11 abril 2017

[Resenha] Quando a Bela Domou a Fera - Eloisa James


Piers Yelverton, o conde de Marchant, vive em um castelo no País de Gales, onde seu temperamento irascível acaba ferindo todos os que cruzam seu caminho. Além disso, segundo as más línguas, o defeito que ele tem na perna o deixou imune aos encantos de qualquer mulher.
Mas Linnet não é qualquer mulher. É uma das moças mais adoráveis que já circularam pelos salões de Londres. Seu charme e sua inteligência já fizeram com que até mesmo um príncipe caísse a seus pés. Após ver seu nome envolvido em um escândalo da realeza, ela definitivamente precisa de um marido e, ao conhecer Piers, prevê que ele se apaixonará perdidamente em apenas duas semanas.
No entanto, Linnet não faz ideia do perigo que seu coração corre. Afinal, o homem a quem ela o está entregando talvez nunca seja capaz de corresponder a seus sentimentos. Que preço ela estará disposta a pagar para domar o coração frio e selvagem do conde? E Piers, por sua vez, será capaz de abrir mão de suas convicções mais profundas pela mulher mais maravilhosa que já conheceu?
Livro: Quando a Bela Domou a Fera  | | Autor:  Eloisa James 
Editora: Arqueiro
Ano: 2017 || Gênero: Romance de época
Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Luci



Era uma vez uma linda Lady chamada Linnet, cuja beleza arrebatadora encantava a todos os cavalheiros nos salões londrinos desde que ela debutou em sociedade. Eles formavam filas em sua porta para cortejá-la e dedicar-lhe as mais fervorosas declarações, esperando conquistá-la e fazê-la sua esposa. 

Isso fazia com que seu pai, o Visconde, a tivesse sob constante vigilância, pois temia que a jovem não tivesse apenas puxado à sua falecida mãe em beleza, mas sim, também tivesse puxado seu comportamento luxurioso que a fazia traí-lo com vários amantes.

Mas não adiantou muito. Nossa bela Linnet acabou se encantando por um jovem príncipe — que não seria encantado —, pois este a seduziu com belas palavras e roubou-lhe alguns beijos, que foram suficientes para escandalizar toda a sociedade moralista.

Seu pai, junto com sua tia, decidiu enviá-la para um castelo no País de Gales, para assumir um compromisso e futuramente contrair matrimônio com Piers Yelverton, o conde de Marchant, um homem que tinha a reputação de ter um temperamento terrível, além de possuir uma deficiência física. Ele era tão insuportável, que muitos se referiam a ele como “a fera”. Nem com seus pacientes, que o procuravam por ser um bom médico, ele costumava controlar seu temperamento.

Linnet não viu problema algum em enfrentar esse homem tão irascível. Na verdade, não entendia por que alguns beijos — que ela nem gostara, para falar a verdade — provocou tamanho escândalo. Na certa, a associaram com sua libidinosa mãe, por isso sofria as consequências disso. Pelo menos, ela não teria que suportar os carinhos do feroz conde, já que lhe afirmaram que ele era impotente.

Ao saber que teria uma noiva a caminho, Piers permanece firme em sua decisão de expulsá-la imediatamente dali. Não ia aceitar uma noiva, principalmente indicada por seu pai, um homem que não via há mais de 20 anos. Obviamente seria fácil intimidá-la e mandá-la embora; uma criaturinha habituada com as delicadezas dos salões londrinos se renderia facilmente.

Porém, Piers logo se dá conta do seu erro. A beldade que apareceu em seu castelo era alguém que respondia à altura e não se intimidava com seu sarcasmo e crueza de palavras. Ao contrário; ela parecia se divertir e replicava sem titubear ou deixar por menos, demonstrando malícia e perspicácia que o deixam admirado. E como ela não saiu correndo dali, mesmo diante da promessa de um noivo rude e manco, ele passou a se encantar não somente por sua beleza. Toda ela fazia um conjunto do ideal feminino para ele, e isso o enchia de desejos proibidos. Mas o que ele poderia oferecer àquela jovem? Momentos de prazer até magoá-la com seu temperamento incontrolável provocado pela dor constante que sente? E se ele ficar tão encantado por ela, como separá-la de si?

A bela Lady também não esperava se encantar por Piers. Apesar de ter sido cortejada por uma fila de pretendentes, nenhum conseguiu despertar nela uma mínima faísca de interesse ou desejo. Mas o irascível médico conseguiu, em pouco tempo, deixá-la trêmula apenas com uma leve carícia, despertando anseios que ela nem imaginava poder sentir um dia. Mas como fazê-lo entender que os dois se completavam, que podiam construir uma bela história de amor juntos?

No entanto, antes de ter essa resposta, uma doença que, como uma maldição que cai sobre a vida dos apaixonados para separá-los, toma conta do castelo e das redondezas. Após a luta entre a vida e morte, haverá uma outra para que se contorne obstáculos e uma pergunta seja respondida: só pode se amar o que é belo, ou o mais nobre sentimento nasce independente da beleza? 


Bem, eu ansiei muito por esse livro, pois Eloisa James é referência no mundo dos romances. Terminada a leitura, bateu aquela básica ressaca literária, aquele gostinho de quero mais, pois é impossível não ficar suspirando após o término do livro.

Começando primeiro pelos personagens: Piers é a antítese do heroico mocinho de época. Ranzinza, rabugento, irônico, sarcástico e sem nenhuma delicadeza. Seu mau humor é aumentado pela constante dor na perna, e nem mesmo seu brilhantismo na medicina o faz ser mais suportável. No entanto, sua construção, enquanto personagem, foi perfeita. A autora soube justamente dosá-lo com as doses certas de beleza e inteligência para que ele tivesse aquela aura sedutora, que encanta a inexperiente, mas não tola, Linnet.

E Linnet, ela não poderia ser a heroína mais perfeita para essa história. Sua verdadeira natureza parece ser vista apenas por Piers, que consegue ver sua beleza muito além da aparência. Ela é atrevida, confiante e determinada. Alguém que compreende que o exterior não é nada comparado com o que o interior das pessoas pode revelar e oferecer ao outro. Entrou na minha lista de melhores mocinhas de romance.

Com relação aos demais personagens, foram inseridos na trama não somente como meros coadjuvantes, e isso deu aquela vida que gostamos de ver ao longo de uma narrativa.

E falando em narrativa, a autora sabe construir uma como ninguém. Ela cria situações e diálogos que nos faz nos prender à história, contemplando cada cena, muito bem escrita, como se você estivesse participando dela. Seus diálogos são inteligentes e divertidos, causando uma dinâmica muito boa de acompanhar. Outro detalhe que gostei muito: a narrativa romântica teve aquele toque de sensualidade que apimenta a história, deixando-a bem sensual em diversos momentos.

Enfim, Eloisa James estreia no Brasil com o pé direito, com uma obra que nos faz rir, suspirar e até chorar. Na obra encontramos os ingredientes certos para nos entreter com um bom livro: humor, paixão e sensualidade, que se misturam para nos contemplar com um ótimo romance de época.


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15 comentários :

  1. Quero muito ler esse livro, gostei da personagem, por ser destemida, não ter medo de enfrentar a fera, deve ser divertido os dois trocando farpas rs. É uma historia que nos leva a refletir sobre nosso julgamento que aparência não é tudo.

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    1. Oi, Maria, realmente é muito lindo! Espero que leia e que goste!
      Bjos

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  2. Oi Luci,
    Andei pesquisando sobre este livro e descobri que a autora se inspirou em House para criar Piers Yelverton e achei isso Incrível, pois tudo que é descrito realmente lembra o médico da série de TV. Fiquei com pena da Linnet em saber que será acusada de um escândalo, pois considerando a época em que a história se passa, isso poderia arruinar de vez a vida dela. O envolvimento dos dois vai ser diferente do esperado e se a personalidade de Linnet for tão marcante quanto a de Piers será muito interessante acompanhar esta relação tensa, mas divertida. Como amo releituras estou ansiosa para conhecer esta obra.

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    1. Gi, ela realmente se inspirou, viu? Piers se torna até hilário em sua grosseria, ficou muito divertido de ler.
      Bjos

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  3. Olá!
    Romances não são o meu forte, ainda mais quando são romances de época. Gostei do título e pensava que poderia encontrar uma fantasia e não apenas uma história de amor.
    Que bom que o livro não te decepcionou e mostrou ser uma obra prima da autora, mas para mim é uma dica que vou deixar passar.

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    1. Oi, Rita, quem sabe outro livro, do gênero que vc curte, não chama a sua atenção aqui no blog e vc volta para compartilhar conosco suas impressões? Obrigada por nos visitar e dar sua opinião!
      Bjos

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  4. Oi Luci, tudo bem?
    Esse é o tipo de história que me ganha logo na sinopse. Quando fiquei sabendo desse livro o e no que os personagens foram embasados, achei um máximo. Estou vendo tantas críticas positivas desse livro, que minha vontade de lê-lo só aumenta.
    Mais uma coisinha. Posso estar enganada, mas o fato do pai do Piers não ter contato com o filho por tantos anos, é devido a sua deficiência?
    Beijokas
    Quanto Mais Livros Melhor

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    1. Ai, Pri, se eu te contar vai ser o maior spoiler! Rsrs!
      Leia e volte aqui para a gente comentar, ok? Bjos!

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  5. Livro lindo, resenha linda tbm...Estou ansiosa pra conhecer a escrita desse livro!
    Bjs

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    1. Aline, menina, corre para ler, que é bom demais!
      Bjos

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  6. Oi, Luci!!
    Já li algumas resenhas sobre a estória desse livro e em nenhuma delas foi negativa. E minha ansiedade para ler esse livro só cresce!! Espero me deliciar com esse romance muito em breve!!
    Beijoss

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    1. Oi Marta, realmente ele é muito bom, espero que te agrade também!
      Bjos

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  7. Olá,
    Eu estou procurando uma nova versão de a Bela e a Fera faz muito tempo, mas infelizmente não achei aqui, no entanto o livro parece ser muito bom mesmo, otimo wue a estreia da autora aqui tenha sido tão bem
    E se alguém puder indicar uma versão com gêneros trocados de a Bela e a Fera, com a mocinha sendo a nossa terrível fera, por favor, me avise.

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    1. Oi, Aline, não tenho nenhuma ideia de romances nessa releitura que você procura. Mas fiquei curiosa, vou começar a procurar.
      Bjos

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  8. Oie, embora seja uma reescrita de A bela e a fera, pela resenha, me lembrou muito um dos livros da Júlia Quinn "A soma de todos os beijos". Apesar de ser uma premissa bem clichê, mesmo sendo releitura, fiquei com vontade de ler. A gente sempre ama uns clichê né?

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