jovial e levemente intrigante, como se dissesse muito, mas nunca tudo. Levemente misteriosa e charmosa, que foi fiel a personalidade da Lou mais jovem. Como se a menina ainda estivesse ali, mesmo depois dos anos passados.

Outro ponto que gostei bastante foi o efeito de congelar tudo envolta da personagem principal, enquanto ela permanece em movimento, dando a sensação de uma pessoa que estava sempre à frente das demais. Enquanto todos permaneciam em suas tarefas cotidianas, Lou estava um passo à frente, fazendo história. 

Vale muito a pena dar uma conferida no filme, que é muito mais do que apenas envolvimentos românticos, é sobre Lou Andreas-Salomé que revolucionou a sociedade alemã do século XX.  Uma mulher que conviveu com intelectuais como Paul Rée, Friedrich Nietzsche e o próprio Freud. E escreveu ensaios sobre sexualidade feminina, erotismo e muitos outros temas que, até então, eram impensáveis de serem tratados por uma mulher.

O filme Lou tem estreia marcada o dia 11 de janeiro de 2018.

Recomendo muito!

Top Comentarista de Janeiro

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15 comentários :

  1. Não sei se esse é o tipo de filme que prende minha atenção mas a história de Lou Andreas-Salomé parece muito rica e sendo ela uma mulher a frente do tempo, forte, determinada e acho bem bacana filmes assim :) Eu curti a critica e o trailer, apesar de estranhar a língua :) ;)

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    1. Oi, Lili.
      Vale a pena dar uma chance, vai que você se surpreende e vira fã?
      Beijos!

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  2. Oi Nanda!
    Não tinha ouvido flar de Lou ainda, gostei bastante do tema,, que me parece ter sido bem desenvolvido, vou qrer conferir sim..
    Bjs!

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    1. Oi, Aline.
      Veja sim, depois volta e me diz o que achou <3

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  3. Oi Nanda.
    Confesso que não fiquei animada para ver esse filme.
    Acredito que Lu tenha sido uma pessoa muito importante e influente, mas acho que o filme não prenderia a minha atenção.
    Bjs

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    1. Oi, Pamela.
      É, ela foi extraordinária e um exemplo para todas nós <3

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  4. Oi Nanda!
    Não sabia do lançamento desse filme, como todos não é um filme que eu iria ver logo de cara, mas lendo mais sobre ele dá para ver que Lou é uma personagem forte e decidida, é algo incrível para a época que ela viveu.
    Bjs

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    1. Oi, Vitória!
      Realmente, ela tinha muita força de vontade para perseguir seus objetivos, é um filme que vale a pena assistir <3
      Bjs

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  5. Não estava sabendo desse filme, vou querer assistir é muito interessante e importante saber sobre esse período onde a mulher tenta ser livre e ser quem realmente quer, a personagem parece ser uma mulher de fibra e luta para isso.

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    1. Ela é demais, assista sim, você vai gostar <3

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  6. Não conhecia este filme, pela sua crítica este filme parece ser muito bom, pelo trailer e seus comentários sobre este filme, acabei ficando muito curiosa para assistir ele, sem dúvidas pretendo assistir Lou.

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    1. Ah, que bom! Adoro dar boas indicações. Depois vem me dizer o que achou, Mariele *-*

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  7. Amo filmes biográficos, quero muito ver esse filme! Lou não é conhecida por ser a mulher que fez Nietzsche chorar?? Nunca assisti nada dessa diretora (shame) e estou muito curiosa.

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    1. É ela mesma, Julia hahha
      Assiste sim! Quero saber o que achou depois ;*

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  8. Eu adoro esses filmes que desconstrói o conceito de Bela recatada e do lar eu não sabia do lançamento desse filme e não sei se tem o livro mas eu adorei a história Já lançou nos cinemas ou não?

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