21 fevereiro 2017

[Resenha] Insígnias - Karol Blatt

Insígnias
Karol Blatt


Será que um grande amor é capaz de vencer uma grande guerra?
Para Ahren Müller, um jovem oficial das tropas de elite do führer com uma promissora carreira dentro da Alemanha Nazista de 1942, sua verdadeira guerra foi decretada no momento em que seus olhos cruzaram com os de Hadassa Belshoff, uma jovem judia que é levada como prisioneira para a residência de sua família na Polônia.
Vítima de um dos períodos mais cruéis da história da humanidade, Hadassa Belshoff encontra-se num terrível impasse ao se tornar prisioneira na mansão dos Müller. Tendo sido separada da família e com o destino nas mãos de um ditador que causou o genocídio de milhões, ela precisa decidir se deve seguir a razão ou o coração, quando em seu interior começam a brotar sentimentos inesperados e proibidos pelo seu algoz.
Um amor pode nascer em meio ao ódio? Até onde é possível perdoar? Insígnias revela um amor construído em uma época difícil e por duas pessoas que estão de lados opostos em um conflito que marcou a história para sempre. Dois corações que podem representar tanto a salvação quanto a destruição um para o outro. Mas, acima de tudo, Insígnias é o relato da força de um sentimento verdadeiro que ousa crescer em meio ao sofrimento e que não titubeia mesmo diante da ameaça sufocante da morte.

Em uma bela manhã, que destoava da violência que estava prestes a sofrer, a vida da jovem judia Hadassa Belshoff é completamente modificada quando soldados nazistas invadem violentamente a sua casa, determinados a levar a ela e toda sua família aos campos de concentração, onde judeus eram relegados como a raça inferior pregada pela ideologia nazista.

Primeiro sentindo o impacto de ser separada dos pais, logo se vê determinada a proteger a irmã que ficou ao seu lado. Um ato de coragem chama a atenção de um jovem oficial, Ahren Müller, que surpreendido pelo seu espírito corajoso, ou talvez algo mais que  viu na jovem, a separa da irmã e a leva para trabalhar como empregada na residência de sua família, na Polônia.

Na residência, Hadassa passa a sofrer diversas humilhações enquanto executa seu trabalho árduo; as mínimas coisas a fazem sofrer castigos severos sob a mão do seu carrasco, Ahren, esse homem frio que segue rigidamente os preceitos nazistas e não perde a oportunidade de declarar abertamente seu ódio aos judeus e o quanto são inferiores, merecedores de toda pena e castigo.

Além dos companheiros judeus que executam tarefas na propriedade da família Müller, Hadassa só encontra carinho e companheirismo através da irmã caçula de Ahren, Lindie, uma inocente que ainda não foi contaminada pelo ódio da ideologia nazista e vê Hadassa como uma substituta materna.

Ao longo dos meses que a jovem judia passa sob o domínio do oficial nazista, mudanças sutis começam a ocorrer: o olhar de desprezo às vezes é substituído por um olhar enigmático; o toque, que antes causava dor, torna-se mais suave; as palavras que feriam aos poucos vão sendo deixadas de lado, fazendo com que Hadassa sinta um misto de sentimentos que passeiam entre o asco e algo que ela ainda desconhece.

A agonia parecia crescer dentro de mim com tanta força que impedia meus pulmões de realizar seu trabalho normalmente. E, naquele momento, eu desejei o próprio fim da minha existência. Era melhor estar morta do que possivelmente apaixonada por Ahren Müller.

Mas a verdadeira mudança realmente ocorre quando, em um momento de vida ou morte, Hadassa toma uma decisão impulsiva, que contraria o que é lógico, mas não seus princípios. E essa atitude tem o poder de mudar complemente todos os conceitos pelos quais Ahren vive. E disso brotam sentimentos confusos, contraditórios. 

Como duas pessoas, que estão destinadas a viverem em lados opostos, podem sentir determinados anseios e desejos um pelo outro? Onde só cabia o ódio e o despreza, novas sensações vão ganhando forma e cada vez mais força, forçando-os a tomar decisões que podem levá-los à morte.

Você é a parte que faltava em mim. Não importa o que dizem as leis fora destas paredes, nossos corações pertencem um ao outro. Para sempre.



Quando eu comecei a ler esse livro, a primeira coisa que me surpreendeu foi o fato de uma autora brasileira fazer um romance com esse cenário, a Alemanha Nazista. Imediatamente fiquei curiosa para o desenrolar dos fatos e se, de fato, ela retrataria bem esse período tão feio da história. E posso dizer que me emocionei em determinadas partes; de fato, não deixou a desejar.

Quero destacar os personagens: Hadassa é uma personagem muito bem estruturada, ela ganha vida através do sofrimento que é descrito. Sua fé é inabalável, fazendo-a enfrentar tudo com uma coragem que insistem em tolher. Seus sentimentos, quando se vê nutrindo sentimentos positivos por um nazista, são expressos de uma forma tão real que o leitor também pensa: sim, ela não pode, não é natural. Mas tudo se desenvolve de tal forma que você acaba se envolvendo também e dando aquela torcida básica, mesmo que em determinado momento a deseje com outro.

Ahren é a personificação do ideal nazista: frio, insensível ao sofrimento de seres humanos, e isso nos faz odiá-lo, até o momento que um véu parece cair dos seus olhos e ele passa a ver tudo aquilo que uma ideologia baseada em ódio e superioridade escondia.

Os personagens secundários também foram muito bem compostos, o que deu mais movimentação à trama. Ressalto a doçura de Lindie, que deu aquele toque de fofurice ao livro. Com relação à narrativa, é bem fluída, não cansa o leitor na narrativa dos fatos, principalmente por se tratar de um romance histórico. Esse foi outro fator bem positivo.

Para quem curte livros com uma boa medida de drama, e também ama prestigiar autoras brasileiras, com certeza irá gostar desse romance.


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11 comentários :

  1. Ninguém sai! Uma resenha de Insígnias! haha Que palavras lindas, amei cada uma delas! Sinto-me honrada por não ter deixado a desejar nesse desafio de escrever uma trama durante a segunda guerra. Obrigada ao blog, pelo carinho imenso e pela consideração, ESTOU NAS NUVENS! <3 <3 <3

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  2. Tema forte, abordado de forma diferente, e com um bom romance, justo como eu gosto. E ainda é de uma autora nacional, sou fã de várias e há sempre lugar pra mais uma.

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  3. Insignias foi tudo isso é um pouco mais que o blog pronunciou.
    Essa história foi de fazer a pessoa mais insensível chorar. Falo isso porque em várias vezes me peguei chorando entre as entrelinhas dessa maravilhosa história. Ahren e Dass foram personagens inesquecíveis, assim como todo o resto, pra quem não leu recomendo que leia, pôs não irá se arrepender!

    Karol sua linda, vc merece isso é muito mais. Breve,breve mais uma história sua será tão amada quanto Insignias, assim que vc publicada oficialmente.

    Garota de Grife será mais um grande sucesso, assim como os outros que vc escreve!

    Fico feliz em ser uma dentre tantas outras que lhe acompanha desde o começo de Insignias e ver esse seu sonho sendo realizado é uma felicidade pra mim.
    Mas uma vez, parabéns😘

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  4. Eu nunca gostei de ler livros ou assistir filmes sobre a Alemanha Nazista, sempre achei muito forte, eu sentia dó dos judeus e repulsão aos nazistas, mas esse livro tem um charme a mais. A autora conseguiu criar personagens que evoluíram ao decorrer da trama, mostraram que não são judeus e alemães, eles são pessoas, eles cometem erros e amam, e também ela conseguiu repassar a ingenuidade de uma criança, para Lindie, Hadassa é apenas uma mulher em que ela pode se espelhar.
    Eu ainda não possuía conhecimento da obra mas posso dizer que estou bastante curiosa para ler a história completa.

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  5. Meu Deus que livro lindo!
    Não costumo ler nada com o tema guerra, mas "gosto" do nazismo (olha as aspas ali viu). Explicando melhor, o nazismo sempre despertou minha curiosidade para saber de onde brota tanto ódio no coração dessas.
    Voltando ao livro, achei a história muito linda, o fato de mostrar que o amor pode sim sobrepor ao ódio, mesmo sem lê-lo o livro já me tocou e já vou correndo colocá-lo na lista de desejados.
    É muito bom ver os autores nacionais darem esses saltos tão altos, e escrever livros que não deixam nada a desejar aos autores de fora. Parabéns a autora!
    Bjs!

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  6. Olha aí uma escritora brasileira que me deixou chocada pelo tema que escolheu, afinal mana como você disse a época do nazismo foi com certeza uma parte que a história da humanidade que deveria nem em pensamento ter ocorrido mas infelizmente aconteceu. Como lidar com um romance entre uma judia e um nazista, olha confesso que to muito curiosa pra saber como a escritora fez pra desenvolver esse sentimento e ainda mais curiosa pra saber como foi o final dessa história. Vou agora na amazon da uma olhada no preço do ebook porque esse livro eu lerei com certeza.

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  7. Fiquei surpresa de ser uma autora nacional, se não é mencionado nem fazia ideia. Que livro triste e angustiante, pois é uma época terrível essa de como eram tratados os Judeus. Acho que a personagem ficou muito surpresa com esse sentimento pelo Nazista não deve ter sido fácil pra ela.

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  8. Não consigo ler livros de guerra por ficar muito triste com essa realidade. O único que li foi A menina que roubava livros e não gostei muito. Apesar de gostar e muito de romances, não leria esse

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  9. Fiquei muito surpresa quando descobrir que esse livro foi escrito por uma autora nacional!! Ela realmente escolheu um tema muito forte!! E o envolvimento entre esses dois personagens não poderia ser mais tramático!!
    Beijoss

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  10. Olha, eu adoro livros que tem como cenário a guerra, eles sempre abordam a personalidade humana de forma muito forte e essa história é bem inusitada, acho que como não gosto de romance ler o livro torcendo para no final ela matar ele é libertar todos os judeus da casa, mas vou acabar torcendo para o romance no final kk. Adorei a resenha.

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