[Resenha] Armadilha – Melanie Raabe

Armadilha – Melanie Raabe
Editora Jangada, 2016.

Linda, uma escritora best-seller, vive reclusa em sua casa à beira de um lago desde o assassinato de sua irmã mais nova há doze anos. O assassino nunca foi pego, mas Linda o viu de relance, e agora ela acaba de reconhecer seu rosto na TV. Ele é Victor, um brilhante jornalista. Pensando numa saída para pegá-lo, ela escreve um best-seller baseado no assassinato da irmã e concorda em conceder uma única entrevista à imprensa, em sua casa, para Victor. A partir daí tem início um embate perturbador. Cheio de reviravoltas, tensão e terror psicológico.

Olá gente boa! Vamos de leitura misteriosa hoje? Venho apresentar pra vocês um lançamento que faz a linha de suspense psicológico que é bom demais! Fazia tempo que estava atrás de algum livro desse tipo para sair um pouco do romance, mas confesso que sou meio impaciente. Geralmente livros assim demoram suas apresentações e eu não me entretenho o suficiente pra esperar entrar no feeling da história. Algo que não aconteceu neste aqui, que eu mal conheci, mas já considerei pacas! 

O livro te prende desde o início. A narrativa em primeira pessoa da Linda, nossa personagem principal, te deixa bastante curiosa sobre o que de fato aconteceu e o que acontecerá dali para frente. Nunca tinha lido nada da Melanie Raabe, mas já quero outro!

“Uma armadilha é um dispositivo para capturar ou matar. Uma boa armadilha deveria ser duas coisas: segura e simples”.

Linda é uma romancista que teve a irmã assassinada e desde então vive reclusa numa casinha isolada. Suas maiores interações são com seu editor, assistente e seu cachorro. Isso porque Linda é traumatizada por ter visto sua irmã morta e também seu assassino fugindo. Apesar de ser uma testemunha do crime, a polícia nunca conseguiu desvendar o mistério da morte de Anna e nem prender seu assassino. Tudo isso gerou uma separação de Linda de seus pais, seu noivo e demais amigos.

“Meu medo é um poço profundo em que caí. Movimento-me dentro d’água, na vertical; com a ponta dos dedos dos pés tento tocar o fundo, mas não encontro nada, só escuridão”.

Doze anos depois, em um belo dia vendo TV, ela se depara com o rosto que tem pesadelos toda noite. O assassino de sua irmã! Desesperada, ela monta um plano para que ele seja forçado a ir até ela e assim ela tentar arrumar uma confissão dele.

“Olho o rosto do homem que matou minha irmã. A raiva estrangula minha garganta e penso apenas numa coisa: Vou te pegar”.

A noite em que tudo aconteceu é uma memória nebulosa na cabeça de Linda. Ao mesmo tempo que ela tem certeza de tudo o que aconteceu, ela se pega pensando no quanto aquilo é realidade ou criação dela. Isso é o ponto alto do livro, na verdade. Victor é o assassino ou não? Confesso que eu tive minhas dúvidas quanto a isso, pelo estado psicológico que se encontra a Linda. Victor, assim como Linda, é um personagem muuuuito bom! Isso com toda certeza fez uma boa diferença no livro, pois geralmente antagonizamos o cara suspeito, mas preciso dizer que ele me conquistou um pouquinho. Gostei de como a autora passou a personalidade dele para gente e me encontrei diversas vezes dando razão pra ele, rs. Acho que foi a inteligência dele que me deixou impressionada, resumindo, o cara é o cara!

“A dúvida é como um espinho que não se consegue arrancar”.

Enfim. Dizer que eu gostei desse livro é pouco. A autora desenvolveu com maestria a história que propôs e deu um final redondinho para nós (que amei, aliás). Tudo combinado com a fraqueza, superação, confusão e inteligência da Linda, fez tudo se tornar mais realista. Se teve um defeito, foi a narrativa intercalada com o livro criado por ela como armadilha para o Victor. Eu sinceramente achei que ficaria melhor sem essas intercalações, pois por vezes quebrava muito o ritmo da leitura. Bem no ápice do mistério ela cortava o capítulo com passagens do livro... claro, eu entendi que era pra nos prender um pouquinho mais, ainda assim não gostei muito. Outra coisa que senti falta foi de um final digno para Linda e os pais, achei que faltou muuuuito isso. Ainda com essas pequenas falhas, minha nota não poderia ser menor que 5, pois a tensão do início ao fim foi fantástica, como deve ser!

“Muitas vezes, a vida é muito menos espetacular do que a imaginação”.


Um comentário:

  1. Olá,

    eu gostei muito da sua resenha, expressou bem o que é o livro. Me interessei por ele, já que está difícil achar um bom suspense.

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