30 outubro 2017

[Resenha] Zona Morta, Stephen King

Depois de quatro anos e meio, John Smith acorda de um coma causado por um acidente de carro. Junto com a consciência, o que John traz do limbo onde esteve são poderes inexplicáveis. O passado, o presente, o futuro – nada está fora de alcance. O resto do mundo parece considerar seus poderes um dom, mas John está cada vez mais convencido de que é uma maldição. Basta um toque, e ele vê mais sobre as pessoas do que jamais desejou. Ele não pediu por isso e, no entanto, não pode se livrar das visões. Então o que fazer quando, ao apertar a mão de um político em início de carreira, John prevê o que parece ser o fim do mundo?







Livro: Zona Morta || Autor: Stephen King || Editora: Suma de Letras
Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Karina
 Ano: 2017 || Gênero: Ficção, Terror, Suspense

John Smith tinha uma vida tranquila, era professor do ensino médio, namorava uma garota que o fazia muito feliz, até que depois de um passeio (que por sinal ele teve muita, MUITA sorte numa barraquinha de jogos no parque de diversões) vai deixar a namorada (Sarah Bracknell) em casa e na volta, o táxi em que ele estava sofre um acidente, no qual o taxista morre na hora e John fica em coma por 4 anos!

John era um cara querido por todos, ele amava tanto a namorada quanto os pais (inclusive a louca e fervorosa mãe), mas após o acidente, todos seguiram suas vidas já que a recuperação era quase impossível; após 4 anos, John acorda e precisa lidar com o que sua vida se tornou.

Tocar nas roupas das pessoas e de repente conhecer seus pequenos temores, pequenos segredos, seus insignificantes triunfos – isso era anormal. Era um dom anormal, era uma maldição. 

Lidar com o que se tornou a vida inclui viver com um dom/maldição pois agora John consegue saber os pensamentos e planos que as pessoas tem ou pretendem ter apenas tocando nelas ou em algum objeto que foi delas; King tem a habilidade de colocar pessoas bem simples quase sem nada de interessante como o foco principal das suas narrativas, facilmente qualquer um de nós poderíamos ser o John e isso me prendeu na leitura mais do que eu achei que fosse acontecer.

Lá na sinopse já nos entregam o fato de que John vai conhecer um político extremista que tem planos nada muito bons, uma vez que o foco do cara é ser presidente dos USA; todas as “premonições’ de John apresentam cada vez mais um cenário desastroso, o cenário  e contexto político e sócio econômico dos anos 70 é muito bem desenhadinho (arrisco até dizer que talvez os temores de John estejam se tornam real hoje em dia - o livro foi originalmente publicado em 1979 e o plot é quase profético se pensarmos na política atual), King transparece bastante suas posições pessoais (anti-guerra) através dos personagens , ao mencionar a guerra do Vietnã e a posição de sempre atacar que o exército dos USA apresentava já naquela época.

"Afinal, que diabo há de errado com esses garotos? Bem, eles tinham comido um cachorro-quente estragado chamado Vietnã e tiveram uma intoxicação. Foi um cara chamado Lyndon Johnson que vendera o cachorro-quente. Então, procuraram o outro cara e disseram: 'Por Deus, cara, estamos muito mal'. E este cara, cujo nome era Nixon, disse: 'Sei como dar um jeito nisso. É só comer mais alguns'. Era isso que havia de errado com a juventude americana"

Todo esse lance com o político é só o pano de fundo, porque ainda temos que entender como e porque as pessoas agem de maneira diferente a John e como ele tem que digerir as novas interações sociais dele, enquanto a mãe acredita que ele é um projeto de Deus e tem um próposito quase santo, outras pessoas o querem cada vez mais distantes, deixando claro que aberrações merecem no mínimo, o isolamento; reforçando que o pior pesadelo que alguém pode enfrentar não são coisas sobrenaturais e monstros, mas sim a maldade e o egoísmo humano.

Se você já leu “Carrie” vai pegar facilmente uma referência a essa outra obra do King com relação as críticas de fanatismo religioso e se você for fã do Ramones (a banda) vai adorar a menção; King é declaradamente fã (achei um ponto em comum com king \o/). 

Esse livro do king embora não seja meu preferido da vida foi uma leitura maravilhosa pelo simples fato de que começou diferente do que a maioria começa. Para mim, o começo desse livro é muito mais rápido do que normalmente os livros do king são, você tem primeiro um enorme background da vida do John e conforme acontece o acidente, as coisas desaceleram um pouco mas isso não significa que é arrastado.

Todos nós fazemos o que podemos, e isso tem de ser bom o bastante… e se não é bom o bastante, temos de continuar fazendo. Nada jamais é perdido… Não há nada que não possa ser encontrado. 

Esse é um clássico exemplo que embora King seja o mestre do horror, quando ele se propõe a escrever um suspense com drama, ele o faz tão magistralmente quanto quando escreve horror. O fato é que John além de ter que lidar com a nova habilidade de premonições, ainda tem que entender e conviver com o fato de que o amor da sua vida agora está casada com outra pessoa [rolou até umas lagriminhas minhas na parte em que John e Sarah se reencontram], os quatros anos em coma  faz com que John acorde sem emprego, sem carreira e as contas do hospital estão aí para serem pagas.

O livro já foi adaptado para o cinema e para a série de TV, inclusive foi exibida no brasil pelo SBT como O Vidente, alguém aí já assistiu? [Eu amava a série e nem tinha ideia de que ela era baseada na obra do king], a série teve 6 temporadas, o que daria muito mais do que as 480 páginas do livro,.

Assim que terminei o livro, me deu vontade de voltar a ver a série para ver o que acontece de diferente. Se eu tivesse que indicar algo para ler no Halloween para quem não tem tanta coragem de encarar os títulos mais assustadores com certeza seria o Zona Morta!

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8 comentários :

  1. Quero muito ler este livro, primeiro porque nunca li nada do autor, mesmo tendo interesse, por não curti muito o gênero terror, mas se tratando de suspense com drama acredito que vale a pena. Imagino acorda cinco anos depois e começar a ter visões, ter de lidar com estas duas situações acredito que não será na fácil.

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  2. Lana eu fiquei exatamente encantada com essa parte , o que eu faria da minha vida se estivesse no lugar do Jhon , King é realmente um mestre !

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  3. Não sabia da série e já vou procurar para assistir. Tenho muita curiosidade em ler esse livro, pois já fiquei imaginando esse dom do personagem na vida real e analisando o lado bom e ruim da coisas rs. Não deve ser nada fácil para o personagem saber coisas desse dom afinal nem sempre se sabe coisas agradáveis, fiquei me perguntando se ele sabendo o que vai acontecer se tem como interferir e modificar as coisas ou não. Deve ser uma leitura intrigante e que deixa o leitor ansioso pelos acontecimentos.

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    1. Oi Maria, logico que a serie não é muito fiel ao livro , mas eu amava ( e nem sabia que era baseado no livro) agora quero terminar de assistir! Sobre modificar o futuro sabendo do que vai acontecer é um dos questionamentos que o King levanta, e sim vc fica desepserada passando as pgs rs p saber o que vai acontecer !Bjos.

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  4. Eu sou muito fã do King, porém este é um livro dele que ainda não li.
    Bom saber que ele saber ser genial tanto no horror, quanto em suspense dramático.
    A premissa desse livro me ganhou e quero ler em breve.
    Não sabia que havia uma série de TV, irei procurar para assistir

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    1. Se vc já gosta de King , se joga Nicole porue esse tem tudo pra vc curtir a historia ! Bjos.

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  5. Sempre leio muitos comentários positivos referentes aos livros de Stephen King, gosto de livros de histórias com suspense e com drama, não sabia que este livro tinha adaptação, gostei de sua resenha e pretendo ler A Zona Morta.

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    1. Oi Ma, leia sim e depois voltei aqui pra nos contar o que achou ! Bjos.

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