12 dezembro 2016

[Resenha] A Transformação de Raven – Sylvain Reynard

A Transformação de Raven
Noites em Florença # 1

Florença, o berço do Renascimento. Um lugar culturalmente fervilhante, perfeito para quem quer esconder segredos ou está em busca de uma segunda chance. Como a doce Raven, que se muda para a cidade na tentativa de esquecer os traumas do passado e se dedicar à sua maior paixão: a restauração de pinturas renascentistas.
Um dia, voltando para casa do trabalho na Galleria degli Uffizi, sua vida muda para sempre. Ao tentar evitar o espancamento de um sem-teto, Raven é atacada. Sua morte parece iminente, mas seus agressores são impedidos e brutalmente assassinados. Assustada e prestes a perder os sentidos, ela só consegue vislumbrar uma figura sombria que sussurra: Cassita Vulneratus.
Ao despertar, Raven faz duas descobertas perturbadoras: uma semana se passou desde o ocorrido e ela se transformou por completo. Quando volta ao trabalho, mais uma surpresa: alguém conseguiu burlar o sofisticado sistema de segurança da galeria e roubar a inestimável coleção de ilustrações de Botticelli sobre A divina comédia.
Em busca da verdade, Raven cairá diretamente nos braços do Príncipe de Florença – tão belo quanto poderoso, tão sedutor quanto maligno –, que lhe apresentará um submundo de seres perigosos e vingativos, cujas leis ela precisa aprender depressa se quiser se manter viva e salvar os que a cercam.
A Transformação de Raven marca o início da série Noites em Florença, cujos personagens foram apresentados no prólogo O Príncipe das sombras.

Geralmente, sou do tipo de pessoa que espera uma trilogia ser totalmente publicada para ler. Mas quando saiu o segundo livro da série "Noites em Florença", simplesmente não resisti, afinal se trata de uma obra de Sylvain Reynard, escritor de quem me tornei fã. 

Ambientada em Florença, Sylvain construiu um universo de seres sobrenaturais movidos pelo desejo de saciar a sede de sangue e deter poderes em suas mãos para mostrar sua superioridade entre seus pares e seus inimigos. 

Nesse universo vampiresco encontramos o Príncipe, William, um ser extremamente antigo e poderoso que controla seu principado há séculos com a frieza necessária para manter os inimigos da sua raça longe. Ser misterioso até para os seus súditos e avesso às paixões, se surpreende em uma determinada noite ao sentir o apelo de um sangue doce que lhe desperta a necessidade de proteger e cuidar, assim como sensações há séculos adormecidas. E isso vindo de uma pequena humana, com deficiência física e fora dos padrões de beleza, à beira da morte. 

Raven é uma restauradora de obras de arte que vive em Florença, sem imaginar que à sua volta existem seres que ela imagina só fazer parte do imaginário do cinema. Podemos dizer que ela é a personificação de um espírito bondoso, aquele tipo de pessoa que não hesita em ajudar as pessoas ao seu redor, principalmente quando vê que elas vivem em desvantagem. Seu impulso de ajudar o outro a leva a ser agredida, mas por sorte é salva por William, que ignora o impulso primitivo de beber seu sangue e apenas, a salva. 

De repente, Raven acorda em um momento totalmente confuso, onde a presença de um ser sombrio passa a ser constante em sua vida. Ao invés de se intimidar, ela, a cada dia, passa a se tornar mais próxima desse protetor misterioso que antes lhe causava medo, mas agora só provoca a atração pelo desconhecido, mesmo sob os avisos dele para que vá embora de Florença e se mantenha longe. Mas mesmo sabendo sobre quem é verdadeiramente o Príncipe de Florença, ela não recua, escolhe por se entregar aos sentimentos que ele lhe desperta. 

“(...) —Você tem esperança de quê, William?
– Não ser condenado a uma eternidade de escuridão vazia.
– É isso que você vive?
– Não exatamente. – A expressão dele se tornou cautelosa. – De alguma forma, a escuridão recua quando você está por perto.” 

William, aos poucos, deixa de sentir somente os desejos básicos da sua raça para sentir algo mais premente pela jovem de espírito tão bondoso e corajosa, que inclusive chega a enfrentá-lo para tentar resgatar a misericórdia que ele perdeu há muito tempo. Porém, com ela, ele vai se permitir sentir esperança e resgatar sensações e sentimentos que ele considerava totalmente perdidos dentro de si. 

E ele terá que lidar com isso em meio as ameaças que seu reinado está sofrendo. Existe um traidor que quer usurpar seu lugar, e que, com certeza, para chegar até ele e enfraquecê-lo, não hesitará em usar Raven para atingir seus objetivos.

“— Você é o único raio de esperança que vejo desde 1274. É a única que fez meu coração recomeçar a bater.” 


Uma das maiores características da escrita de Reynard é que ele sabe explorar muito bem as paixões humanas, e mais uma vez, ele transporta isso para esse romance, que não é apenas a história de uma jovem que se apaixona por um ser misterioso e até mesmo violento para impor suas convicções. 

Foi construído um universo cheio de tramas, que se entrelaça com a história do casal, e isso enriquece muito o livro, que é contemplado com a magnífica escrita do autor, cheia de detalhes que dá vida ao universo cultural dos grandes pintores sem que isso se torne cansativo; pelo contrário, a narrativa é fluída, te prende do começo ao fim. Costumo pensar que a escrita de Reynard te abraça e não te larga até você chegar ao final da trama.

Um dos pontos positivos, por exemplo, é que ele faz questão de apresentar os personagens, até mesmo os secundários, de forma que o leitor passe a conhecer seus objetivos e papel da história, sem no entanto revelar tudo totalmente, o que te dá aquele conhecimento dúbio que só é confirmado, ou não, ao longo da história.

O livro termina em um ponto culminante, que te dá motivos mais do que suficientes para querer logo o seguinte e saciar a curiosidade sobre o destino de seres tão diferentes e finalmente conhecer o mistério por trás da luta de poderes desse mundo obscuro, que é o dos vampiros. 

Uma história que vale a pena ser lida e apreciada a cada linha.

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