15 novembro 2017

[Resenha] O Pistoleiro - Stephen King



"O Pistoleiro" apresenta ao leitor o fascinante personagem de Roland Deschain, último descendente do clã de Gilead, e derradeiro representante de uma linhagem de implacáveis pistoleiros desaparecida desde que o Mundo Médio onde viviam "seguiu adiante". Para evitar a completa destruição desse mundo já vazio e moribundo, Roland precisa alcançar a Torre Negra, eixo do qual depende todo o tempo e todo o espaço, e verdadeira obsessão para Roland, seu Cálice Sagrado, sua única razão de viver. O pistoleiro acredita que um misterioso personagem, a quem se refere como o homem de preto, conhece e pode revelar segredos capazes de ajudá-lo em sua busca pela Torre Negra, e por isso o persegue sem descanso. Pelo caminho, encontra pessoas que pertencem a seu ka-tet - ou seja, cujo destino está irremediavelmente ligado ao seu. Entre eles estão Alice, uma mulher que Roland encontra na desolada cidade de Tull, e Jake Chambers, um menino que foi transportado para o mundo de Roland depois de morrer em circunstâncias trágicas na Nova York de 1977. Mas o pistoleiro não conseguirá chegar sozinho ao fim da jornada que lhe foi predestinada. Na verdade, sua aventura se estenderá para outros mundos muito além do Mundo Médio, levando-o a realidades que ele jamais sonhara existir.

Livro: O Pistoleiro || Autor: Stephen King || Editora: Suma de Livros
Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Amanda
 Ano: 2012 || Gênero: Fantasia, Suspense, Ficção
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"Sou o último daquele mundo verde e cheio de calor."

Fiquei algum tempo pensando em como resenhar esse livro sem dar spoiler, mas depois de ler a sinopse, cheguei à conclusão de que não precisava me preocupar, porque ela já conta o livro quase todo (eu li o livro sem ler a sinopse) hahha.
Tenho que confessar que, à princípio, eu achei O Pistoleiro um livro lento e confuso. A sensação que a gente tem ao iniciar a leitura é de estar em um trem em movimento, sem saber como fomos parar ali, para onde estamos indo e o que vamos encontrar ao chegarmos lá, então só sentamos e aproveitamos a viagem.

"Cuidado com o homem que se finge de fraco."

Roland é um personagem forte, o último pistoleiro. Ele está no meio do deserto em uma busca - mais tarde descobrimos que ele quer chegar à famosa Torre Negra - pelo misterioso Homem de Preto. Esse homem, aparentemente, é o único que pode responder às perguntas do pistoleiro. Durante sua jornada pelo deserto, ele encontra um colono e fica surpreso por ele ainda estar lúcido e vivendo razoavelmente bem, naquele mundo moribundo. Acontece que os animais, as pessoas, tudo parece estar  apodrecendo aos poucos, com um aspecto doentio. Os animais já sofrem mutação e as pessoas parecem cada vez menos racionais e desesperadas, perderam a noção de tempo e já não têm qualquer perspectiva, como se apenas vivessem esperando pela morte, que não demora muito a aparecer.

Brown oferece comida e abrigo ao pistoleiro, que aceita, cheio de desconfiança. Brown percebe a cautela de Roland e tenta apaziguá-lo, deixando claro que ele apenas quer continuar vivendo sua vida simples, após o pistoleiro seguir seu rumo. Por fim, oferece seus ouvidos ao pistoleiro, dizendo que ele se sentiria melhor se desabafasse. Roland, surpreendentemente, começa a contar a cilada que o Homem de Preto deixou para ele na última cidade pela qual passou, a cidade de Tull.

Roland passou por Tull, perseguindo o rastro do Homem de Preto, e lá se deparou com uma dona de bar chamada Alice, desesperada por um pouco de afeto naquele mundo vazio e devastado. Os dois acabam ficando juntos por algum tempo, mas Roland deixa claro que está de passagem, fazendo com que Alice se sinta desolada.

"Quando foi a última vez que alguém lhe agradeceu? Alguém que importasse?"

Ao assistir uma pregadora fazendo seu discurso religioso, ele percebe que o Homem de Preto deixou seu toque nela durante sua visita e vai até a mulher, forçando-a a contar tudo o que sabe, de onde ela veio e o que há depois daquele deserto que parece infinito.

Após receber as informações que precisava, o Pistoleiro se prepara para seguir viagem, quando os moradores fanáticos da cidade, incitados pela pregadora, o atacam em massa, obrigando-o a exterminá-los com sua pistola. Deixando um rastro de sangue para trás, ele segue seu caminho.

Depois de contar tudo ao colono, pegar um pouco de mantimentos e água, o Pistoleiro prossegue pelo deserto. No caminho, outra surpresa o aguarda. Roland se depara com um menino jovem chamado Jack. À princípio, desidratado pela horas caminhando pelo deserto, ele chega a delirar e confundir o garoto com o homem de preto, quase atirando nele, mas acaba caindo desmaiado antes que consiga. Jack cuida dele e o espera despertar.

"- De onde você veio, Jake?
- Não sei. - O garoto fechou a cara. - Eu soube. Sabia quando cheguei aqui, mas agora tudo ficou confuso, como um pesadelo visto por quem já acordou."

Ao voltar a si, Roland tenta entender o que aconteceu e quem é o menino. Ele não parece ser daquele mundo, e isso ativa os alarmes na cabeça do pistoleiro e tudo nele grita que o garoto é mais uma armadilha do homem de preto. Para piorar, o garoto não se lembra de sua vida nem de onde veio, apenas que não pertence àquele lugar. Ao fazer uma espécie de hipnose no menino, Roland chega à conclusão: que ele seja uma armadilha ou não, o garoto também era uma vítima e que não podia deixá-lo para trás, algo lhe diz que ele precisaria do menino consigo.

Com pequenos flashes back's, somos capazes de entender um pouco mais sobre o Pistoleiro e um pouco sobre a forma que ele foi criado, seus amigos e mentor, mas é apenas uma pequena isca. Como se o autor estivesse apenas tentando te dar alguma coisa antes de te deixar novamente no escuro. Ele só vai revelando aos poucos a que veio.

"Ocorreu-lhe, mais tarde, que foi aí que começou a realmente a gostar do garoto, que era, é claro, o que o homem de preto teria certamente passado o tempo todo planejando. Que armadilha, afinal, poderia se equiparar à do afeto?"

O livro é bem curto, e apesar de ter um início moroso, não é nada cansativo. Mesmo nos momentos em que a história parece um pouco mais arrastada, a curiosidade te faz querer seguir adiante e descobrir tudo o que ela ainda não te contou. Talvez, se fosse contado de outra forma, não fosse tão interessante, e eu tenho que dizer: para alguém ansiosa como eu, esse livro deveria estar me fazendo arrancar os cabelos, talvez até deixar de lado (como outros em que não tive paciência pra tanto mistério), mas tem uma cadência tão boa e a escrita do King é tão cativante, que você simplesmente não consegue abandonar. Vocês têm que ler, sério, só assim para entender essa compulsão de querer entender o que está se passando. O primeiro livro não respondeu nem um terço das minhas perguntas e já quero o restante da série pra anteontem! hahaha

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5 comentários :

  1. Oi Amanda, não tô acostumada com a escrita de King, pois sempre o associo a histórias de terror haha, mas tenho acompanhado algumas resenhas positivas dessa série e com o lançamento do filme, que ainda não vi, fiquei bem curiosa sobre ela. Acho que assim como você posso achar o inicio mais difícil, pois terei que me adaptar a escrita do autor e ao gênero que leio pouco, mas se King consegue cativar tantos fãs e te cativou ao longo da história te deixando curiosa para os próximos acho que isso pode acontecer comigo também :D Dica já anotada e espero ter a oportunidade de ler futuramente ;)

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  2. Oi Amanda.
    Não leio livros do King, pois não gosto do gênero terror. Mas, esse livro parece ser bem diferente. Parece que tem bastante mistério e acho que eu ficaria intrigada ao querer saber as respostas.
    Não é uma prioridade de leitura, mas se um dia eu tiver a oportunidade de ler esse livro, vou ler.
    Sabe quantos livros fazem parte dessa série?
    Bjs

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  3. Tem alguns livros do autor que o começo é assim arrastado, mas depois melhora, ainda bem que esse melhorou, pois pretendo um dia ler essa série. Adoro mistério e esse parece ter e muito em relação a Jack e esse homem de preto, sem falar no próprio pistoleiro, parece ser uma leitura envolvente e que te deixa ansioso pelas respostas, que pelo visto só virão nos próximos volumes.

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  4. Olá, é impossível não amar a escrita de King, né? Esse autor realmente sabe como dominar as palavras. Até entendo o ritmo lendo da narrativa, uma vez que a série é composta por vários livros e é preciso deixar os plot twists para os próximos. Beijos.

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  5. King e suas obras, arrasa como sempre!
    Desejo mto ter oportunidade pra conhecer mais um livro dle, sou fã!
    Bjs!!

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