08 novembro 2017

[Resenha] Dumplin' - Julie Murphy

Especialmente para os fãs de John Green e Rainbow Rowell, apresentamos uma destemida heroína e sua inesquecível história sobre empoderamento feminino, bullying, relação mãe e filha, e a busca da autoaceitação. Sob um céu estrelado e ao som de Dolly Parton, questões como o primeiro beijo, a melhor amiga, a perda de alguém que amamos demais e “estou acima do peso e ninguém tem nada com isso” fazem de Dumplin’ um sucesso que mexerá com o seu coração. Para sempre. Gorda assumida, Willowdean Dickson (apelidada de Dumplin’ pela mãe, uma ex-miss) convive bem com o próprio corpo. Na companhia da melhor amiga, Ellen, uma beldade tipicamente americana, as coisas sempre deram certo... até Will arrumar um emprego numa lanchonete de fast-food. Lá, ela conhece Bo, o Garoto da Escola Particular... e ele é tudo de bom. Will não fica surpresa quando se sente atraída por Bo. Mas leva um tremendo susto quando descobre que a atração é recíproca. Ao contrário do que se imaginava – a relação com Bo aumentaria ainda mais a sua autoestima –, Will começa a duvidar de si mesma e temer a reação dos colegas da escola. É então que decide recuperar a autoconfiança fazendo a coisa mais surreal que consegue imaginar: inscreve-se no Concurso Miss Jovem Flor do Texas – junto com três amigas totalmente fora do padrão –, para mostrar ao mundo que merece pisar naquele palco tanto quanto qualquer magricela.


Livro: Dumplin'  || Autor: Julie Murphy || Série: Dumplin'
 Editora: Valentina || Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Lud

 Ano: 2017 || Gênero: YA, High school, Romance

 
Nesse livro nós temos Willowdean - ou Will - uma menina normal que está no ensino médio e trabalha em uma lanchonete - Happy's. Will não tem o corpo que a maioria das meninas da escolha possui, ela é gorda. Mas ela se sente muito bem consigo mesma, e melhor ainda com a amizade com Ellen, que é o esteriótipo da beleza para as pessoas. Claro que ser fanática por Dolly Parton não a coloca no clube dos mais legais da escola, mas quem se importa?

A mãe da Will é a ex-miss de um famoso concurso realizado na sua cidade, e que após ter ganhado, ela passa a organizar. E todo ano Will se vê sufocada por todos os preparativos, e mais ainda por sua mãe, que sempre tem alguma nova dieta ou reportagem para mostrar a Will, que ela deveria seguir para conseguir emagrecer. E esse relacionamento com a mãe, que não é dos melhores, se agrava com a morte da tia, que era com quem Will se sentia mais próxima, a quem ela se espelhava.

Para juntar um pouco mais de confusão na vida da Will, ela conhece Bo, o menino que trabalha com ela na lanchonete, que também é um daqueles meninos que Will pensou que nunca se interessaria, mas ela começa a reparar nele, e ele nela. Sem poder contar para a amiga, e perdida em um terreno que não conhece, Will começa a duvidar um pouco de si e se vê presa nos padrões que as pessoas estipulam.

E decidida a voltar a ser a menina confiante que sempre foi, ela se inscreve no concurso de Miss organizado pela mãe, para provar a todos que não existe um padrão para a beleza, e que ela não é menos por não se encaixar nessa categoria imposta. Claro que ela não está sozinha; inspiradas por Will, mais três menina que não se encaixam no padrão se inscrevem no concurso, e juntas elas vão se divertir e encontrar a si mesmas ao som de Dolly Parton. 



Ok, vamos lá! Geralmente quando eu pego um livro para ler, nem sinopse eu vejo. Mas quando vou sentar e fazer uma resenha, eu gosto de ler outras resenhas para ver o que as pessoas acharam - porque quando se lê um livro, nem sempre conseguimos assimilar tudo o que ele passa de primeira mão, por isso é legal conversar com quem leu, essa pessoa pode ter um ponto de vista diferente e isso acaba abrindo a sua mente para todas as possibilidades de um livro - e para marcar alguns pontos para serem discutidos aqui também. 

E um desses pontos, que eu vi no skoob e no goods, foi que não gostaram do livro porque em algum momento, a protagonista se perde no seu papel de segura de si. Então, eu sentei e fiquei repassando a história e as críticas na cabeça. E devo defender essa história. 

Esse livro é protagonizado por uma adolescente que não possui uma outra pessoa em quem ela consiga se ver e conversar, um modelo. E mesmo sendo segura de si no começo do livro, quando aparece situações novas, nunca vividas, qualquer pessoa tende a sentir um pouco de medo e duvidar de si. E é isso o que aconteceu nesse livro, principalmente quando ela encontra o mocinho. Claro que ela duvida, a personalidade entra em conflito, é um novo terreno a ser explorado, ela tem o direito de não ser 100% confiante, segura de si. (Pelo amor, conheço mulheres de 30 anos que duvidam de si quando encontram alguém que gostam, a incerteza aparece em todas as idades.) Mas ela passa por essas situações, ela aprende, ela vivencia e, no final, ela pode ser uma mocinha gordinha que se aceita, sim, mas que não deixa de ter medo e duvidar de si mesma, porque isso é ser humano.

E isso torna o livro mais especial para mim, mais verdadeiro no que ele quer passar para as pessoas. Você ler personagens seguros de si e que não duvidam em nenhum momento da sua vida, mesmo com situações novas, isso é uma mentira, não retrata a vida real. Ainda mais quando se trata de adolescentes, que estão conhecendo o mundo ainda. 

— E quem era aquele palito escroto? — Assim que as palavras saem da boca, sinto um arrependimento mortal. A vida inteira tive um corpo digno de comentários, e se há uma coisa que viver na minha pele me ensinou foi que, se o corpo não é seu, você não tem direito de dizer nada. Seja a pessoa gorda, magra, alta ou baixa, não interessa.

Quando eu estava na Bienal, no estande da Valentina, uma moça estava com Dumplin por indicação do Rafa (dono da Valentina) e me perguntou: Mas ele me falou que era uma história sobre bulliyng e personagem gordinha, mas o que mais tem no livro?

Pensei na resposta por um segundo e falei: Esse livro tem um pouco de tudo. Ele fala sobre bulling, sim, mas fala muito mais do que isso. É sobre relacionamento entre mãe e filha. De como, às vezes, você quer dizer algo, está em pé na frente da pessoa e as palavras não saem, ficam sem serem ditas.

"-Talvez você não tenha notado, mãe, mas a questão vai muito além daquele apelido idiota. Você nunca vai assumir isso e dizer com todas as letras, mas sei que não suporta que a sua filha tenha essa aparência."

É sobre amizade e como você pode se deixar influenciar por pessoas ao redor. Sobre ciúme e a crueldade que as pessoas podem fazer apenas com palavras, e claro, primeiro amor. Mas, acima de tudo, é sobre autoconfiança, sobre ser quem você quer ser, independente das pessoas te dizendo o contrário. 

É tocante, divertido e te leva a pensar em diversas questões, e o mais importante é que, quando você acaba de ler, vai parar um minuto e se sentir bem com você mesma.



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Ano que vem temos o livro dois da série, que é com uma das personagens que aparece nesse livro, confira:


Essa é uma história se passa alguns meses após o concurso de Miss do primeiro livro.


Millie Michalchuk vai para o acampamento de gordos todos os anos desde que ela era uma menina. Não esse ano. Este ano ela tem novos planos para perseguir seu sonho secreto e beijar seu crush. Callie Reyes é uma garota bonita que é a próxima na linha de capitãs da equipe de dança e tem o namorado popular. Mas quando se trata de outras garotas, ela é mais inimiga do que amiga. Quando as circunstâncias aproximam as garotas ao longo de um semestre, elas vão surpreender a todos (especialmente a si mesmas) percebendo que podem ter mais em comum do que jamais imaginaram.

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10 comentários :

  1. Esse livro tá com uma capa linda e mesmo as resenhas não tão positivas me deixam vontade lê-lo e assim essa sua positiva já me animou mais um pouco :) Concordo contigo que ninguém é seguro de si 100% todo o tempo, todos temos direito a ter nossa inseguranças tendo 60, 30 ou 15 e achei legal essa colocação sua na resenha. A protagonista parece representar bem a história e os personagens secundários também parecem ser cativantes. Curti a resenha e espero ter a oportunidade de ler o livro mais a frente ;)

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    1. Oie Lili, espero que você leia e goste muito do livro !! <3

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  2. Quero ler esse livro, parece nos passar muitas reflexões e ensinamentos, principalmente no nosso julgamento em relação as aparências, gostei de saber que a personagem esta feliz consigo mesma, em relação a ter dúvidas sobre si quem não tem rs. Gostei muito da atitude dela de entrar par o concurso e com isso incentivar outras garotas é um grande exemplo de coragem e determinação.

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    1. Oiee Maria, leia sim.. espero que goste assim como eu! <3

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  3. Olá!
    Esse livro já está na minha listinha de desejados não vejo a hora de conhecer o enredo, será meu primeiro contato com a autora...
    Bjs!!

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    1. Oie Aline, quando ler venha me contar o que achou..

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  4. Olá, a obra aborda temas com os quais sempre é possível se identificar, pois quem nunca precisava desabafar com alguém e não teve essa oportunidade ou quantas pessoas ficam inseguras consigo mesmas devido ao padrão que é estabelecido? Simplesmente parece ser um livro encantador. Beijos.

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    1. Oie Alison, é um livro maravilhoso, porque mescla drama e assuntos delicados com um quê de leveza!

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  5. Oi Lud.
    Esse livro parece ser incrível. Só vi resenhas positivas sobre ele.
    Acho que ninguém é 100% confiante, o tempo todo. Sempre tem algo em nós que nos incomoda ou que gostaríamos de mudar. Mas, o importante é amar a si próprio e estar feliz com como você é. Não precisa se encaixar nos "padrões" ditados pela sociedade. Se todos fossemos iguais seria tão chato!
    Pretendo ler esse livro em breve.
    Bjs

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    1. com certeza Pamela, qual a graça se fossemos todos iguais né???
      Quando ler o livro me conta o que achou!

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