30 novembro 2017

[Resenha] Um Conto às Avessas de a Bela e a Fera - Liz Braswell

Bela é inteligente, engenhosa, inquieta e mais uma porção de coisas. Ela anseia escapar de seu modesto e provinciano vilarejo. Quer explorar o mundo, apesar de seu pai relutar em deixar sua casinha para o caso de a mãe de Bela retornar – mãe da qual ela mal se lembra. Um dia, os desejos da garota por novas aventuras acabam por se realizar – mas não da maneira que ela imaginava. Agora ela é cativa de uma terrível fera, dentro de um castelo enfeitiçado. Quando Bela toca a rosa encantada da Fera, intrigantes imagens inundam a mente da jovem – imagens da mãe que ela acreditava que nunca mais veria. Ainda mais estranho que isso, ela descobre que sua mãe é ninguém menos que a bela Feiticeira que amaldiçoou a Fera, seu castelo e todos os seus habitantes. Chocados e confusos, Bela e Fera devem se unir para desvendar um assombroso mistério sobre suas famílias. Um conto às avessas de A Bela e a Fera é uma saborosa e encantadora releitura, inaugurando uma série de livros para o público jovem adulto que reconta os clássicos Disney de um jeito jamais imaginado!


Livro: Um Conto às Avessas de a Bela e a Fera|| Série: Um Conto às Avessas #1 || Autor:  Liz Braswell
Editora: Novo Século ||  Ano: 2017 || Gênero: Fantasia
Classificação: 3 estrelas || Resenhista: Luiza


Nesse livro, temos uma narração um pouco diferente do que estamos acostumados. A história é contada por dois lados: uma no passado e outra no presente, e que, no momento certo, se conectarão.

Primeiro, conhecemos Maurice. Um jovem simples, dono de uma mente privilegiada, capaz de inventar máquinas e artefatos inovadores. Ele é bastante sonhador, mas não queria muito da vida, apenas um lugar onde pudesse trabalhar nas suas invenções e uma boa moça para formar uma família e ser feliz. Mas não uma moça qualquer, uma que entendesse seu lado apaixonado pela suas invenções. E é assim que ele conhece Rosalind. Uma moça a quem muitos consideravam estranha por ser diferente. Ela nunca tinha a mesma aparência, ora mudava a cor dos olhos, ora a cor do cabelo. Fazia parte de um grupo de pessoas que os aldeões chamavam de les charmants, que definia quem possuía algum tipo de magia. 

No caso de Rosalind, ela era uma feiticeira, que amava as plantas e a natureza, que ajudava a curar as pessoas e realizava feitiços em seu jardim. Não era uma mulher igual às outras, era geniosa, pensava diferente e queria estar com alguém que entendesse e aceitasse todas as suas estranhezas. Assim, ela e Maurice formaram uma família, e dessa união nasceu Bela.

A época em que Bela nasceu, não era um tempo fácil para os les charmants. Muitos estavam desaparecidos, perseguidos por agentes do reino que os consideravam uma aberração, e muitas vezes, pelos próprios aldeões que os acusavam de praticar magia para fazer o mal. Não era seguro para Bela, e então, quando uma peste assola boa parte da população, eles se mudam para outra cidade.

Por outro lado, conhecemos Bela, já adulta, que morava com seu pai Maurice. Nas suas memórias sempre foram eles dois, ela quase não se lembrava da mãe. Viviam numa cidade pacata, que era até muito chata. Ela queria mais, queria viajar, queria conhecer lugares e pessoas diferentes, viver aventuras, tudo que sempre via nos livros que tanto amava. Para os aldeões, Bela era uma garota muito estranha. A começar que fora criada pelo pai, sem uma referência materna para ensiná-la os costumes de uma "boa moça"; e também pelos seus hábitos estranhos de sempre estar lendo um livro e de não gostar da companhia de outras moças de sua idade. Apenas Gaston parecia não perder o interesse por Bela. Ele a queria de qualquer jeito, afinal, ela era a garota mais bonita da cidade e ele o cara mais bonito. Quando à toda esquisitice, ele acreditava que "daria um jeito" depois de casarem.

Só que, Bela não queria, e vivia fugindo de suas investidas. Inclusive de um casamento surpresa que ele organizou. Ela era muito para ele, que não a merecia. Ela queria mais, muito mais.

Um belo dia, Phillipe, o leal cavalo de seu pai, voltou sozinho e com aparência bastante esbaforida. Bela soube logo que algo tinha acontecido com seu pai e partiu com Phillipe. Após procurar pela mata, eles chegam a um castelo escondido, que tinha a aparência de amaldiçoado. Lá estava seu pai, preso em uma cela por uma fera horrorosa. Imediatamente, Bela toma o lugar de seu pai, o liberta e fica no castelo como prisioneira, sem muito pensar nas consequências.

E agora ? O que seria da vida dela ?

As coisas ficam ainda mais interessantes quando ela se depara com móveis que falam, bules, xícaras, candelabros que também falam, tudo isso num castelo majestoso abandonado no tempo, que ninguém em sua aldeia sabia da existência. Como era possível ? Coisas assim ela só via nos livros. Era uma tremenda aventura, como as que sonhou, mas ao mesmo tempo nada parecida. Era um castelo sombrio amedrontador e ela ficaria presa ali para sempre.

Bela precisava descobrir mais, precisava descobrir porque esse castelo existia, porque essa fera e esses pequenos seres estavam ali. Quem eram eles?

Tudo se torna mais improvável e mais sombrio quando Bela se dá conta que foi a sua mãe que enfeitiçou esse príncipe e todos que moram no castelo. Essa mãe que ela não se lembra, a mesma que seu pai nunca tocava no nome. Teria sido coincidência, justamente Bela a descobrir esse castelo? O que aconteceu com a sua mãe e porque ninguém parece saber nada sobre ela?

Embarquem nessa grande aventura com Bela para descobrir!


Preciso confessar que não tinha grandes expectativas para esse livro, ainda mais depois de todo esse boom em torno de A Bela e a Fera. Mas acabei achando muito divertido!

Adorei conhecer a história dos pais de Bela, ainda que numa versão meio doida, rs. Saber como a história aconteceu antes foi bem legal e alimentou bastante a minha imaginação, rs. 

Essa alternância de capítulos do passado (narrado por Maurice) e do presente (narrado por Bela) foi uma coisa que atrasou um pouco a leitura. Não sou muito chegada a livros assim porque sempre acho que quando algo vai acontecer, muda para o outro ponto de vista, como se desse uma quebra brusca na história toda vez que muda de capítulo. Mas, por se tratar de um livro mais leve e sem um enredo muito elaborado, não atrapalhou tanto assim.

A história da Bela se parece muito com a que já conhecemos, com todos aqueles elementos já bem caracterizados, os mesmos personagens e etc. O que muda é a forma como o enredo se desenvolve. A mãe dela era uma feiticeira e ela não sabia e, por algum motivo, ela enfeitiçou o príncipe e todos que moravam no castelo, há dez anos. Ninguém sabe onde ela está e o que aconteceu com ela, e isso dá uma virada e tanto na vida de Bela.

A Fera é do mesmo jeito da história original, nem tão fera assim. Ele gosta de Bela, há uma química entre eles. Depois de tantos anos isolado nesse castelo, conhecer uma mulher que o desafie dessa maneira é ao mesmo tempo enervante e inquietante. Ela o faz questionar tudo, seus conceitos, o que o levou até ali e como pode mudar as coisas.

Até Bela aparecer no seu castelo, ele nunca tinha parado para pensar em muitas coisas importantes, nos seus pais, em como eles de fato eram e, principalmente, no motivo de tudo ter acontecido.

Lumiére, Madame Samovar, Zip e cia também estão presentes, com toda a alegria e disposição para ajudar no que for preciso, tornando esse livro extremamente divertido.

O tom geral da história é um pouco mais sombrio, com mais foco na magia e alguns fatos até cruéis, o que me faz não indicar tanto para crianças (mesmo que não tenha nenhuma cena imprópria). 

É uma leitura agradável e envolvente, que em vários momentos te faz dar boas risadas e em outros te faz refletir sobre muitas coisas. Não há como não se apaixonar pela Bela e pela Fera uma e outra vez. Não importa quantas vezes eu leia essa história, sempre ficarei encantada. E esse conto às avessas tornou tudo ainda mais divertido. Indico muito!

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7 comentários :

  1. Oi Lu, eu gosto das várias histórias da Bela e A Fera mas concordo contigo sobre o boom, junto com o filme vieram muitas versões dessa história e histórias baseadas nela, mas quando bem escritas deixam de ser mais do mesmo e se destacam e achei a ideia dessa diferente, ainda não tinha visto essa relação do príncipe com a mãe de Bela, ou mesmo ter uma história para os pais dela, achei isso legal e diferente. Ainda assim a alternância me preocupa, acho que ia gostar mais se fosse a história dos pais até certo ponto e daí seguisse com a história dela, contudo fiquei curiosa pela história e surgindo a oportunidade vou querer conferir ;)

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    1. Oi Lili! Geralmente quando tem esse boom envolvendo alguma história que eu gosto, fico até feliz, como no caso de Star Wars. Mas achei que a maioria das histórias da Bela e a Fera era mais do mesmo, esse livro realmente me surpreendeu e foi muito divertido!!

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  2. Olá, apesar de chegar a ser uma releitura, os elementos a obra culminam para um enredo original e cativante. Adoro quando o universo dos contos de fadas se expande, e aqui a ideia da autora parece dar certo. Achei a capa extremamente bonita e coerente com a história. Beijos.

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    1. Oi Alison, é realmente um livro cativante e bem original!!!!!

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  3. Achei interessante esse livro por mostrar como era os pais da Bela, pensei que seria mais do mesmo, fiquei me perguntando o que será que aconteceu com a mãe dela. A leitura parece ser gostosa e bem humorada, ainda mais com os personagens do castelo ou melhor objetos rs.

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  4. Oi Lu.
    Não me interessei muito por esse livro, apesar de gostar de releituras. Achei a premissa um pouco confusa.
    Achei interessante a narrativa entre presente e passado.
    Gostei bastante da capa.
    Bjs

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  5. Oi Luiza!
    Que edição linda, estou babando aqui, o enredo tá lindo demais tbm...
    Preciso ler, amo essas releituras, aposto que uma leitura bem agradável pra quem curte, assim como eu....
    Bjs!

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