[Resenha] Sem Olhar para Trás - Lycia Barros

Sem Olhar para Trás
Lycia Barros
Editora Valentina

O novo romance da escritora Lycia Barros narra um drama super comum da sociedade ao longo dos séculos. Um mal que acomete, principalmente, as mulheres. Afinal, quando coagidas, agimos de forma equivocada e facilmente somos influenciadas por nossos medos. No entanto, muitas vezes o sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito. E sempre há tempo para refazermos a nossa trajetória, onde algo surpreendente pode estar nos esperando no fim da linha. Esse é o foco da história de Agatha: é preciso força para recomeçar. As cicatrizes ficam, mas a força de reação é maior.

Por um impulso comum a uma jovem apaixonada, Agatha abandonou a faculdade, a casa dos pais e tudo que lhe era familiar para viver um sonho de amor com Bruno, um jovem charmoso que a conquistou com gestos românticos, um jeito sedutor e promessas de felicidade amorosa.

Mas seu sonho se tornou um terrível pesadelo quando, quem ela pensou ser um príncipe, revelou-se um monstro cruel e dominador, que a fez viver longos anos sofrendo violência física e psicológica, forçando-a a deixar de ser uma jovem alegre e cheia de esperanças para se tornar uma sombra de si mesma, sob o julgo do medo.

Quando recebe uma herança inesperada, ela vê a oportunidade de se livrar daquele inferno. Assim, parte junto com o filho para outro estado, disposta a ter uma vida livre da violência que passou a ser constante em sua vida.

Em Rio Preto, onde Agatha encontra refúgio no pequeno sítio herdado, ela não se depara somente com os desafios de viver por conta própria, já que em toda sua vida teve os privilégios que o dinheiro proporciona; ela também encontra Vicente, alguém que acaba por lhe despertar uma atração inesperada.

Vicente é um ex-campeão de hipismo que possui uma pousada ao lado do sítio de Agatha. Taciturno, não procura se envolver com alguém, principalmente com uma completa desconhecida que surgiu inesperadamente na região. 

Porém, com a interferência da sua cozinheira adoravelmente intrometida e através da amizade com Gabriel, o filho de Agatha, os dois acabam se aproximando e se envolvendo amorosamente. Os dois se entregam a essa atração intensa, apesar dos temores que ambos possuem. O que há entre os dois acaba evoluindo para algo mais forte, e mesmo com os receios que permeiam essa relação, eles tentam buscar a felicidade juntos.

(...) A minha vida também andava cinza antes de eu te conhecer. Meu coração estava vazio. Eu sentia saudades de você antes mesmo de tê-la encontrado.

No entanto, um pesadelo ainda permeia a mente de Agatha: que seu ex-marido descubra onde estão e destrua a paz recentemente conquistada. E esse pesadelo se materializa de forma violenta, trazendo a realidade de um futuro incerto, onde só a fé em uma força maior pode trazer o consolo e a esperança de tudo dar certo.


Bem, vou tentar colocar de forma clara minhas impressões sobre esse livro:

Primeiramente, quando vi que tinha um certo cunho religioso, fiquei um tanto receosa de ler. Não que eu seja cética sobre o valor que a fé tem na vida das pessoas e como isso as impulsiona; meu receio foi justamente pelo fato de que, quando penso em algo traumático, que oprime a pessoa por longos anos, além da fé, tem que haver também uma força interior para que se saia de determinada situação ou condição. 

Mas, ao longo do livro, o cunho religioso é mínimo, pode-se dizer assim. Da forma que acredito que a autora quis trabalhar, não foi bem desenvolvido. Praticamente foi uma citação, uma alternativa para suportar um momento angustiante. Pelo menos foi essa a impressão que tive, mesmo citando mais adiante o envolvimento do casal na vida religiosa.

O segundo ponto que devo mencionar aqui, é sobre o envolvimento do casal, Vicente e Agatha. Eu esperava que os sentimentos fossem mais explorados, no entanto, tudo aconteceu de uma forma bem rápida, mal deu tempo de eu, como leitora, me envolver com eles, torcer imensamente pelo final feliz. Posso estar sendo chata com relação a isso, mas fiquei imaginando até que ponto Agatha realmente amava Vicente, ou se ele foi apenas alguém com quem ela descobriu o consolo e uma forma de amor mais carinhosa dedicada a ela. 

Como o envolvimento dos dois acontece muito rápido no livro, senti falta de como os sentimentos deveriam ser trabalhados, a confiança ser construída, afinal, ela saiu de um relacionamento traumático. Creio que isso seria necessário para que o leitor se envolvesse mais com os personagens.

Enfim, para quem curte aquelas histórias ideais para passar o tempo, tipo sessão da tarde, é uma boa indicação.

Um comentário:

  1. Oi.
    Eu nem sabia que este livro tinha um cunho religioso, mas acredito que isso não muda em nada a obra. O fato dos dois personagens terem se envolvido rápido é algo que me deixa com um pé atrás, já que esperamos que alguém que tenha passado por um relacionamento traumático seja mais difícil de conquistar. Mesmo assim acredito que este livro tenha seu potencial.
    Beijo, Visite o Leitora Encantada

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