24 outubro 2017

[Crítica] Terra Selvagem


Cory (Jeremy Renner), caçador de coiotes e predadores traumatizado pela morte da filha adolescente, encontra o corpo congelado de uma menina em meio ao nada e decide iniciar uma investigação sobre o crime. Ao lado dele está uma agente novata do FBI (Elizabeth Olsen) que desconhece a região.

Data de lançamento: 2 de novembro de 2017
Duração: 1h 47min
Direção: Taylor Sheridan
Elenco: Elizabeth Olsen, Jeremy Renner, Kelsey Asbille
Gêneros: Suspense
Nacionalidade: EUA
Avaliação: 4 estrelas
Resenhista: Amanda


Dia 18/10 tivemos mais uma cabine de imprensa maravilhosa, do filme: Terra Selvagem.

Confira o trailer e a seguir, nossa crítica.




"- Por quanto tempo ela pode ter corrido nessas circunstâncias?

- Como você calcula a vontade de sobreviver de alguém?"

Esse filme foi um soco no estômago. Baseado em fatos reais, o filme tem cenas pesadas, que te deixam com o coração apertado e os olhos marejados, traz um quê de realidade crua que não tem como não te impactar. Jeremy Renner, nosso amado arqueiro em Vingadores, faz, como sempre, uma ótima atuação, conseguindo transmitir toda a emoção que a trama exige.

O filme já começa na tensão, com uma mulher descalça e desesperada correndo na neve, enquanto ao fundo escutamos um poema (o qual só saberemos de onde veio bem mais à frente). A mulher por fim cai e morre engasgando em sangue no meio daquela vastidão de gelo e silêncio. O incidente ocorre justamente em Wind River, uma reserva indígena e quem encontra o corpo da jovem é Cory Lambert (Jeremy Renner), rastreador da região. 

Cory, que é nativo do lugar, reconhece a moça de cara, era Natalie, a melhor amiga de sua falecida filha, que tinha apenas dezesseis anos e foi encontrada morta da mesma maneira, pulmões cristalizados devido ao frio que culmina na pessoa, engasgando em seu próprio sangue, apenas três anos antes. Acontece que aquela região tem temperaturas muito baixas e, em certo momento, ele cita que estavam a -20º e à noite é pior. uma pessoa pode facilmente morrer congelada. 

Cory chama o delegado para reportar o incidente, mas por ser uma reserva indígena, ele não pode fazer muita coisa - apenas o FBI tem jurisdição naquela área. É então que a agente Jane Banner (Elizabeth Olsen) é acionada. Jane é chamada por ser a mais próxima da cena, mas chega completamente despreparada. Ela vem direto de Vegas, então já deixa uma má impressão de cara. Apesar de explicar as circunstâncias, nenhum deles a considera grande coisa.

Inexperiente e totalmente perdida naquele cenário completamente diferente ao qual está habituada, ela pede a ajuda de Cory, que além de conhecer a região, está acostumado a caçar predadores. Jane começa a investigar e vai até a casa da família da vítima. Estranhando o comportamento do chefe da família, ela é levemente agressiva em seu interrogatório, insinuando que o pai deveria ter agido de forma mais cautelosa, tido um pulso mais firme em vez de deixar a menina sair sem saber ao certo seu paradeiro ou as pessoas com quem se relacionava, gerando um mal estar e a fúria do pai que alega ter confiado na filha, que já era maior de idade e responsável. Ao tentar conversar com a matriarca da família, Jane vê a mulher chorando desoladamente no quarto e fazendo profundos cortes na própria pele.

É a primeira "lição" que vemos no filme, sobre julgar sem tentar se colocar no lugar do outro. Jane imediatamente muda sua postura e parece extremamente constrangida e desconfortável, algo que achei engraçado. Eu não sei vocês, mas eu sempre vejo os federais em séries e filmes com uma postura rígida, fria e bem distante, totalmente o contrário da nossa Jane. Não é algo exatamente ruim, mas bem curioso, que acho que vale mencionar.

Seguindo o relato do pai, sobre seu outro filho estar envolvido com drogas e poder estar envolvido de alguma forma na morte da irmã, a agente vai tentar interrogá-lo e acaba descobrindo que Natalie tinha um namorado e que ele era branco. Isso é algo que por si só, já gera uma suspeita e faz com que ele passe a ser o principal suspeito.

O perito, porém, após fazer a autópsia do corpo alega que não pode sustentar homicídio em seu relatório. Natalie morreu por "acidente", basicamente por estar correndo no gelo. Sim, ela havia sido estuprada, não ele não poderia dizer ao certo se havia mais de um agressor ou apenas um que foi violento demais, mas o fato é que ela não morreria disso (apenas desejaria estar morta, né?). O que causa em Jane uma revolta e faz com que ela discuta com o perito. O fato é que assim que o relatório chegasse nas mãos de seu chefe, ele a mandaria de volta. Correndo contra o tempo, ela e Cory devem encontrar o assassino o mais rápido possível e fazer justiça para a jovem antes que os rastros desapareçam e o assassino saia impune.

Outro momento emocionante é quando Cory conversa com Martin Hanson (Gil Birmingham) que é pai de Natalie, sobre a perda e como isso nunca fica mais fácil, mas que eventualmente a carga seria menor e que depois que a pior parte da dor e do luto passasse, ele seria capaz de visitar a filha em suas memórias, lembrar dos momentos felizes e do quanto ela o amou, nessa cena é refletida a própria experiência de Cory, lembrando-se da filha e ainda sofrendo por sua perda.

Para mim, o grande destaque do filme foi Kelsey Asbille que interpretou a Natalie. Apesar de ter aparecido muito pouco, ela deu um show de interpretação, a cena do ataque foi muito bem feita.
Um flashback (que foi um tanto abrupto e quebrou um pouco o ritmo do filme, mas nada muito grave) é o climax do filme, o momento em que descobrimos o que realmente ocorreu com Natalie. A cena é bem forte, acho que o pior é quando ela acorda e se dá conta do que está acontecendo, conseguimos ver refletido em seu rosto o choque, a incredulidade, o pânico, o desespero nauseante da situação... é impossível não se emocionar. Foi a cena do filme que me marcou e que ficou comigo mesmo depois de deixar a sala do cinema.

Ser baseado em fatos reais torna tudo mais triste. No final do filme, é revelado o grande descaso com os nativos americanos que sequer possuem um índice de desaparecimentos. A maioria dos assassinatos nunca são solucionados e grande parte dos assassinos saem impune. É um filme que vale muito a pena tirar um tempo para ver.


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2 comentários :

  1. O fato do filme ser baseado em fatos reais torna toda a história mais triste e revoltante, não sei se vou conseguir ver essa cena que te marcou, mas gostei do trailer e da resenha e pretendo ver ;)

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    1. Olha, para foi a mesma reação que na cena de estupro que teve em "Os Homens que Não Amavam as Mulheres", então se tiver conseguido ver um, consegue ver o outro. Mas tente ver sim, vale muito a pena. Apesar dos pesares a mensagem do filme principal é a de que a menina lutou até o último momento pela vida dela, mesmo depois dessa situação terrível.
      Beijos <3

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