01 novembro 2017

[Crítica] O Estado Das Coisas


Brad (Ben Stiller) possui uma carreira lucrativa e uma vida familiar feliz, mas isso não é o bastante. Ele está obcecado em ser o mais bem-sucedido entre os seus ex-colegas de escola, mas, durante um reencontro com um velho amigo, ele é forçado a ignorar seu sentimento de inferioridade e rever seus conceitos.

Data de lançamento: 2 de novembro de 2017
Duração: 1h 41min
Direção: Mike White
Elenco: Ben Stiler, Austin Abrams, Michael Sheen
Gêneros: Comédia, drama
Nacionalidade: EUA
Avaliação: 4 estrelas
Resenhista: Amanda

Fomos convidadas para uma nova cabine no dia 23/10 para assistirmos O Estados Das Coisas.



Confira o trailer:

O filme conta com um elenco muito bom e traz um tema bem interessante. Sabe a famosa frase: "A grama do vizinho é sempre mais verde"? É exatamente isso. Lembrei da quote abaixo (retirada do livro Prometo Falhar do autor Pedro Chagas Freitas) durante o filme que, apesar de não ser vinculada ao mesmo se encaixa com perfeição na mensagem que o filme tenta passar.

"... quis ser feliz,
ainda quero, sabe? o pior de tudo é que nunca deixamos de querer ser felizes e nos falta cada vez mais..."

Em O Estado Das Coisas temos Brad Sloan (Ben Stiller) como um homem maduro próximo à casa dos cinquenta anos que passou a maior parte da vida de pós graduado se sentindo inferior aos seus antigos colegas de faculdade. Ele fundou uma empresa própria, uma organização sem fins lucrativos, foi morar em Sacramento com a esposa e teve um filho, enquanto seus colegas casaram com mulheres ricas ou fizeram fama na televisão, escreveram livros, compraram ilhas particulares... Ele se sente menosprezado e diminuído pelo sucesso de seus amigos.

Mas serão amigos mesmo? Brad foi praticamente excluído da roda, após optar por um estilo de vida mais simples, enquanto os outros que alcançaram um determinado padrão considerado socialmente como de sucesso, continuaram se encontrando e mantendo contato ao longo dos anos. A partir daí, já podemos ter uma noção de que os amigos de Brad não eram tão amigos assim.

O tempo passa enquanto Brad vê os ganhos e conquistas dos colegas com cada vez mais certa amargura, inveja e ressentimento. O que ele estava fazendo enquanto eles ganhavam seus milhões? Teria desperdiçado toda sua vida em prol de nada?

É chegada a hora de começar as entrevistas de admissão nas faculdades e ele fica a cargo de acompanhar seu filho, Troy (Austin Abrams) na viagem. À princípio, ele está receoso, tentando confortar o rapaz dizendo que tudo bem se ele não conseguir, e o garoto responde que seu orientador disse que ele tem potencial para ser aprovado em qualquer faculdade a que se candidatar.

Isso deixa Brad chocado e orgulhoso, fazendo-o pensar que era isso que ele esteve fazendo esses anos, criando esse garoto talentoso e genial. Alguém que diferente dele, pode ser muito bem sucedido, pode estudar em Harvard!

Só que esse jovem gênio acaba confundindo a data da entrevista  em Harvard (nem tão genial, hein?). Brad logo entra em um estado de desespero, maior do que o do filho por sinal e liga perguntando para a esposa sobre quem eles poderiam conhecer em Harvard que poderia proporcionar uma segunda chance à Troy. Esse alguém é nada menos que Craig Fisher (Michael Sheen). E é aí que mora a grande insegurança de Brad. Ao começar a sua organização ele pediu ajuda do "amigo" e foi totalmente ignorado. Desde então, eles não tiveram qualquer contato e isso cimentou mágoa em Brad. Na mente dele, eles ainda competiam, mas agora pelo bem de Troy, ele teria que procurar Craig por ajuda. Isso é um golpe em seu orgulho, mas ele o faz e dessa vez, Craig surpreendentemente ajuda, conseguindo a sonhada entrevista não apenas com o professor do curso que Troy tanto admira, quanto com o responsável pelas admissões na faculdade.

Daí então temos vários períodos de "piração" de Brad, onde ele imagina Troy famoso e arrogante, ignorando-o e considerando-o um fracassado do qual sente vergonha. Em outro cenário ele já imagina o filho rico e agradecido, anunciando que obteve tudo graças aos pais e anunciando... a compra de sua própria ilha. Devido à esses momentos de insegurança e insatisfação com sua própria vida, duvidando de suas escolhas, de seu casamento e sua escolha de carreira, ele se aproxima da jovem e idealista Ananya (Shazi Rhaja) que o fará reanalisar a visão que tem tido da própria vida.

Brad então se dá conta de que passou uma boa  parte de sua vida competindo com alguém que nunca dedicava mais do que um pensamento para ele. Que praticamente nunca o considerou um oponente, simplesmente pelo fato de que não havia com o que competir, os dois seguiram caminhos completamente diferentes, o que leva a pergunta: Brad estava competindo com Craig ou apenas competindo com ele mesmo? Ele deposita todas as suas insatisfações no outro e em nenhum momento tenta pensar no que está de fato o deixando insatisfeito, para tentar mudar ele mesmo esse quadro.

O filme tem um peso muito real dos dias atuais, sobre como as pessoas estão cada vez mais insatisfeitas com o que tem, precisando de cada vez mais e se sentindo como se elas fossem cada vez menos. Menos importantes, menos felizes, menos, menos e menos...! O que é o sucesso? Como se define alguém que é bem sucedido? A quantidade de carros? A quantidade de milhões no banco? Ilhas privadas? Ter um bom casamento, uma boa família, uma vida estável... isso não faz parte do sucesso?
O que é sucesso para vocês?


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