[Resenha] Como Falar com Garotas em Festas - Neil Gaiman

Como Falar com Garotas em Festas
Neil Gaiman; Fábio Moon; Gabriel Bá

Enn é um garoto de quinze anos que nunca se deu bem com as garotas, enquanto seu amigo Vic tem todas a seus pés. Na Londres dos anos 1970, auge do punk rock, os dois estão prestes a viver a aventura mais espetacular das suas vidas. Ao serem convidados para uma festa, conhecem as belas Stella, Triolet e Wain e descobrem mais segredos do que jamais poderiam supor. Do premiado Neil Gaiman, autor de Deuses americanos e Sandman, e adaptado e ilustrado de maneira extraordinária pelos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, Como Falar com Garotas em Festas é uma graphic novel eletrizante, uma jornada sobre as descobertas do amor, das diferenças e dos mistérios que cercam o amadurecimento.

Vamos lá para mais uma resenha de HQ. Devo primeiro salientar que nunca li nada do Gaiman (shame on me), mas quando vi essa capa, foi inevitável solicitá-lo para a editora. Eu a a Karina fizemos um  Buddy read, ou uma leitura conjunta, então no final tem a opinião dela também.

Fabio Moon e Gabriel Bá, são irmão gêmeos e brasileiros, que fazem quadrinhos vibrantes e cheios de cores e Como Falar com Garotas em Festa é uma adaptação deles de um dos contos contido no livro Fragile Things do Gaiman.

Citei o Gaiman, porque conheço o gênero que ele escreve e então já esperava um certo toque de estranhismo no livro - se é que posso chamar assim. Vamos começar pela história:

Esse conto é ambientado nos anos de 1970 e conta a história de dois adolescentes. Enn de 16 anos tem um sério problema: ele não sabe falar com garotas e, seu amigo, Vic, já não sofre com essa aflição, ao contrario, ele sabe exatamente como se comportar perto de garotas e, mais importante: como falar com elas.

Vic arrasta Enn para uma festa, que ele não sabe onde é exatamente, mas ele diz achar, quando escuta música em uma casa, e decide que é ali a festa. Logo de cara ele já se interessa pela garota(Stella) que abre a porta --  assim como Enn --  e já emplaca uma conversa, enquanto Enn se vê perdido no meio de tantas garotas e não sabe exatamente o que fazer. Depois de observar um pouco, Enn decide ir para uma área mais vazia, e lá ele conhece uma menina e tenta uma conversa. A conversa não sai como ele imagina, a menina fala , mas ele não entende sobre o que ela está falando, tipo uma conversa de malucos, então decide pegar algo para beber, e quando volta, ela não está mais lá.

Já na sala, ele tenta uma nova conversa com uma outra garota, e estava tudo dando certo, mas é interrompido por Enn, para avisar que estava subindo com a Stella, e quando volta, já tem várias pessoas em volta da menina, então ele parte para a cozinha e emplaca mais uma conversa estranha com outra garota - Triolet -  que conta a história de um poema, e ele fica fascinado... e quando ela estava para lhe contar o resto, ele é arrastado para fora da festa por Vic, que sai correndo de uma Stella muito furiosa.



Bem, esse é o resumo do HQ, então vamos ao que eu achei quando estava lendo.

No começo, parece como qualquer outra história normal, mas quando entra os diálogos com as garotas, você fica : Oi? -- É um tanto estranho, mas já imaginei que, se tratando de Gaiman, não poderia ser algo diferente, então isso não me incomodou, como pode acontecer com algumas pessoas que não conhecem o autor.

O que temos nesse livro é uma pura ambiguidade, existem várias formas de se ver essa história. Uma delas é que essa estranheza da história faz parte da escrita fantástica do Gaiman. E pronto, essa é a sua conclusão - que não vou negar, foi a primeira que eu tive. Ou você pode se aprofundar e começar a ver entre as camadas e relacionar - depois que acabei a leitura fiquei matutando isso.

O fato de as meninas serem de outro planeta - literalmente - se encaixa exatamente nisso, em como quando somos adolescentes, é difícil conversar com o sexo oposto, e até mesmo quando crescemos, temos esse conceito de que mulheres são de Marte e homens de Vênus. Que não falamos a mesma língua e que não nos entendemos. E isso está explicito nesse livro.

Outra parte que reforça esse conceito, é quando Enn diz : "Você pode dizer que é poesia, mesmo que não fale a língua. Você pode ouvir o grego de Homero sem entender uma palavra, e você ainda sabe que é poesia". Você pode não saber falar com garotas, mas o instinto te puxa, então você vai fazer isso mesmo que não saiba, e é algo inevitável.

Outra frase que se pode destacar é : "Onde o contágio termina e a arte começa?" . Essa frase dita por Triolet pode remeter à visão de Gaiman sobre o conceito de escrita e do horror. Onde está a tênue linha que separa isso?

E, no final, temos uma cena que te faz pensar, mas porque isso, não vai explicar porque Stella estava brava e Vic sai correndo ?? Mas, se você relacionar, isso também se aplica aos conceitos de piadinhas que nem sempre os homens sabem os motivos das mulheres estarem bravas, o melhor sempre é correr.. huhu

[Opinião da Karina]

O fato é que a beleza dos quadrinhos está em ser uma leitura super rápida, para a qual podemos ter várias reinterpretações. Aqui no ELB resolvemos fazer uma leitura conjunta para compararmos as experiências de leituras. Eu [Karina] já li algumas coisas do tio Neil e, sendo ansiosa como sempre, nas 3 primeiras paginas já estava: OXI, cadê a escrita do Gaiman? Se esperarmos 4 ou 5 paginas lá estará  ela, uma escrita [lindamente adaptada, afinal os gêmeos são super premiados com as adaptações] cheia de subjetividade e, embora o titulo sugira isso, essa HQ não é um manual sobre como falar com o sexo oposto, eu diria que é um manual sobre como observar o outro, como observar o ambiente ao redor e a si mesmo.

 Enn descreve as garotas como belas, e o traço dos gêmeos, embora seja MARAVILHOSO, nos descreve uma beleza bem peculiar, é um olho não muito proporcional, um rosto angular, tudo meio esguio demais, mas que no conjunto funciona perfeitamente.

Se você nunca leu Neil Gaiman, talvez esse não seja o melhor caminho para começar, mas se assim decidir, o traço aquarelável dos gemêos com certeza é uma baita de um ponto positivo. Depois que li o quadrinho procurei o conto original e quase não há diferença nos textos, o HQ só ganha com a interpretação gráfica do irmãos.


Finalizando, adorei meu primeiro contato com Gaiman, ele me levou a um outro tipo de leitura, uma que não te dá tudo na não, uma que te faz questionar, pensar e imaginar. Além das ilustrações serem a coisa mais linda do mundo !! Estou in Love <3

9 comentários:

  1. Fiquei um tanto quanto confusa a respeito da estória abordada neste livro, pois pelo título esperava um outro desenrolar da trama, com algo normal, em que um adolescente tímido iria aprender como aborda uma garota em um festa, e desenvolver uma conversa agradável. Porém vejo que as coisas saem fora do controle, e a gente se pergunta o motivo desta revira volta. Nunca li nada deste autor, e não pretendo começar por esta HQ.

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    1. Olá Lana, nada é normal quando se trata de Neil Gaiman.
      Ele realmente não é para todos, e só lendo para entender se você gosta ou não da escrita do autor ! =)

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  2. Não sou acostumada a ler Graphics novas, mas gostei muuuito da premissa apresar de ser meia confusa.
    Sem contar que adoro tudo que Neil Gaiman escereve.
    Adorei a forma como as cores forem bem trabalhadas.
    Porém não sei se leria.

    beijos
    She is a Bookaholic

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    1. Oie Nicole, as coisas estão lindas mesmos!! Eu me apaixonei pelos gêmeos.
      Bem, se você já leu Gaiman e gosta da escrita, acho que você se surpreenderia com esse !

      =)

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  3. Livros de HQ's não fazem muito meu estilo de leituras, pois não tenho costume de ler livros deste estilo, então não pretendo ler este livro, mas para quem curte, Como Falar com Garotas em Festas é uma boa dica de leitura.

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    1. Oi Mariele,

      eu também não tinha o costume, mas uma amiga me incentivou, e agora eu posso dizer que amo! Só achar um estilo que você goste!

      =)

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  4. Ainda não li nada do Gaiman e nem tenho o hábito de ler HQs mas recentemente ganhei uma e pretendo ler quem sabe gosto rs. Gostei dessa por ser colorida acho que com cores fica bem melhor e mais alegre do que as preto e branco acho meio sem graça. Confesso que fiquei me questionando porque a Stella estava brava e pelo visto não tem resposta o leitor tem que chegar as suas próprias conclusões. A leitura parece ser intrigante e diferente já que não teremos tudo na mão, deve-se ter que pensar e muito.

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    1. Maria, tu pegou a essência da historia. Para quem não está acostumado a escrita do autor, parece algo sem cabeça, mas tem um toque diferente e intrigante, como você mesma disse.
      E as coisas são lindas, eu acho que estou no time de HQs bem coloridas também. Não gosto das escuras!
      Espero que leia uma e tome o gosto pela leitura !!!

      =)

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  5. Oi!
    Adoro ler HQs, estou sempre à procura de uma. Ainda não li nada sobre este autor, mas fiquei super curiosa com esta HQ. Parecia ser uma historia de "autoajuda", de superação e etc. Engano meu. Fiquei curiosa com a historia e aparenta que no final você tem que tirar suas próprias conclusões, pois achei que a historia deixa algumas perguntas sem respostas.
    Bom, amei as ilustrações e as cores bem vivas e chamativas.
    Pretendo ler a HQ sim.
    Obrigada pela dica, beijos.

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Laura Lendo...

Lud Lendo...

Luiza Lendo...