13 outubro 2016

[Resenha] O Conde Enfeitiçado - Julia Quinn

O Conde Enfeitiçado
Os Bridgertons # 6
Julia Quinn

Skoob | Editora | Compre
Resenha livro : 1, 2, 3, 4, 5

Toda vida tem um divisor de águas, um momento súbito, empolgante e extraordinário que muda a pessoa para sempre. Para Michael Stirling, esse instante ocorreu na primeira vez em que pôs os olhos em Francesca Bridgerton.
Depois de anos colecionando conquistas amorosas sem nunca entregar seu coração, o libertino mais famoso de Londres enfim se apaixonou. Infelizmente, conheceu a mulher de seus sonhos no jantar de ensaio do casamento dela. Em 36 horas, Francesca se tornaria esposa do primo dele.
Mas isso foi no passado. Quatro anos depois, Francesca está livre, embora só pense em Michael como amigo e confidente. E ele não ousa falar com ela sobre seus sentimentos a culpa por amar a viúva de John, praticamente um irmão para ele, não permite.
Em um encontro inesperado, porém, Francesca começa a ver Michael de outro modo. Quando ela cai nos braços dele, a paixão e o desejo provam ser mais fortes do que a culpa. Agora o ex-devasso precisa convencê-la de que nenhum homem além dele a fará mais feliz.
No sexto livro da série Os Bridgertons, Julia Quinn mostra, em sua já consagrada escrita cheia de delicadezas, que a vida sempre nos reserva um final feliz. Basta que estejamos atentos para enxergá-lo.

Seguindo o costume da família, Francesca Bridgerton ignorou o conceito de casamento sob a definição da alta sociedade londrina — baseado em status social — e contraiu matrimônio com John Stirling. Sim, ele era o Conde Kilmartin, mas perdidamente apaixonado por ela, que retribuía seu amor de forma desmedida.

Com o casamento, ela não encontrou apenas o homem ideal para compartilhar sua vida; ela também encontrou um grande amigo, o primo de John, Michael, que ela passa a amar como um querido amigo, tendo em vista a proximidade que ele tem com seu marido, demonstrando grande respeito e amizade. 

Os sentimentos que Michael nutre por seu primo são verdadeiros. Mesmo que não seja o herdeiro da fortuna da família e do título, nunca sentiu raiva por isso ou inveja dos bens materiais. Sua alma e espírito livres o fazem uma pessoa alegre, divertida, e essa personalidade, unida à beleza, o transformou em um homem sedutor, que tem atrás de si uma longa lista de mulheres seduzidas e de corações partidos. 

Porém, se ele nunca cobiçou as riquezas do primo, vindas com o título de conde, passa a desejar um bem imaterial: o amor de Francesca, algo que ele não pode ter. Contenta-se apenas a conter seus sentimentos, enquanto observa a felicidade do jovem casal, reprimindo a culpa de desejar a mulher do primo, a única que não pode ter e a quem realmente almeja.

No entanto, o feliz casamento dura apenas 02 anos, pois John repentinamente morre, deixando Francesca uma viúva infeliz, sem filhos, amargando a incompreensão do motivo de a vida ter arrebatado tão cedo seu amado marido. Quanto a Michael, ver-se possuidor de um título de nobreza e riquezas que nunca almejou e cada vez mais distante de Francesca. Dessa forma, ele decide partir de Londres, tentando deixar para trás o sofrimento de ter perdido um verdadeiro irmão e a impossibilidade de ficar com quem ama.

“Jamais escaparia daquela mulher. E jamais poderia tê-la. Mesmo com John morto, era impossível. Era errado. Muita coisa havia acontecido e ele jamais seria capaz de se livrar da sensação de tê-la roubado.”
Quatro anos depois, Francesca está disposta a casar-se novamente para suprir um desejo: ter filhos. Assim, decide participar da temporada em Londres com esse intuito, mas sua decisão coincide com a volta de Michael, que vê todos os sentimentos que sentia por ela reavivar de forma bem intensa. Quanto à jovem viúva, acaba por ver seu ressentimento por ter sido abandona por quem considerava seu melhor amigo em meio ao luto, sendo substituído por uma atração intensa, cheia de dúvidas e conflitos.
"Os lábios dele tocaram os seus de leve. Era o tipo de beijo que seduzia com a sutileza, que fazia o corpo formigar e que deixava a pessoa desesperada, querendo mais. (...) Francesca sabia que aquilo era errado, era mais que errado: era insano. Mas não conseguiria ter se movido nem se as labaredas do inferno estivessem lambendo os seus pés."
Michael, ao sentir que Francesca lhe corresponde pelo menos fisicamente, investe em seduzi-la e fazê-la completamente dele, em realizar o sonho de ter a mulher que conquistou seu coração sem nenhum esforço. Mas, apesar de conquistar o corpo dela com suas carícias, ele tem que lutar contra a sombra do primo que insiste em deixar Francesca relutante a se entregar completamente.

E ele, que dormira com tantas mulheres, subitamente se deu conta de que nada fora até então além de um menino imaturo. Porque nunca tinha sido daquela maneira. Antes tinha sido o seu corpo. Aquilo era a sua alma.



Aqui, Julia Quinn construiu um romance que uma palavra define: sensual. Ela explorou de forma intensa a atração entre os dois personagens, tornando esse livro o mais “quente” da série.

Ainda sobre os personagens centrais, apesar de entender a relutância de Francesca em se entregar aos sentimentos que passava a sentir por Michael, senti aquela raivinha dela, sabe. Pareceu-me que ela estava carente de contato físico e se entregava ao prazer que ele lhe proporcionava para suprir isso, sempre lutando contra sentimentos mais profundos, e isso me frustrava um pouco. Ela demorou a se entregar a algo maior entre os dois, como se não fosse uma viúva, mas uma mulher casada presa à memória do marido.

Sobre o Michael, ele é um homem apaixonado em todos os sentidos. De cara o leitor se envolve com os sentimentos dele, sentindo desde o amor ao sentimento de não poder ter quem ama. É um personagem apaixonante, altruísta, que não se prende a bens materiais, somente à aventura de viver e querer desfrutar a vida com quem se ama. Ele perseverou para conquistar Francesca e ter dela uma completa entrega. Ele, com certeza, foi o ponto forte desse sexto livro.

Juntando os conflitos internos dos dois, o livro vai combinando sensualidade, amor e paixão de forma a envolver o leitor, que se sente atraído pelo desfecho do romance até a esperada entrega final. 

E que venha o próximo Bridgerton!


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