02 novembro 2017

[Resenha] Sempre Vivemos No Castelo - Shirley Jackson


Merricat Blackwood vive com a irmã Constance e o tio Julian. Há algum tempo existiam sete membros na família Blackwood, até que uma dose fatal de arsênico colocada no pote de açúcar matou quase todos. Acusada e posteriormente inocentada pelas mortes, Constance volta para a casa da família, onde Merricat a protege da hostilidade dos habitantes da cidade. Os três vivem isolados e felizes, até que o primo Charles resolve fazer uma visita que quebra o frágil equilíbrio encontrado pelas irmãs Blakcwood. Merricat é a única que pressente o iminente perigo desse distúrbio, e fará o que for necessário para proteger Constance. Sempre vivemos no castelo leva o leitor a um labirinto sombrio de medo e suspense, um livro perturbador e perverso, onde o isolamento e a neurose são trabalhados com maestria por Shirley Jackson.



Livro: Sempre Vivemos No Castelo  || Autor: Shirley Jackson || Editora: Suma de Livros
Classificação: 3 estrelas || Resenhista: Marlene

 Ano: 2017 || Gênero: Ficção, Mistério, Terror.

Queria que todos vocês estivessem mortos, pensei, e senti ânsia de falar em voz alta. Constance dizia, “Nunca deixe que eles vejam que você se importa” e “Se você der alguma atenção, a situação só vai piorar”, e era provável que fosse verdade, mas eu queria que estivessem mortos.

Essa é uma resenha que eu não sei por onde começar, Sempre Vivemos No Castelo é um livro que foi lançado pelo selo Suma das Letras, e essa foi uma leitura que me tirou da zona de conforto e me deixou a deriva.

Eu fui cativada por essa capa e ao vê-la, não pensei duas vezes antes de pedir o livro, porém eu não esperava personagens tão complexos como a Mari e tão inquietantes como a Constance.

Mari Katherine é uma jovem bem estranha, ela vive com seu tio Julian, sua irmã Constance e seu gato Jonas, ela guarda um grande rancor das pessoas que moram na pequena comunidade em que vive e deixa isso bem claro, desejando constantemente a morte de todos eles.

O mistério que envolve o livro gira em torno da morte dos membros da família Blackwood, isso é algo que me incomodou bastante, ao mesmo tempo que me prendeu na leitura, porque eu queria saber o que estava acontecendo ali, mas também tinha um certo receio de não ser tudo o que esperava.

Imagina só como é viver com o fato de que quase toda a sua família foi envenenada por Arsênico, e se não bastasse isso, a comunidade em que as garotas vivem, as culpam por isso; o plot basicamente discorre sobre o dia a dia das família até que um primo chega para passar um tempo na casa, e muda algumas dinâmicas e desperta alguns sentimentos.

A cova acomodaria com delicadeza a cabeça dele. Gargalhei quando descobri uma pedra redonda do tamanho certo, e desenhei um rosto com a unha e a enterrei no buraco. “Adeus Charles”, me despedi.

Um dos pontos positivos dessa história é o desenrolar da narrativa, porque apesar de ter tido um começo bem arrastado e confuso, o livro conseguiu me prender do inicio ao fim, e posso literalmente dizer que li em uma sentada; com uma história que se passa em uma época que a sociedade é extremamente machista e reativa, a vida dessas irmãs pode ser qualquer coisa menos fácil, com um pano de fundo que relata quase uma histeria coletiva perante aos fatos que ninguém entende muito bem o que aconteceu (a tragédia na família dos Blackwood) e o inaceitável em achar que está tudo bem com a violência verbal que Maricat sofre quando vai a cidade.

Alguns diálogos entre os personagens são bem incômodos e fora de contexto, eu por diversas vezes, me vi pensando se isso era real ou apenas algo da imaginação deles. Algo que me incomodou bastante foi os devaneios de Maricat e sua constante sede de vingança, outro ponto foi o envolvimento das irmãs com as mortes dos familiares, sabemos que elas tem sua parcela de culpa, mais até onde isso é consequência de suas ações?

Apesar de tudo, esse foi um livro que me agradou, não posso dizer que morri de amores, mas ela tem seus pontos fortes, como os mistérios e segredos a serem revelados, foi legal desvendar os mistérios escondidos pelos Blackwood e conseguir ligar cada nova pista, dessa insana aventura.

Nenhum dos personagens verdadeiramente me conquistaram, entretanto quando finalizei a leitura, me vi refletindo sobre suas características e peculiaridades e o quão únicos são justamente por saírem do padrão ao qual estou acostumada.
Fico pensando se conseguiria comer uma criança se a oportunidade surgisse.
Não sei se eu conseguiria cozinhar uma. Diz Constance.  
Constance é uma pessoa tímida e bem calma, ela se fechou dentro do seu mundinho, eu não curtir a maneira como isso foi passado, porque a impressão que eu tinha é que ela era uma bomba relógio prestes a explodir, mas, apesar de tudo, isso me levou a pensar o que aconteceu com ela e quais foram as circunstancias que a fizeram dela o que ela é hoje.

Julia foi uma incógnita para mim e até agora eu ainda não tenho uma opinião formada a seu respeito, ele é considerado um lunático e vive com a cara enfiada nos livros, sua personalidade para mim não ficou bem clara, acho que no fundo essa era a intenção.

A edição está linda, como já comentei anteriormente, fui cativada pela capa que fala muito da história, o contraste de cor ficou incrível e o livro é em capa dura, as letras me incomodaram um pouco por ser pequenas, mas nada que dificultasse muito a leitura.

Esse não é livro para qualquer um, porém como um clássico suspense da literatura, de uma autora que inspirou nomes como Stepehen king e Neil Gaiman, vale todo o esforço de sair da caixinha e tentar encaixar as peças;  apesar de todas as ressalvas eu pude desfrutar bastante da obra, por isso recomendo essa leitura.

É errado odiá-los”, Constance dissera, "só serve para enfraquecer você", mas eu os odiava mesmo assim, e me questionava até mesmo por que eles tinham sido criados.

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10 comentários :

  1. Tenho curiosidade em ler esse livro ele é muito citado em outro que li e também pelo mistério que gira em torna da família sou fã de mistérios rs. Os personagens são bem intrigantes, deve deixar o leitor aguçado em saber cada vez mais sobre eles, pena o começo ser arrastado, mas acho que ale a pena continuar.

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  2. Oi Marlene, também me senti cativada por essa capa, não conhecia a autora e fiquei curiosa por saber que ela inspirou grandes nomes da literatura como King e Gailman. A história parece ter um suspense mais parada mas nem por isso menos interessante, ainda não sei o que pensar dos personagens mas é um livro que se surgir a oportunidade vou dar uma chance pra leitura. Boa resenha ;)

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    1. Oi lili.
      Eu até agora ainda não sei o que pensar deles, rsrs.
      Essa capa é realmente cativante.
      bjs.

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  3. Olá!!
    Marlene, realmente a edição está linda, o enredo parece bem agradável, capa tbm me conquistou de cara, qro conhecer o livro e os personagens que tbm me chamaram bastante atenção.
    Bjs!!

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    1. Oi Aline.,
      Que bom, espero que desfrute da leitura.
      Bjs.

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  4. Olá, a trama cheia de suspense somada à época elegante na qual a mesma se passa chama a atenção do leitor, que fica curioso para adentrar as obscuridades que permeiam a família. Espero ler a obra em breve. Beijos.

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    1. Oi Alison.
      Depois de ler, venha me falar o que achou.
      Uma boa leitura.
      Bjs.

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  5. Olá.
    Fiquei curiosa quanto ao mistério sobre quem colocou o arsênico e quase matou toda a família e o porquê disso. Parece que Merricat e Constance são bem unidas e protegem uma a outra. Julian parece ser um tio bem difícil de se lidar.
    Não me interessei tanto pela história. Mas se um dia eu tiver a oportunidade de ler esse livro, eu leria.
    Achei a capa lindíssima.
    Bjs

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    1. Oi Pam.
      Se um dia tiver essa oportunidade, leia.
      Bjs.

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