22 novembro 2016

[Resenha] - A Guerra dos Mundos - H.G. Wells

A Guerra dos Mundos
H.G.Wells

Eles vieram do espaço. Eles vieram de Marte. Com tripés biomecânicos gigantes, querem conquistar a Terra e manter os humanos como escravos. Nenhuma tecnologia terrestre parece ser capaz de conter a expansão do terror pelo planeta. É o começo da guerra mais importante da história. Como a humanidade poderá resistir à investida de um potencial bélico tão superior?

Em Guerra dos Mundos, do autor H.G. Wells, o plot central acontece quando os marcianos invadem a Terra, especificamente Londres. Os Invasores chegam à Terra dentro de cápsulas cilíndricas em forma de raios e se alojam em pequenas cavidades.Quando os Marcianos começam a se revelar, eles martelam de dentro para fora de suas cápsulas de transporte e se revelam para os humanos curiosos que lá estão.


Os invasores são descritos como muitos alienígenas que conhecemos através de descrições antigas,  mas para quem está acostumado com os filmes de Hollywood de hoje talvez a descrição não seja impactante, porém vale lembrar que, no ano de lançamento do livro, Et's descritos com  a testa grande, tentáculos e máquinas que queimam e deixam apenas os ossos (lembrando que o laser ainda nem existia) talvez justifiquem a popularidade do livro, mesmo que os acontecimentos não sejam apresentados em escala global.

“Ninguém teria acreditado, nos últimos anos do século XIX, que este mundo era atenta e minuciosamente observado por inteligências superiores à do homem e, no entanto, igualmente mortais; que, enquanto os homens se ocupavam de seus vários interesses, eram examinados e estudados, talvez com o mesmo zelo com que alguém munido de um microscópio examina as efêmeras criaturas que fervilham e se multiplicam numa gota d’água”.


A animosidade é algo inerente dos invasores, e quando os humanos tentam contato para dar as boas-vindas aos seres extraterrestres, empunhando uma bandeira branca, a resposta não é nada amigável: eles  são fulminados com um raio de calor que tem um grande poder de combustão, que destrói desde casas inteiras até ligas metálicas, e carboniza os humanos (esses raios de calor nos lembram lasers, certo? É só lembrarmos que na Londres vitoriana essa palavra ainda não existia).

Com a intenção de conquista, os Et's começam a dominar o território e destruir a cidade; os humanos treinados para defesa que fazem parte do exército e as forças de segurança, que tentam impedir o avanço dos invasores , acabam falhando e são aniquilados juntos com a população local. E nesse cenário meio apocalíptico, onde não há meios de comunicação eficazes, que a desinformação causa pânico nos arredores, e são  justamente as poucas notícias desconexas que chegam que ampliam o medo.

O livro é narrado em primeira pessoa, com um personagem principal muito comum, o que contribui com a sensação de que poderia acontecer com qualquer um de nós. Não é mencionado o nome do personagem principal nem o nome do irmão, quando nosso personagem narra o que aconteceu com o irmão em Londres. Depois que o protagonista se separa de sua esposa, ele vai de cidade em cidade, fugindo da destruição; no meio do caminho, ele encontra um padre que enlouquece por conta da invasão e juntos eles fazem o possível para sobreviver.

“E a Coisa que então vi! Como descrevê-la? Um trípode monstruoso, mais alto do que muitas casas, alçando-se sobre os jovens pinheiros e esmagando-os em seu percurso; uma máquina ambulante de metal reluzente, avançando a largas passadas pela urze; cordas articuladas de aço pendiam das laterais, e o barulho estridente de sua passagem misturava-se ao estrondo de tempestade”.

Hoje existem obras que têm cenários muito mais desenvolvidos. Logo robôs gigantes e seres de outros mundos invadindo a terra é  uma estrutura muito mais simples, mas  que mesmo assim faz dessa obra um clássico. Mas, por quê? Gente, H.G. Wells escreveu isso durante os anos de 1895 e 1897, que foi primeiramente publicado em capítulos em uma revista e só em 1898 tornou-se um livro; talvez o sucesso do livro continue até hoje por conta do pano de fundo. Wells sempre fez em suas obras grandes críticas sociais, e em Guerra dos mundos é fácil identificar conceitos e as oposições a diversas situações como Colonialismo (lembrando que a Inglaterra na época de publicação estava no auge de conquista da América do Norte, Austrália e alguns países da África), imperialismo, darwinismo social e até evolução humana; talvez o fato Wells não mencionar nenhuma invasão a outros lugares do planeta terra, fazendo de Londres o centro do mundo seja proposital ( mas isso acho que nunca poderemos ter certeza).
“Antes de julgá-los com demasiada severidade, devemos nos lembrar das destruições totais e implacáveis que nossa própria espécie empreendeu, não apenas contra os animais, como contra os extintos bisões e dodôs, mas contra as raças humanas inferiores. Somos por acaso os apóstolos da misericórdia para podermos nos queixar de que os marcianos tenham feito a guerra no mesmo espirito? “
Essa edição da Suma de letras é uma edição comemorativa de 150 anos do nascimento de Wells, e conta com capa dura com toque soft meio emborrachado, revisão na tradução, com um prefácio digno de livros que são clássicos, ilustrações originais criadas em 1906 pelo brasileiro (erradicado na Bélgica) Henrique Alvin Corrêa, além de uma entrevista entre H.G Wells e Orson Welles. Se é a primeira vez que você vai ler esse livro indico pular a introdução/ prefácio pois contém alguns spoilers.

Como essa edição é comemorativa, no material extra temos pessoas convidadas a fazer um ensaio sobre o tema abordado na história, e no prefácio de Braulio Travares tem uma frase que resume muito bem a mensagem por trás de A Guerra dos Mundos e talvez nos explique por que é tão fácil nos apegar a história:

“Os marcianos somos nós amanhã. Quando a atmosfera do nosso planeta finalmente estiver irrespirável, quando tivermos esgotado todos os lençóis de água potável, quando o desiquilíbrio entre as espécies animais e vegetais tiver precipitado sua extinção. Será nossa vez de olhar entorno à procura de um ecossistema habitável e certamente vamos fazê-los um dia com os mesmos intelectos vastos, frios e insensíveis que Wells nos apresenta no livro. ”


Esse livro, para quem não sabe, foi adaptado várias vezes. Infelizmente, nenhuma das adaptações caracteriza completamente o enredo criado. A mais recente é a adaptação de 2005, um filme que Spielberg dirigiu, com Tom Cruise como principal. 

Altamente recomendado esse livro para qualquer fã de sci-fi. A escrita é bastante intensa, mas de uma forma muito inteligente, sem dramatismo. Ele tem muito boas descrições que qualquer fã de sci-fi achará incrível.


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