16 agosto 2017

[Resenha] Clare Swatman - Meus Dias com Você

Quando o marido de Zoe morre, o mundo dela desaba. Mas e se fosse possível tê-lo de volta?
Numa fatídica manhã, Ed e Zoe têm uma discussão terrível, algo recorrente no seu casamento em crise, e ela acaba se despedindo de forma brusca quando ele sai para o trabalho.
Pouco tempo depois, um ônibus acerta a bicicleta de Ed, matando-o e deixando Zoe arrasada por não ter lhe dito quanto o amava. Se tivessem ficado mais um pouco juntos aquela manhã, ele ainda estaria vivo? Será que poderiam ter reconstruído o amor que os unira?
Após dois meses, Zoe ainda não conseguiu se conformar. De luto, decide cuidar do jardim do marido, quando acaba caindo e desmaiando. Então, algo estranho acontece: ao acordar, ela está em 1993, no dia em que conheceu Ed na faculdade.
A partir desse instante, Zoe passa a reviver momentos cruciais de sua vida e percebe que talvez tenha conseguido uma segunda chance: uma oportunidade de fazer tudo diferente, de focar naquilo que realmente importa, de mudar os rumos do relacionamento – e, quem sabe, o destino de seu grande amor.

Livro: Meus Dias com Você||  Autor: Clare Swatman
Editora: Arqueiro || Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Luci
 Ano: 2017 || Gênero: Romance, Viagem no Tempo


O último dia de Zoe com o marido, Ed, é um reflexo do que o casamento dos dois se tornou: tenso, devido a desgastes comuns e cobranças que acontecem em todo relacionamento, mas que tende a se tornar algo incontrolável e irremediável quando não sabemos lidar com isso. E quando Zoe recebe a notícia que seu marido morreu em um acidente, esse dia pesa ainda mais sobre ela, pois ela perdeu a oportunidade de reafirmar o amor que sentia por ele. Deixou apenas, como um último adeus, a impressão da falta de afeto.

Eu vou levar para sempre o desejo de ter dito a ele algumas coisas que não disse, sempre vou desejar a chance de mudar algumas coisas que fiz no dia em que ele morreu e nos meses e anos antes desse dia. Mas não posso, então tentarei carregar comigo os momentos felizes e esquecer os ruins.

Após dois meses de luto, de reflexões sobre como deveria ter sido, não só o último dia, mas também os dias anteriores, em um momento de descuido, Zoe sofre um pequeno acidente, e quando acorda, percebe ter voltado no tempo, ao dia que conheceu Ed. Assim, a cada vez que ela acorda, ela percebe que despertou em um dia marcante no relacionamento dos dois, o que lhe dá a oportunidade de tê-lo para si, viver novamente a mistura de sentimentos, a alegria de ter o seu sorriso, o calor do seu corpo, até as pequenas coisas que eram tão características dele, mas que tocavam fundo em seu coração.

E, assim, eu também adormeço, na esperança de que esta não seja a última lembrança de nós dois juntos que eu seja capaz de criar, esperando que eu tenha pelo menos mais um dia...
É quando Zoe percebe que, revivendo esses dias que marcaram a vida dos dois como casal, ela, quem sabe, pode mudar o futuro. Algo mínimo, como uma atitude ou decisão, pode fazer com que o destino de Ed seja mudado, que algo no futuro seja diferente, e ela possa reafirmar esse amor a cada dia, sem que a morte interfira na vida dos dois, arrancando seu marido dela, e os dois possam finalmente resolver suas diferenças e terem uma vida longa e feliz.


Eu descrevi pouco o livro porque ele não é para ser descrito; cabe a ele uma reflexão.

Sua narrativa nos prende muito além da descrição do relacionamento dos personagens. Ela nos remete para nossa própria vida. Se eu tivesse uma chance de fazer tudo aquilo de novo, o que aconteceria? Eu teria a capacidade de reverter tudo, mostrando que aprendi com meus erros? Que maturidade ganhei para saber lidar com isso? São essas e outras questões que permeiam essa narrativa.

No livro temos uma esposa, Zoe, que aprendeu com a dor, a valorizar os momentos que teve Ed, só que ela foi agraciada em vivê-los novamente, na esperança de tudo mudar. Mas nós nunca temos essa chance, os momentos são únicos, e muitas vezes, assim como Zoe, desperdiçamos porque assumimos atitudes egoístas que nos isola do outro, pois muitas vezes colocamos nossas necessidades, nossos anseios, em um patamar de prioridades bem alto, deixando frustrados aqueles que deviam estar do nosso lado, acompanhando e compartilhando sonhos, em uma troca constante de companheirismo e afeto.

Ed... nossa, Ed. Eu amei o personagem. Temeroso, ao início, mas que foi ganhando confiança ao longo da história. E eu me peguei apreensiva  com o final, pois você conhece seus sonhos, o que ele quer realizar, construir. E a vida é tão injusta, às vezes, que acaba interrompendo isso tudo. É na ficção, é na realidade, tanto faz. Eu me vi torcendo para suas conquistas se concretizassem, e a autora, nesse sentido, soube mexer muito com nossas emoções. 

Se alguém me perguntar sobre do que trata esse romance, vou responder: é sobre relacionamentos. O quanto eles podem ser frágeis ou fortes, dependendo das nossas atitudes ou como agimos diante das adversidades. Como o amor não deve ser limitado a ser expresso  somente com palavras, mas com ações que faça o outro ver que você está realmente ao lado, lutando para a realização de desejos comuns, que os fazem crescer juntos. E que o amanhã é frágil e incerto, por isso vale a pena viver o hoje com toda gama de sentimentos de que você é capaz.

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2 comentários :

  1. Oi Luci, romances que conseguem mexer com nossas emoções são geralmente marcantes e curti a premissa do livro, ter a oportunidade de voltar e viver momentos importantes é bem legal e quem sabe mudar o rumo do futuro, ou não, só lendo o livro pra saber, mas espero de coração que o final seja feliz haha Gostei da capa, da resenha e se surgir a oportunidade vou querer conferir ;)

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  2. Deve ser uma historia muito bonita e bem reflexiva, sobre aproveitar o máximo possível cada momento, o leitor deve se colocar no lugar da personagem e ficar pensando se tivesse essa oportunidade o que mudaria e as consequências. Fiquei curiosa em saber se a personagem vai conseguir mudar o futuro deles.

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