06 dezembro 2016

[Resenha] Suzy e as Águas-Vivas - Ali Benjamin

Suzy e as Águas-Vivas
Ali Benjamin



Às vezes, quando nos sentimos mais solitários, o mundo decide se abrir de formas mágicas.Suzy Swanson está quase certa do real motivo da morte de Franny Jackson. Todos dizem que não há como ter certeza, que algumas coisas simplesmente acontecem. Mas Suzy sabe que deve haver uma explicação — uma explicação científica — para que Franny tenha se afogado. Assombrada pela perda de sua ex-melhor amiga — e pelo momento final e terrível entre elas —, Suzy se refugia no mundo silencioso de sua imaginação. Convencida de que a morte de Franny foi causada pela ferroada de uma água-viva, ela cria um plano para provar a verdade, mesmo que isso signifique viajar ao outro lado do mundo... sozinha. Enquanto se prepara, Suzy descobre coisas surpreendentes sobre o universo — e encontra amor e esperança bem mais perto do que ela imaginava.
"Todo esse tempo, eu tinha achado que a nossa história fosse isto: a nossa
história. Mas acontece que você tinha sua própria história, e eu tinha a minha.
Nossas histórias podem ter se cruzado por alguns anos, o suficiente para que até
parecessem ser a mesma história. Mas eram diferentes.
E isso me fez perceber o seguinte: a história de cada pessoa é diferente, o
tempo todo. Ninguém está com ninguém de verdade, mesmo que às vezes pareça
estar."
Suzy e as Águas-vivas é um livro cheio de ternura e extremamente sensível. Esse livro me chamou a atenção desde a primeira vez, achei muito diferente, e a sinopse me conquistou de vez. Ele fala sobre luto e sobre perda na infância e como isso pode se manifestar de diferentes formas.

A Suzy é uma menina de apenas doze anos, porém muito inteligente. Ela tem essa curiosidade sobre tudo que as pessoas muito jovens têm, e é bem refrescante. Ela sabe de tudo um pouco, coisas que você veria em algum documentário, em uma palestra ou em uma revista de ciência. Ela é fascinada pela ciência, e vemos algumas curiosidades muito interessantes durante o livro, coisas que nunca tinham me passado pela cabeça. Ela é sempre bem entusiasmada sobre isso, sobre novas descobertas e o melhor: mesmo que todos a achem muito esquisita, ela não está nem aí.  Até que sua melhor amiga se torna uma dessas pessoas.
"Ela não entende que temos tudo de que precisamos, exatamente do jeito que somos."
A pré-adolescência, como todos sabemos, é uma fase de transformação e todos somos afetados de formas diferentes. O irmão saindo de casa para ir para a faculdade, seus pais se separando e, de repente, para piorar, a amiga de Suzy começa a mudar lentamente e a se tornar uma menina que quer ser popular, uma menina que valoriza estar bonita, mas principalmente que a achem bonita. Basicamente, ela começa a se transformar em alguém que Suzy sabe que ela não é. 
As inseguranças e a necessidade de se auto-afirmar acabam fazendo com que ela se torne alguém que Suzy não reconhece. E que não aceita.
Lembrando de uma promessa antiga entre as duas, Suzy começa a fazer de tudo para tentar fazer com que a amiga perceba que está cometendo um erro. Tudo desaba sobre Suzy quando ela descobre que Franny, sua melhor amiga e uma ótima nadadora, morreu afogada.
"Às vezes a gente quer com tanta força que as coisas mudem que não suporta
nem sequer estar na mesma sala com as coisas do jeito que realmente são."
Sua mãe tenta explicar de forma simples, dizendo que essas coisas simplesmente acontecem, e essa frase fica impregnada na mente da menina. Porque isso era errado. As coisas acontecem por uma razão. Tudo na ciência tem uma razão. E a morte de Franny não tinha nenhuma, ela sabia nadar muito bem, ela não morreria afogada, isso simplesmente não faz nenhum sentido para ela. Então, durante um passeio de turma, Suzy descobre sobre uma determinada espécie de águas-vivas, as irukandji. Essa espécie mortal de água-viva passa a se tornar então uma espécie de obsessão, o fato de estarem migrando para cada vez mais longe, de terem várias mortes documentadas e falsamente atribuídas a outros fatores, fazem com que Suzy tenha certeza de que Franny foi picada por um dessas. Então ela começa a fazer várias pesquisas e procurar especialistas que possam comprovar sua teoria. Suzy embarca numa jornada de auto-descoberta. À procura de uma causa para a morte de sua amiga, ela acaba descobrindo respostas para perguntas que nunca havia tido coragem de fazer. E a encontrar uma forma de perdoar a si mesma.
"Se eu soubesse,
teria pedido desculpas pelo jeito como as coisas aconteceram. Teria pelo menos
dito adeus. Mas a gente nem sempre percebe a diferença entre um novo começo e
um fim do tipo para sempre. Agora era tarde demais para consertar qualquer
coisa."
O livro é extremamente bem escrito, eu amei a narrativa. Eu estava num período onde nenhum livro me prendia, e a forma fluída que a Ali nos conta essa história me cativou e me enterneceu. Me fez pensar em todas as coisas que falamos por impulso sem intenção de magoar, mas que acabam tendo uma pontinha de egoísmo - que, convenhamos, é natural do ser humano, mas que acabam fazendo com que o espaço entre nós e os outros cresça ao invés de diminuir. Me fez pensar que temos que tomar cuidado, sim, mas que também temos que nos dar um desconto de vez em quando pelos erros que cometemos, porque é disso que a vida é feita; é a única forma de aprendermos a ser melhores, com os outros e com nós mesmos.
"No fim, é um presente passarmos
tempo com pessoas de quem gostamos. Mesmo que seja imperfeito. Mesmo que
esse tempo não termine quando ou como esperávamos. Mesmo quando essa
pessoa nos deixa."
Espero que essa história encante vocês também. Deixo vocês com a música da Suzy:


Compartilhe!

2 comentários :

  1. Oieee Amanda, eu tinha visto esse livro, mas não esperava essa história, fiquei com vontade de ler, vou add na minha lista, vou ver se consigo comprar agora no final do ano!

    =)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Espero que goste tanto quanto eu! *-*
      Beijos <3

      Excluir





Copyright © 2017 Every Little Book. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS | OddThemes | ILUSTRAÇÃO: Yuumei