06 setembro 2016

[Resenha]Por Lugares Incríveis - Jennifer Niven

Por Lugares Incríveis


Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, Violet se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família.
Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.



Por lugares incríveis conta a história de Violet e Theodore. Dois adolescentes que conseguem ver um no outro uma conexão, apesar da diferença que os separam.

Violet acabou de perder a irmã em uma acidente de carro e tenta de todas as formas superar a perda; tenta agir normal, apesar de estar quebrada por dentro. E em um dia normal de aulas, ela se vê no sino da escola, bem na borda do prédio. Mas como ela chegou lá? Ela simplesmente olhou e estava lá. Então ela vê um menino da escola na sua frente, dando direções para ela conseguir voltar para dentro do prédio, já que estava congelada no lugar. E esse garoto não era ninguém mais que Theodore Flinch.

Theodore é o menino estranho, aquele que é zoado pela turma, mas isso nada afeta esse garoto incrível. De tempos em tempos, ele troca de personalidade a fim de tentar não mergulhar na escuridão, que é como ele chama esse sentimento onde é sugado e simplesmente apaga. Como um mecanismo de defesa, ele desenvolve vários meios de proteção para sempre ficar acordado. E um desses mecanismos acaba sendo a Violet, sua atual obsessão. 

De um jeito próprio, os dois conseguem se encaixar um na vida do outro de um jeito inexplicável e totalmente verdadeiro. Os relação dos dois é simplesmente certa. E quando são colocados juntos em um projeto de escola, a relação se aprofunda e se torna mais que amizade. Nesse projeto, os dois vão percorrer lugares que resultam em uma experiência incrível. 



— Deixa eu te perguntar uma coisa: você acha que existe um dia perfeito?— O quê?— Um dia perfeito. Do início ao fim. Quando nada de terrível ou triste ou comum acontece. Você acha que é possível?
Coloquei esse livro na minha listinha de meta porque a autora vem para o Brasil e me desafiei a ler todos os livros de autores que virão para a Bienal. 

Eu já sabia que o livro falava de um assunto complicado (pessoa bipolares). Todo mundo que leu amou e se emocionou muito com a história. Então eu já li esperando que fosse mais um livro 5 estrelas para mim. Não foi, mas chegou bem perto.

A ideia do livro em si não é uma coisa nova, está saindo vários livros com esses temas, mas o que torna esse livro tão especial é a forma como é contada, como a Jennifer consegue envolver o leitor de um forma que, ao final, você sente um misto de todos os sentimentos, e é isso que um bom livro deve causar ao leitor.
"Porque tudo o que a gente sente é uma escuridão por dentro, e essa escuridão meio que toma conta, Na verdade, nem pensamos no que pode acontecer com quem deixamos para trás, porque só conseguimos pensar em nós mesmos."
A narrativa foi o que tirou uma estrela para mim. Demorei um pouco para entrar em um ritmo. Em algumas horas, achei um pouco cansativo, arrastado. A história realmente foi me pegar depois da metade. Isso não foi pela linguagem da autora, porque foi muito adequada para a idade e tema do livro.

Os personagens... Bem, nunca amei um personagem quanto amei o Theo, não consigo nem descrever o que ele é. Um menino lindo, que vê o mundo por outro ângulo. Um menino corajoso, amoroso, e que definitivamente levou um pedaço de mim.
“Mas não sou um conjunto de sintomas. Não sou uma vítima de pais horríveis e de uma composição química mais horrível ainda. Não sou um problema. Não sou um diagnóstico. Não sou uma doença. Não sou uma coisa que precisa ser salva. Sou uma pessoa.”.
Ao concluir esse livro, posso dizer que minha reação foi a mesma de todos: MARAVILHOSO!!!! Esse livro é lindo, ele deixou meu coração em pedaços, e só de pensar na história ou até mesmo escrevendo essa resenha, faz meus olhos encherem de lágrimas!

A história me inspirou a conhecer um pouco mais dessa doença que acomete o personagem.
Mas não só isso, me levou a pesquisar, a me preocupar pelo tanto de pessoas que sofrem do mesmo e nunca foram diagnosticadas; me fez repensar atitudes e, acima de tudo, ele me fez uma pessoa melhor.

Esse é um daqueles livros que todas as pessoas deveriam ler, um livro que trata de um assunto complicado como a bipolaridade, além de abordar os rótulos, família, amizade. Um livro que te balança, porque, afinal, como é amar tanto uma pessoa e não conseguir ajudá-la?

Espero que quando eu tiver os meus filhos possa enxergá-los como eles realmente são, possa ver pelas camadas, possa protegê-los até mesmo deles mesmos. E, acima de tudo, eu desejo um dia perfeito para eles.

"Vamos ter que convencê-los a mudar de ideia. Aliás, pelo menos você me provou uma coisa, Ultravioleta — existe aquilo de dia perfeito."

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2 comentários :

  1. Oi, Lud. Você abordou um tema que eu não conhecia - sempre que leio resenhas desse livro eles falam somente sobre a ideia do suicídio. Sei que a história deve ser encantadora e que nos faz refletir, mas até agora não parei para ler de fato. Com certeza estará na próxima leitura.
    Beijo! Visite o Leitora Encantada

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  2. Li o livro a alguns meses e ainda não tinha lido/visto muitas resenhas sobre o mesmo. Gostei como escolheu as palavras para descrever o livro. Só tinha visto o livro no meio do suicídio e depressão, mas até agora, não tinha prestado atenção que o Fish (escolhi chamar o Teo assim por um erro de leitura) é bipolar.
    Abriu meus olhos jduadhuas. Bjs para vocês. PS: Eu achei um máximo e admito que chorei :')

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