13 outubro 2017

[Resenha] As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides


Num típico subúrbio dos Estados Unidos nos anos 1970, cinco irmãs adolescentes se matam em sequência e sem motivo plausível. A tragédia, ocorrido no seio de uma família que, em oposição aos efeitos já perceptíveis da revolução sexual, vive sob severas restrições morais e religiosas, é narrada pela voz coletiva e fascinada de um grupo de garotos da vizinhança. O coro lírico que então se forma ajuda a dar um tom sui generis a esta fábula da inocência perdida. Adaptado ao cinema por Sofia Coppola, publicado em 34 idiomas e agora em nova tradução, o livro de estreia de Jeffrey Eugenides logo se tornou um cult da literatura norte-americana contemporânea. Não por acaso: essa obra de beleza estranha e arrebatadora, definida pela crítica Michiko Kakutani como "pequena e poderosa ópera no formato inesperado de romance", revela-se ainda hoje em toda a sua atualidade.

Livro: As Virgens suicidas||  Autor: Jeffrey Eugenides
Editora: Companhia das Letras
Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Karina
 Ano: 2017 || Gênero: Romance
 


O mês de setembro acabou, mas o assunto suicídio continua entre nós, dessa vez escolhemos um livro que não fala de 1, mas fala de 5 garotas que cometeram suicídio (isso não é um spoiler, já que está no título do livro). Provavelmente, você já tenha ouvido falar do livro ou do filme “As Virgens suicidas”, eu soube da existência do filme antes do livro, como a maioria dos leitores, decidi ler antes de assistir; o livro nos conta a história das irmãs Lisbon, elas têm idade entre 13 e 17 anos, e o mais importante aqui, não é o que aconteceu, mas o como aconteceu.
Na manhã em que a última filha dos Lisbon resolveu que tinha chegado a sua hora de se suicidar – foi Mary desta vez, e remédios para dormir, como Therese – os dois paramédicos chegaram à casa sabendo exatamente onde ficava a gaveta de facas, o forno a gás e a viga no porão, na qual era possível atar uma corda.

O livro se passa nos anos 70 onde, numa cidadezinha dos Estados Unidos com todo aquele padrão do sonho americano que conhecemos, Cecilia (13 anos), Lux (14), Bonnie (15), Mary (16) e Therese (17), são filhas de uma mãe muito rígida e religiosa, que mantém as meninas sob severas regras e um pai que é professor de matemática e leciona na mesma escola que elas estudam; após uma tentativa frustrada de suicídio da filha mais nova, a família passa a ser ainda mais reclusa, Cecilia não desiste na primeira tentativa e apesar da tão pouca idade, apresenta uma tristeza profunda, reflexões além do que seria esperado para a idade dela, e em uma segunda tentativa, ela obtém êxito.

- O que você está fazendo aqui, meu bem? Você não tem nem idade para saber o quanto a vida pode se tornar ruim.’E foi então que Cecília forneceu oralmente aquilo que seria sua única forma de bilhete de suicídio, e ainda por cima um bilhete inútil, pois ela sobreviveria: ‘É óbvio, doutor,’ ela disse, ‘você nunca foi uma menina de treze anos.

A história se desenvolve através da voz dos garotos/ homens que foram vizinhos dessas cinco irmãs (mas não sabemos ao certo quem é), as garotas sempre foram motivo de curiosidade deles quando eram adolescentes e agora, já adultos, ainda tentam entender a motivação do fim trágico das irmãs, com uma narração cheia de suposições, que intercala presente e passado, pode até nos confundir às vezes, mas a escrita é totalmente intrigante e suave, a nostalgia com a qual os fatos são narrados é constante desde a primeira página.

Nunca conseguimos entender por que as meninas queriam tanto ser maduras, ou por que se sentiam na obrigação de elogiar umas às outras, mas às vezes, depois que um de nós lia algum trecho mais longo do diário em voz alta, precisávamos lutar contra o ímpeto de nos abraçarmos ou de dizermos um ao outro como éramos bonitos.

De entrevistas que os garotos fizeram a fotos e pertences que das garotas que eles recolheram durante todo esse tempo, nos indica como uma relação de superproteção pode ser mais prejudicial que benéfica, a aura de mistério que ronda a família começa a desmoronar depois do suicídio da primeira filha, a família trata o ocorrido como um fato indiscutível, todo o luto não trabalhado, toda a angustia dessas adolescentes refletem fisicamente na casa que desmorona juntamente com a família, a descrição começa a ficar suja, descascada com aspecto de abandono.

Cecília, a mais jovem, com apenas treze anos, foi a primeira, cortando os pulsos dentro da banheira como um estoico, e quando a encontraram, flutuando na piscina rosada com os olhos amarelos de uma possuída e o corpinho exalando um cheiro de mulher madura, os paramédicos ficaram tão assustados com sua tranquilidade que congelaram, hipnotizados. Mas então a sra. Lisbon entrou correndo e gritando no banheiro e a realidade se restabeleceu: sangue no tapete; a navalha do sr. Lisbon mergulhada no vaso sanitário, marmorizando a água. Os paramédicos retiraram Cecília da água morna, que acelerava o sangramento, e aplicaram um torniquete em seus braços. O cabelo molhado escorria pelas costas, e as extremidades da menina já estavam azuis. Ela não disse coisa alguma, mas quando separaram suas mãos encontraram o santinho laminado da Virgem Maria que ela segurava contra os seios em botão.

Com os Estados Unidos da América passando por toda a libertação sexual e revolução religiosa dos anos 70, a família das meninas, mesmo com todos os esforços, não poderiam ter tido outro fim, ao que parece quando muito é cobrado, tem resultados inesperados, como vemos tudo pelos olhos e memorias dos meninos, jamais saberemos a motivação real das garotas e é exatamente isso que me faz pensar no final do livro. O que é motivo para um, não é para o outro, o sentido da vida não é o mesmo para todas as pessoas e talvez a melhor resposta seja sempre a empatia. Depois de ler o livro, minha vontade de assistir o filme só aumentou , confira o trailer da adaptação de Sofia Coppola:



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10 comentários :

  1. Já tinha visto o livro e ficado curiosa com ele, agora que fiquei sabendo do filme, também quero assistir. Achei bem intrigante o que aconteceu com as meninas ou melhor como aconteceu, parece ter um mistério e tanto em volta disso, concordo quando algo é muito cobrado pode-se esperar que boa coisa não vem por aí. E como dizem nunca sabemos o que as pessoas estão sentindo ou passando. A historia parece mexer com a gente e nos deixar refletindo.

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    1. Oi Ma, então assim que terminei o livro minha vontade de assistir só aumentou ! Pelo q procurei pela internet o filme é tão bom quanto ! Qnd ler e assistir vem aqui e me conta ! [ só qria que a Netflix tivesse o filme no catalogo rsrsrs]

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  2. Eu não conhecia este livro e nem o filme, livros sobre suicídio tem sempre histórias fortes, bem interessante a história se desenvolver através da voz dos vizinhos das irmãs, a história deste livro é uma história bem intrigante, adicionei ele em minha lista de leituras.

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    1. Oi Mari , eu tbm amoooo essa tematica !!! Depois me conta se tu curtiu , e compartilha ai as outras dicas de livros c essa tematica ! Bjão.

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  3. Desde que li a primeira resenha a respeito deste livro, que fico interessada na leitura, apesar de ainda não tido a oportunidade de adquirir a obra. Primeiramente gosto desta temática do suicídio, em suas diferentes versões, e podemos perceber que a tentativa dos homens que narram estas garotas e exatamente compreender o que se passam em suas casas, e motivo que as levavam a cometer tal ato. Isto de certa forma, e o que nos intriga a leitura, e nos envolve a leitura.

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    1. Lana o livro é bem curtinho e como a leitura prende muito , mto provavelmente tu vai curtir muito a leitura ! Pra quem gosta da tematca esse livro é maravilhoso ! 5 estrelinhas merecidissimas!

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  4. Não conhecia a existência do filme, mas já tinha ouvido falar do livro.
    Gostaria de saber o porquê essas cinco garotas passaram e o porquê a elas queriam se suicidar. Fiquei bem intrigada com a historia!
    Gostaria de ler o livro primeiro, mas acho que não vou aguentar. Vou ter que ver o filme antes haha
    Adorei beijos.

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    1. Fran, se tu assitir primeiro que eu vem me contar se gostou ! Ainda não consegui ver rs

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  5. Não conhecia o livro e nem o filme, mas gostei bastante da premissa pois é um assunto bem forte e que deve ser sempre falado.
    Fiquei bastante curiosa para saber o que aconteceu para levar a esta decisão.
    Vou ler antes de assistir o filme, senão fico perdida.

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    1. O Boom de pensamentos é exatamente o misterio que ronda o pq da decisão das meninas, espero que vc goste ! Bjos.

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