18 setembro 2017

[Resenha] O Vale dos Mortos - Rodrigo de Oliveira

Cientistas descobrem um planeta vermelho em rota de colisão com a Terra. Depois de muito pânico nos quatro cantos do mundo, eles asseguram que o corpo celeste passaria a uma distância segura de nós. E todos ficam tranquilhos acreditando que nada iria acontecer... Com passagens por Brasília, Estados Unidos, China e França, O Vale dos Mortos baseia-se na profecia de que um planeta intruso ao sistema solar, ao raspar por nossa orbita, fatalmente desencadearia a transformação de grande parte da humanidade, não havendo lugar seguro, ambientes sem infecção, pois ela ocorreria simplesmente pela aproximação do astro. Pegos de surpresa, e tentando entender o que acontecia enquanto buscavam se salvar, um casal e seus filhos iniciam uma jornada para restabelecer alguma condição de vida no que restou de seu próprio mundo. Uma história com muita ação, suspense, que vai deixar você eletrizado.

 Livro: O Vale dos Mortos|| Serie: As crônicas dos mortos #1
 Autor: Rodrigo de Oliveira || Editora: Faro Editorial
Classificação: 3 estrelas || Resenhista: Uta 
 Ano: 2017 || Gênero: Ficção, Suspense,  Literatura Brasileira




Não se engane com a capa do primeiro livro da série As Crônicas dos Mortos, do escritor Rodrigo de Oliveira, que tende a classificar precipitadamente o livro como de terror. Mesmo que seja um livro de apocalipse zumbi, as atrocidades cometidas por esses seres descerebrados não são o foco da trama, e sim, as soluções encontradas pelos sobreviventes para continuarem nesse estado, precário ou nem tanto assim, de sobrevivência.

Por mais que você possa pensar, Mais uma história de zumbis, o autor conseguiu utilizar de uma justificativa original sobre o acometimento aleatório de seres humanos por esse mal. Rodrigo se utilizou da teoria não fictícia de um também brasileiro, o já falecido médium e advogado Hercilio Maes. No livro, o ano é 2018 e um planeta desconhecido chamado de Hercolubus começa a se aproximar da Terra e tudo leva a indicar que haverá uma colisão fatal entre os dois corpos celestes. Acontece que, depois que toda a humanidade tenta se conformar com uma aniquilação certa, o planeta misterioso e desconhecido muda de rota e o planeta inteiro emite um suspiro de alívio.

A passagem do planeta acaba se tornando um espetáculo aguardado e comemorado por todos, mas o que eles não sabem é que o planeta é um astro apocalíptico e a sua passagem é o prenúncio do fim do mundo como o conhecemos. Milhões de pessoas morrem e renascem como monstros famintos de gente. Há descrições dos acontecimentos nos quatro cantos do mundo e o Brasil, especificamente a região do Vale do Paraíba, é o cenário central da história. Se você tiver curiosidade sobre a teoria do tal planeta do apocalipse basta pesquisar Hercolubus na sua barra de pesquisa.

O casal descrito na sinopse, os protagonistas Ivan e Estela, tiveram a sorte de, juntos com os dois filhos, escaparem ilesos da passagem de Hercolubus. A história acompanha a saga da família em busca pela sobrevivência, os conflitos internos dos personagens e as tomadas de decisão que precisam ser rápidas e que possuem repercussões enormes.

O núcleo familiar é forte, a relação dos dois é bonita, não existe hierarquia, Ivan e Estela são pessoas extremamente racionais e eficientes, com habilidades de combate e ótimas chances de sobrevivência por pensarem parecido e formarem um time quase perfeito. O destaque maior vai para Estela, que apesar de não ser a líder, é uma espécie de grão-vizir que sempre aparece nos momentos que o marido vacila. Ivan, mesmo com toda iniciativa e boa intenção, tem complexo de herói e sofre algumas frustrações, por se achar responsável por tudo e todos ele acaba ficando chato.

Mesmo que vários acontecimentos do livro sejam difícieis de engolir, acho que é preciso lembrar que se trata do livro inicial de uma série de ficção de sobrevivência, onde os personagens principais precisam sobreviver para que a história prossiga, então as coisas eventualmente precisam dar certo para eles.

Sim, os sobreviventes se refugiam em um shopping inicialmente e, mesmo que pareça a coisa mais batida do mundo, faz todo sentido se refugiar num shopping convenientemente fechado para obras, ou seja, com poucos zumbis lá dentro. Mas eles não ficam trancados esperando o dia que os zumbis finalmente vão conseguir entrar para fazer um lanchinho e logo, partem em busca de artigos militares (Ivan é ex-militar) que proporcionem uma defesa decente contra o enxame de mortos-vivos. Assim, posteriormente eles se estabelecem em um condomínio fechado, criando uma fortaleza quase impenetrável e abrigando todos os sobreviventes que conseguem encontrar nessa nova comunidade.

Depois que a ameaça externa é finalmente controlável, a trama volta a atenção para a convevivência entre todas essas pessoas desconhecidas e diferentes tendo que viver em um grupo com autoridade e leis próprias. Crimes eventualmente são cometidos e a figura de líder de Ivan é testada em uma situação mais contundente.

Particularmente, não gostei da descrição física das personagens femininas, achei sexista e que trouxe uma conotação sexual fora de lugar ao livro. Há cenas de sexo consentido que servem mais para re-estabelecer a conexão do casal central, e de sexo não consentido, mas que são rápidas e sem muitos detalhes.

Os diálogos, em sua maioria, por serem corretos demais, acabam perdendo a credibilidade e saindo forçados. Os personagens não foram muito explorados em meio a todos os acontecimentos e a identificação não surgiu. Mesmo com muita ação, meu progresso sofreu com uma falta de identificação mais substancial. Claro que existe a possibilidade dessa falha ter sido reparada nos livros seguintes da série, foram lançados mais quatro até o momento.


Para a continuação já se sabe o que esperar, o autor prepara o terreno para mais conflitos e problemas nas relações entre humanos onde a situação com os zumbis apenas serve para forçar essas pessoas a se unirem ou a guerrearem entre si. 


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5 comentários :

  1. Comprei esse livro falta chegar, gosto de historias com zumbis e achei legal o foco ser mais na sobrevivência, que é muito difícil em uma situação assim e principalmente em lidar com as pessoas, pois ficam egoístas e só pensam nelas. Pena as personagens femininas não terem agradado pois ultimamente elas são o máximo nas historias.

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    1. Olá, Maria Alves, como sempre marcando presença. Obrigada! As personagens femininas agradam sim, inclusive a é bem forte e rouba a cena do marido que é o "líder". O chato é o autor descrever as personagens femininas com base em seus atributos físicos coisa que ele não faz ao descrever as masculinas. Boa leitura!

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  2. AAAA Eu sou a louca dos zumbis então já posso dizer que amei esse livro. Não leio muito nacionais, mas este me cativou de uma maneira que não sei, deve ser porque eu amo zumbis hahaha
    Nossa que chato que as personagens femininas não agradou tanto assim, geralmente elas roubam as cenas.
    Adorei, beijos.

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    1. Que bom, Franciele, também sou fã de mortos-vivos! O que não agradou nas personagens femininas foram as descrições físicas delas. Beijos e boa leitura.

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  3. Amei saber que este livro é sobre zumbis, apesar de adorar series de zumbis eu nunca li nenhum livro com esta temática. E este livro parece ser interessante apesar de alguns pontos negativos.

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