[Resenha]O Livro De Memórias - Lara Avery

O Livro De Memórias



Sammie sempre teve um plano: se formar no ensino médio como a melhor aluna da classe e sair da cidade pequena onde mora o mais rápido possível. E nada vai ficar em seu caminho — nem mesmo uma rara doença genética que aos poucos vai apagar sua memória e acabar com sua saúde física. Ela só precisa de um novo plano. É assim que Sammie começa a escrever o livro de memórias: anotações para ela mesma poder ler no futuro e jamais esquecer. Ali, a garota registra cada detalhe de seu primeiro encontro perfeito com Stuart, um jovem escritor por quem sempre foi apaixonada, e admite o quanto sente falta de Cooper, seu melhor amigo de infância de quem acabou se afastando. Porém, mesmo com esse registro diário, manter suas lembranças e conquistar seus sonhos pode ser mais difícil do que ela esperava.


Nesse livro somos apresentado a Samantha. Uma adolescente tipica com uma família normal: pais casados, três irmãos, sendo ela a mais velha. E em um dia, quando ela sente algo estranho e vai ao médico, descobre que tem uma doença incomum, ainda mais na idade dela. Já que essa doença atinge mais crianças, é raro uma menina de 15 anos desenvolver a doença. 

Após ser informada do que aconteceria, Sammie decide escrever um livro de memórias para a Sammie do futuro. Para que sempre que se perdesse, pudesse ler e voltar ao normal. Claro que não é bem assim que a doença funciona, mas o diário é mais uma metáfora da força de vontade dela. Ela simplesmente não quer desistir da vida e do futuro que planejou. 

Então ela começa a escrever, todos os dias, coisas que estão acontecendo; coisas do passado dela que acha importante gravar, e alguns depoimentos sobre os irmãos. Às vezes alguém invade e escreve recados no diário dela. 

Sammie não se abala no começo, ela se mantém esperançosa, continua com a vida, com a planejada faculdade em NY e a preparação do torneio de debate. O clube de debate é muito importante para ela, foi onde conheceu a sua melhor amiga, Maddie. E onde ela é boa, se supera. E quando na final do torneio ela tem a sua primeira crise, percebe que não tem controle da doença, mesmo se esforçando, ela não pode combater o que irá acontecer. 

Então ela simplesmente decide viver o tempo que resta, e você percebe isso nas falas, nas atitudes dela, em como ela vai direto ao ponto, a determinação nas ações. E isso se aplica ao garoto que ela gosta; quando vê uma oportunidade, ela simplesmente se arrisca e acaba por fim descobrindo o seu primeiro amor. Mas como o amor tem diversas formas, e talvez o que você pensa que é amor, pode não ser, Cooper aparece na jogada.  

E apesar do tempo curto, talvez Sammie possa dizer que sentiu emoções e vivenciou a vida mais do que pessoas com a vida toda pela frente. 



Vamos começar a falando um pouco da doença da Sammie

Existem três tipos de Niemann-Pick, A-B-C, a que nossa protagonista tem é a C (NP-C). Ela decorre de uma mutação genética no cromossomo 18, na maioria dos casos. Algumas pessoas com a doença apresentam mutação genética no cromossomo 14. A deficiência da proteína NPC1 nas pessoas com a doença causa o transporte deficiente do colesterol pelas células do corpo, motivando acúmulo excessivo desse colesterol no fígado, no baço e de outras moléculas gordurosas no cérebro, provocando degeneração do sistema nervoso e grave comprometimento neurológico. (Fonte)

Falando mais popularmente, é uma doença que causa demência como sintoma inicial e depois o desligamento das funções do corpo. Eu frisei esse sintoma em particular porque é o mais importante para a Sammie, a perda da memória. Este foi o primeiro livro sobre o assunto que li. Tudo o que eu achava que sabia sobre a doença acabou por ser errado e estereotipado. 

Apesar de parecer um livro triste, é um livo cheio de vida, de mensagens importantes, de amor, amizade, família e muito mais. É sobre uma menina determinada, que decide viver todas as sensação no curta espaço que tem. E posso dizer que ela foi muito amada e querida. 

Devo frisar a escrita novamente, porque o modo como foi escrito permite ver a evolução da doença da Sammie nas palavras lidas e o modo como isso te pega de surpresa, faz seu coração apertar por tudo que ela está perdendo, por todos os sonhos e pelo futuro que é simplesmente arrancado dela.

Apesar de tudo isso, eu ainda não consegui me conectar totalmente com a Sammie, o modo de ela lidar com a doença não me permitiu essa ligação, algumas partes em que deveria estar emocionada, eu simplesmente não estava. A entrada de Coop na história me pegou de surpresa, porque eu não esperava um segundo rapaz, mas não considero um triângulo em si. Algumas passagens do livro foram muito rápidas, Sammie estava ok com a doença, e depois estava chorando... ela estava apaixonada por um cara e de repente, está pelo outro. Enfim, acho que talvez isso espelhe o modo como ela seria com uma doença, talvez fosse realmente assim para ela, (então devo parabenizar a autora pela sacada.) e EU que não peguei o sentido disso, dessas mudanças. 

Fora isso, acho que o livro mostrou muito bem a parte da família, a parte da amizade, como as pessoas podem se comportar perante ao outro. Posso dizer que o Livro De Memórias tem uma escrita leve, poética. Uma forma simples e clara de abordar uma doença, Niemann-Pick no caso. De fazer com que o leitor sinta como é a doença para a personagem principal e de que forma podemos ir superando os grandes obstáculos da vida e aceitando o que muitas vezes é inevitável.


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