[Resenha] O Beijo Traiçoeiro - Erin Beaty

O Beijo Traiçoeiro
Traitors #1
Erin Beaty


Com sua língua afiada e seu temperamento rebelde, Sage Fowler está longe de ser considerada uma dama — e não dá a mínima para isso. Depois de ser julgada inapta para o casamento, Sage acaba se tornando aprendiz de casamenteira e logo recebe uma tarefa importante: acompanhar a comitiva de jovens damas da nobreza a caminho do Concordium, um evento na capital do reino, onde uniões entre grandes famílias são firmadas. Para formar bons pares, Sage anota em um livro tudo o que consegue descobrir sobre as garotas e seus pretendentes — inclusive os oficiais de alta patente encarregados de proteger o grupo durante essa longa jornada. Conforme a escolta militar percebe uma conspiração se formando, Sage é recrutada por um belo soldado para conseguir informações. Quanto mais descobre em sua espionagem, mais ela se envolve numa teia de disfarces, intrigas e identidades secretas. E, com o destino do reino em jogo, a última coisa que esperava era viver um romance de tirar o fôlego.

Sage Fowler não é nada como as moças de sua idade. Ela não deseja se casar, não tem bons modos de acordo com o padrão da sociedade, fala mais do que deveria, é insolente e muito inteligente. Teve uma infância cheia de aventuras com seu pai, correu, brincou, fez tudo que não seria adequado a uma dama. Até que seu pai foi assolado pela febre e a deixou órfã, e ela nem chegou a conhecer a mãe, que morreu também.

Então, foi morar com seu tio, um nobre da cidade de Broadmoor e, ao chegar na idade em que deveria se casar, ela foi avaliada pela casamenteira da cidade e falhou completamente em se apresentar como uma perfeita moça nobre respeitável de família.

O mundo de Sage, é governado por um rei e é dividido em cidades, cada uma com suas famílias nobres, detentoras de bens, propriedades e comércio, e os plebeus, que servem aos nobres. Os casamentos são muito importantes para a sociedade, pois é quando famílias formam alianças por interesses em comum, e também quando a roda política é movimentada, servindo aos interesses das classes mais altas.

Sage não é nobre, sua mãe fugiu de casa para casar com seu pai, por amor e sem nenhum trabalho de  uma casamenteira. Seu pai era um passarinheiro, e assim ela viveu muito nas matas e em contato com a natureza, ganhando muitas cicatrizes que sua tia fala "não ser coisa de uma moça". Gosta muito de ler, estudar, pesquisar e, por isso, começou a dar aulas para os seus primos.

Agora, com dezesseis anos, seu tio precisa tomar uma decisão sobre seu futuro. O esforço de tentar arrumar um pretendente vai por água abaixo após o encontro com a alta casamenteira, quando ela não conseguiu controlar a língua afiada e falou o que pensava sobre as tais "qualidades" desejáveis em uma dama para o casamento. Então, com a opção de se casar fora de perspectiva no momento, ela decide arrumar um emprego para se sustentar.

Mesmo o encontro com a alta casamenteira de Crescera, Srta. Rodelle, sendo um fiasco, a própria viu em Sage as características que buscava em uma jovem para tornar sua aprendiz. Sua alta capacidade de percepção, aliada à inteligência e sua habilidade de manipulação seria muito útil para coletar informações sobre os nobres da sociedade. Informações essas que são imprescindíveis para o trabalho de uma casamenteira, que busca unir pessoas compatíveis, com interesses em comum e cuja união renderia bons frutos. Já era bem sabido que eram os casamentos que faziam girar a política e a economia em Crescera.

Assim, Sage acompanharia Rodelle na viagem para o Concordium, o evento anual em que as jovens representante das principais cidades viajavam para a capital para participar de bailes e festas com o objetivo de conseguir os melhores noivados do reino. E era de suma importância que essas meninas, filhas de nobres extremamente importantes, conseguissem bons casamentos para manter a paz e o bom comércio em Crescera.

O papel de Sage era acompanhar essas jovens, como se fosse uma nobre também, angariar informações sobre todos que conhecesse e auxiliar Rodelle a formar bons casamentos baseados nas características de cada uma. Só que ela seria pega no meio de uma situação política complicada e sua língua afiada a colocaria em mais enrascadas do que poderia imaginar.

Quinn é um capitão do exército de Crescera, cuja unidade foi designada como responsável pela escolta da comitiva das damas para o Concordium. Ele é filho do general do exército de Crescera e recebeu de seu pai a delicada missão de espionar certas famílias para confirmar se estão conspirando com o exército inimigo contra o rei.

Décadas atrás, Crescera esteve em guerra contra Kimissara, uma terra ao sul, mas essa paz nunca se solidificou. Há sempre pequenos conflitos e o general suspeita que possa se tornar algo mais sério, pois famílias nobres de Crescera poderiam estar ajudando os Kimissaros.

A unidade de Quinn é relativamente pequena, porém composta de soldados muito eficientes. O filho do rei, o príncipe Robert também está na unidade e deseja provar o seu valor.  Ash Carter é o espião, capaz de se infiltrar em qualquer lugar para angariar informações. Ele é filho bastardo do rei, fato que não é muito conhecido e ele prefere manter assim para facilitar seu trabalho.

Ao conhecer Sage todos estranham seu comportamento, que é completamente diferente das outras damas. Ela não se mistura, não conversa sobre as mesmas coisas e parece até uma plebeia. Logo, decidem usá-la quando percebem que ela é boa observadora e, assim, Ash se aproxima dela e uma amizade se forma.

A conspiração vai muito mais a fundo do que todos imaginavam, medidas drásticas precisam ser tomadas e, nessa história, nada é o que parece. Prepare-se para se surpreender muito com O Beijo Traiçoeiro!
"Prefiro cometer um erro sozinha a entregar meu destino nas mãos de outra pessoa."



Uma mistura de Jane Austen com espionagem é o que promete a divulgação desse livro. E, na minha opinião, isso foi entregue com sucesso. Podemos ver claramente uma sociedade onde há uma clara separação entre nobres e plebeus, bem parecida com sociedades medievais, quando as moças tinham casamentos arranjados pela família com objetivos políticos e comerciais. E a espionagem bem sutil ao modo da época, em que as características proeminentes de cada nobre era coletado com objetivos variados.

Eu li esse livro sem ter visto nenhuma opinião antes e me surpreendi bastante. Tem muitos elementos presentes em outros livros, mas a maneira de Erin Beaty de contar a história tornou um livro diferenciado e que me atraiu muito.

Mas, não há como negar, que tem muitas coisas que poderiam ser melhoradas. Por ser o livro de estreia da autora, eu até entendo.

O início foi um pouco lento, demorei alguns capítulos para me conectar à história. O que me leva a outro ponto, o da narrativa: ora era mais rápida, ora muito lenta, o que confunde o leitor em certos momentos. A descrição do mundo e das pessoas poderia ser melhorada com uma revisão detalhada. Fiquei perdida no início com tanta informação, nomes e lugares sem saber direito o que era e até tudo de encaixar demorou um pouquinho. A descrição dos personagens também foi bastante vaga, alguns sendo descritos como "de pele escura" ou de "pele clara", apenas.

Sage foi uma personagem que me atraiu de cara, com sua língua afiada e mordaz e seu temperamento explosivo, mas também com sua extrema capacidade de manipular uma situação a seu favor. Ela me lembrou muitooo minha personagem feminina favorita da literatura, Alexia Tarabotti ❤️
"— Nem sempre gostamos do que é bom para nós — ela disse. — Especialmente no começo."
Os outros personagens não foram tão bem introduzidos quanto Sage e só depois da metade do livro que fui perceber que era proposital, pois a autora faz um joguinho para confundir o leitor. Tinha horas que eu nem sabia ao certo quem estava narrando, mas depois achei o máximo essa brincadeira, que tornou as coisas muitoooo interessantes no final do livro rs.

Quinn é aquele soldado honrado, com extremo senso de dever e proteção de seus amigos, mas também com a função de tomar decisões difíceis. Ash é o espião destemido, que confunde o tempo todo e tem um tom mais divertido e aventureiro. Não tem como não gostar xD

Depois que li e fui ver as opiniões no Goodreads, vi que rolou bastante polêmica em torno desse livro. Em parte concordo com algumas opiniões e, na maior parte, acho exagero e extrema polemização sem necessidade. Concordo com a parte em que criticam bastante a autora por descrever os inimigos de Crescera (Kimissaros) como tendo "pele escura", mas não pelo fato de se caracterizar racismo puro e simplesmente. Na minha opinião, a autora deveria ter descrito melhor esse povo, dado mais informações, mais características para evitar esses comentários que apontaram racismo. Veja bem, eles são tratados como o povo inimigo de Crescera, que esteve em guerra com eles décadas antes. Não como um povo inferior, nem nada do tipo, apenas o povo inimigo mesmo, com outras habilidades, outros costumes. Assim como em dezenas de livros de fantasias que já li que tiveram povos de pele escura.

O outro motivo de discussão foi a "falta de união feminina" pelo fato da Sage não se misturar com as outras moças por considerá-las inferiores, pois só falavam e pensavam em coisas fúteis. Então, essa história é ficção, narrada em um mundo fantástico, que é baseado na sociedade medieval. Naquela época, isso existia mesmo, a maioria das mulheres nobres só pensavam em coisas fúteis, casamentos, roupas e etc, e aquelas que se destacavam por sua inteligência ou falta de interesse nesses assuntos consideravam essas outras mulheres inferiores. Já li MUITOS livros com personagens assim, inclusive um dos meus favoritos que é da série O Protetorado da Sombrinha (falei da Alexia ali em cima, rs) e também muitos outros livros de época.

Eu sou super a favor do movimento feminista, acho que é preciso lutar por igualdade, sororidade (união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum.), empatia entre as mulheres, mas, nesse caso, não concordo, pois faz parte do contexto da história. Se fosse uma história no mundo atual, aí era outra coisa.

Enfim, gostei muito do livro, indico muito! É divertido, empolgante, extremamente surpreendente e vai te deixar doido pela continuação. A impressão que temos ao final é que a história de Sage está apenas começando e ela ainda vai se meter em muita confusão por aí. Esperarei ansiosa pelo livro 2!
"Representamos vários papéis ao longo da vida… isso não faz com que todos sejam mentira."
 

6 comentários:

  1. Como este e um livro entre os recentes lançamentos da editora, esta foi a primeira resenha que leio da obra, e admito que fiquei bem confusa, ora tinha pontos positivos, ora não. O conteúdo e bacana, pelo fato de que apesar de se passar em uma outra época, em que as mulheres viviam casamento arranjado, vejo que a personagem tem um pensamento a frente de seu tempo, deixando a leitura interessante. No entanto vejo que no começo você demorou a se envolver com a leitura, a narrativa as vezes era lenta, outras vezes rápida, de um forma geral esperava uma obra mais bem desenvolvida. Ainda não tive a conclusão se vou ou não ler este livro.

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  2. Oi Luiza, achei bem legal você não ter lido nenhuma opinião antes de começar essa história, eu já li algumas resenhas e nem todas foram positivas, o que fez minha animação cair um pouco pra história, ainda quero ler, mas já não tenho tanta pressa rsrs. A sua resenha tá ótima, gostei que você destacou que esse é o primeiro livro da autora e que por consequência acho que devemos relevar algumas coisas e que o começo é um pouco lento, já vou me preparar.
    No geral, sua resenha é bem positiva e a única coisa que fiquei pensando é que você citou 3 pessoas e espero que não caiamos em um triângulo amoroso ao longo da história e espero que a continuação venha a ser lançada logo logo ;)

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  3. Inicialmente eu me interessei em ler este livro pela capa, pois achei ela muito bonita, mas após ler a sinopse fiquei muito curiosa para conferir a história de Sage, que bom que você gostou do livro, e eu não sabia sobre estas polêmicas que algumas partes da história geraram, pois ainda não havia lido resenhas e comentários sobre este livro, pretendo ler este livro futuramente.

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  4. Quero ler esse livro, mesmo sendo lento o começo e até confuso embora não gosto disso. Mas gostei da personagem por não ser igual as outras e gosto de investigações ainda mais que parece enganar o leitor já que nada é o que parece, gosto disso. Quero saber como a personagem vai se sair estando em dois lados da casamenteira e de espiã do reino, não sabia que tinha continuação.

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  5. Não conhecia o livro , mas a capa está linda !
    Eu sou apaixonada por romances de época ainda mais quando tem um tom aventureiro que consegue prender o leitor.
    Não sabia toda essas polêmicas criadas em torno do livro, e fiquei bastante curiosa para saber mais sobre.
    Adorei a resenha.

    beijos
    She is a Bookaholic

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  6. Olá! Tudo bem?
    Sem duvidas a capa me chamou muita a minha atenção, é simplesmente linda! Li a resenha, fiquei bem empolgada pra ler e saber mais sobre esta historia. Adoro personagens fortes e ainda mais quando é uma mulher.
    Adorei a resenha, beijos

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