27 novembro 2017

[Resenha] As Tumbas de Atuan - Ursula K. Le Guin


Quando Tenar é escolhida como suma sacerdotisa, tudo lhe é tirado: casa, família e até o nome. Com apenas 6 anos, ela passa a se chamar Arha e se torna guardiã das tenebrosas Tumbas de Atuan, um lugar sagrado para a obscura seita dos Inominados.
Já adolescente, quando está aprendendo os caminhos do labirinto subterrâneo que é seu domínio, ela se depara com Ged, um mago que veio roubar um dos maiores tesouros das Tumbas: o Anel de Erreth-Akbe.
Um homem que traz a luz para aquele local de eternas trevas, ele é um herege que não tem direito a misericórdia.
Porém, sua magia e sua simplicidade começam a abrir os olhos de Arha para uma realidade que ela nunca fora levada a perceber e agora lhe resta decidir que fim terá seu prisioneiro.
Finalista da Newbery Medal, que premia os melhores livros jovens de cada ano, As Tumbas de Atuan dá continuidade ao elogiado Ciclo Terramar com uma singela história que rompeu com os paradigmas de heroína quando foi lançada.


Livro: As Tumbas de Atuan|| Série: Ciclo Terramar #2
 Autor: Ursula K. Le Guin ||Editora: Arqueiro
Classificação: 3 estrelas || Resenhista: Luiza
 Ano: 2017 || Gênero: Fantasia épica, Infanto juvenil.
Resenha do livro 01



As Tumbas de Atuan eram um lugar sagrado. Lá estava presente o poder dos Inominados, os mais antigos deuses. Eles guardam sob a terra das Tumbas um tesouro magnífico, que homem nenhum jamais colocaria as mãos. Todo o lugar é altamente fortificado e protegido pela Seita dos Inominados, que servem a esses deuses antigos e poderosos. A líder da seita é a Sacerdotisa, Artha, e é sobre ela que essa história é contada.

Tenar era uma menina que nasceu na mesma noite em que a última sacerdotisa Artha morreu, e assim ela foi escolhida sua sucessora. Aos seis anos de idade, foi levada ao templo para ser instruída e tomar o seu lugar como Sacerdotisa da seita dos Inominados. Não seria mais Tenar, seria Artha. Um dos preceitos da Seita era de que o espírito de Artha era imortal, e caso o seu corpo "morresse", sua alma seria transportada para a menina que nascesse na mesma noite de sua morte. E assim aconteceu com Tenar. Conhecemos sua infância, como ela aprendeu tudo que lhe seria importante na seita, como aprendeu seu papel, como aceitou seu destino, mas nunca sem questionar o motivo das coisas.

Era uma jovem sagaz e com uma vontade imensa de aprender, o que a fez entender cada vez mais seu papel ali. Passou a conhecer os segredos, as passagens secretas e visitou pela primeira vez o labirinto sob as Tumbas. Sabia que ali era o lugar mais importante, que podia ser pisado apenas por ela, e então passou a decorar cada passo do caminho. Lá embaixo não tinha luz e era proibido acender qualquer tipo de iluminação, sob risco de sofrer a ira dos Inominados. Ela só podia confiar na sua memória.

E foi numa de suas expedições que ela se deparou com um homem lá embaixo, no lugar mais sagrado! Era um desconhecido, jamais o tinha visto por ali, e ele, ainda por cima, estava com uma luz mágica acesa - era um mago! Artha já tinha ouvido falar de magos, mas nunca tinha visto um. Ela sabia que aquele ali era poderoso, pois devia estar sofrendo bastante com todos os bloqueios presentes no labirinto e ainda assim estava acessando sua magia. E cometeu um sacrilégio ainda por cima! Pois não se pode acender nenhuma luz lá embaixo. Mas, porque os Inominados não fizeram nada contra ele? Essa pergunta inicia uma série de questionamentos na mente de Artha e ela não sabe o que fazer com esse intruso.

Ged estava procurando o poderoso anel de Erreth-Akbe e sabia que tinha encontrado o lugar certo. Porém não imaginou que seria tão difícil. Esse lugar parecia não ter saída, não havia luz e, desde que entrou lá começou a sofrer vários ataques mágicos que o estavam esgotando, ele precisava sair dali logo, mas estava preso. A menina que se chamava de Sacerdotisa o prendeu ali, e só ela poderia ajudá-lo.

O que aconteceu com Ged? Como ele vai sair de lá?

O certo é que nada é mais o mesmo para Artha. Ela questiona tudo, seu verdadeiro papel ali, a existência desses deuses, toda lealdade das pessoas da Seita e, o principal, o que ela queria para a vida dela. Teria coragem de deixar o mago morrer? Teria coragem de deixá-lo roubar o anel? O que ela faria depois de tudo?

Para descobrir, leiam!!!!


Quando vi o lançamento desse livro, estava esperando uma continuação na história do Ged, mas acabei me surpreendendo. Na verdade, é como se fosse um conto no meio da série, em que o Ged aparece, mas não é o protagonista. A história é narrada toda sob o ponto de vista de Tenar. Vemos sua trajetória, desde o início de sua infância até o dia que conhece Ged.

Tenar é aquele tipo de personagem que encanta. É uma criança que teve que abandonar sua casa, seus pais, sua vida, para ir para um lugar estranho, onde estudaria, aprenderia e viveria para uma Seita, onde a chamariam de outro nome e ela seria outra pessoa.

Podemos ver a construção de sua personalidade, suas ideias até sonhadoras (para a situação que se encontrava), seus questionamentos... Não tem como não se envolver. Mesmo sendo um livro bem curto, me conectei com Tenar desde o início.

Quando Ged aparece na história, dá pra sentir a mudança que ele provoca. Ele a faz questionar muitas coisas e olhar dentro de si para encontrar as respostas. Não tem como não ficar curiosa com esse mago, já que ela nunca viu um. Mesmo que seja um forasteiro invadindo o seu templo e indo contra as regras impostas pelos deuses. Regras essas que ela começa a questionar e põe em dúvida tudo que aprendeu. 

A história é mais simples de ser lida que o livro 1, por se passar apenas ali, nas Tumbas de Atuan. Então não tinha muitos nomes de lugares e pessoas para complicar, e eu senti um pouco falta da magia. Apesar de não é ser tão simples assim, a escrita da Ursula é rebuscada em muitos momentos e sem muitos diálogos, o que acaba arrastando a leitura.

Como falei na resenha do livro 1, Ursula Le Guin é uma das autoras precursoras do gênero, lançando essa série na década de 60. Não era comum um livro de fantasia escrito por uma mulher, e As Tumbas de Atuan se destacava ainda mais, por ter uma protagonista feminina.

Podemos ver bastante a ideia de poder feminino, de liberdade e isso foi o que mais me encantou no livro. Pensar na época em que foi lançado, no contexto mundial, em como não havia esse tipo de história e também em como essa autora foi premiada!

Não é o melhor livro de fantasia que já li, é bem curto, tem partes bem lentas, mas ainda assim achei melhor que o primeiro, mais divertido, mais leve. Talvez até me anime de ler o próximo da série, rs.

O que acho lindo são as capas. Tanto do livro 1 quanto do 2, são de encantar! Também adoro quando tem mapa ❤️

As Tumbas de Atuan é um bom livro de fantasia, leve, divertido e que conta a história de uma menina que tem a sua vida virada de cabeça para baixo, mas não desiste de sua liberdade. Indico para todos, vale muito a pena conhecer a história de Tenar!

"A liberdade é um fardo pesado e uma carga enorme e estranha para o espírito levar. Não é fácil. Não é um presente dado, mas uma escolha que se faz, e a escolha pode ser difícil. A estrada sobe em direção à luz, mas o viajante sobrecarregado pode nunca chegar ao fim."

Ursula Kroeber Le Guin é uma escritora norte-americana, que nasceu em 1929. Escreveu romances, ensaios, contos, poesia e literatura infantil, destacando-se na Fantasia e na Ficção Científica. Os seus primeiros trabalhos foram publicados em 1960 e, desde aí, as suas obras exploram, nomeadamente, aspectos do taoísmo, anarquismo, etnografia, feminismo, psicologia e sociologia.
Suas obras mais conhecidas são o Ciclo de Terramar, composto por cinco volumes e o romance A Mão Esquerda da Escuridão, parte do Ciclo de Hainish, outra de suas séries de alta fantasia.


A série O Ciclo de Terramar começou a ser publicada na década de 1960 e, desde então, foi traduzida para vários idiomas e continua sendo publicada até hoje. É considerada uma grande referência para escritores contemporâneos de fantasia, por ser lançada em uma época em que a fantasia não tinha muita voz, ainda mais escrita por uma mulher.

É composta por cinco livros:

1- A Wizard of Earthsea (O Feiticeiro de Terramar), 1968
2- The Tombs of Atuan (As Tumbas de Atuan), 1971
3- The Farthest Shore, 1972 (Vencedor do National Book Award)
4- Tehanu: The Last Book of Earthsea, 1990 (vencedor do prémio Nebula, em 1990, e do prémio Locus, em 1991)
5- The Other Wind, 2001 (vencedor do World Fantasy Award, em 2002)

O terceiro livro deve ser publicado pela Editora Arqueiro aqui no Brasil em 2018.

Compartilhe!

10 comentários :

  1. Luiza que lindo, não conhecia essa obra, que bom saber que é uma série, adoro o gênero, vou anotar a dica, espero ler em breve...
    Bjs!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Aline! Leia sim que você vai gostar!

      Excluir
  2. Oi Luiza.
    Achei a premissa desse livro bem interessante. Tenar parece ser uma personagem que nos encanta desde o início e deve ser ótimo acompanhar o seu desenvolvimento, como ela abraça seu papel sem questionar, para depois questioná-lo quando se encontra com Ged.
    Não sei se irei ler essa série, pois estou evitando séries novas.
    Achei as capas lindíssimas.
    Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Pamela! Sim, Tenar é uma personagem muito interessante que me encantou demais. Eu indicaria para você ler quando já tiver mais volumes publicados, também acho ruim às vezes começar uma série nova =)

      Excluir
  3. Saber que a autora é uma das pioneiras no gênero escrito por mulheres e que a mesma insere de forma inovadora pra época também, imagino, uma mulher protagonista dá um certo charme a trama e apresenta uma nova perspetiva pro leitor, o que é bem legal. Não sei se leria essa série por agora, leio pouco esse gênero, mas achei a resenha bem interessante e pode ser no futuro eu considere lê-la ;)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. OI Lili! Ela é realmente uma autora que inspira, espero que no futuro você considere lê-la!

      Excluir
  4. Fiquei interessada em ler, a capa é bonita mesmo. Fiquei admirada com Tenar ser por ser uma criança e ter que passar por isso, largar tudo por causa da seita, mas ela parece ser forte e decidida, pena ter partes lentas isso desanima a leitura, mas acho que a leitura agrada assim mesmo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Maria! Amoo as capas dessa série! 😍 Tenar é realmente uma personagem muito legal xD

      Excluir
  5. Olá, adoro livros que contam com protagonistas destemidas e fortes, e aqui o leitor se depara exatamente com essa personalidade. Achei meio estranho o livro contar com uma história aleatória que não faz parte da série, mas acredito que nos próximos volumes tudo se encaixará. Beijos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Alison! Também achei estranho, mas acho que deve contribuir para o que vem no futuro do Ged

      Excluir





Copyright © 2017 Every Little Book. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS | OddThemes | ILUSTRAÇÃO: Yuumei