03 junho 2017

[Resenha] A Filha do Sangue - Anne Bishop

A Filha do Sangue
Trilogia As Jóias Negras #1


O Reino Distorcido se prepara para o cumprimento de uma antiga profecia: a chegada de uma nova Rainha, a Feiticeira que tem mais poder que o próprio Senhor do Inferno. Mas ela ainda é jovem, e por isso pode ser influenciada e corrompida. Quem a controlar terá domínio sobre o mundo. Três homens poderosos, inimigos viscerais - sabem disso. Saetan, Lucivar e Daemon logo percebem o poder que se esconde por trás dos olhos azuis daquela menina inocente. Assim começa um jogo cruel, de política e intriga, magia e traição, no qual as armas são o ódio e o amor. E cujo preço pode ser terrível e inimaginável.
Já começo essa resenha dizendo que esse livro é bastante complexo e rico em detalhes e nuances, até porque não é qualquer autor de fantasia que consegue escrever histórias como a Anne Bishop.

Vem ver...

Esta história se passa num mundo onde a magia existe e as pessoas são divididas em castas. Não é um mundo brilhante, é um mundo sombrio e a magia vem das Trevas e para as Trevas retornam. A hierarquia é complexa e regida por regras muitas vezes cruéis.

Existem os humanos e existem os Sangue. Os humanos são pessoas comuns, que não possuem magia, e também são chamados de plebeus. Os Sangue são as pessoas que nascem com habilidades mágicas. Elas são treinadas na Arte e, quando chega a uma certa idade, fazem à oferenda às trevas e recebem a jóia correspondente ao seu nível de poder. 

Tudo gira em torno das jóias. As mais escuras são as mais poderosas, que contém mais magia e sendo assim, mais poderosa. A joia mais poderosa é a Negra e a mais fraca é a Branca.

Mas não é somente em torno das jóias que gira essa hierarquia. As posições de poder vêm de nascença e geralmente são transmitidas pela linhagem. Uma rainha já nasce rainha, um príncipe senhor da guerra já nasce assim. Assim como as Viúvas-negras e as feiticeiras.

O pilar da sociedade são as mulheres. Os senhores da guerra, os príncipes e os príncipes senhores da guerra servem às feiticeiras acima deles, mesmo que eles sejam mais poderosos que ela. A Rainha governa um território e os machos a servem. Tudo é sobre hierarquia e cada um tem os seus deveres na corte das Rainhas, sendo que aqueles que possuem jóias mais poderosas estão sempre acima dos de joia menos poderosa. E o pilar é sempre as mulheres.

Existem dois reinos: Terreille e Kaeleer. Dentro de cada reino existem várias cidades, governadas cada uma por uma rainha, que são chamadas de rainha do território. Em Terreille existe uma Feiticeira Suprema que governa todo o reino e está acima das Rainhas dos territórios. 

Dorothea SaDiablo é essa Feiticeira. Há centenas de anos, ela orquestrou uma perigosa teia de eventos que a levou a eliminar todas as rainhas que poderiam superá-la. Assim, ela se tornou a feiticeira e viúva negra mais poderosa de Terreille. 

O reino de Dorothea é cruel, muitos são escravizados e todos que apresentem uma oposição são eliminados. Mesmo os homens poderosos são tratados muitas vezes como objetos por ela e suas feiticeiras.

Há também o Inferno, que é para onde os mortos, demônios e outros seres sombrios vivem, que é governado por Saetan.

Saetan SaDiablo é o segundo Sangue mais poderoso que existe. Dotado de uma joia negra, ele é um viúva negra e também é o Sacerdote Supremo da Ampulheta e Senhor Supremo do Inferno. Ele já ocupou uma posição extremamente alta na hierarquia de Terreille, mas foi pego na teia de Dorothea e perdeu muito do prestígio que tinha. Hoje, ele vive no Inferno sem muito propósito a não ser esperar que se cumpra uma profecia que espera há muito muito tempo.

Daemon Sadi e Lucivar Yaslana são filhos de Saetan, que foram separados dele ainda pequenos, por conta das maquinações de Dorothea. Ela fez com que ambos fossem escravizados e que não fossem reconhecidos como filhos do Senhor Supremo, porque sabia do poder que detinham.

Daemon tem uma joia negra e é um Viúva Negra de nascença. Ele foi criado para servir na corte de Dorothea, tanto por sua beleza quanto por suas habilidades de satisfazer uma mulher. Mesmo sendo o Sangue mais poderoso que já existiu, ele foi escravizado e um anel peniano controlava-o para garantir sua obediência. Assim, ele satisfazia todas as mulheres para quem era mandado, mas nunca a si mesmo. Mesmo com toda violação física e emocional, e toda raiva acumulada durante séculos dessa vida, ele tinha esperanças. Sabia que a sua Feiticeira estava chegando, e é a ela a quem serviria fervorosamente e daria tudo de si. E ela daria tudo a ele: a vida que sempre quis, um reino que valesse a pena lutar, e todo o prazer que ele nunca teve. Só ela, e por ela, ele esperaria.

Lucivar é metade eyrieno, possui asas exuberantes e uma força de vontade infinita. Pelo seu temperamento explosivo de eyrieno, ele foi enviado para as minas de sal, onde foi escravizado e torturado durante todos esses anos. Possui um anel peniano, assim como seu irmão Daemon, mas o seu humor sempre desafiante o fazia sofrer mais e mais nas mãos de suas donas. Ele também sonha com o dia que a Feiticeira chegaria. Serviria a ela, lutaria em seu nome e protegeria o seu reino a todo custo.

E a Feiticeira chegou. O nome dela é Jaenelle. Uma criança de apenas sete anos, dotada de muito poder. Ela vive numa cidadezinha chamada Chaillot, e sua vida não é nada fácil. Seus poderes não são aparentes e ela não consegue realizar as mais básicas tarefas de magia iniciante.
Porém, é muito poderosa. E logo começou a manifestar esse poder das mais diversas formas. Viajava por lugares, atravessava o reino, ia para locais há muito esquecidos, sem se dar conta de seu imenso poder. E assim fez amigos em lugares inusitados e quando falava desses amigos em casa, era tida como louca, que via coisas, imaginava lugares e pessoas. 

Com isso, sua família inescrupulosa a mandava para uma instituição para jovens com problemas mentais, e lá a pobre Jaenelle sofria muito.

Numa de suas muitas viagens, ela chegou a Saetan. Ele sabia quem era ela e sentiu que sua hora chegava. Então, concordou em ensiná-la magia e ser seu tutor e professor, aquele que a encaminharia ao seu destino.

E Daemon também foi colocado no seu caminho quando foi transferido para Chaillot, por ordens de Dorothea. Lá, ele serviria a todas as mulheres mandadas a ele, como sempre fazia. Porém, ao conhecer Jaenelle, sabia que era ELA. Aquela por quem ele esperou a vida inteira. Mesmo sendo apenas uma criança, a ligação entre eles era forte demais, e ele seria seu amigo, protetor e guia, para livrá-la dos terríveis males que já a cercavam.

Assim, esses homens, conectados pelo sangue, porém separados pelo destino, eram os responsáveis pelo futuro da Feiticeira e ela pelo futuro deles e de todo o reino. Muitas forças do mal conspirarão contra Jaenelle e seus fiéis aliados, o que seria de seu futuro?
“Um desejo, ofertado com sangue, é uma prece às Trevas.”

Olha, está aí um livro MUITO difícil de resenhar, de falar sobre e até de pensar rs. A escrita de Anne Bishop é densa, complexa e forte. A Trilogia das Jóias Negras se passa em um mundo complexo de dark fantasy, com muitos elementos sombrios e polêmicos.

A sociedade é matriarcal, com o poder exercido pelas mulheres e todo um toque de erotismo e crueldade. A separação racial é intensa, seja pelos possuidores das joias, seja pelos membros das famílias reais e até dentre os plebeus. Tudo é para as mulheres e comandado por elas.

O sexo é uma coisa banalizada, assim como a tortura, escravidão e os constantes abusos de poder. Ou seja, não é uma série fácil de se ler.

A premissa certamente é muito original, como tudo que Anne Bishop escreve. Sou fã dela por causa de sua outra série, The Others, e por isso comecei a ler essa trilogia com muito entusiasmo.

Entretanto, me assustei. Não era o que eu esperava, rs. É dark fantasy, toda a parte da escravidão de Lucivar e Daemon me atingiu bastante, assim como a parte da família de Jaenelle. 

Os personagens são muito bons, porém me deixavam o tempo todo com aquele ar de dúvida. Porque? A escrita da Anne, especialmente nesse livro, é muito subjetiva, cheia de figuras de linguagem e pequenos sentidos dentro das frases. Não é um livro fácil de ler, tem que se estar atento aos detalhes para se aprofundar na história e, principalmente, ter a mente aberta!

O personagem com quem mais me conectei foi Daemon. Extremamente forte por dentro e capaz de mostrar uma fachada de servitude, mas com uma vontade tremenda de passar por cima de todos. As cenas dele com Jaenelle são bem legais, e podemos ver sua confusão de como agir e o que fazer quando está perto dela. 
“Seu quarto a olhar o vazio, relutava em libertar o medo e a reverência. Somente Daemon apreciava a beleza aterradora de poder tocar sem limitações. Somente Daemon sentia um desejo agudo.”
Saetan também é um personagem fenomenal, mas esperava mais dele nesse livro. Me parece ser muito poderoso e sábio, mas acabava não mostrando seu potencial. Espero que no próximo livro, ele ganhe mais espaço. Assim como Lucivar, que me fez morrer de pena e raiva por sua situação. Ele sofre demais minha gente e ainda continua firme dentro de sua mente.

No geral, eu gostei do livro, mas com ressalvas. Por vezes, a escrita ficava subjetiva demais e eu simplesmente não entendia nadinha, e esses fatos soltos se conectam mais para frente, mas não gosto de nada muito à deriva em livros. 

Não gostei foi do sofrimento todo de Daemon e Lucivar, quando eles e Saetan são os Sangue mais poderosos que existem e um não faz nada sobre o outro. Mas, no fim, entendi que cada coisa tinha a sua hora.

Vou ler o segundo com muito mais mente aberta do que esse e espero que a história avance de acordo com as minhas expectativas, porque essa trilogia tem tudo para ser muito muito boa.
“A única forma de confiná-la seria convencendo-a de que não poderia sair, embrutecendo seus instintos até que já não tivesse certeza de nada. Você quer ser o canalha responsável por esse esquartejamento emocional? Porque eu não farei esse papel. Pelas Trevas, Geoffrey, o mito vivo chegou e é este o preço exigido para que ela caminhe entre nós.
Geoffrey fechou os registros com cuidado.
— Tem razão, claro, mas... não há nada que você possa fazer?
Saetan fechou os olhos.
— Irei ensiná-la. Servi-la. Amá-la. Terá de ser suficiente.”

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2 comentários :

  1. Sempre tive vontade de ler essa trilogia, mas ainda não comprei, gostei de saber que o pilar são as mulheres, é uma trama onde gira muito em torno de poder de quem tem mais, fiquei bem intrigada com essa leitura, por você não ter achado fácil, tem que ler com atenção e até teve momento que ficou confusa, isso me leva a pensar se vou conseguir e gostar e por outro lado é um desafio uma leitura assim.

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  2. Oi Luiza! Eu li apenas uma resenha desse livro, que me despertou mta curiosidade de ler, agora lendo sua resenha, só aumentou viu, enredo tá mto bacana, tá na listinha, espero ler logo.
    Bjs

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